Del Martin tem 87 anos. Phyllis Lyon tem 83. Duas senhoras de idade respeitável que vivem juntas há mais de 50 anos, muito mais do que a maioria dos casamentos aguenta. Queriam casar e a lei dizia que não eram dignas para tanto. Dizia mas já não diz. O Supremo Tribunal da Califórnia declarou esta discriminação inconstitucional. E elas foram das primeiras a chegar à Câmara Municipal de São Francisco para dar finalmente o nó.
Devo dizer que, dos que se opõem a esta mudança na lei, os que mais irritam são os supostos ‘progressistas’. Dizem eles: num momento em que o casamento perde importância é anacrónico que os homossexuais façam dele o seu cavalo de batalha. No fundo, acham que os homossexuais, já que são homossexuais, deviam estar na vanguarda de uma suposta ‘dissolução dos costumes’. Não podem ser como os outros. Não podem querer bolo de noiva, despedida de solteiro e lua-de-mel. Se o quiserem não passarão de uma cópia ridícula dos casais a sério. Perdem a função decorativa e tão pitoresca nas noites das grandes metrópoles.
O que está em debate não é o casamento. Essa é uma escolha de cada um. Casar, não casar, ser virgem até à noite de núpcias ou viver sem pouso nem parceiro certo. O que está em causa é muito mais importante. É a igualdade perante a lei. É o direito a não querer casar. Porque não se quer, não porque é proibido. Com mais de oitenta anos, Del e Phyllis quiseram. Até que a morte as separe.
Publicado por Daniel Oliveira 7 de Julho de 2008 em Expresso





