A Islândia era um país relativamente pobre antes da II Guerra. Depois, graças a uma base militar americana, à exportação de peixe, ao investimento em tecnologia e educação e à adopção do modelo social nórdico, transformou-se num dos países com maiores índices de desenvolvimento e produtividade do mundo. Só que a Islândia nadava em dinheiro. Com apenas 300 mil almas penadas, o dinheiro sentia claustrofobia insular. Os bancos do país começaram a alargar os seus negócios para outra paragens e a investir em mercados muito mais arriscados mas com maior retorno. Correu bem e a Islândia teve, na última década, um crescimento de 4% ao ano. Até que rebentou a crise. Os bancos islandeses, demasiado gordos e expostos, entraram em colapso. Arrastaram a ilha com eles. Os islandeses descobriram que o dinheiro dos seus fundos de pensões empatados nas bolsas correspondia a 133% do PIB anual. E a prudente Islândia, que teve de chegar a velha para se meter no jogo, ficou na penúria. Os três maiores bancos foram nacionalizados, a coroa islandesa estatelou-se e a ilha está à beira da bancarrota.
Nada aconteceu à economia real islandesa. Continua a produzir-se muito e bem, continua a exportar-se peixe e eles continuam a ser poucos e educados. E antes desta engorda, o país estava bem e recomendava-se. Foi a ganância que tramou os islandeses. A mesma ganância que levou 300 mil britânicos, incluindo Câmaras Municipais, universidades, hospitais, instituições de beneficência e até uma associação de abrigo para gatos, a investir mais dinheiro na banca islandesa do que a prudência recomendava. Gordon Brown veio em seu socorro e usou uma lei antiterrorista para salvar as libras de se afogarem no Atlântico Norte.
De um dia para o outro, o país onde melhor se vivia ficou com uma inflação estratosférica, tem de pedir dinheiro aos russos, nacionalizou os seus três maiores bancos e, pela primeira vez na história, o seu primeiro-ministro anda na rua com um guarda-costas. É o que dá pôr tudo o que se ganhou a trabalhar a render no jogo.
Sem comentários 29 Out 08 em Expresso


