Juntam-se em igrejas e bibliotecas. Às vezes em casa de vizinhos. Cada um dos poucos eleitores democratas que se dá ao trabalho de participar neste bailarico eleitoral vai para o canto da sala correspondente ao candidato que apoia. As cabeças são contadas. Os que votaram em candidatos escolhidos por menos de um sexto dos presentes são convidados a mudar o seu ‘voto’. E faz-se este jogo das cadeiras de novo. O processo pode demorar mais de cinco horas e são permitidas ofertas aos eleitores. É assim, sem voto secreto, com círculos eleitorais de dimensões completamente diferentes a valerem o mesmo e com orçamentos e propaganda do século XXI a manipularem um sistema eleitoral do século XVIII que o Iowa escolhe o candidato democrata mais votado nas primeiras primárias americanas. E porque são as primeiras acabam por ser determinantes. Não deixa de ser assustador saber que o homem mais poderoso do mundo, que decidirá muito das nossas vidas nos próximos anos, começa a ser escolhido como se fosse presidente de uma filarmónica. Melhor isto do que nada, é certo. Mas este circo anacrónico demonstra os perigos do conservadorismo: quase nunca conserva realmente alguma coisa a não ser os seus próprios defeitos.
Por Daniel Oliveira 8 Jan 08 em Expresso

