No Reino Unido há bases de dados de DNA com uso bastante generoso. Há câmaras por todo o lado que acompanham os movimentos dos cidadãos. Apesar de resistirem à criação de um Bilhete de Identidade, o respeito pela vida privada já conheceu melhores dias. Aplica-se uma máxima bastante popular: quem não deve não teme. Perigosa, até porque toda a gente deve alguma coisa e tem razões para temer alguma coisa. Esta semana o sistema mostrou os seus pés de barro: perdeu, em dois simples CD, transportados pela empresa TNT, a informação de 25 milhões de contribuintes. Nomes, moradas, números de segurança social e informações bancárias.

Porque tem de cobrar impostos, combater a criminalidade, decidir políticas e pagar subsídios, é inevitável que o Estado recolha e guarde informação sobre os cidadãos. Mas deve evitar recolher e cruzar informação desnecessária e deve limitar o acesso a essa informação a muito pouca gente. A paranóia securitária, a desconfiança patológica em relação aos cidadãos e a facilidade de acesso de funcionários anónimos e de empresas privadas a informação de Estado têm marcado o início deste século. Este episódio, que se não fosse grave seria divertido, é apenas isso mesmo: um episódio. Mas serve de aviso. O problema não é só de princípio. É que o Estado é feito de pessoas. E o mais improvável pode sempre acontecer.