Quem casa contrata serviços. É normal que pague impostos por isso. E é normal que se fiscalize se os paga. Mas já se sabe que o Governo está empenhado em fazer de cada português um fiscal. Quer que os nubentes, entre o lançamento do buquê e o calor da noite de núpcias, controlem se todos os outros estão a cumprir as suas obrigações tributárias. Tenho ouvido muitas críticas. Injustas. Para mim, o Governo peca por defeito. E o defeito resulta de uma fraca integração dos vários serviços do Estado, que podiam aproveitar estes excelentes olheiros.
Proponho mais funções para os noivos. Informação a recolher: Na despedida de solteiro as convidadas pediram factura aos “strippers”? O bolo da boda foi preparado com colher de pau? No grupo de baile que animou o copo de água havia algum imigrante brasileiro ilegal? Algum dos convidados fumou em zona não autorizada? Na noite de núpcias verificou se o parceiro usava “piercing” nos genitais? Este é problema do Governo de Sócrates: as suas reformas são boas, mas, por desorganização ou falta de coragem, ficam sempre a meio.
Por Daniel Oliveira 1 Abr 08 em Expresso

