Os resultados das directas do PSD apenas ditarão se o novo líder ficará no posto depois das próximas eleições ou se dará lugar a outro. Manuela Ferreira Leite não está talhada para liderar oposições. Terá um melhor resultado eleitoral em 2009 mas com ela começará tudo de novo na conturbada vida do PSD. Passos Coelho conseguirá um resultado mais modesto mas ficará na liderança, terá mais condições para unir o partido e não se entenderá com Sócrates. Seja como for, a crise económica está apenas no início de um longo ciclo e nem o estado lamentável da direita nacional vai salvar o PS de uma maioria relativa. A questão relevante é saber como vai Sócrates, com as suas características pessoais e políticas, governar nestas condições.

Olhando para as sondagens, parece evidente que, no conjunto, Bloco de Esquerda e PCP se aproximarão, em 2009, dos 20%. Talvez Sócrates acredite que contará com um deles para governar. Não podia estar mais enganado. Para BE e PCP Sócrates tem lepra. O primeiro a aproximar-se dele está condenado. Também não contará com a eterna muleta de todos, o CDS, que promete eclipsar-se. Restaria um entendimento com o PSD, cenário inverosímil. Ou seja, se o PS perder a maioria absoluta podemos contar com eleições lá para 2011. Sem Sócrates.

Quando o PS voltar para a oposição a crise por que passa hoje o PSD vai parecer uma brincadeira de crianças. Uma coisa é perder votos para o outro partido do centrão. Esse é o voto flutuante. Como vai, volta. Outra é perder votos para a sua esquerda. Esse é o voto histórico dos socialistas, o seu núcleo duro. Sem ele o PS conhecerá a crise de identidade em que o PSD vive desde a sua fundação. E depois de Sócrates de pouco valerão dramatismos de última hora para arrebanhar voto útil. Depois de Sócrates ninguém tem medo da direita. O PS terá de rever todas as escolhas que fez nos últimos anos. Soares e Alegre já o perceberam.