Em 64 países ainda se mata em nome da lei. Noventa por cento destes crimes de Estado são cometidos na China. Logo depois, na macabra contabilidade, vêm o Irão, o Paquistão, o Iraque, o Sudão e os Estados Unidos. Desde 1990 China, Congo, Nigéria, Paquistão, Arábia Saudita, Iémen e EUA executaram 52 menores, alguns com menos de 14 anos. Não espanta que ditaduras insultem assim o mais básico dos direitos humanos. Mas desde 1976 foram executados mais de mil norte-americanos.
A defesa da vida da pessoa humana é um valor superior a todos os outros: o único acima da liberdade. Acima da igualdade ou da democracia. E, no entanto, incluímos os EUA entre os estados que representam os chamados valores ocidentais. Olhando para os números, teremos de nos perguntar se o respeito pelos direitos humanos faz, realmente, parte desses valores. Ou talvez haja alguma confusão entre geografia e filosofia. Entre a história recente da Europa e aquilo a que chamamos Ocidente. Talvez o Atlântico e os traumas de duas guerras e de tantas ditaduras separem muito mais do que pensamos. Seja como for, até porem fim a este crime, os EUA não podem ser aceites sem contestação nesse restrito clube de países que, em matéria de direitos humanos, serve de exemplo ao mundo. Isto, claro, se queremos que o mundo nos leve a sério.
Sem comentários 15 Out 07 em Expresso


