SE O terrorismo está mais forte do que nunca. Se no Ocidente há gente presa durante anos sem culpa formada, havendo fortes suspeitas da prática de tortura. Se a Convenção de Genebra é uma memória longínqua. Se leis que atentam contra os mais elementares direitos humanos são aprovadas em democracias ocidentais. Se o poder de um Estado tornou impossível qualquer lei internacional. Se a autoridade da ONU foi defectivamente enterrada. Se a guerra voltou a ser a forma legítima de regular a economia. Se ela será infinita e marcará as nossas vidas durante estas décadas. Se o mundo está perigoso. E se Tony Blair é a chave europeia para esta catástrofe. O que me interessa a mim que a segurança social inglesa nunca tenha estado tão bem?
Pode até ser que Blair tenha acertado no Reino Unido. Mas falhou no mundo. E, não sendo eu inglês, é deste cantinho, é do Planeta, que faço o retrato de Blair. E o seu retrato é o retrato da guerra. É, aliás, também na guerra que, por cá, os mais surpreendentes dos convertidos à agenda social trabalhista estão a pensar. Sem a guerra, esta eleição era para nós e para a história irrelevante.
É por causa da guerra que queria que Blair perdesse. Que o trocaria pelos liberais-democratas. Porque em Blair, enquanto houver guerra, só a guerra interessa. E mesmo que os ingleses não quisessem, foi à guerra que deram, na quinta-feira, uma vitória. Uma curta vitória.
Por Daniel Oliveira 7 Mai 05 em Expresso

