Eliot Spitzer, governador de Nova Iorque, foi apanhado com a boca na botija. Contratou prostitutas. Ainda não se sabia muito mais e já todos pediam a sua cabeça. Demitiu-se. Independentemente de outros ilícitos do senhor, preocupa-me este hábito. O mesmo que neutralizou Bill Clinton, um dos mais razoáveis presidentes americanos, enquanto as mentiras, os escândalos políticos e as mortes à volta de George Bush não mereceram grande censura. Na verdade, os americanos parecem dar mais importância aos vícios privados do que à corrupção pública.
Eliot Spitzer foi eleito há um ano para o cargo de governador. Teve 69% dos votos. Antes era procurador-geral e ficou conhecido pelas suas corajosas investigações a crimes de colarinho branco. Com um assinalável sucesso que nunca lhe foi perdoado. E porque defendia uma ética pública esperava-se que fosse irrepreensível debaixo dos lençóis. Quem fica a perder? A democracia, que se transforma numa feira de virtudes povoada de corruptos incapazes, mas excelentes pais de família ou apenas bons mentirosos. Óptimo para as suas famílias. Péssimo para os cidadãos.
Por Daniel Oliveira 27 Mar 08 em Expresso

