Na primeira grande guerra os alemães faziam poemas à coragem dos soldados britânicos enquanto se riam da criminosa incompetência daqueles que os comandavam. Um oficial alemão dizia que aqueles bravos homens que ele combatia eram leões dirigidos por cordeiros. A imagem é usada por Robert Redford no seu último filme, ‘Lions for Lambs’, para falar da América. O 11 de Setembro acordou o pior dos americanos. Mas também revelou o melhor: a vontade de fazer alguma coisa. E é nestes raros momentos na história dos povos que ficamos a conhecer de que são feitos os seus líderes. A extraordinária incompetência do Presidente e dos homens que o rodeiam levou a América a um beco sem saída. Para lá de uma guerra impossível de vencer há um activo que os EUA perderam: a credibilidade. Não sobrou nenhuma.
O filme de Redford é sobre esta pergunta: o que fazer para recuperar a vontade dos leões? O começo de uma possível resposta está nas próximas eleições presidenciais: chama-se Barak Obama. Não tanto pelo seu discurso, que ainda vai piorar antes de melhorar. Nem por ser o único candidato relevante que se opôs à aventura iraquiana. Nem sequer está no facto de ser um mestiço com raízes muçulmanas, com todas as vantagens que isso traz no diálogo com os povos que mais odeiam a América. Está numa coisa menos tangível. Se nem uma palavra dita por Bush merece benefício da dúvida, Obama, muito mais do que Hillary e seguramente mais do que Giuliani - que ainda nos faria ter saudades da estupidez do actual Presidente - tem o que os americanos mais precisam: credibilidade e capital de esperança. Não é solução para nada. Mas sem isto nem há começo de conversa.
Publicado por Daniel Oliveira 18 de Dezembro de 2007 em Expresso





