Que a maioria dos países de Leste queira ser mais europeísta do que todos os europeus compreende-se. Depois de décadas asfixiados pelo grande vizinho russo e recém-chegados à União, vivem, como em namoros recentes, entre o entusiasmo e a vontade de agradar. Mais estranho é que, em Portugal, mais de vinte anos depois da adesão, quase nada tenha mudado neste debate. Cada vez que surge uma exigência, vem a acusação: trata-se de gente que quer Portugal isolado. Esta chantagem apenas prova que os portugueses ainda se sentem convidados na Europa. Fazem cerimónia, à espera de pequenas alegrias: ter um tratado com o nome da sua capital ou ouvir elogios por bom comportamento.

A Constituição Europeia foi chumbada em vários países e José Sócrates prometeu, em campanha eleitoral, referendá-la. Este tratado é praticamente igual ao que então estava em debate. Quem exige um referendo que respeite as regras democráticas está a ser mais europeísta do quem o nega. No caso de Portugal, trata-se de passar para a fase seguinte: não querer apenas os fundos comunitários e a simpatia dos grandes. Querer decidir. Sem isto, o projecto europeu nunca sairá dos limites da cidade de Bruxelas.