A greve dos camionistas não foi, na realidade, uma greve. Foi um “lock out”, proibido pela lei portuguesa. As empresas não podem fazer greve ou obrigar os seus trabalhadores a fazê-la em seu nome. No entanto, ao contrário do que acontece quando uma população bloqueia uma estrada ou quando um piquete de greve encerra uma fábrica, as autoridades foram, durante dias, de uma infinita compreensão. Nas greves de transportes públicos exigem-se serviços mínimos que correspondem à proibição da greve. Mas quando um grupo de empresários encerra estradas e obriga outras transportadoras a fazer-lhe companhia logo a linguagem se torna mais doce.

Compreendo que, tal como o resto dos portugueses, os donos das transportadoras, algumas delas empresas familiares, estejam desesperados com o preço dos combustíveis. Até compreendo que queiram custos em gasolina iguais aos dos espanhóis. Mas, quando os preços eram aproximados, estiveram disponíveis para ter as mesmas despesas com a mão-de-obra? Querem condições iguais ou apenas a parte fácil dos seus vizinhos? A ver se estes empresários percebem as regras do jogo: ou ficam com as vantagens e com as dificuldades, ou ficamos nós todos com o seu risco, mas também queremos os seus lucros. Não podem é querer ser empresas privadas quando tudo corre bem e do Estado quando a coisa dá para o torto.