Um cozinheiro infectado com o vírus do HIV foi despedido por uma cadeia de hotéis. Do ponto de vista da saúde pública, a decisão não tem pés nem cabeça. Como o cozinheiro acreditava na justiça e julgava viver num país informado, recorreu aos tribunais. Como seria de esperar, os juízes pediram pareceres a médicos especialistas. Consenso: não há risco de contaminação, o despedimento não faz qualquer sentido. Decisão do Tribunal: dar razão ao despedimento. Faz sentido. Mal estaria a autoridade dos juízes se pareceres técnicos começassem a influenciar as suas decisões.

Imagino que o despedido vá recorrer ao Supremo Tribunal de Justiça. Tendo em conta que é o mesmo tribunal que admoestou umas estrangeiras violadas por andarem à boleia na “coutada do macho ibérico” e que considerou que as práticas homossexuais representam “um uso anormal do sexo”, desejo-lhe boa sorte nesta viagem no tempo.

Nos anos 40 havia um cartaz um pouco humilhante, de promoção turística de Portugal, que incentivava os europeus a conhecerem a Idade Média em pleno século XX. Acho que foi prematuro o abandono deste filão. É voltar a ele. E fazer do Palácio da Justiça o nosso mais rentável parque temático.