É MAIS uma das suas birras. O CDS enviou o retrato de Freitas do Amaral para o Largo do Rato. Acho inaceitável que o PSD não exija a foto de Lucas Pires e o PND a de Manuel Monteiro. Por mim, a julgar pela sua última entrevista, quero a de Adriano Moreira.
Mas esta é apenas a parte anedótica das reacções à escolha de Freitas do Amaral para ministro dos Negócios Estrangeiros. Se olharmos para a opinião pública portuguesa, veremos que, ao contrário do que se tem dito, Freitas do Amaral está longe de ser um radical. Foi contra a guerra no Iraque. Desconfia desta Administração americana. Opõe-se a soluções unilaterais na resolução de conflitos. Em qualquer dos casos, está em sintonia com a esmagadora maioria dos portugueses. E, já agora, não anda longe das posições da maioria dos governos europeus.
O que se tem dito em alguma imprensa internacional e repetido em Portugal, com a histeria provinciana do costume, revela um muito particular entendimento da democracia. Se bem me lembro, houve eleições há duas semanas. Estranho seria que o novo MNE não reflectisse a opinião maioritária do país. Mas há quem ache que os assuntos internacionais são demasiado importantes para serem deixados à escolha democrática.
Freitas do Amaral merecerá ser atacado se, como já fez algumas vezes na sua vida, apagar o seu passado e desdisser tudo o que disse. Ficará com a sua fotografia no MNE, é certo. Mas entre ele e Jaime Gama ninguém dará pela diferença. Seria pouco, para quem já voou tão alto.
Por Daniel Oliveira 12 Mar 05 em Expresso

