Sarkozy estava de visita a um Salão de Agricultura. Aproximou-se de um homem para o cumprimentar. Deste veio a reacção: “não me toques, que ainda me sujas”. Nicolas respondeu como responderia o comum dos mortais: “então desaparece, pobre idiota”. Trivial. Por mim, desconfio sempre de um político que faz um sorriso quando lhe chamam ‘ladrão’ ou ‘mentiroso’. Mas parece que a respeitabilidade de um presidente se mede pela ausência de nervo e Sarkozy foi massacrado.
O pior veio depois. Numa entrevista ao ‘Le Parisien’, Nicolas Sarkozy respondeu a perguntas de leitores. Sobre a polémica, disse o óbvio: “não é porque se é Presidente que nos tornamos em alguém que é possível espezinhar”. Mas a versão final da entrevista foi ao Eliseu para ‘verificação’. E de lá veio um acrescento: “posto isto, tinha feito melhor em não lhe responder”. Pior a emenda que o soneto. O jornal revelou que se tratava de um acrescento não dito pelo Presidente, que, na entrevista, “não exprimiu o mínimo arrependimento”. Fica uma lição para Nicolas: devia ter confiado no seu primeiro instinto. Porque pior do que um malcriado ofendido é um malcriado sem espinha.
Sem comentários 4 Mar 08 em Expresso


