Em 2008 vai abrir-se a Caixa de Pandora no Kosovo. A Sérvia, que viu a sua Jugoslávia repartida em seis estados, vai reagir contra os países europeus que reconhecerem mais esta independência. Num continente desenhado a sangue, de que os Balcãs são o mais trágico e recente exemplo, qual o critério que torna admissível que uma Nação passe a ser um Estado independente? Que argumento será dado ao País Basco, à Córsega ou à Escócia para não exigirem pelo menos referendos nacionais? Se, por vontade dos próprios países europeus, não há um acordo geral sobre as actuais fronteiras, que autoridade sobra? Se as acções do UÇK foram toleradas ou mesmo aplaudidas, por corresponderem a um combate ‘patriótico’, qual é o último argumento contra a ETA e a Armata Corsa?

Três possibilidades: ou, à semelhança do que aconteceu em África, a alteração das fronteiras é assunto tabu; ou está tudo em aberto e todas as reivindicações separatistas são legítimas; ou considera-se que o aprofundamento e alargamento da União Europeia permitem que as Nações sem Estado encontrem soluções originais de autonomia. O que não é aceitável é esta falta de critério. Ou melhor, este único critério: o que for mais conveniente em cada momento a cada potência europeia. Se é este o caminho não seria má ideia recordar como começaram as duas piores guerras do século XX.