Começa amanhã um boicote à gasolina. Na versão minimalista, só à Galp. Na versão mais arrojada, à Galp, à BP e à Repsol. A ideia é prejudicar uma ou três empresas para as obrigar a baixar os preços e assim inverter a espiral especulativa. Devo dizer que me parece tímido, até porque os efeitos serão apenas simbólicos. Se é para enviar um sinal, era interessante ir mais longe. Guardar os carros nas garagens durante estes três dias. Encher autocarros, comboios e metropolitano. Dizer assim às petrolíferas, a todas elas, que não estamos dispostos a ser assaltados por um mercado que não funciona graças à passividade das entidades reguladoras e ao temor do poder político. E enviar um sinal ao Estado: mostrar como a rede de transportes é ineficiente e como o desinvestimento no transporte público é um crime económico e ambiental. E, já agora, aprendermos qualquer coisa com isto: teremos mudar de hábitos. A nossa dependência absoluta em relação ao petróleo é um suicídio lento. Os últimos a percebê-lo terão um futuro sombrio. É por isso que reduzir os impostos sobre o combustível não seria apenas estúpido. Seria como atirar gasolina para uma fogueira.