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Três actores no palco: Hugo Chávez, Rodriguez Zapatero e Juan Carlos. Cada um com o seu papel. Hugo Chávez: Presidente da Venezuela. Ganhou duas eleições. Não gostam? Peçam a nacionalidade venezuelana e votem nas próximas. Juan Carlos: Rei de Espanha. Muitas democracias conseguiram acomodar de forma equilibrada a monarquia, uma excrescência antidemocrática, no seu sistema constitucional. Condição: o monarca, não eleito, limita-se a funções simbólicas. Rodriguez Zapatero: primeiro-ministro eleito de Espanha com funções executivas.
Trama: Chávez chama “fascista” a Aznar. O chefe de Estado insulta um cidadão que foi eleito pelos espanhóis. Mesmo que tenha dele razões de queixa, procura deliberadamente um conflito inconsequente. As cimeiras internacionais não servem para desabafos. Zapatero responde, com firmeza e correcção diplomática. Defende a honra de quem se tem dedicado a insultá-lo pelo mundo fora. Exactamente porque representa o povo espanhol, Aznar incluído. O Rei intervém para mandar calar o Presidente da Venezuela. Esquece-se de dois estatutos: o seu, monarca, e o do homem que manda calar, Presidente eleito. A Coroa da Espanha manda calar o Estado da Venezuela. E isto é não só inaceitável como absolutamente inédito na política internacional.
Que haja gente que se excite ao ouvir mandar calar aqueles de que não gosta não é novidade. Mas, num encontro diplomático desta natureza, espera-se que cada um cumpra as suas obrigações. Hugo Chávez e Juan Carlos foram maus actores nos seus papéis. Zapatero, porque, ao contrário de um, é responsável e, ao contrário de outro, tem de ser reeleito, mediu o que disse. O que lhe falta em testosterona sobra-lhe em sangue-frio. Mal está o mundo se os estadistas começarem a dizer uns aos outros o que lhes vem à cabeça. Sejam eles reis ou bobos.
Por Daniel Oliveira 19 Nov 07 em Expresso

