O país das lutas de sumo e dos heróis obesos está preocupado com a gordura dos seus cidadãos. O Governo japonês decretou que as empresas terão de diminuir o número de trabalhadores com excesso de peso até 2015. Ao que parece, o serviço nacional de saúde não suporta barrigas generosas. O limite decretado são 82 centímetros de diâmetro.
O Japão, onde as crianças se matam porque não atingem os mínimos no competitivo mercado escolar, habituou-nos a ser uma caricatura dos nossos piores pesadelos. E se no século XX eles passavam pela omnipresença do Estado e da sua máquina ideológica, no século XXI temos razões para temer o preço do seu próprio emagrecimento. Depois da conquista da liberdade individual e do lazer, voltaremos a ser máquinas de produção, oleadas para custar pouco ao Estado e dar lucro às empresas. A ética capitalista tem o mesmo sonho de todas as ideologias totalitárias: transformar cada cidadão numa simples peça da engrenagem. Diferenças culturais à parte, e não são poucas, o Japão é apenas uma antevisão do futuro. Quando se cumprir o sonho ultraliberal (e antilibertário) e a única função do Estado for promover a produtividade e reduzir as suas prestações sociais, ficaremos finalmente reduzidos a robôs nipónicos. Com elegantes barriguinhas, claro.
Por Daniel Oliveira 6 Mai 08 em Expresso


2 respostas ao post “Robôs nipónicos”