Jerónimo de Sousa foi a Angola. Chegado a Lisboa, transmitiu ao ‘Avante!’ algumas das suas impressões. Primeira: “sentimos haver um esforço claro do MPLA no combate à corrupção. Neste aspecto, pode dizer-se que, havendo um problema, não se sente a corrupção como um fenómeno instalado e em desenvolvimento, mas antes como uma situação que está a ser encarada e combatida pelo MPLA”. Ou seja, o MPLA e José Eduardo dos Santos, eles próprios o centro da pornográfica corrupção angolana, querem curar-se. Segunda: “existe a vontade de não transformar a sociedade angolana numa sociedade capitalista no sentido clássico”. Não sei qual é o sentido menos clássico, mas pela amostra é ainda pior do que o tradicional.

Determinado a não fazer nenhuma reavaliação do passado, o PCP move-se, em matéria internacional, guiado pelos seus próprios reflexos condicionados e pelas memórias de um mundo desaparecido. Procura amigos em qualquer buraco, achando que se fizer muito esforço para não ver a realidade ela desaparece. Isso explica a simpatia para com o regime chinês, que, enquanto impõe ao país um capitalismo selvagem sem liberdade se aproxima da Internacional Socialista, ou esta solidariedade com a alta burguesia cleptomaníaca de Angola, que mantém fortes relações com os EUA.

Podemos visitar velhos amigos para os rever. Até podemos ter o pudor de fingir não notar como estão mudados. Mas nem eles nos exigem que façamos desta ilusão um programa político.