Seis dos supostos autores do 11 de Setembro, que estão em Guantánamo, vão a julgamento. Julgamento é um eufemismo. Tribunais militares tentarão condená-los. Só terão direito a um advogado civil se o Exército autorizar. Poderão ter apenas acesso a um sumário das provas que serão usadas contra si. Serão admissíveis “testemunhos indirectos” e caberá aos acusados provar que estes não merecem credibilidade. O que é extraordinário, já que a acusação pode manter secretas as fontes ou os métodos de interrogatório que foram usados para recolher esses testemunhos. E é bom não esquecer que a tortura, desde que aplicada antes de 2006, é considerada uma forma aceitável de recolha de prova. Sendo que ainda não há acordo na definição do que seja tortura e se ela inclui a simulação de afogamento, usada, por exemplo, com Khalid Sheikh Mohammed, o principal suspeito. É natural que não se queira levar nada disto a um tribunal civil. Nenhum aceitaria estes métodos. Felizmente, o Supremo pode travar esta farsa ainda antes dela começar. E mesmo depois, o verdadeiro sistema de justiça pode vir a anular a sentença.

Não é preciso ser muito escrupuloso na defesa dos direitos cívicos para perceber que este julgamento, que quer condenar seis pessoas à pena de morte, é um insulto ao Estado de direito. Porque simula a ideia de justiça, é pior do que execução sumária. A maior vitória dos terroristas: julgam ter provado que, quando atacadas, as democracias ficam mais parecidas com eles. Por enquanto, é difícil dizer que não têm razão.