Quando apoio um partido não espero um mundo novo. Basta-me concordar com o seu programa e acreditar que o vai tentar cumprir. E nada como começar pela minha rua para saber se valeu a pena. Por isso, quando voto espero que o meu voto seja usado para o que serve: o exercício do poder. Se é impossível, fica-se na oposição. Se é possível, assumem-se responsabilidades. No meu caso, quero que o partido em que votei use o meu voto para fazer oposição ao péssimo Governo que temos, porque mais do que isso é impossível. E, em Lisboa, quero que comece a cumprir pelo menos uma parte do programa que apresentou, porque isso parece ser possível. Como sempre achei que as eleições de Lisboa não eram as primárias das próximas legislativas, porque sou lisboeta e porque o poder não me enoja, fiquei contente com o acordo entre Sá Fernandes e António Costa.
O partido que ajudei a fundar dá agora um enorme salto político. Numa cidade com a importância de Lisboa, um candidato por ele apoiado será testado no poder. Com alguma sorte e muito trabalho mudará alguma coisa concreta na vida de pessoas concretas. Para a próxima, em vez de votos descontentes terá, se merecer, alguns votos de contentamento. Bem sei que para quem procura a pureza na política será uma desilusão. Só que a pureza está destinada aos santos. E Deus nos livre dos santos da política. Ou são inúteis ou são perigosos.
4 de Ago de 2007
Por Daniel Oliveira 4 Ago 07 em Expresso

