«Se a manifestação de Silves fosse de skinheads ou do PNR, contra uma herdade que tinha trabalhadores indocumentados do Magrebe, a GNR colocaria dois guardas a vigiá-la ou haveria um aparato bélico por tudo quanto era campo?» José Pacheco Pereira

O problema é que o mais provavel é que estivessem lá para ceifar os imigrantes e não a colheita. Espero que para Pacheco Pereira não seja a mesma coisa. Dedicado às suas obsessões, JPP tem o hábito de branquear a extrema-direita e os seus grupos mais violentos, onde estão incluidos homicidas condenados. Por isso, talvez nem tenha reparado que da última vez que esta rapaziada organizou uma “acção directa” matou um cidadão português de origem cabo-verdiana. Para Pacheco Pereira parece não fazer qualquer diferença: um negro, uma maçaroca de milho…


Sem respostas ao post “Quem é amigo, quem é?”  

  1. 1 1  Sebastião Dias

    Pois, Daniel, a sua afirmação faria todo o sentido salvo um pormenor, insignificante para si, mas, certamente, importante na interpretação que podemos fazer desta questão: é que os supostos imigrantes estariam ilegais, enquanto o campo de milho trangénico está absolutamente dentro da legalidade.

    O que a sua cabecinha interpreta como uma confusão entre pessoas e maçarocas de milho é no fundo uma comparação entre causas (ideológicamente certas ou erradas) na defesa da legalidade ou na sua afronta.

    «Para Pacheco Pereira parece não fazer qualquer diferença: um negro, uma massaroca de milho…».

    A sua não compreensão em relação à afirmação de Pacheco Pereira não justifica de maneira alguma o insulto que lhe fez. Dado que não consegue chegar ao nível de discussão de Pacheco Pereira, espero que ele não desça ao seu com uma resposta que óbviamente não merece.

  2. 2 2  parca

    Independentemente do milho ser legal e a acção dos jovens ecologistas ser ilegal e imbecil, não é comparável com a acções dos skinheads que mataram uma pessoa, o que é muito mais grave (mesmo que fossem emigrantes ilegais)…

  3. 3 3  Daniel Oliveira

    Sim, Sebastião Dias, tratando-se de pessoas, de um lado, e milho, do outro, é absolutamente insignificante para mim o facto dos primeiros serem ilegais. Chame-lhe divergências ideológicas. Eu prefiro dizer que se trata de alguma decência.

    De facto, a comparação entre homicidas e isto é de um nível superior que não atinjo.

  4. 4 4  J

    “Para Pacheco Pereira parece não fazer qualquer diferença: um negro, uma massaroca de milho…”

    Que argumentação mais rasteira, Daniel.
    Tinha-o em melhor conta.

  5. 5 5  Manel

    Obviamente não é o mesmo… Uma pessoa de raça negra e milho… Você com esta mostrou bem como estão abalados, o nível do discurso desceu ao demagógico e sectário, entretenha-se com os seus, continuem a achar-se moralmente superiores aos outros e depois tentem informar-nos, ao “centrão”, da forma correcta de pensar, o que comer, como ser, o que aceitar e rejeitar… E se o agricultor fosse negro? Estaria mais revoltado com os “activistas” (que entretanto já assumiram com as acções de encobrimento recentes que a cara tapada era mesmo para ocultar a identidade)? Faz-me pensar no SOS Racismo, que só se eriça quando o racismo é no sentido branco-negro, como se o contrário não existisse ou como se fosse aceitável porque compreensível (eu não nasci em África, a minha família não esteve em África, não explorámos ninguém, não deixámos as pessoas estar para aí em guetos, nunca tivemos qualquer poder político, pago impostos, cumpro as minhas obrigações, também tenho os meus problemas e tenho um filho menor, branco, que oxalá nunca seja vítima da intolerância de colegas agrupados segundo a cor da pele ou o local de residência, não tenho nenhum sentimento de culpa nem sinto nenhuma obrigação em ser mais tolerante com um negro do que sou com um branco). Continue felizmente iluminado como os de direita, mas de esquerda. O que me lixa é que a esquerda que temos é tão conservadora como a direita. Quando ameaçados os seus interesses, agrupam, defendem, põem o correcto na gaveta. Continue lá a tentar ganhar na secretaria o que perderam no campo de milho…

  6. 6 6  PMDM

    Consegue garantir que no BE não há homicidas condenados?
    Uma pessoa que foi condenada e cumpriu pena não pagou a sua pena à sociedade?

    Por amor de Deus eu não concordo com eles e acho as suas ideias abjectas, mas não vamos criar categorias especiais para algumas pessoas.E também não convém branquear a realiade, o facto de se ter morto uma pessoa não quer dizer que se vá matar outra vez

  7. 7 7  jacobino

    caro daniel, também passaram despercebidos homicidas condenados ligados às FP 25; quem pareceu reparar neles foi Mário Soares, que os deixou ir à sua vida. Para não falar da extrema-direita, que também foi absolvida: parece que os radicais neste país estão sempre safos…quem se lixa é quem está ao centro…

  8. 8 8  Daniel Oliveira

    PMDM, Mário Machado deixou claro na televisão que não pretende mudar de vida.

  9. 9 9  João Pedro Dias

    Sem querer fazer de advogado de ninguém, não me parece que a argumentação do Daniel seja rasteira ou demagógica. Vejamos as exactas palavras do PP: “se a manifestação de Silves fosse de skinheads ou do PNR, contra uma herdade que tinha trabalhadores indocumentados do Magrebe, a GNR colocaria dois guardas a vigiá-la ou haveria um aparato bélico por tudo quanto era campo? E não haveria prisões e barrreiras policiais?”. Ele está de facto a sugerir que a presença e a forma de actuar da GNR deveria ser igual nas duas situações. Ora a presença da GNR na manifestação por ele imaginada só é concebivel como tendo o objectivo de assegurar a integridade fisica de pessoas, e se houvesse detenções tal só aconteceria certamente se essa integridade tivesse sido posta em causa (num ou no outro lado). No caso dos eufémios sabemos que não foi posta em causa a integridade fisica de ninguém e portanto sugerir que a actuação da GNR deveria ser a mesma nos dois casos é de facto, para não dizer outra coisa, uma comparação de muito mau gosto por parte de Pacheco Pereira e que justifica a conclusão do Daniel, embora eu queira acreditar que não é isso que pensa na verdade o PP. Quero antes acreditar que mais uma vez a sua aversão a tudo que lhe cheire a politicamente correcto o tenha levado a tal infelicidade.
    Ao ler alguns comentários parece no entanto que a vida humana, que é um valor tão absoluto quando se fala por exemplo de aborto, já não é tão absoluto se estivermos a falar de um ilegal.

  10. 10 10  Saboteur

    Muito bem, Daniel.

    Pacheco Pereira e não só estão um bocado obcecados com o tema da violência da extrema-esquerda e já vêm fantasmas em tudo o que é sítio.

    Um pouco por todo o mundo as pessoas revoltam-se contra a plantação de trangénicos e acções destas são comuns, o que me leva a pensar que a derrota (pelo menos parcial) da Monsanto & Cia. até poderá estar mais perto do que se pensa…

    Só neste país, em que tudo chega com décadas de atraso é que alguém fica tão chocado com uma acção simbólica destas, prefeitamente inofensiva.

    Ao menos chamou-se a atenção para o facto de haver milho trangénico em portugal, que pelos vistos ninguém sabia.

    Um abraço de solidariedade para o pessoal da acção.

    Estou espantando com a falta de apoio que estão a ter. Não se deixem intimidar.

  11. 11 11  J

    “se a manifestação de Silves fosse de skinheads ou do PNR, contra uma herdade que tinha trabalhadores indocumentados do Magrebe, a GNR colocaria dois guardas a vigiá-la ou haveria um aparato bélico por tudo quanto era campo? E não haveria prisões e barrreiras policiais?”

    PP utiliza este exemplo para mostrar que existe uma maior tolerância aos excessos de vândalos de extrema esquerda do que aos de extrema direita. Que no pensar “politicamente correcto” este tipo de comportamentos ilegais da extrema esquerda deve ser tolerado, ou tratado com alguma condescendência.

    Obviamente que PP não equipara uma maçaroca de milho com uma vida humana.

    Este tipo de ataques ad hominem, chamando racista a alguém que efectivamente não o é, são uma óptima barreira de fumo para alguém que começa a perder uma discussão.

    Mas têm 2 problemas. São intelectualmente desonestos e eticamente reprováveis.

  12. 12 12  Sebastião Dias

    Uma pessoa que permanece ilegalmente num país. Um campo de milho que está dentro da legalidade. Por mais voltas que dê, a primeira continua a estar ilegal, a segunda continua a estar legal. Pode continuar a sustentar o seu populismo com sofismas, mas não espere depois que lhe gabem a argumentação.

  13. 13 13  sta

    mais um comentário tão bajulante de joão pedro dias que parece untando de banha. bahh…

  14. 14 14  Igor Caldeira

    Sempre detestei anarquistas. Desde logo, desconfio sempre que se trata de movimentos infiltrados pela polícia (a esse propósito, ver este post). Depois, detesto a sua violência, abomino a sua demência ideológica (que partilham de resto com os libertários de direita) e não suporto os seus ares de superioridade moral com que, do alto das suas rastas e do seu sotaque de petit bourgeoisie pretendem olhar para todas as outras pessoas.

    Estou à vontade portanto: antes mesmo de invadirem o campo de milho (e entre outras tropelias, de terem pontapeado o dono do terreno) já mereciam a minha reprovação.
    Tenho no entanto alguma dificuldade em perceber todo o alarido que foi feito em torno da questão, como se o país estivesse à beira da ruptura porque uma centena de palhaços resolveu fazer um dos disparates que costumam fazer. É um caso de polícia, ponto final.
    Preocupa-me outra coisa também, e que os anarquistas são especialistas em fazer: trazer apoio popular às causas às quais (alegadamente) se opõem. A luta contra os trangénicos (perfeitamente justa) está a ser posta em causa por este disparate (e o governo bem que o aproveita).

    Agora, o que me parece também inaceitável é que o governo, prontamente seguido por uma comunicação social e uma multidão blocofóbicas ter colado este caso ao BE, como se em algum momento tivesse havido alguma ligação entre os dois. Isto também é um caso de polícia.
    Afirmações como a de um tal João Tunes, para o qual Tiago Barbosa Ribeiro do Kontratempos elogiosamente remete, andam entre a estupidez declarada e a mentira descarada.

    Espero, honestamente, que o BE leve o caso para a frente em termos judiciais. Se não o fizer, outros episódios iguais repetir-se-ão. Aliás, para quem não se lembre, isto já é uma repetição: já na manifestação “contra o fascismo” do Chiado houve a tentativa de colagem ao Bloco por parte da comunicação social.

    (e não, eu não sou militante do BE nem tampouco apoiante)

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