Sinal dos tempos. Era aproximadamente assim que acontecia na França absolutista antes da Revolução Francesa: a cobrança de impostos ficava a cargo de burgueses ricos, que adiantavam uma parte das verbas ao rei, ou seja, ao Estado. E ficavam a lucrar.
Mmmm… estará na altura de olear de novo as guilhotinas?
Este artigo do “Diário de Notícias”, tratando as juntas de freguesia e câmaras municipais como “privados”, é bem revelador do grau de má-fé ou ignorância que afecta aquele jornal. E depois se uma parte dos impostos são receita própria das autarquias locais(IMI, IMT, derrama), porque razão não hão-de ser essas entidades a proceder à respectiva cobrança, aliviando os serviços de finanças, ao mesmo tempo que acelera e agiliza a arrecadação das receitas do poder local ?
Quanto a essa história de começar a olear as guilhotinas, confio mais nos sans-cullotes franceses do que nos portugueses.
Os nossos são mais atreitos a correr atrás dum qualquer Senhor Dom Miguel.
José Luiz Sarmento, o que é que receia, exactamente, que se vá perder?
Note que é apenas a fase de cobrança que está em causa… Está com receio que eles metam dinheiro ao bolso? Mas a determinação do valor do imposto não depende deles… Explique lá, neste caso, na mera cobrança, o que é que se vai estar a perder de tão interessante.
O que se perde - e não é um receio, é uma certeza - é o valor simbólico que resulta da relação directa entre o cidadão e o Estado. Uma coisa é ir à sala do trono e falar cara a cara com o Califa, outra muito diferente é ter apenas acesso ao escravo do secretário do Vizir.
Claro que o Vizir pode ser honesto e não ficar com coisa alguma a que não tenha direito. Não é isso que está em causa. O que está em causa é que entre o Estado e o cidadão se interpõe uma instância não eleita e não responsável, e que é essa instância que assume a face do poder.
O que é que eu perco se entregar o tributo ao barão para ele depois o entregar fielmente ao rei? Não perco nada, se estivermos a falar só de dinheiro. Perco muitíssimo em termos de símbolos e de representação, que são a própria substância de que se faz o poder.
O Arrastão é um blogue de Daniel Oliveira, Pedro Sales e Pedro Vieira.
Para contactar cada um deles faça o favor clicar nos seus nomes e dizer de sua justiça: Daniel Oliveira Pedro Sales Pedro Vieira
Qualquer dia entrega-se à banca a governação do país com os lucros que estes têm a crise desapareceria num instante.
“A cobrança”.
Não têm poder para mais nada. Como é evidente.
É perfeitamente legítimo.
É uma ideia anti-burocracia!A massa fica logo lá!Escusa de andar aí ás votas a fazer de conta quando todos já sabemos onde aterra!
-E a pequena iniciativa privada? Fica de fora? Sugiro o cobrador do fraque!
Sinal dos tempos. Era aproximadamente assim que acontecia na França absolutista antes da Revolução Francesa: a cobrança de impostos ficava a cargo de burgueses ricos, que adiantavam uma parte das verbas ao rei, ou seja, ao Estado. E ficavam a lucrar.
Mmmm… estará na altura de olear de novo as guilhotinas?
A isto chama-se feudalização do regime.
sim.
e são eleitos para todo o sempre, como o huguinho pretende.
poderás receber os parabéns, via email, do teu eleito vitalício…uma vida inteirinha de democracia militante!! Yummmieeee!
ps.Daniel, a bicicleta chinesa já está a caminho.
Não sei qual é o espanto, criámos esta sociedade, agora aguentem-se, já sei que fui só eu, os outros estão isentos de culpa.
Que exagero. O que interessa é o dinheiro entrar e a cobrança ser mais eficiente.
Este artigo do “Diário de Notícias”, tratando as juntas de freguesia e câmaras municipais como “privados”, é bem revelador do grau de má-fé ou ignorância que afecta aquele jornal. E depois se uma parte dos impostos são receita própria das autarquias locais(IMI, IMT, derrama), porque razão não hão-de ser essas entidades a proceder à respectiva cobrança, aliviando os serviços de finanças, ao mesmo tempo que acelera e agiliza a arrecadação das receitas do poder local ?
Quanto a essa história de começar a olear as guilhotinas, confio mais nos sans-cullotes franceses do que nos portugueses.
Os nossos são mais atreitos a correr atrás dum qualquer Senhor Dom Miguel.
Caro Pedro Sá:
Não é exagero. A eficiência nunca é só o que interessa.
José Luiz Sarmento, o que é que receia, exactamente, que se vá perder?
Note que é apenas a fase de cobrança que está em causa… Está com receio que eles metam dinheiro ao bolso? Mas a determinação do valor do imposto não depende deles… Explique lá, neste caso, na mera cobrança, o que é que se vai estar a perder de tão interessante.
O que se perde - e não é um receio, é uma certeza - é o valor simbólico que resulta da relação directa entre o cidadão e o Estado. Uma coisa é ir à sala do trono e falar cara a cara com o Califa, outra muito diferente é ter apenas acesso ao escravo do secretário do Vizir.
Claro que o Vizir pode ser honesto e não ficar com coisa alguma a que não tenha direito. Não é isso que está em causa. O que está em causa é que entre o Estado e o cidadão se interpõe uma instância não eleita e não responsável, e que é essa instância que assume a face do poder.
O que é que eu perco se entregar o tributo ao barão para ele depois o entregar fielmente ao rei? Não perco nada, se estivermos a falar só de dinheiro. Perco muitíssimo em termos de símbolos e de representação, que são a própria substância de que se faz o poder.