A reacção de Sarkozy é a reacção de qualquer humano. Porque raio deve um político aceitar um insulto violento («Não me toques, que ainda me sujas”) calado, como se fosse um capacho. Pior foi o Eliseu ter acrescentado a uma entrevista ao “Le Paririsen” um arrependimento que o Presidente não sentia. Um malcriado aguenta-se. Um sonso é que não.
Por Daniel Oliveira 27 Fev 08 em França


Inicialemente Sarkozy nem sequer assumiu as palavras “pauvre con” (que em francês é muito mais do que simplesmente idiota, é tipo “estúpido de merda”), que substitui por “casse-toi si tu veux”.
ver:
http://www.rue89.com/2008/02/26/sarkozy-sexplique-sur-casse-toi-pauvcon-en-deux-temps
Agora, discordo com o Daniel Oliveira. Um presidente que está no exercício das sua funções, tratava-se de uma visita oficial ao salão da Agricultura, não pode (não deve) responder a um insulto com outro insulto. Ele não é um cidadão normal, é um presidente eleito, e está a representar as funções que exerce. O insulto não é minimamente desculpável. É a República que está a insultar um cidadão.
Não podia concordar mais consigo! É indecente a campanha que se tem feito em torno de algo que é um vazio absoluto de conteúdo… Arrepia-me pensar que possa haver gente que preferia ter um ser tipo máquina a presidir aos destinos de uma nação. E a manipulação feita em torno deste não acontecimento, mesmo cá em Portugal, é de tal modo vil que mete medo. É que se desvalorizou por completo, sonegou mesmo, as palavras de que Sarkozy havia sido alvo, que são de uma violência:sujas-me?! Ainda se o alvo fosse o Le Pen, aí eu nem reclamava. Mas estes puritanos esperam que um político ignore tudo aquilo de que é alvo? Olha agora chegar-se um qualquer cidadão ao pé de Sarkozy e dizer-lhe que a Carla Bruni é “toda grossa” ou que é uma “p…”. Querem que o homem assobie e sorria? E por mim até posso achar que na maior parte dos casos o ignorar é o melhor, mas é quase impossível fazê-lo… A que rumo nos leva este tipo de jornalismo, que sorve avidamente um frame, uma expressão, uma confidência. Este caso remete-me imediatamente para o “apanhado” indecente de que o Zapatero foi alvo ainda há bem pouco tempo…
Zéd: desse ponto de vista, também é um cidadão que está a insultar a república.
Bebado após um encontro com Poutine…
Desconsideração de Socrates e de Amado, seus anfitriões ,na ultima cimeira da CEE, á entrada dos Jeronimos.
Desafio a um pescador.
Agora resposta indigna de um Presidente da Republica de França ,a uma provocação.
O que faltará aos franceses, para se ENVERGONHAREM de semelhante personagem ,que escolheram para ser o Presidente da Republica Francesa?
De Gaule, Pompidou, Giscard, Mitterrand, mesmo Chirac, com todos os seus defeitos , NUNCA, envergonharam o ALTO CARGO, como esta ignobil personagem , o tem feito
Não se pode insultar o Sócrates?
Bolas, estou lixado.
Mas se todos os dias sou insultado por ele…
Mas será que eu como cidadão tenho que cumprimentar quem não quero?
Era só o que mais faltava, é dever da república e dos seus representantes aceitar a minha escolha.
O que eu vi não é má educação é uma opção, já o contrário é o mais elementar desrespeito pela minha escolha “então saia daqui seu imbecil”.
Mas está bem, foi apropriado afinal era um local onde cornadas e coices são a linguagem oficial.
Daniel Oliveira:
Todos os insultos são condenáveis, como é obvio.
Mas isto não se aplica só aos insultos cara a cara. Aplica-se em todos os casos, mesmo a um colectivo de pessoas.
Dito isto, e com o distanciamento de eu não ser cidadão francês, parece-me que o Sr. Sarkozy não tem postura de Presidente da República Francesa.
Mera opinião pessoal que, por isso mesmo, vale o que vale.
“On verra” …
Pedro Rodrigues, eu quando não quero cumprimentar uma pessoa não lhe digo que não me quero sujar. E se digo, sujeito-me a ser insultado de volta.
Daniel, é verdade que um cidadão insultou a República, e que eu tenha reparado ninguém o negou nem defendeu, ou desculpabilzou, o comportamento desse cidadão (a não ser o Pedro Rodrigues no comentário ali em cima). No entanto há uma assimetria importante: os direitos e deveres de um cidadão perante a República não são os mesmos da República perante um cidadão.
Pelo menos o nosso virtuoso primeiro-ministro só nos insulta a inteligência, e baixinho, para ver se ninguém percebe!
Daniel,
Sim, até posso considerar esse argumento como genericamente válido, o que eu não posso com esta personagem é que ele sim é o percursor do insulto em nome da república contra os cidadãos. É que ele responde com a policia, os cidadãos já respondem como podem coitados, ou já te esqueceste da célebre escumalha e das repercussões que teve.
Portanto, neste homem este tipo de linguagem e comportamento são traços do estilo e do carácter. E mais quanto à situação concreta, se repararmos ele até poderia mostrar uma indignação própria, mas não, subrepticiamente disse aquilo com aquele sorriso nos lábios como quem diz para nada se ouvir e entender o que se passou. É um tipo de todo desprezável que ainda depois vem mentir descaradamente para os jornais.
Bela indignação
Concordo plenamente com a posição de Daniel Oliveira.
Vejamos, não foi um encontro casual nem provocado pelo feliz marido de Carla Bruni.
O popular sabia que ele ia passar ali, coloca-se na primeira fila e quando, como normalmente acontece é cumprimentado, responde daquela maneira.
Teve sorte, podia ser em Gondomar.
Mas qual é o problema de dizer a um fulano como o Sarkozy que não me quero sujar? Foi por acaso o fulano que estendeu a mão? Não tenho de cumprimentar quem não quero. Veja mais televisão americana, Conan O’Brien ou o Daily Show, onde se sova Bush como gente grande, sem qualquer contemplação, comparando o fulano com macacos e atrasados mentais, ou a Mad TV que faz clips com Obama e Hilary fornicando um com o outro como gente grande. Nalguns casos, muitos, pode ser mau gosto, mas a democracia acarreta ouvir e ver algumas coisas de que não se gosta, ou não?
Eu só queria dizer que o seu link vai ter à notícia sobre o aumento do preço do pão no Público. Não é suposto, é?
Provavelmente respondia da mesma forma se Socrates, Portas ou Menezes quisessem cumprimentar-me, pois alguns políticos não merecem mais do que o desprezo bruto, tratam-nos como meros eleitores. Não admira a resposta pronta e firme do Sr. Sarkozy principalmente quando se tem dezenas de guardas costas à volta.
Nem tanto ao mar nem tanto à terra. Mas ao menos Sárközy devia ter dito “cassez-vous” em vez de “casse-toi”…
Sou eu que estou a ver mal, ou o mais grave aqui não é a questão da etiqueta, mas sim a intervenção constante dos gabinetes e assessores a garantirem que, não importa o que tnha acontecido, estamos no melhor dos mundos?
Estas entrevistas retocadas acabam por ficar ao mesmo nível que o jogging matinal no Calçadão, ou que as manisfestações “espontâneas” de reformados do Redondo em apoio á vitória de A. Costa em Lisboa, ou das namoradas giras. Ou seja, a imagem que passa é sempre a melhor possível, independentemente do valor das pessoas.
concordo com o zéd. um presidente da república não pode perder a calma e responder a um insulto com um insulto. lembro-me por exemplo de mário soares que tantas vezes foi maltratado em situações semelhantes, sobretudo por ter ocupado cargos de decisão em momentos complicados como a da descolonização e a crise do início dos anos 80, e não me lembro de o ter visto responder dessa forma.
Ou eu percebi mal, ou o insulto (’olha que me sujas’) vem depois de um primeiro ‘casse-toi’ do Sarkozy.
Caso assim seja, quem tem razão é o transeunte.
“Um presidente da república não se deve enervar assim, madame Ségoléne…”
Nicolas Sarkozy, no debate antes das eleições, após Ségolène ter falado num tom de vós ligeiramente em cólera, como ela própria reconheceu.
O Presidente da República deve dar-se mais ao respeito do que um cidadão “normal”, assim como o deve fazer um polícia, um embaixador ou qualquer alto representante do Estado.
Um insulto a um PR ou primeiro-ministro é muito mais tolerável que um insulto vindo do próprio PR ou primeiro-ministro…
Nem um em outro ficam bem na fotografia. Agora que, conforme já aqui foi comentado, todos os dias me sinto insultado por essa classe que nos (des) governa, isso sinto! Por isso até compreendo a reacção do cidadão.
Por cá, na maior parte das vezes que assisto a uma intervenção dos nossos politícos, também me “saiem” uns belos comentários!
Cumprimentos
será que eu como cidadão tenho que cumprimentar quem não quero?
É evidente que só cumprimenta. Contudo tem, isso sim, de respeitar os outros se quer ser respeitado. E isto, quer queira quer não.
«que só cumprimenta quem quiser», queria eu ter escrito.
Não se pode insultar o Sócrates?
Claro que pode. Mas habilita-se.
tiago neves
Esqueceu-se da cena do polícia numa presidência aberta?
Desapareça senhor polícia
diz que um politico se quer politicamente correcto…
diz que…
Mas ao menos Sárközy devia ter dito “cassez-vous” em vez de “casse-toi”
Não vejo porque carga de água: o enfezadinho que o insultou disse, porventura, «vous me salissez»?
Quem vive no dia a dia aqui em França como é o meu caso, sabe que esta anedota é simplesmente a ponta do iceberg… O Sarko desrespeita e manipula o povo francês, e encena a própria vida dele nos medias.
A função de Presidente da Républica é para ser assumida de outra maneira… Ele é o Presidente mais rasca que a França teve até hoje.
Farroba.