Não é bem verdade, meu caro Daniel. O que é preciso contabilizar, em qualquer empresa ou organização, é o aumento total da massa salarial, incluindo a destinada às progressões na carreira e/ou promoções (mais bónus, subsídios, etc), e não apenas as actualizações salariais. Isto é tão mais importante quanto sabemos como funcionam - ou têm funcionado - essas progressões na FP: na ausência de avaliações de desempenho credíveis, de facto, como atênticos aumentos de salário.
Cumprimentos
JC
JC, o aumento da massa salarial corresponde ao aumento do número de funcionários públicos e de contratados externos, assim como ao aumento relativo de quadros. Não faz sentido ser contabilizado, do ponto de vista do trabalhador. Ainda assim o que estaria a dizer é que se têm encontrado formas expeditas e arbitrárias de aumentar alguns e não aumentar outos, o que tornaria a coisa mais grave.
Daniel, então agora vá ao sector privado, e pergunte qual têm sido os aumentos (nos casos em que houve aumentos !) em relação à inflacção.
Depois explique porque é que a esquerda não fala quando, até ao ultimo ano, os FPs beneficiavam de um conjunto de regalias com que os trabalhadores do privado nem sequer sonhavam :
- Recebiam 3 aumentos por ano : o acordado com o governo, o decorrente das reorganizações das carreiras, a meio do ano, e o resultante das progressões automáticas também a meio do ano.
- Trabalham menos uma hora por dia (7 horas) que os outros trabalhadores. Faça-lhe as contas em termos anuais e compare !
- Reformavam-se aos 60 anos quando os outros se reformamaos 65 anos. Para se ver quanto o patrão Estado os trata mal, a convergência neste item com o sector privado vai levar 10 anos !!!!!!!
- Reformavam-se com um cálculo especial de que resultava sairem com o ordenado por inteiro, muito para além do trabalhador do sector privado que, recordde-se, trabalha mais horas !!!!!! Não seis e ainda usufruem desse provilégio.
- Tinham um regime mais beneéfico em faltas por doença.
- Tinham um regime mais benéfico em matéria de férias.
- Usufruem de uma assistência social separada, só para eles. a ADSE, mas financiada em boa parte com os impostos de todos, sem que os trabalhadores do privado lhe pudessem aceder.
- Beneficiam de um regime contratual escandaloso que lhes garante emprego vitalício. Compare este item com o que se passa no sector privado.
- Estão protegidos das oscilações da economia. O Estado não vai à falência, não se deslocaliza e para os FPs tem de haver sempre dinheiro, nem que se carregue nos impostos dos restantes trabalhadores.
Senhor Daniel Oliveira, isto é só um apanhado ligeiro dos privilégios dados aos FPs ao longo dos anos.
Alguns desses FPs como os professores, os funcionários judiciais, os médicos, os enfermeiros, as policias, transformaram-se em verdadeiros Lobbies Corporativos que impedia qualquer mudança, por boa que fosse, que lhes beliscasse algum dos privilégios pagos com o dinheiro do povo.
E quanto à qualidade dos serviços prestados por esta gente ? Pobre, pobrezinha, miserável mesmo !
Portanto, não me venha para cá com os “coitadinhos” ds FPs, porque coitadinhos são os que se levantam hoje sem saber se têm emprego amanhã, os que trabalham 8 horas ou mais, os que suportam tudo a salários de miséria muitas vezes.
Este gráfico é um tanto capcioso visto não levar em conta com as promoções. Ou seja, a aparente perda de poder de compra pode ser compensada pelas promoções traduzido-se num ganho de poder de compra real.
Seja como for, a perspectiva do Daniel bem como a dos sindicatos é um pouco como a de uma criança de dois anos perante um chocolate “quero, quero, quero”. Se pensassem porque razão o governo não aumenta mais a Função Pública, e não é certamente por querer perder os votos da Função Pública, talvez se pudesse enveredar por uma discussão profícua. Mas os sindicatos continuam cegos e surdos no século XIX sem se dar conta do que se passa ao seu redor, pelo que não há nada a fazer.
Por fim, a função pública continua a beneficiar de salários muito mais elevados e de regalias muito superiores aos dos trabalhadores do sector privado. Se estão insatisfeitos sempre têm a opção de se mudar para o privado. Ninguém os impede.
Daniel, desculpe informar-lhe, mas esta questão foi mal formulada.
Como saberá, aumentos da função pública implicam mais impostos sobre os privados.
A pergunta deveria ser “deveremos retirar mais aos funcionários privados para entregar aos funcionários públicos”.
Se colocarmos a questão assim, talvez a resposta não seja tão linear.
Especialmente numa altura de elevado desemprego, sabendo-se que os funcionários públicos gozam de um privilégio único no país: não podem ser despedidos.
Daniel:
1. O valor pago aos contratados externos não me parece entre em salários - na massa salarial - mas sim em serviços prestados ou coisa do género. Pelo menos assim é nas empresas assim deveria ser tb na FP (e acho que é).
2. O aumento relativo de quadros, ou do nº de funcionários nas categorias mais elevadas das suas respectivas carreiras - do peso de ambos na FP -, corresponde a um efectivo progresso salarial. Não é assim? E sabemos que nem sempre isso corresponde ao mérito, ou até raramente isso acontece.
3. Dou-lhe razão quanto ao aumento do nº de funcionários públicos. Por isso, corrijo: deve ser considerado o aumento efectivo da massa salarial líquido da variação (positiva ou negativa) do nº de funcionários.
4. Já não falo da garantia de não despedimento… Quanto vale isso hoje em dia?
5. Concordo consigo quanto ao expediente: preferiria um modelo mais rigoroso, com avaliações credíveis e aumentos salariais e progressões mais justas, em vez de iguais para todos.
Nota: Pelos pontos 1, 2 e 3 o seu gráfico continua a não ser rigoroso
JC.
DO não é justo colocar a questão assim.Para além das questões já oportunamente levantadas,a verdade é que o trabalhador das privadas tem muito menos capacidade de reinvidicação e em geral ganha menos.
Claro que estamos a falar de um país injusto,onde “sacar” alguma coisa a esta corja de malandros que enriquece todos os dias é,só por si, uma coisa boa.Mas não podemos esquecer que temos mihares de desempregados e trabalhadores que ganham tão pouco que não conseguem libertar-se da pobresa!
Os funcionários públicos, nem de longe,são a minha prioridade!
Daniel Oliveira, many, many thanks. A lot and again
Quão lestos são os cidadãos a pronunciarem-se acerca da produtividade da função pública… E que argumentos!
Julgarão eles que os outros (e tb. os ditos FP) são mesmo economicamente iletrados? Para virem com as leituras da massa salarial, etc, etc, etc?!
Nem merece resposta
Mas será que…
- Falarão por eles?
Provavelmente.
Isto porque, como dizia o ex-ministro João Cravinho, o país nem percebe que os recursos humanos do sector público português estão na razão directa do sector privado que temos. São 1 espelho recíproco ( e não, não se inverte a imagem).
Em toda a Europa a administração pública tem aquela “capitis deminutio” (a meu ver injustíssima) que se baseia na ideia de que o mau funcionamento do estado se deve aos seus “servidores”.
Mesmo assim é bem menos que em Portugal… Talvez porque esses outros estados sejam melhores (eheheh…)
Pura demagogia.
Sabem que mais?
- COSTAS LARGAS.
- Mexilhão, topam?
Eu também gostava que os cidadãos todos do meu país fossem diferentes…
Oh se gostava!!!
Mais cultos, mais maduros civicamente, mais reflectidos, mais “doers” e menos “speakers”.
E no entanto tenho que os gramar! Quais treinadores de sofá de barriga gorda, a beber da garrafa e de chinelo no pé, espalhando a maledicência balofa e inconsistente sobre os alvos fáceis, em exercício regular da sua desonestidade intelectual. (É preciso manter o jeito, senão esquece-se..)
E não me venham com os maus exemplos intermináveis que conhecem e contra os quais se indignam… Porque quem está na AP também conhece essa malta. E quem está na AP também sabe que há grandes vícios parecidos nas empresas privadas. - Ou não?
Perguntam “-como assim”? Reclamam que “-não pode ser”?! A milagrosa lógica privada muda o perfil das pessoas, a cultura de trabalho, a sua natureza, etc, etc?
Muda, claro, quanto às regras de jogo, mas também não fazem mais do que a sua obrigação. Mas quanto ao resto…é o mudas!!!
Quem trabalha na privada (salvo raríssimas excepções a que faço vénia), diaboliza a função pública sem tão pouco saber do que está a falar.
É que o produto não é o mesmo, sabem? É serviço público, meus caros.
E isso não está no ADN das pessoas, nem se aloja lá por milagre. Está é no ADN do Serviço Público.
E alguém se lembra que o patrão da FP é o Governo?
Sim, aquele mesmo que reforma inconsequentemente, como o que temos?
Farão sequer alguma ideia do que se passa mesmo, actualmente, nos serviços?
Conhecem o “rosto”? Os dia-a-dia da reforma?
Não, claro!
Os políticos, de resto, desancam na FP porque é fácil: - já sabem que contam com a presunção de culpabilidade, “uris et de iure”, que se faz sobre os visados.
Digamos que nem existe ónus da prova. Mas se existisse, claro… seria do trabalhador e não do preconceito, o que é dizer do cidadão-cliente, está-se mesmo a ver, não é? A coisa ficava fácil…
- Conseguem sequer imaginar os constrangimentos de actuação (processuais, relacionais, e legais) que limitam a actuação laboral das pessoas na AP? Ou melhor, que não limitam, conformam?
Na AP é como em tudo: - há bom, e há mau.
Conheço muito bom FP que mete 4 ou 5 das privadas num chinelo. E nem merece este país sequer.
Mas como são (somos) uma espécie de “enteados da nação”, com o “ferrrete” insidioso da incompetência e da malandrice, é mais prático achar que ninguém presta!
Tiros nos pés, é o que se dá quando se fala-barato sobre a FP. Mas para perceber isso é preciso inteligência.
E outra coisa, já agora… OS FP TAMBÉM PAGAM IMPOSTOS, SABIAM?
Não têm benefício fiscal nenhum, ou acham que sim?
Estão nessa matéria pior, muito pior do que os privados!!! Que praticam a evasão e a elisão fiscais (em Coimbra distinguem-se as figuras, mas mais vale simplificar a coisa), porque podem.
O FP não, poor one!
Tudo o que ganha, até à milésima do do cêntimo, é controlado (roubado, aliás) pelo estado.
Fugir aos impostos? Impossível, não há batotazita que pegue!
- Cidadãos de 2ª categoria, não é?
- Enteados, certo?
Bingo!
Cada estado tem o que merece.
Até os olheiros …
Dizer dos funcionários públicos o que Deus não diria dos exércitos de demónios que povoam os infernos tornou-se uma moda. Vai passar como as outras modas, naturalmente (espero). Uma visão simplista – que de tão repetida faz lembrar a cartilha maoista em versão “do outro lado do espelho” – assegura que os funcionários públicos (assim, por atacado) constituem uma espécie parasita, voraz e implacável, que se alimenta da riqueza criada por outros, uma doença maligna que urge cortar pela raiz, a origem de todos os males, de todos os atrasos, a causa última e irredutível do nosso humilhante subdesenvolvimento.
A demagogia tem destes alçapões: a redução das questões a esquemas simplificados, a substituição da análise pelo enunciado de palavras de ordem e, sobretudo (muito importante), a identificação de um bode expiatório facilmente reconhecível; o tipo que está no outro lado do balcão da repartição de finanças; o sujeito a que temos que dirigir-nos no hospital, na escola, na junta de freguesia. Quando o culpado dos nossos falhanços colectivos tem um rosto que podemos esmurrar (nem que seja metaforicamente) a vida fica mais aprazível.
O demagogo tem horror aos factos porque eles lhe desmancham a prosápia.
Alguns factos, então: ao contrário do que poderia inferir-se de certas linhas de argumentação, o funcionário público não é o malandro que esbanja, sem escrúpulos, em proveito próprio e sem nada dar em troca, os recursos que os outros cidadãos (supostamente os não funcionários públicos) esforçadamente fazem reverter para os cofres do estado. Ora acontece que salário do funcionário público não é uma usurpação ilegítima de riqueza, um roubo infame; é a contrapartida pelo trabalho que executa. Tal como acontece com qualquer outro cidadão. E, tal como qualquer outro cidadão cumpridor dos seus deveres de cidadania, o funcionário público contribui duplamente para o bem comum: pelo desempenho da sua profissão e pelo pagamento de impostos. Convém não esquecer – nas curvas escorregadias de mais uma tirada do tipo “ eu pago e tu gastas” é muito fácil perder o bom senso – que os funcionários públicos também pagam impostos (nomeadamente os que incidem directamente sobre o rendimento do trabalho). Neste capítulo, de resto, os funcionários públicos marcam presença entre os portugueses mais cumpridores – pura e simplesmente não é possível ao funcionário público comum esconder rendimentos decorrentes do desempenho da sua função pública do olhar guloso do fisco por intermédio de mil estratagemas mais ou menos sofisticados (excluem-se aqui, naturalmente, os boys placidamente instalados nos respectivos jobs, mas esses não merecem ser considerados verdadeiros funcionários públicos, não é verdade?).
Mais factos? Então lá vai: por esta altura já devem ter começado a desconfiar que sou funcionário público. É verdade, confesso o crime. Enfim, ninguém é perfeito. Pois sempre vos digo que este pernicioso facínora paga sobre os seus rendimentos de trabalho – os únicos que possui – uma taxa de imposto muito mais alta (o dobro, creio) do que pagará sobre os lucros provenientes da especulação bolsista qualquer detentor de títulos do BCP (por exemplo). Se, pelos ganhos obtidos nos seus negócios na área financeira, os Berardos da nossa praça (mais um exemplo, apenas) fizessem entrar dinheiro nos cofres do estado na mesma proporção e velocidade do meu pobre salário, o Sócrates podia sorrir e deixar, nas calmas, uma obra pela qual seria para sempre recordado (é o seu desejo inconfessável, coitado): pavimentar de ouro puro a auto-estrada Lisboa – Porto.
Quer isto dizer que todos os funcionários públicos são exemplos de competência?, que a estrutura de carreiras e de vencimentos não necessita de ser revista?, que as condições de progressão e de avaliação de desempenho não carece de profundas alterações? Não, triplamente não, mas vamos discutir com seriedade os problemas e deixar de arranjar álibis para tudo.
Já agora outro facto: tinha muito mais dinheiro no bolso em 2000 do que tenho agora.
De facto a desinformação promovida pelos governos desde 2002 tem sido profícua.
Onde eram as promoções anuais e automáticas?
As subidas de escalão, automáticas mediante boa avaliação, eram de 3 am 3 anos e correspondiam às diuturnidades perdidas em 1989.
As promoções eram de 3 em 3 anos, se houvesse vaga e o serviço assim decidisse, mediante concurso público (hoje os meninos do cartão partidário entram à “Lagardére”).
Quais os subsídios e outras prebendas? Só se forem para os boys partidários!
Fala um engenheiro que se reformou com 37 anos de serviço e 1.500 € de pensão bruta.
Ainda querem comparar com os vencimentos dos privados?
ora, aí está, Daniel:
que -0,4% em 2000
e -0,8% em 2001… por aí adiante, etc,
já vai nos 6, 65, a esperar as perdas de 2008, coisa de, vá lá,
-0,1 -0,2 -0,3 -0,35… que faz os 7% (seven per cent) que lá vão, só desde dois mil, i. é. deste século, que, tornando ao outro, por noventa e cinco, seis, já vamos nos dez por cento e mais, senhores,
enquanto a bolsa, gulosa, só este ano, deu à Soares da Costa à volta de uns 240% de lucro e à Galp os cento e tal, enquanto ali amigos do Governo, ou bancos ou especuladores, lucraram milhares de milhões, sem um cêntimo para a reforma e despesas do País…
pois Eça é k’essa, que nisto quem paga é quem menos ganha, quais são os trabalhadores!…
O Arrastão é um blogue de Daniel Oliveira, Pedro Sales e Pedro Vieira.
Para contactar cada um deles faça o favor clicar nos seus nomes e dizer de sua justiça: Daniel Oliveira Pedro Sales Pedro Vieira
coitadinhos!!!
mais informações aqui:
http://bussola.blogs.sapo.pt/tag/fun%C3%A7%C3%A3o+p%C3%BAblica
Não é bem verdade, meu caro Daniel. O que é preciso contabilizar, em qualquer empresa ou organização, é o aumento total da massa salarial, incluindo a destinada às progressões na carreira e/ou promoções (mais bónus, subsídios, etc), e não apenas as actualizações salariais. Isto é tão mais importante quanto sabemos como funcionam - ou têm funcionado - essas progressões na FP: na ausência de avaliações de desempenho credíveis, de facto, como atênticos aumentos de salário.
Cumprimentos
JC
JC, o aumento da massa salarial corresponde ao aumento do número de funcionários públicos e de contratados externos, assim como ao aumento relativo de quadros. Não faz sentido ser contabilizado, do ponto de vista do trabalhador. Ainda assim o que estaria a dizer é que se têm encontrado formas expeditas e arbitrárias de aumentar alguns e não aumentar outos, o que tornaria a coisa mais grave.
Daniel, então agora vá ao sector privado, e pergunte qual têm sido os aumentos (nos casos em que houve aumentos !) em relação à inflacção.
Depois explique porque é que a esquerda não fala quando, até ao ultimo ano, os FPs beneficiavam de um conjunto de regalias com que os trabalhadores do privado nem sequer sonhavam :
- Recebiam 3 aumentos por ano : o acordado com o governo, o decorrente das reorganizações das carreiras, a meio do ano, e o resultante das progressões automáticas também a meio do ano.
- Trabalham menos uma hora por dia (7 horas) que os outros trabalhadores. Faça-lhe as contas em termos anuais e compare !
- Reformavam-se aos 60 anos quando os outros se reformamaos 65 anos. Para se ver quanto o patrão Estado os trata mal, a convergência neste item com o sector privado vai levar 10 anos !!!!!!!
- Reformavam-se com um cálculo especial de que resultava sairem com o ordenado por inteiro, muito para além do trabalhador do sector privado que, recordde-se, trabalha mais horas !!!!!! Não seis e ainda usufruem desse provilégio.
- Tinham um regime mais beneéfico em faltas por doença.
- Tinham um regime mais benéfico em matéria de férias.
- Usufruem de uma assistência social separada, só para eles. a ADSE, mas financiada em boa parte com os impostos de todos, sem que os trabalhadores do privado lhe pudessem aceder.
- Beneficiam de um regime contratual escandaloso que lhes garante emprego vitalício. Compare este item com o que se passa no sector privado.
- Estão protegidos das oscilações da economia. O Estado não vai à falência, não se deslocaliza e para os FPs tem de haver sempre dinheiro, nem que se carregue nos impostos dos restantes trabalhadores.
Senhor Daniel Oliveira, isto é só um apanhado ligeiro dos privilégios dados aos FPs ao longo dos anos.
Alguns desses FPs como os professores, os funcionários judiciais, os médicos, os enfermeiros, as policias, transformaram-se em verdadeiros Lobbies Corporativos que impedia qualquer mudança, por boa que fosse, que lhes beliscasse algum dos privilégios pagos com o dinheiro do povo.
E quanto à qualidade dos serviços prestados por esta gente ? Pobre, pobrezinha, miserável mesmo !
Portanto, não me venha para cá com os “coitadinhos” ds FPs, porque coitadinhos são os que se levantam hoje sem saber se têm emprego amanhã, os que trabalham 8 horas ou mais, os que suportam tudo a salários de miséria muitas vezes.
Este gráfico é um tanto capcioso visto não levar em conta com as promoções. Ou seja, a aparente perda de poder de compra pode ser compensada pelas promoções traduzido-se num ganho de poder de compra real.
Seja como for, a perspectiva do Daniel bem como a dos sindicatos é um pouco como a de uma criança de dois anos perante um chocolate “quero, quero, quero”. Se pensassem porque razão o governo não aumenta mais a Função Pública, e não é certamente por querer perder os votos da Função Pública, talvez se pudesse enveredar por uma discussão profícua. Mas os sindicatos continuam cegos e surdos no século XIX sem se dar conta do que se passa ao seu redor, pelo que não há nada a fazer.
Por fim, a função pública continua a beneficiar de salários muito mais elevados e de regalias muito superiores aos dos trabalhadores do sector privado. Se estão insatisfeitos sempre têm a opção de se mudar para o privado. Ninguém os impede.
Daniel, desculpe informar-lhe, mas esta questão foi mal formulada.
Como saberá, aumentos da função pública implicam mais impostos sobre os privados.
A pergunta deveria ser “deveremos retirar mais aos funcionários privados para entregar aos funcionários públicos”.
Se colocarmos a questão assim, talvez a resposta não seja tão linear.
Especialmente numa altura de elevado desemprego, sabendo-se que os funcionários públicos gozam de um privilégio único no país: não podem ser despedidos.
Daniel:
1. O valor pago aos contratados externos não me parece entre em salários - na massa salarial - mas sim em serviços prestados ou coisa do género. Pelo menos assim é nas empresas assim deveria ser tb na FP (e acho que é).
2. O aumento relativo de quadros, ou do nº de funcionários nas categorias mais elevadas das suas respectivas carreiras - do peso de ambos na FP -, corresponde a um efectivo progresso salarial. Não é assim? E sabemos que nem sempre isso corresponde ao mérito, ou até raramente isso acontece.
3. Dou-lhe razão quanto ao aumento do nº de funcionários públicos. Por isso, corrijo: deve ser considerado o aumento efectivo da massa salarial líquido da variação (positiva ou negativa) do nº de funcionários.
4. Já não falo da garantia de não despedimento… Quanto vale isso hoje em dia?
5. Concordo consigo quanto ao expediente: preferiria um modelo mais rigoroso, com avaliações credíveis e aumentos salariais e progressões mais justas, em vez de iguais para todos.
Nota: Pelos pontos 1, 2 e 3 o seu gráfico continua a não ser rigoroso
JC.
DO não é justo colocar a questão assim.Para além das questões já oportunamente levantadas,a verdade é que o trabalhador das privadas tem muito menos capacidade de reinvidicação e em geral ganha menos.
Claro que estamos a falar de um país injusto,onde “sacar” alguma coisa a esta corja de malandros que enriquece todos os dias é,só por si, uma coisa boa.Mas não podemos esquecer que temos mihares de desempregados e trabalhadores que ganham tão pouco que não conseguem libertar-se da pobresa!
Os funcionários públicos, nem de longe,são a minha prioridade!
Daniel Oliveira, many, many thanks. A lot and again
Quão lestos são os cidadãos a pronunciarem-se acerca da produtividade da função pública… E que argumentos!
Julgarão eles que os outros (e tb. os ditos FP) são mesmo economicamente iletrados? Para virem com as leituras da massa salarial, etc, etc, etc?!
Nem merece resposta
Mas será que…
- Falarão por eles?
Provavelmente.
Isto porque, como dizia o ex-ministro João Cravinho, o país nem percebe que os recursos humanos do sector público português estão na razão directa do sector privado que temos. São 1 espelho recíproco ( e não, não se inverte a imagem).
Em toda a Europa a administração pública tem aquela “capitis deminutio” (a meu ver injustíssima) que se baseia na ideia de que o mau funcionamento do estado se deve aos seus “servidores”.
Mesmo assim é bem menos que em Portugal… Talvez porque esses outros estados sejam melhores (eheheh…)
Pura demagogia.
Sabem que mais?
- COSTAS LARGAS.
- Mexilhão, topam?
Eu também gostava que os cidadãos todos do meu país fossem diferentes…
Oh se gostava!!!
Mais cultos, mais maduros civicamente, mais reflectidos, mais “doers” e menos “speakers”.
E no entanto tenho que os gramar! Quais treinadores de sofá de barriga gorda, a beber da garrafa e de chinelo no pé, espalhando a maledicência balofa e inconsistente sobre os alvos fáceis, em exercício regular da sua desonestidade intelectual. (É preciso manter o jeito, senão esquece-se..)
E não me venham com os maus exemplos intermináveis que conhecem e contra os quais se indignam… Porque quem está na AP também conhece essa malta. E quem está na AP também sabe que há grandes vícios parecidos nas empresas privadas. - Ou não?
Perguntam “-como assim”? Reclamam que “-não pode ser”?! A milagrosa lógica privada muda o perfil das pessoas, a cultura de trabalho, a sua natureza, etc, etc?
Muda, claro, quanto às regras de jogo, mas também não fazem mais do que a sua obrigação. Mas quanto ao resto…é o mudas!!!
Quem trabalha na privada (salvo raríssimas excepções a que faço vénia), diaboliza a função pública sem tão pouco saber do que está a falar.
É que o produto não é o mesmo, sabem? É serviço público, meus caros.
E isso não está no ADN das pessoas, nem se aloja lá por milagre. Está é no ADN do Serviço Público.
E alguém se lembra que o patrão da FP é o Governo?
Sim, aquele mesmo que reforma inconsequentemente, como o que temos?
Farão sequer alguma ideia do que se passa mesmo, actualmente, nos serviços?
Conhecem o “rosto”? Os dia-a-dia da reforma?
Não, claro!
Os políticos, de resto, desancam na FP porque é fácil: - já sabem que contam com a presunção de culpabilidade, “uris et de iure”, que se faz sobre os visados.
Digamos que nem existe ónus da prova. Mas se existisse, claro… seria do trabalhador e não do preconceito, o que é dizer do cidadão-cliente, está-se mesmo a ver, não é? A coisa ficava fácil…
- Conseguem sequer imaginar os constrangimentos de actuação (processuais, relacionais, e legais) que limitam a actuação laboral das pessoas na AP? Ou melhor, que não limitam, conformam?
Na AP é como em tudo: - há bom, e há mau.
Conheço muito bom FP que mete 4 ou 5 das privadas num chinelo. E nem merece este país sequer.
Mas como são (somos) uma espécie de “enteados da nação”, com o “ferrrete” insidioso da incompetência e da malandrice, é mais prático achar que ninguém presta!
Tiros nos pés, é o que se dá quando se fala-barato sobre a FP. Mas para perceber isso é preciso inteligência.
E outra coisa, já agora… OS FP TAMBÉM PAGAM IMPOSTOS, SABIAM?
Não têm benefício fiscal nenhum, ou acham que sim?
Estão nessa matéria pior, muito pior do que os privados!!! Que praticam a evasão e a elisão fiscais (em Coimbra distinguem-se as figuras, mas mais vale simplificar a coisa), porque podem.
O FP não, poor one!
Tudo o que ganha, até à milésima do do cêntimo, é controlado (roubado, aliás) pelo estado.
Fugir aos impostos? Impossível, não há batotazita que pegue!
- Cidadãos de 2ª categoria, não é?
- Enteados, certo?
Bingo!
Cada estado tem o que merece.
Até os olheiros …
Dizer dos funcionários públicos o que Deus não diria dos exércitos de demónios que povoam os infernos tornou-se uma moda. Vai passar como as outras modas, naturalmente (espero). Uma visão simplista – que de tão repetida faz lembrar a cartilha maoista em versão “do outro lado do espelho” – assegura que os funcionários públicos (assim, por atacado) constituem uma espécie parasita, voraz e implacável, que se alimenta da riqueza criada por outros, uma doença maligna que urge cortar pela raiz, a origem de todos os males, de todos os atrasos, a causa última e irredutível do nosso humilhante subdesenvolvimento.
A demagogia tem destes alçapões: a redução das questões a esquemas simplificados, a substituição da análise pelo enunciado de palavras de ordem e, sobretudo (muito importante), a identificação de um bode expiatório facilmente reconhecível; o tipo que está no outro lado do balcão da repartição de finanças; o sujeito a que temos que dirigir-nos no hospital, na escola, na junta de freguesia. Quando o culpado dos nossos falhanços colectivos tem um rosto que podemos esmurrar (nem que seja metaforicamente) a vida fica mais aprazível.
O demagogo tem horror aos factos porque eles lhe desmancham a prosápia.
Alguns factos, então: ao contrário do que poderia inferir-se de certas linhas de argumentação, o funcionário público não é o malandro que esbanja, sem escrúpulos, em proveito próprio e sem nada dar em troca, os recursos que os outros cidadãos (supostamente os não funcionários públicos) esforçadamente fazem reverter para os cofres do estado. Ora acontece que salário do funcionário público não é uma usurpação ilegítima de riqueza, um roubo infame; é a contrapartida pelo trabalho que executa. Tal como acontece com qualquer outro cidadão. E, tal como qualquer outro cidadão cumpridor dos seus deveres de cidadania, o funcionário público contribui duplamente para o bem comum: pelo desempenho da sua profissão e pelo pagamento de impostos. Convém não esquecer – nas curvas escorregadias de mais uma tirada do tipo “ eu pago e tu gastas” é muito fácil perder o bom senso – que os funcionários públicos também pagam impostos (nomeadamente os que incidem directamente sobre o rendimento do trabalho). Neste capítulo, de resto, os funcionários públicos marcam presença entre os portugueses mais cumpridores – pura e simplesmente não é possível ao funcionário público comum esconder rendimentos decorrentes do desempenho da sua função pública do olhar guloso do fisco por intermédio de mil estratagemas mais ou menos sofisticados (excluem-se aqui, naturalmente, os boys placidamente instalados nos respectivos jobs, mas esses não merecem ser considerados verdadeiros funcionários públicos, não é verdade?).
Mais factos? Então lá vai: por esta altura já devem ter começado a desconfiar que sou funcionário público. É verdade, confesso o crime. Enfim, ninguém é perfeito. Pois sempre vos digo que este pernicioso facínora paga sobre os seus rendimentos de trabalho – os únicos que possui – uma taxa de imposto muito mais alta (o dobro, creio) do que pagará sobre os lucros provenientes da especulação bolsista qualquer detentor de títulos do BCP (por exemplo). Se, pelos ganhos obtidos nos seus negócios na área financeira, os Berardos da nossa praça (mais um exemplo, apenas) fizessem entrar dinheiro nos cofres do estado na mesma proporção e velocidade do meu pobre salário, o Sócrates podia sorrir e deixar, nas calmas, uma obra pela qual seria para sempre recordado (é o seu desejo inconfessável, coitado): pavimentar de ouro puro a auto-estrada Lisboa – Porto.
Quer isto dizer que todos os funcionários públicos são exemplos de competência?, que a estrutura de carreiras e de vencimentos não necessita de ser revista?, que as condições de progressão e de avaliação de desempenho não carece de profundas alterações? Não, triplamente não, mas vamos discutir com seriedade os problemas e deixar de arranjar álibis para tudo.
Já agora outro facto: tinha muito mais dinheiro no bolso em 2000 do que tenho agora.
De facto a desinformação promovida pelos governos desde 2002 tem sido profícua.
Onde eram as promoções anuais e automáticas?
As subidas de escalão, automáticas mediante boa avaliação, eram de 3 am 3 anos e correspondiam às diuturnidades perdidas em 1989.
As promoções eram de 3 em 3 anos, se houvesse vaga e o serviço assim decidisse, mediante concurso público (hoje os meninos do cartão partidário entram à “Lagardére”).
Quais os subsídios e outras prebendas? Só se forem para os boys partidários!
Fala um engenheiro que se reformou com 37 anos de serviço e 1.500 € de pensão bruta.
Ainda querem comparar com os vencimentos dos privados?
ora, aí está, Daniel:
que -0,4% em 2000
e -0,8% em 2001… por aí adiante, etc,
já vai nos 6, 65, a esperar as perdas de 2008, coisa de, vá lá,
-0,1 -0,2 -0,3 -0,35… que faz os 7% (seven per cent) que lá vão, só desde dois mil, i. é. deste século, que, tornando ao outro, por noventa e cinco, seis, já vamos nos dez por cento e mais, senhores,
enquanto a bolsa, gulosa, só este ano, deu à Soares da Costa à volta de uns 240% de lucro e à Galp os cento e tal, enquanto ali amigos do Governo, ou bancos ou especuladores, lucraram milhares de milhões, sem um cêntimo para a reforma e despesas do País…
pois Eça é k’essa, que nisto quem paga é quem menos ganha, quais são os trabalhadores!…