
Sócrates diz que foi “sensível aos protestos” e compreendeu “o sentimento psicológico das pessoas”. Mas ao ouvir o debate no Parlamento e a entrevista ao seu número dois e clone Silva Pereira ao canal 2 fiquei com a sensação que não percebeu bem o que está em causa. As pessoas estão-se nas tintas para quem lhes fecha as urgências e os SAP. E o problema não é de comunicação, nem sequer é o estilo arrogante do ministro que parte. O problema são na realidade dois problemas: falta de credibilidade do Estado e sentimento de abandono.
A credibilidade: as pessoas não acreditam nas garantias de que as solução que estão a ser implementadas são melhores do que aquelas que têm. Não trocam o certo pelo incerto. Não é apenas conservadorismo ou imobilismo. É experiência em lidar com os nossos poderes públicos e o sentimento de que nos últimos dez ou quinze anos não pararam de perder com mudanças que os governos garantiam ser para melhor.
O abandono: o Interior tem visto fechar correios, escolas, urgências e estações de caminhos de ferro. Quando são serviços imprescindíveis acabam por ser os privados a substituir o que era público e fechou. A única coisa que parece chegar-lhes a casa são auto-estradas, para sairem de lá mais depressa. Muito do que estava a ser feito por Correia de Campos podia parecer racional do ponto de vista estatístico (muito nem isso é), mas a sensação de segurança de cada cidadão não se mede estatisticamente. E não é pura ilusão. Isso é ainda mais evidente quando falamos de saúde. Sobretudo a dos cidadãos mais velhos, que já se sentem completamente desprotegidos em tudo o resto.
Se Sócrates não pretende mudar de rumo na política de saúde não compreendeu nada e não foi sensível a coisa nenhuma. Trabalhou para os jornais e para os opinadores. Só que os medos fundados e infundados das pessoas são uma coisa muito mais profunda. É indiferente quem seja o ministro. Há forma de fazer bem: não mudar o que está bem e, para o que está pior, dar melhor antes de tirar. Ao afirmar que «não encerraremos mais urgências antes de existirem alternativas» Sócrates pode ir pelo caminho certo. Com a condição de saber que há matérias em que a confiança demora a conquistar-se e que não basta a opinião de burocratas para a garantir. Demora mais tempo do que a mudança de humor de colonistas e jornalistas.
Por Daniel Oliveira 30 Jan 08 em Governo, Saúde, Sócrates


Vem aí a PNETmulher - com farpas e faúlhas
O que me deixa estupefacto é que o Daniel Oliveira seja capaz de escrever quatro parágrafos sobre este assunto sem mencionar o papel desempenhado pela comunicação social nestas coisas (apenas a refere como destinatária coitadinhamente involuntária daquilo que acha ser mais uma manobra canhestra de Sócrates).
Como se a comunicação social nada tivesse a ver com a percepção que as populações têm em relação às medidas do governo, como se não fosse ela que justamente exerce a principal e tendencialmente exclusiva intermediação entre eleitores (directamente ou por interpostos agentes) e eleitos (o que há vinte anos consideraríamos e certamente daqui a vinte anos consideraremos completamente anómalo), como se ela não fosse muito mais permeável aos interesses económicos/corporativos do que a classe política, nem que seja apenas porque muito menos vigiada, como se Berlusconi não existisse, como se Balsemão fosse politicamente assexuado e não estivesse irritado com a TDT, como se o “Público” não tivesse mudado depois de a CGD se ter abstido - ou votado contra? - a OPA da Sonae sobre a PT, como se as direcções dos jornais económicos não fossem um estágio para os departamentos de comunicação de grandes empresas.
Como se não fosse obsceno que, depois de horas de emissão ocupadas com a contestação a uma medida governamental, quando um governante tenta explicar essa medida lhe seja cortada a palavra ao fim de dois minutos porque a jornalista “já não tem tempo”, diz ela (a formidável patranha dos “critérios jornalísticos”).
A verdade é que quem queira manter-se informado e para isso recorra também aos blogues enfrenta hoje um sério problema: a promiscuidade entre bloggers e comunicação social. Há uns anos, os blogues funcionavam como contrapeso da CS (foi esse papel que me “fixou” enquanto leitor de blogues). Acho que os patrões da CS aperceberam-se do perigo e souberam contorná-lo, recrutando muitos dos que mais claramente protagonizavam essa ameaça. Muitos deles dos melhores, como é o caso do Daniel Oliveira. Mas o pior ainda são as centenas de outros que andam por aí, à espera de serem chamados. Seja como for, a verdade é que temos hoje uma blogosfera genericamente - há excelentes excepções - hipercrítica em relação aos democraticamente eleitos e terna e castradamente cúmplice no que respeita aos órgãos de comunicação social e aos interesses que os sustentam (sempre os daqueles a que pertencem, cada vez mais os dos anunciantes, cada vez menos os dos leitores).
As pessoas não se deslocam do interior para o litoral pelo facto de fecharem as escolas ou as urguencias,as pessoas vem para o litoral para procurar trabalho porque não conseguem empregos onde vivem.Se nas suas terras se instalassem empresas as pessoas ficavam lá,e se assim fosse as escolas e as urgencias continuavam abertas.Mas temos que pensar que quem lá fica são sobretudo os idosos, e em relação a eles devemos fazer tudo para que não se sintem inseguros.Pode realmente o SAP não ter muitas condições e acabar por ter que mandar as pessoas para outros locais,mas pelo menos sabem que no SAP existe alguem que os ajuda a resolver os seus problemas e os seus receios.
Patrícia, as coisas estão ligadas. Se fecha escolas, hospitais, correios, estações de comboio isso não ajuda a economia local. Piora. Não faz grande sentido tentar saber o que vem antes, as empresas ou os serviços, porque nunca saberá.
Caro dsm revejo-me totalmente no seu comentário! Fiquei fora de mim num estado de irritação brutal com as várias interrupções ao ministro na SIC na situação que refere, dps de uma campanha demagógica digna de 1 tablóide! Foi nojento (com o M. Crespo esta situação é recorrente na SIC N)!
Os orgãos de informação perseguiram a sua agenda e os seus objectivos, que por estranho que pareça não é informar as pessoas! Desinformarar as pessoas e transmitiram-lhes esse sentimento de insegurança!
Sem a racionalização e reorganização dos recursos na saúde assitiremos num futuro próximo a alguém vir dizer q o SNS pesa demasiado no OE e haverá áreas que terão de se entregues aos privados (não falo de contratualizações mas de privatização pura e dura) ou então aumentam os impostos! E aí quem se lixa com F grande são os utentes (q terão de pagar esses serviços) que empreitam pelos ouvidos as inanidades da comunicação social!
Quando o PS foi para o Governo a situação de facto era esta.A população activa na sua grande maioria na estava lá,quem lá estava eram os idosos reformados.Vou-me explicar melhor tomando como exemplo as escolas.Havia escolas que fecharam que tinham menos de dez alunos de várias idades,acha possível que numa dessas escolas houvesse um professor para cada classe,mais um professor de música,mais um professor de educação fisica,mais professores de apoio para o estudo acompanhado?
Acho que só Deus nos pode salvar:
NAS MÃOS DE DEUS
Com a Justiça branda
nosso povo não anda
e mesmo que haja sol
continua a andar mole!
-
e ele de hora em hora
sai para ver seu carro
uma vez ao estar fora
lá fuma o seu cigarro!
-
eu vou a um tribunal
vou buscar inventário
não o procuram, afinal
sem gente, e horário!?
-
levei o moço à escola
e ele já quer namorar
vai lá jogando à bola
não estuda, vai passar!?
-
o Professor dá um três
mas o moço sabe nada
ele nada sabe de inglês
nem sequer a tabuada!?
-
Quero fazer o meu IRS
não tenho computador
o impresso não aparece
vou ao fisco, qu’horror!
-
é enorme essa tal bicha
vejo gente aglomerada
e assim o povo se lixa
e não devia pagar nada!
-
meu carro até faz anos
tenho de pagar ao fisco
como fazem humanos
ai nos anos, um petisco!
-
tenho de pagar a casa
e pago esse tal de IMI
mas já estou em brasa
pago o triplo do de ali:
-
o meu vizinho do lado
com apartamento maior
paga menos, o coitado
e a minha casa é menor!?
-
Um dia eu fui ao hospital
meu moço estava doente
foi lá atendido tão mal
soe-me que não é gente!?
-
e ficou horas à espera
depois de feita, triagem
tinha uma fome de fera
vejam só esta imagem!?
-
a gente do atendimento
não sabe fazer melhor
mesmo qu’haja lamento
e os gritos e ais de dor!?
-
a minha moça vai à rua
vai até a uma discoteca
e em chegando lá recua
vê o morto, co’a breca!
-
e a pobre, nesse retiro
lá despairece, até dança
nesse dia ouvi um tiro
que matou o segurança!?
-
E hoje eu li num jornal
que o informador da PJ
vai ter já o seu funeral
mas crime não se nota!?
-
Disse o doutor Martelo
que tudo por cá está mal
moça tirou o curso belo
não tem emprego, afinal!?
-
Meu Pai me disse um dia
que mataram o Sidónio
porque o povo na agonia
ai, via nele um demónio!?
-
Se não funciona a Justiça
nem urgências d’hospital
tudo neste País enguiça
O povo mata-se do mal!?
-
Ó Deus que és clemente
que és O todo poderoso
traz a Luz a minha gente
És bom e misericordioso!
-
Pisco