Ouvi ontem parte do debate da moção de censura. Sócrates não fechou o debate, fazendo jus à sua imagem. Mas o mais deprimente foi o nível argumentativo da intervenção final de Santos Silva (dizem-me que houve ainda pior). Próximo da indigência. Num governo composto por figurantes políticos que têm como única função rojar-se no chão à passagem do líder, era inevitável que isto acabasse por acontecer, até com gente com alguma formação política: imitam o chefe e ostentam com orgulho o seu próprio analfabetismo ideológico. Se encontrar registo da coisa publico. Que miséria! Alguém tem de explicar a Santos Silva que é possível dar argumentos contra o referendo sem se falar da esquerda como se se fosse um insignificante líder de uma Juventude Popular.


Sem respostas ao post “Deprimente”  

  1. 1 1  Scolari

    Se calhar seria interessante dissecar um bocadinho mais não?

  2. 2 2  Stran

    Num tempo de descrédito do mundo político é importante que os partidos se comportem de uma forma mais responsável do que o líder do BE se comportou. A moção de censura é um instrumento muito importante da Assembleia. É o equivalente à famosa “bomba atómica” do presidente da república e só deve ser promovida em casos de gravidade extrema.

    Ora ao contrário do que Francisco Louça afirma o Primeiro Ministro não faltou explicitamente à sua palavra. No máximo teve um comportamento lamentável ao não explicar claramente a sua decisão e ao não promover o esclarecimento público do Tratado de Lisboa. Nada suficientemente grave para levar à promoção de uma moção de censura.

    O que escapou à oposição, e agora vai muito tarde para tomar qualquer acção é que o governo apenas faltou a uma promessa que efectuou na campanha eleitoral: o adiamento da idade da reforma na função publica cujo o então candidato José Sócrates garantiu não iria afectar quem tivesse perto da sua idade de reforma e que não cumpriu. Mas nessa altura ninguém promoveu uma séria contestação a este facto e ele passou incólume.

    Também agora outros factos graves se passam na sociedade portuguesa e a oposição nada faz, nem sequer uma proposta de lei. Falo do caso BCP e dos salários criminosos dos seus administradores. O caso BCP, o perdão de cerca de 20 milhões de euros de dívidas a pessoas directa ou indirectamente ligadas à administração, é para ser investigado e a Assembleia devia de se preocupar com este facto.

    Os três milhões de euros por administrador no BCP é no mínimo um atentado à esmagadora maioria dos portugueses e aos accionistas desse grupo. Na Alemanha começa-se a falar em limitar os salários a um topo máximo, até nas hostes mais conservadoras, mas em Portugal nem uma palavra.

    Nos USA os salários do BCP são notícia e apelidados de “roubo aos accionistas” mas em Portugal nem uma palavra.

    Afinal não é só o governo que censura a oposição, é a mesma que muitas vezes se censura a si própria!

  3. 3 3  Paulo

    De facto, ás vezes a juventude popular tem raiocinios logicos mais correctos.

  4. 4 4  josé Manuel Faria

    O Santos Silva de esquerda que escrevia no público desapareceu logo que se tornou governante. Acontece a quase todos.

  5. 5 5  l. Reis

    Não é deprimente, é NOJENTO, só ,mais nada.
    Quando esta camarilha for de férias, acabou o
    P.S.,não deixam nada só vazio…todos limpos,
    bem vestidinhos com os mesmos gestos,e a mais
    não serem do que manequins do desaparecido grandela.

  6. 6 6  Daniel Oliveira

    “Ora ao contrário do que Francisco Louça afirma o Primeiro Ministro não faltou explicitamente à sua palavra.”

    Explique lá como não faltou à palavra dada?

  7. 7 7  rui mota

    Claro que Sócrates faltou à palavra dada. Se até o primeiro-ministro da Eslovénia já sabia que não ia haver referendo em Portugal!
    Só não se percebe porque é que o BE não guardou a “moção” para um tema mais “quente” da agenda política e desperdiçou essa oportunidade…

  8. 8 8  Francisco Crispim

    De degrau em degrau, esse Silva não pára de descer. Ainda acaba soterrado na própria prosápia.

  9. 9 9  Stran

    Caro Daniel,

    No programa de governo diz-se:

    “No curto prazo, a prioridade do novo Governo será a de assegurar a ratificação do Tratado acima referido. O Governo entende que é necessário reforçar a legitimação democrática do processo de construção europeia, pelo que defende que a aprovação e ratificação do Tratado deva ser precedida de referendo popular, amplamente informado e participado, na sequência de uma revisão constitucional que permita formular aos portugueses uma questão clara, precisa e inequívoca.”

    Quanto ao “Tratado acima referido” é explicitamente o “Tratado Constitucional”.

    A lógica é divinalmente simples: não existindo “Tratado Constitucional” não existe nem compromisso nem promessa a ser quebrada.

    Está explicado ou é necessário mais clarificação. Julgo, como já afirmei anteriormente, que é preciso ser mais critico nas alturas certas e não correr atrás do prejuízo como a oposição e neste exemplo o BE fez. Neste momento o “onus” da prova está na oposição, isto é têm de provar por A+B que este tratado é em tudo idêntico ao anterior e tem um peso Constitucional (e este é talvez o ponto mais importante) idêntico ao anterior. Até lá não existe nenhuma quebra de palavra e a oposição nada faz que não seja correr à procura de moinhos de vento.

    Não sei se eticamente foi a atitude mais correcta do primeiro ministro, mas não faltou à palavra esse é um facto.

  10. 10 10  Pinoka

    Pior que Santos Silva foi Ricardo Rodrigues. Aquilo foi absolutamente estúpido.

  11. 11 11  Daniel Oliveira

    Veja lá para baixo o vídeo onde Sócrates diz que acha que o tratado é praticamente igual.

  12. 12 12  Bolota

    DO, completamente de acordo.
    Só não percebo é, como o BE alimenta estes deprimentes, indigentes e arrogantes Socialistas Modernos na CMLisboa

    Um abraço

  13. 13 13  Luis Moreira

    Este Santos Silva é um tipo perigoso,homem para toda a obra sem olhar a indignidades.Com Cavaco disse que a sua eventual eleição seria um golpe constituicional.Votei no Cavaco ainda mais convicto.

    Diz e faz o que for preciso por poder!Este tipo de pessoas tem um nome!Feio!

  14. 14 14  corvo

    Para mim Santos Silva até é das pessoas mais inteligentes deste governo.

    Só que depois da GRANDE intervenção de Fernando Rosas, Santos Silva perdeu a cabeça, e não esteve á altura dos seus pergaminhos.

  15. 15 15  Filipe Abrantes

    E o líder da Juventude Popular não merece respeito?

    Com essa (e eu até estava a concordar a 100% com o post) fez que os seus argumentos perdessem a autoridade.

    Mesmos os “insignificantes” merecem respeito.

  16. 16 16  Agry White

    Já agora, posso transportar para aqui, postagens minhas?
    Se achar que estou a abusar do seu espaço, tem toda a liberdade de eliminar este meu comentário
    O processo para estabelecer uma constituição na União Europeia prossegue com o objectivo de implementar o próximo tratado antes das eleições europeias de Junho de 2009.
    Mas este processo não pode continuar sem a participação directa e a aprovação dos povos europeus. O próximo tratado da UE não pode ser estabelecido sem se ouvirem as pessoas!
    X09.eu visa recolher assinaturas de toda a UE apelando para um referendo sobre o próximo tratado europeu.
    X09.eu é o desenvolvimento da Carta Aberta aos Primeiros-Ministros endereçada após a Cimeira de Berlim de 25 de Março de 2007 e assinada pelos seguintes 10 deputados do Parlamento Europeu pertencentes a sete diferentes grupos políticos:

    Anna Zaborska, Eslováquia (EPP)
    Panayiotis Demetriou, Chipre (PPE)
    Max van den Berg, Holanda (PSE)
    John Attard-Montalto, Malta (PSE)
    Diana Wallis, Reino Unido (ALDE)
    Silvana Koch-Mehrin, Alemanha (ALDE)
    Ryszard Czarnecki, Polónia (UEN)
    Gérard Onesta, França (GREENS/EFA)
    Tobias Pflueger, Alemanha (GUE)
    Jens-Peter Bonde, Dinamarca (IND/DEM)
    X09.eu é apoiado por outros deputados do Parlamento Europe e ONG’s em todos os 27 estados membros.

    Juventude Socialista defende referendo (http://www.tsf.pt/online/portugal/interior.asp?id_artigo=TSF186412

    PCP prop�e pergunta para referendo sobre tratado

    O PSD reiterou a defesa da ratificação por via parlamentar do Tratado de Lisboa que vai ser assinado esta quinta-feira no Mosteiro dos Jer�nimos. PCP e Bloco de Esquerda insistem na necessidade de um referendo, uma promessa eleitoral de José Sócrates. (http://www.tsf.pt/online/portugal/interior.asp?id_artigo=TSF186379

    Só mais este
    a constitucionalista francesa Anne-Marie Le Pourhiet reage ao desejo do presidente Sarkozy de ratificar o Tratado de Lisboa pela via parlamentar.
    Para esta constitucionalista, aquele tratado é uma espécie de Constituição europeia “light”, e vivifica a memória do Sarkozy ao recordar-lhe a vontade dos franceses que em 2005 se opuseram ao projecto constitucional
    A demagogia populista de Sarkozy conduziu-o á presidência francesa mas este facto não lhe conferiu os poderes de Luis XIV.

  17. 17 17  José Luiz Sarmento

    É claro que José Sócrates faltou à palavra dada. Se eu prometi ao meu filho dar-lhe um carro que ele viu no stand e depois, chegado lá, não lho der porque o vendedor, em vez de dizer que é um carro, resolve chamar-lhe uma viatura, estou a voltar atrás, sim senhor.

    A PIDE não deixou de ser a PIDE por o Marcelo Caetano lhe ter mudado no nome para DGS.

    O que eu não percebo é como ainda há cidadãos que se deixam embrulhar neste truque, que é mais velho do que a Sé de Braga!

  18. 18 18  Patricia

    Pondo as coisas nos seus devidos lugares não há duvida que o primeiro ministro faltou a mais uma promessa eleitoral.Quanto á moção de censura não me promuncio se devia ou não ter sido apresentada.O que eu verifiquei quando assisti ao debate é que a Assembleia da República estava em circuito fechado,quer dizer por lá se debateu o referendo e o tratado,mas cá fora a maioria das pessoas estava a ligar pouca importancia ao assunto.É que pelo não cumprimento desta promessa poucos vão pedir contas a Sócrates,já em relação ao não cumprimento de várias outras ele não se vai descartar tão bem.

  19. 19 19  Arquiduquesa de Grayskull

    Deprimente é isto:

    http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?article=319851&visual=26&rss=0

    Os eurodeputados contra o tratado que se portaram mal agora ficam de castigo.

  20. 20 20  Stran

    Caro Daniel,

    Julgava que o vídeo era muito mais esclarecedor e fiquei bastante desiludido. Gostaria de saber se poderia me indicar onde está o resto da entrevista pois gostaria de saber se o vídeo que me indicou teve uma correcta interpretação ou se é simplesmente uma simples manipulação de imagem (parece-me que a referência ao “é a minha opinião” é precisamente ao facto de os tratados serem diferente e não o oposto).

    Vou também à procura e já volto para comentar…

  21. 21 21  Stran

    Estava errado relativamente ao video. A resposta “é a minha opinião” é relativamente ao facto de serem semelhantes.

    No entanto continua sem demonstrar que Socrates faltou à palavra. Nessa mesma entrevista (atenção que é em Julho) ele afirma exactamente que o seu compromisso eleitoral era com o Tratado constitucional e não com este novo tratado.

    E vamos ser honestos, quem procura o referendo e o está a defender neste momento, é contra o tratado. E o seu compromisso é com este facto e não com o esclarecimento da opinião pública. É legitimo pedir-se um referendo sobre esta matéria mas é substancialmente diferente de o fazer apenas porque não se acredita no Tratado e não por razões de convicção.

    Quem defende a necessidade de um referendo por uma questão de legitimidade politica, por acreditar que é a única forma de nestes casos existir uma ratificação tem duas acções: tenta mudar a lei e revolta-se.
    O que é que o BE, (p.e. o Louçã, o Miguel Portas e o Daniel) fez? Nada!!!
    Ouço muitas criticas vinda do Bloco de Esquerda (e dos outros partidos também) relativamente aos erros do governo, a não serem competentes, a faltarem à verdade, etc… No entanto o que que fazem mais do que simplesmente falar?

    Em tempos acreditei que o BE traria uma dinâmica diferente à nossa politica, mas como estava enganado. Todas as acusações que fazem são um espelho do seu próprio estado. Não existe nada para além da retórica. E estou francamente desiludido nesta temática relativamente à acção do BE.

    Banalizam a moção de censura, gritam bem alto que o ministro faltou à verdade, simulam indignação, mas na verdade é lhes indiferente. Quando realmente me senti revoltado, fui para a rua e protestei, quando estou ligeiramente revoltado, escrevo no meu blogue ou refilo para os meus botões. E é essa atitude que o BE e nomeadamente o Francisco Louçã demonstrou: apenas um relativamente desconforto com esta situação e nada mais do que isso. Ou seja quem para mim está com uma actitude “falsa” e não correcta é o próprio BE e Francisco Louça que diz um coisa e não se comporta em conformidade com as palavras que profere.

    A sério, e peço desculpa pelo tom, mas estou cansado de em Portugal tomarem atitudes “fait divers”. Parece que em vez de politicos os nossos deputados queriam ser estrelas de cinema.

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