Ouvi ontem parte do debate da moção de censura. Sócrates não fechou o debate, fazendo jus à sua imagem. Mas o mais deprimente foi o nível argumentativo da intervenção final de Santos Silva (dizem-me que houve ainda pior). Próximo da indigência. Num governo composto por figurantes políticos que têm como única função rojar-se no chão à passagem do líder, era inevitável que isto acabasse por acontecer, até com gente com alguma formação política: imitam o chefe e ostentam com orgulho o seu próprio analfabetismo ideológico. Se encontrar registo da coisa publico. Que miséria! Alguém tem de explicar a Santos Silva que é possível dar argumentos contra o referendo sem se falar da esquerda como se se fosse um insignificante líder de uma Juventude Popular.
Por Daniel Oliveira 17 Jan 08 em Governo


Se calhar seria interessante dissecar um bocadinho mais não?
Num tempo de descrédito do mundo político é importante que os partidos se comportem de uma forma mais responsável do que o líder do BE se comportou. A moção de censura é um instrumento muito importante da Assembleia. É o equivalente à famosa “bomba atómica” do presidente da república e só deve ser promovida em casos de gravidade extrema.
Ora ao contrário do que Francisco Louça afirma o Primeiro Ministro não faltou explicitamente à sua palavra. No máximo teve um comportamento lamentável ao não explicar claramente a sua decisão e ao não promover o esclarecimento público do Tratado de Lisboa. Nada suficientemente grave para levar à promoção de uma moção de censura.
O que escapou à oposição, e agora vai muito tarde para tomar qualquer acção é que o governo apenas faltou a uma promessa que efectuou na campanha eleitoral: o adiamento da idade da reforma na função publica cujo o então candidato José Sócrates garantiu não iria afectar quem tivesse perto da sua idade de reforma e que não cumpriu. Mas nessa altura ninguém promoveu uma séria contestação a este facto e ele passou incólume.
Também agora outros factos graves se passam na sociedade portuguesa e a oposição nada faz, nem sequer uma proposta de lei. Falo do caso BCP e dos salários criminosos dos seus administradores. O caso BCP, o perdão de cerca de 20 milhões de euros de dívidas a pessoas directa ou indirectamente ligadas à administração, é para ser investigado e a Assembleia devia de se preocupar com este facto.
Os três milhões de euros por administrador no BCP é no mínimo um atentado à esmagadora maioria dos portugueses e aos accionistas desse grupo. Na Alemanha começa-se a falar em limitar os salários a um topo máximo, até nas hostes mais conservadoras, mas em Portugal nem uma palavra.
Nos USA os salários do BCP são notícia e apelidados de “roubo aos accionistas” mas em Portugal nem uma palavra.
Afinal não é só o governo que censura a oposição, é a mesma que muitas vezes se censura a si própria!
De facto, ás vezes a juventude popular tem raiocinios logicos mais correctos.
O Santos Silva de esquerda que escrevia no público desapareceu logo que se tornou governante. Acontece a quase todos.
Não é deprimente, é NOJENTO, só ,mais nada.
Quando esta camarilha for de férias, acabou o
P.S.,não deixam nada só vazio…todos limpos,
bem vestidinhos com os mesmos gestos,e a mais
não serem do que manequins do desaparecido grandela.
“Ora ao contrário do que Francisco Louça afirma o Primeiro Ministro não faltou explicitamente à sua palavra.”
Explique lá como não faltou à palavra dada?
Claro que Sócrates faltou à palavra dada. Se até o primeiro-ministro da Eslovénia já sabia que não ia haver referendo em Portugal!
Só não se percebe porque é que o BE não guardou a “moção” para um tema mais “quente” da agenda política e desperdiçou essa oportunidade…
De degrau em degrau, esse Silva não pára de descer. Ainda acaba soterrado na própria prosápia.
Caro Daniel,
No programa de governo diz-se:
“No curto prazo, a prioridade do novo Governo será a de assegurar a ratificação do Tratado acima referido. O Governo entende que é necessário reforçar a legitimação democrática do processo de construção europeia, pelo que defende que a aprovação e ratificação do Tratado deva ser precedida de referendo popular, amplamente informado e participado, na sequência de uma revisão constitucional que permita formular aos portugueses uma questão clara, precisa e inequívoca.”
Quanto ao “Tratado acima referido” é explicitamente o “Tratado Constitucional”.
A lógica é divinalmente simples: não existindo “Tratado Constitucional” não existe nem compromisso nem promessa a ser quebrada.
Está explicado ou é necessário mais clarificação. Julgo, como já afirmei anteriormente, que é preciso ser mais critico nas alturas certas e não correr atrás do prejuízo como a oposição e neste exemplo o BE fez. Neste momento o “onus” da prova está na oposição, isto é têm de provar por A+B que este tratado é em tudo idêntico ao anterior e tem um peso Constitucional (e este é talvez o ponto mais importante) idêntico ao anterior. Até lá não existe nenhuma quebra de palavra e a oposição nada faz que não seja correr à procura de moinhos de vento.
Não sei se eticamente foi a atitude mais correcta do primeiro ministro, mas não faltou à palavra esse é um facto.
Pior que Santos Silva foi Ricardo Rodrigues. Aquilo foi absolutamente estúpido.
Veja lá para baixo o vídeo onde Sócrates diz que acha que o tratado é praticamente igual.
DO, completamente de acordo.
Só não percebo é, como o BE alimenta estes deprimentes, indigentes e arrogantes Socialistas Modernos na CMLisboa
Um abraço
Este Santos Silva é um tipo perigoso,homem para toda a obra sem olhar a indignidades.Com Cavaco disse que a sua eventual eleição seria um golpe constituicional.Votei no Cavaco ainda mais convicto.
Diz e faz o que for preciso por poder!Este tipo de pessoas tem um nome!Feio!
Para mim Santos Silva até é das pessoas mais inteligentes deste governo.
Só que depois da GRANDE intervenção de Fernando Rosas, Santos Silva perdeu a cabeça, e não esteve á altura dos seus pergaminhos.
E o líder da Juventude Popular não merece respeito?
Com essa (e eu até estava a concordar a 100% com o post) fez que os seus argumentos perdessem a autoridade.
Mesmos os “insignificantes” merecem respeito.
Já agora, posso transportar para aqui, postagens minhas?
Se achar que estou a abusar do seu espaço, tem toda a liberdade de eliminar este meu comentário
O processo para estabelecer uma constituição na União Europeia prossegue com o objectivo de implementar o próximo tratado antes das eleições europeias de Junho de 2009.
Mas este processo não pode continuar sem a participação directa e a aprovação dos povos europeus. O próximo tratado da UE não pode ser estabelecido sem se ouvirem as pessoas!
X09.eu visa recolher assinaturas de toda a UE apelando para um referendo sobre o próximo tratado europeu.
X09.eu é o desenvolvimento da Carta Aberta aos Primeiros-Ministros endereçada após a Cimeira de Berlim de 25 de Março de 2007 e assinada pelos seguintes 10 deputados do Parlamento Europeu pertencentes a sete diferentes grupos políticos:
Anna Zaborska, Eslováquia (EPP)
Panayiotis Demetriou, Chipre (PPE)
Max van den Berg, Holanda (PSE)
John Attard-Montalto, Malta (PSE)
Diana Wallis, Reino Unido (ALDE)
Silvana Koch-Mehrin, Alemanha (ALDE)
Ryszard Czarnecki, Polónia (UEN)
Gérard Onesta, França (GREENS/EFA)
Tobias Pflueger, Alemanha (GUE)
Jens-Peter Bonde, Dinamarca (IND/DEM)
X09.eu é apoiado por outros deputados do Parlamento Europe e ONG’s em todos os 27 estados membros.
Juventude Socialista defende referendo (http://www.tsf.pt/online/portugal/interior.asp?id_artigo=TSF186412
PCP prop�e pergunta para referendo sobre tratado
O PSD reiterou a defesa da ratificação por via parlamentar do Tratado de Lisboa que vai ser assinado esta quinta-feira no Mosteiro dos Jer�nimos. PCP e Bloco de Esquerda insistem na necessidade de um referendo, uma promessa eleitoral de José Sócrates. (http://www.tsf.pt/online/portugal/interior.asp?id_artigo=TSF186379
Só mais este
a constitucionalista francesa Anne-Marie Le Pourhiet reage ao desejo do presidente Sarkozy de ratificar o Tratado de Lisboa pela via parlamentar.
Para esta constitucionalista, aquele tratado é uma espécie de Constituição europeia “light”, e vivifica a memória do Sarkozy ao recordar-lhe a vontade dos franceses que em 2005 se opuseram ao projecto constitucional
A demagogia populista de Sarkozy conduziu-o á presidência francesa mas este facto não lhe conferiu os poderes de Luis XIV.
É claro que José Sócrates faltou à palavra dada. Se eu prometi ao meu filho dar-lhe um carro que ele viu no stand e depois, chegado lá, não lho der porque o vendedor, em vez de dizer que é um carro, resolve chamar-lhe uma viatura, estou a voltar atrás, sim senhor.
A PIDE não deixou de ser a PIDE por o Marcelo Caetano lhe ter mudado no nome para DGS.
O que eu não percebo é como ainda há cidadãos que se deixam embrulhar neste truque, que é mais velho do que a Sé de Braga!
Pondo as coisas nos seus devidos lugares não há duvida que o primeiro ministro faltou a mais uma promessa eleitoral.Quanto á moção de censura não me promuncio se devia ou não ter sido apresentada.O que eu verifiquei quando assisti ao debate é que a Assembleia da República estava em circuito fechado,quer dizer por lá se debateu o referendo e o tratado,mas cá fora a maioria das pessoas estava a ligar pouca importancia ao assunto.É que pelo não cumprimento desta promessa poucos vão pedir contas a Sócrates,já em relação ao não cumprimento de várias outras ele não se vai descartar tão bem.
Deprimente é isto:
http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?article=319851&visual=26&rss=0
Os eurodeputados contra o tratado que se portaram mal agora ficam de castigo.
Caro Daniel,
Julgava que o vídeo era muito mais esclarecedor e fiquei bastante desiludido. Gostaria de saber se poderia me indicar onde está o resto da entrevista pois gostaria de saber se o vídeo que me indicou teve uma correcta interpretação ou se é simplesmente uma simples manipulação de imagem (parece-me que a referência ao “é a minha opinião” é precisamente ao facto de os tratados serem diferente e não o oposto).
Vou também à procura e já volto para comentar…
Estava errado relativamente ao video. A resposta “é a minha opinião” é relativamente ao facto de serem semelhantes.
No entanto continua sem demonstrar que Socrates faltou à palavra. Nessa mesma entrevista (atenção que é em Julho) ele afirma exactamente que o seu compromisso eleitoral era com o Tratado constitucional e não com este novo tratado.
E vamos ser honestos, quem procura o referendo e o está a defender neste momento, é contra o tratado. E o seu compromisso é com este facto e não com o esclarecimento da opinião pública. É legitimo pedir-se um referendo sobre esta matéria mas é substancialmente diferente de o fazer apenas porque não se acredita no Tratado e não por razões de convicção.
Quem defende a necessidade de um referendo por uma questão de legitimidade politica, por acreditar que é a única forma de nestes casos existir uma ratificação tem duas acções: tenta mudar a lei e revolta-se.
O que é que o BE, (p.e. o Louçã, o Miguel Portas e o Daniel) fez? Nada!!!
Ouço muitas criticas vinda do Bloco de Esquerda (e dos outros partidos também) relativamente aos erros do governo, a não serem competentes, a faltarem à verdade, etc… No entanto o que que fazem mais do que simplesmente falar?
Em tempos acreditei que o BE traria uma dinâmica diferente à nossa politica, mas como estava enganado. Todas as acusações que fazem são um espelho do seu próprio estado. Não existe nada para além da retórica. E estou francamente desiludido nesta temática relativamente à acção do BE.
Banalizam a moção de censura, gritam bem alto que o ministro faltou à verdade, simulam indignação, mas na verdade é lhes indiferente. Quando realmente me senti revoltado, fui para a rua e protestei, quando estou ligeiramente revoltado, escrevo no meu blogue ou refilo para os meus botões. E é essa atitude que o BE e nomeadamente o Francisco Louçã demonstrou: apenas um relativamente desconforto com esta situação e nada mais do que isso. Ou seja quem para mim está com uma actitude “falsa” e não correcta é o próprio BE e Francisco Louça que diz um coisa e não se comporta em conformidade com as palavras que profere.
A sério, e peço desculpa pelo tom, mas estou cansado de em Portugal tomarem atitudes “fait divers”. Parece que em vez de politicos os nossos deputados queriam ser estrelas de cinema.