Depois de ter injectado mais de 800 milhões de euros no BPN, para salvar a face do ministro responsável pela segurança social e capitalizar um banco à beira da falência, a Caixa Geral de Depósitos pede aval ao Estado de dois mil milhões de euros.
Por Pedro Sales 21 Nov 08 em Governo10 respostas ao post “Há coisas fantásticas, não há?”
- 1 Pingback on 25 Nov 2008 às 18:00



Nã. Normal. É Portugal, Kamarada.
Ainda bem que a Caixa não foi privatizada.
A explicação disso está nisto:
Sheldon Emry explica o mecanismo que leva os bancos a criarem deliberadamente depressões económicas, restringindo o crédito e portanto o dinheiro em circulação e, no processo, auferirem lucros fabulosos:
Numa economia é necessária uma adequada disponibilidade de moeda (moeda em poder do público mais depósitos à ordem no sistema bancário).
Uma disponibilidade de moeda adequada é indispensável a uma sociedade civilizada. Podemos privar-nos de muitas outras coisa, mas sem dinheiro, a indústria paralisava, as propriedades rurais tornar-se-iam unidades auto-sustentadas, excedentes de alimentos desapareceriam, trabalhos que precisem mais do que um homem ou uma família fixariam por fazer, remessas e grandes movimentos de produtos cessariam, pessoas com fome dedicar-se-iam à pilhagem e matariam para permanecer vivas, e todo o governo, excepto a família ou a tribo, deixaria de funcionar.
Um exagero, dirão? Nada disso. O dinheiro é o sangue da sociedade civilizada, o meio pelo qual é feito todas as transacções comerciais excepto a simples troca directa. É a medida e o instrumento pelo qual um produto é vendido e outro comprado. Removam o dinheiro ou reduzam a disponibilidade de moeda abaixo do que é necessário para levar a cabo os níveis correntes de comércio, e os resultados são catastróficos.
Como exemplo, bastará debruçarmo-nos sobre a Depressão Americana nos princípios dos anos 30 do século XX.
Depressão Bancária de 1930:
Em 1930 os Estados Unidos não tinham falta de capacidade industrial, propriedades rurais férteis, trabalhadores experientes e determinados e famílias laboriosas. Tinham um amplo e eficiente sistema de transportes ferroviários, redes de estradas, e canais e rotas marítimas. As comunicações entre regiões e localidades eram as melhores do mundo, utilizando telefone, teletipo, rádio e um sistema de correios governamental perfeitamente operacional.
Nenhuma guerra destruiu as cidades do interior, nenhuma epidemia dizimou, nem nenhuma fome se aproximou do campo. Só faltava uma coisa aos Estados Unidos da América em 1930: Uma adequada disponibilidade de moeda para negociar e para o comércio.
No princípio dos anos 30 do século XX, os banqueiros, a única fonte de dinheiro novo e crédito, recusaram deliberadamente empréstimos às indústrias, às lojas e às propriedades rurais. Contudo, eram exigidos os pagamentos dos empréstimos existentes, e o dinheiro desapareceu rapidamente de circulação. As mercadorias estavam disponíveis para serem transaccionadas, os empregos à espera para serem criados, mas a falta de dinheiro paralisou a nação.
Com este simples estratagema a América foi colocada em “depressão” e os banqueiros apropriaram-se de centenas e centenas de propriedades rurais, casas e propriedades comerciais. Foi dito às pessoas, “os tempos estão difíceis” e “o dinheiro é pouco”. Não compreendendo o sistema, as pessoas foram cruelmente roubadas dos seus ganhos, das suas poupanças e das suas propriedades.
Sem Dinheiro para a Paz, mas com muito dinheiro para a Guerra:
A Segunda Guerra Mundial acabou com a “Depressão”. Os mesmos banqueiros que no início dos anos trinta não faziam empréstimos em tempos de paz para a compra de casas, comida e roupas, de repente tinham biliões ilimitados para emprestar para aquartelamentos militares, rações de combate e uniformes.
Uma nação que em 1934 não conseguia produzir alimentos para venda, repentinamente podia produzir milhões de bombas para enviar para a Alemanha e para o Japão.
Com o súbito aumento da quantidade de dinheiro, as pessoas eram contratadas, as propriedades rurais vendiam os seus produtos, as fábricas começaram a funcionar em dois turnos, as minas foram reabertas, e “A Grande Depressão” acabou!
Alguns políticos foram considerados culpados pela depressão e outros ficaram com os méritos por ter acabado com ela. A verdade é que a falta de dinheiro causada pelos bancos trouxe a depressão, e a quantidade adequada de dinheiro acabou com ela. Nunca foi dito às pessoas a simples verdade de que os banqueiros que controlam o nosso dinheiro e crédito usaram esse controlo para saquear a América e colocá-los a todos na escravidão
Os Banqueiros que controlam o dinheiro podem aprovar ou desaprovar grandes empréstimos a grandes e bem sucedidas corporações a tal ponto que a recusa de um empréstimo reduzirá o preço das acções dessa corporação no mercado. Depois da descida de preços, os agentes dos Banqueiros compram grandes quantidades de acções, após o que o empréstimo muitas vezes de milhares de milhões de dólares é aprovado, as acções então sobem e são vendidas com lucros. Desta forma ganham biliões de dólares com que compram mais acções.
Esta prática está tão refinada hoje que ao Conselho de Directores da Reserva Federal (Banco Central dos EUA) basta apenas anunciar nos jornais uma subida ou descida da taxa de redesconto para fazer subir ou descer o valor das acções. Usando este método desde 1913, os Banqueiros e os seus agentes ganharam aberta ou secretamente o controlo de quase todas as maiores empresas da América. Utilizando esse controlo, forçam as corporações a pedir grandes empréstimos aos seus bancos de tal forma que os ganhos das corporações são sugados para os bancos sob a forma de juros. Esta prática deixa poucos lucros às corporações e explica porque é que os preços das acções estão tão baixos, enquanto os bancos obtêm biliões em juros dos empréstimos às empresas. Com efeito, os Banqueiros ficam com quase todos os lucros, enquanto os accionistas individuais ficam com os restos.
As milhões de famílias trabalhadoras da América encontram-se agora endividadas a poucas milhares de famílias de Banqueiros pelo dobro do valor estimado dos Estados Unidos enquanto país.
Presidente Thomas Jefferson: “Se o povo Americano alguma vez permitir que os bancos controlem a emissão do seu dinheiro, primeiro por inflação e depois por deflação, os bancos e as corporações que nascerem à sua volta, privarão o povo da sua propriedade até que os seus filhos acordem sem tecto no continente que os seus pais conquistaram.”
Vamos lá a ver quem se seguirá à CGD…
E não há um post sobre o escândalo em preparação relativamente ao BPP?… Sobre o modo como o Estado, com o contributo do nosso dinheiro, pretende ajudar um banco que a única coisa que faz é gerir fortunas?!…
Estão a ver mal a questão. A CGD é o primeiro grande a recorrer à garantia do Estado, a pretexto da cobertura dos prejuízos do BPN, para que não se crie um estigma em relação à restante banca nacional que efectivamente necessita do (e vai recorrer ao) apoio estatal. Sendo um banco estatal o primeiro a recorrer a este mecanismo, quando o BES, o BCP, o BPI (e eventualmente o Santander Totta) o fizerem, isso será visto pelo público no quadro de alguma normalidade. Aliás, para salvaguardar a confiança no sistema, todos os grandes irão recorrer à garantia do estado, mais ou menos em simultâneo, de forma a não permitir uma quebra de confiança do público em algum deles.
Não estou convencido que a nacionalização do BPN tenha tido por objectivo “salvar a face do ministro responsável pela segurança social” - ou pelo menos que fosse esse o motivo fundamental. O objectivo primordial foi salvar outros credores, nomeadamente a restante banca (cujos interesses cruzados com o BPN não são conhecidos publicamente, a não ser algumas centenas de milhões de euros que a CGD emprestara).
Pedro Ribeiro,
Não foi a nacionalização do BPN que teve como objectivo “salvar a face do ministro responsável pela segurança social”, mas o empréstimo de 200 milhões de euros que a Caixa concedeu 2 semanas antes da nacionalização. Um esmpréstimo que ocorreu quando já se sabia que o banco estava nas lonas, e no preciso momento em que a segurança social tirava 300 dos 500 milhões que lá tinha empatados.
prisão para as camarilhas do Estado infestado de mafias,opus dei,maçonaria para os quais nunca votámos-tão próximos das organizações terroristas
Mesmo a CGD não consegue empréstimos nos mercados internacionais se o Estado não avalizar a operação,muito menos os outros.Contudo enquanto os mercados financeiros não estabilizarem dificilmente se pode pensar em medidas tendentes a relançar a economia.Na UE a maioria dos países,sobretudo da zona euro nesta matéria tem adoptado o mesmo procedimento.Contudo quem avaliza o empréstimo tem obrigação de vigiar o comportamente das instituições em termos de gestão e impedir práticas incorrectas.Espero que o Ministério das Finanças exiga nesse aspecto o mesmo que tem feito nos outros paises da UE.