A frase surge uma semana após a polémica do cartaz afixado do centro de saúde de Vieira do Minho - que levou o ministro Correia de Campos a destituir a directora da unidade pelo tom “jocoso” utilizado. Perante a reacção da plateia, a secretária de Estado sorriu e apressou-se a corrigir: “… desde que seja nos locais apropriados”. “Eu sou secretária de Estado, aqui nunca poderia dizer mal do Governo. Aqui. Mas posso dizer na minha casa, na esquina, no café. Tem é de haver alguma sensibilidade social…”
Para que fique claro: eu acho normal uma secretária de Estado não criticar o governo, nem em conferências, nem em esquinas, nem em cafés. O que eu não acho normal é que ela julgue que as obrigações de lealdade de um secretário de Estado são comparáveis às de um médio do Serviço Nacional de Saúde.
Por Daniel Oliveira 5 Jul 07 em Governo


É o Facismo!
Acha então o Daniel Oliveira que seria perfeitamente natural, e até democrático, que a secretária de estado dissesse mal do governo numa sessão pública. Bom, eu até acharia divertido. Sempre gostei de Monthy Pithon.
Mesmo fora do local de trabalho temos que ter cuidado com os delatores.
antónio, estamos um poulo literais. A senhora disse isso para expolicar aos senhores méddicos que estavam na assistência que não se pode falar mal do governo em todo o lada. Se não, porque raio diria aquilo? Porque queria falar mal do governo e não podia? Leia a notíca de novo.
Eu tenho uma dúvida: na varanda da minha casa também posso dizer mal do Governo? Isso já conta como espaço onde devo ter sensibilidade social (os nomes que eles inventam para a Rolha - no tempo do Salazar era para impedir a calúnia e a perversão…), ou ainda é domicílio? Poderia o grande timoneiro Sócras (friso: Sócras, que a voz do Povo é a voz de Deus) elucidar-me?
O médico actuou não como médico, para isso devia estar a ver doentes e sem tempo para mariquices, mas sim como filiado no PCP e autarca pela CDU.
Vou tentar escrever-lhe uma carta a pedir autorização para ir à sede do PCP colocar lá um poster da minha invenção sobre o que penso do partido com “paredes de vidro”.
Depois, se me der licença, ponho aqui a resposta obtida.
Vídeo aqui:
http://uk.youtube.com/watch?v=xx3s1reY9Hs
Obrigado, Basílio.
Vou tentar escrever-lhe uma carta a pedir autorização para ir à sede do PCP colocar lá um poster da minha invenção sobre o que penso do partido com “paredes de vidro”.
Achar que um Centro de Saúde está para o Governo como uma sede está para um Partido é, e meço as palavras, perfeitamente inenarrável. As instalações públicas são do Povo, que pode criticar o Governo onde, como, e quando quiser.
Mal está o país onde se já alguém pensa que há sítios onde a Democracia tem de ficar à porta…
Fado Alexandrino: devo portanto concluir que os centros de saúde são equiparáveis a sedes partidárias.
A única coisa óbvia é que a senhora não sabe falar. Mais uma vítima, diria eu, da longa noite fascista que des-ensinou as pessoas de conversarem umas com as outras.
Posted by: Daniel Oliveira | julho 5, 2007 06:55 PM
Tem absoluta razão.
Como aliás o médico-activista demonstrou.
Para o comentador anterior.
É claro que o povo (essa entidade abstracta) pode criticar o Governo em todo o lado o que faz com manifesta energia.
Os funcionários do estado é que não, ali!
O senhor médico-activista colocava o cartaz lá na sede do Partido e já gozava.
Neste país há quem entenda normal que os utentes dos serviços públicos sejam expostos, nesses mesmos serviços públicos, a propaganda política. Em particular, há quem entenda normal que os pacientes que se dirigem a um serviço de saúde tenham de gramar com propaganda contra o ministro da saúde. Em particular, há quem entenda que se eu tiver de me dirigir ao SAP de Vieira do Minho tenho de aceitar de bom-grado que lá esteja exposta uma entrevista do Ministro da Saúde com o seguinte comentário anexo: «Atenção! Você está num SAP! Fuja! Faça como o Ministro da Saúde deste pobre País – Corra para a urgência de Braga!». É claro que se o ministro da saúde tivesse mandado afixar, ele próprio, a sua entrevista, seria acusado de culto da personalidade ou de qualquer malfeitoria parecida.
Posted by: Daniel Oliveira | julho 5, 2007 06:55 PM
É verdade, foi assim que pensou e actuou o médico-acrivista.
Posted by: JV | julho 5, 2007 06:00 PM
Tem toda a razão.
O povinho pode e deve comentar mesmo o que não sabe em todo o lugar.
E fazem-no com grande entusiasmo, basta ir a eses mesmos Centros Médicos.
O activista-médico, como funcionário, está ali para atender doentes.
Como activista deve colocar a propaganda na sede do partido a que pertence.
(Este comentário é repetido porque presumo que o primeiro por qualquer motivo se perdeu).
Como activista deve colocar a propaganda na sede do partido a que pertence.
Não: deve colar a propaganda onde faça sentido. E se o assunto do cartaz são os SAP’s, parece apropriado que a tenha posto num SAP.
Já agora: a propaganda dos partidos só pode ser afixada nas sedes dos mesmos? Nem na rua? Ao que isto já chegou…
O povinho pode e deve comentar mesmo o que não sabe em todo o lugar.
Gosto da forma carinhosa como diz «povinho». Isto porque não quero supor que está a usar o termo de forma depreciativa - ou vosselência pertencerá à Aristocracia?
E fazem-no com grande entusiasmo, basta ir a eses mesmos Centros Médicos.
Com todo o direito. Já agora: nas últimas presidenciais vimos, diversas vezes, candidatos a distribuir panfletos em Centros de Saúde. Devem ir todos presos?
Neste país há quem entenda normal que os utentes dos serviços públicos sejam expostos, nesses mesmos serviços públicos, a propaganda política.
Nomeadamente Manuel Alegre, Garcia Pereira, e Mário Soares, que a fizeram em 2006. Para os punir, como de razão, propõe prisão ou multa?
Em particular, há quem entenda normal que os pacientes que se dirigem a um serviço de saúde tenham de gramar com propaganda contra o ministro da saúde.
Não vejo qual o problema. Por razões profissionais também tenho de «levar» com propaganda contra o Ministro do Ensino Superior e a Ministra da Educação praticamente todos os dias. E não acho mal. Nunca achei mal a liberdade de expressão: são feitios…
Em particular, há quem entenda que se eu tiver de me dirigir ao SAP de Vieira do Minho tenho de aceitar de bom-grado que lá esteja exposta uma entrevista do Ministro da Saúde com o seguinte comentário anexo: «Atenção! Você está num SAP! Fuja! Faça como o Ministro da Saúde deste pobre País – Corra para a urgência de Braga!».
Pois deve. Mas se acha que não deve, exponha aí meia dúzia de argumentos que o tornem inviável.
É claro que se o ministro da saúde tivesse mandado afixar, ele próprio, a sua entrevista, seria acusado de culto da personalidade ou de qualquer malfeitoria parecida
A função dos Ministros não é pavonearem as entrevistas que fazem. A dos cidadãos (dos cidadãos a sério, não dos que acham que uma eleição é uma carta branca, e que um mandato é uma ditadura de quatro anos) é escrutinarem a actividade dos seus representantes e denunciarem os seus erros. Por todos os meios, e em todos os sítios.
Posted by: JV | julho 6, 2007 01:06 AM
A sua argumentação é absolutamente inatacável.
Agora um “suponhamos” que eu discordava de um qualquer editorial do Avante (é tão fácil meu Deus) e resolvia ir bater à porta de uma das sedes para expor lá o mesmo com um comentário “fascista” escarrapachado?
Quererá dar-me a sua opinião sobre o sucesso deste acto?
Indo à questão de base, e deixando de lado o folclore de interpretar como tese política uns apartes de circunstância que se fazem no meio de um discurso (só quem nunca esteve nessa circunstância, como falador ou como ouvidor, pode não estar de má fé em atribuir significado aos apartes da senhora), diria o seguinte.
Neste país há quem entenda normal que os utentes dos serviços públicos sejam expostos, nesses mesmos serviços públicos, a propaganda política. Em particular, há quem entenda normal que os pacientes que se dirigem a um serviço de saúde tenham de gramar com propaganda contra o ministro da saúde. Em particular, há quem entenda que se eu tiver de me dirigir ao SAP de Vieira do Minho tenho de aceitar de bom-grado que lá esteja exposta uma entrevista do Ministro da Saúde com o seguinte comentário anexo: «Atenção! Você está num SAP! Fuja! Faça como o Ministro da Saúde deste pobre País – Corra para a urgência de Braga!». É claro que se o ministro da saúde tivesse mandado afixar, ele próprio, a sua entrevista, seria acusado de culto da personalidade ou de qualquer malfeitoria parecida.
JV critica o meu comentário. Curiosamente, a sua crítica ao meu comentário parece estar “datada” de umas horas antes da “data-hora” do meu comentário. Mas adiante (talvez eu perceba pouco de como funciona a “moderação” dos comentários nos blogues) e concentremo-nos no que diz.
Citar pessoas notáveis que, supostamente, estão em opiniões diferentes da minha é um “argumento de autoridade”. O meu padrão de discussão racional não passa por argumentos de autoridade.
Pretender que eu “sou do feitio de achar mal a liberdade de expressão” porque acho que nem todos os sítios podem ser locais de propaganda política, parece mostrar alguma intolerância: se não concordo consigo num ponto muito específico é porque sou um malfeitor (para um democrata, ser contra a liberdade de expressão é ser um malfeitor). O ponto é muito específico: ser contra a afixação de propaganda política nos serviços públicos não é ser contra a propaganda política, tal como ter de comunicar a realização de uma manifestação não é contra a liberdade de manifestação, tal como impedir a publicação de propaganda partidária paga num jornal disfarçando-a de notícia não é ser contra a propaganda partidária.
Só tenho um argumento contra a omnipresença da propaganda política: nenhum cidadão, excepto os que vivem quase exclusivamente da política, tolera que todos os recantos da sua vida sejam invadidos pela propaganda política. Não estou a referir-me a falar de política com as outras pessoas, conhecidas ou de encontro casual: estou a falar de propaganda “de massas”: um emissor, múltiplos destinatários que venham à rede. Por exemplo, um cartaz afixado. Não quero ter isso quando estou a tratar da minha doença, da morte dos meus amigos, … Custa-lhe muito a compreender que nem toda a gente passa a vida só a pensar em temas políticos e que em certos momentos e espaços da vida essa imposição pode ser intrusiva?
A sua ideia acerca do “pavoneamento” das entrevistas de um ministro é uma ideia gira: gozar com a entrevista do ministro e afixar esse gozo é legítimo, mas se fosse afixar a entrevista, por iniciativa do próprio, já não seria legítimo. A sua liberdade de expressão, afinal, não abrange os ministros? Pode expor-se a entrevista num placard se for para a criticar, mas já não se pode fazê-lo se for para a apoiar (para a divulgar)? Os ministros devem ser eunucos? Os ministros não são, por serem políticos, obrigados a expor o seu pensamento e a oferecê-lo ao contraditório? E, sendo assim, devem ter menos liberdade de expressão do que os seus críticos?
Francamente, dispenso lições de democracia participativa. Expus uma opinião, diferente da sua aparentemente, mas não sou nenhum facínora, nem agente da secreta, nem me pagam para difundir opiniões. Se isso o incomoda, desculpe lá o mau jeito.
Quererá dar-me a sua opinião sobre o sucesso deste acto?
Com todo o gosto: a sede do PCP pertence ao PCP. Lá, eles fazem e aceitam o que entendem correcto. Um Centro de Saúde pertence ao Povo: assim, lá como em qualquer outro sítio, quem quer criticar o Governo pode fazê-lo (eu diria mesmo que quem quer criticar o Governo deve fazê-lo).
JV critica o meu comentário. Curiosamente, a sua crítica ao meu comentário parece estar “datada” de umas horas antes da “data-hora” do meu comentário. Mas adiante (talvez eu perceba pouco de como funciona a “moderação” dos comentários nos blogues)
Não: tem é de perceber para que serve o Refresh. Se o tivesse feito antes de postar pela segunda vez o mesmo comentário, teria visto que já o tinha publicado em julho 5, 2007 08:07 PM.
Citar pessoas notáveis que, supostamente, estão em opiniões diferentes da minha é um “argumento de autoridade”. O meu padrão de discussão racional não passa por argumentos de autoridade.
Não é disso que se trata. Estou a pedir-lhe uma opinião sobre a forma como deveríamos proceder em relação a estes cidadãos que fizeram propaganda política em Centros de Saúde. O Porfírio afirmava que «neste país há quem entenda normal que os utentes dos serviços públicos sejam expostos, nesses mesmos serviços públicos, a propaganda política». Se o acha errado, pergunto-lhe se propõe punições para quem o fez, e quais.
Pretender que eu “sou do feitio de achar mal a liberdade de expressão” porque acho que nem todos os sítios podem ser locais de propaganda política, parece mostrar alguma intolerância
Por quem é! Eu não disse que o Porfírio é do feitio de achar seja o que for. Como pderia fazê-lo, se nem sequer o conheço? Expus apenas o meu feitio: não há um necessário antagonismo entre o que eu acho e o que o senhor acha!
No entanto, quando fala de intolerância, perdoar-me-á, mas em verdade é o Porfírio não tolera que se faça propaganda política em Centros de Saúde.
se não concordo consigo num ponto muito específico é porque sou um malfeitor (para um democrata, ser contra a liberdade de expressão é ser um malfeitor).
Eu não disse isso. Nem que estava contra a liberdade de expressão, nem que era um malfeitor. Não faça especulações nem juízos precipitados.
O ponto é muito específico: ser contra a afixação de propaganda política nos serviços públicos não é ser contra a propaganda política, tal como ter de comunicar a realização de uma manifestação não é contra a liberdade de manifestação, tal como impedir a publicação de propaganda partidária paga num jornal disfarçando-a de notícia não é ser contra a propaganda partidária.
Só tenho um argumento contra a omnipresença da propaganda política: nenhum cidadão, excepto os que vivem quase exclusivamente da política, tolera que todos os recantos da sua vida sejam invadidos pela propaganda política.
Mas isso é totalmente desprovido de sentido. Se a ideia é atacar as políticas do Ministério da Educação, vamos fazer propaganda onde? Nos cafés? Não - nas escolas, que é lá que elas se sentem; se a ideia é protestar contra a política das Pescas, vamos colar cartazes onde? No Interior? Não: nos portos e nas lotas, que é aí que há pescadores.
E se é nossa intenção criticar o Ministério da Saúde, então, como é verdade evidente seja para quem for, afixe-se a crítica no hospital, no Centro de Saúde, etc. Ou no hospital já não se pode?
Não estou a referir-me a falar de política com as outras pessoas, conhecidas ou de encontro casual: estou a falar de propaganda “de massas”: um emissor, múltiplos destinatários que venham à rede.
Percebo: à laia do Estado Novo, só se pode criticar o Governo com o vizinho do lado, baixinho para ninguém ouvir. Mas agora com uma variante: podemos afixar cartazes, conquanto estejam deslocados do nosso alvo para haver - como é que era mesmo? - «sensibilidade social», era isso…
Por exemplo, um cartaz afixado. Não quero ter isso quando estou a tratar da minha doença, da morte dos meus amigos…
Isso não é argumento: se fosse assim, eu posso estar a sair de minha casa preocupado com a precaridade do meu emprego, e achar intrusivo, que logo à porta, haja cartazes contra o desemprego; posso achar intrusivo que, estando crivado de dívidas, a CETELEM ou o BCP me pespeguem um outdoor do outro lado da rua; para qualquer situação há sempre um argumento para demonstrar que a publicidade é intrusiva. Quer um muito concreto? Eu também não queria ter «o momento-Chavez» do PM, como sabiamente lhe chamou Pacheco Pereira, nos telejornais. Mas sou obrigado a isso: esteja a jantar com a família, a beber um copo no café da esquina, ou - e porque não? - num hospital a tratar da minha doença ou a cuidar da morte dos meus amigos. Mas nada posso fazer: só se varressemos da superfície da terra todas as formas de publicidade é que ficávamos a cobro das intrusões.
Custa-lhe muito a compreender que nem toda a gente passa a vida só a pensar em temas políticos e que em certos momentos e espaços da vida essa imposição pode ser intrusiva?
E a si, custa-lhe a perceber que se há um alvo a atacar pela propaganda, o tiro não pode sair deslocado? Eu tenho imensa pena de quem está a morrer num hospital, mas se é para criticar o estado da saúde tem de ser aí.
A sua ideia acerca do “pavoneamento” das entrevistas de um ministro é uma ideia gira: gozar com a entrevista do ministro e afixar esse gozo é legítimo, mas se fosse afixar a entrevista, por iniciativa do próprio, já não seria legítimo.
Precisamente: porque o cidadão pode criticar o Governo. Este, por seu turno, não pode andar a exibir-se. Existe para trabalhar, não para se auto-promover.
A sua liberdade de expressão, afinal, não abrange os ministros?
É uma visão um tanto abusiva da liberdade de expressão achar que serve também para os Ministros andarem a propagandear as entrevistas que deram. Já agora, façam-se outdoors, spots publicitários, livrinhos com citações dos vários membros do executivo em edição brochada, e distribua-se à porta dos serviços públicos respectivos. Tinha aliás muita graça se, quando Santana Lopes era Presidente da CML, andasse a espalhar pela cidade cartazes anunciando as suas aparições na Nova Gente e na Caras. Parece que estou a ver «Hoje estive no Aniversário do W. Confira amanhã!». Aí, queria ver a opinião dos Porfírios.
Pode expor-se a entrevista num placard se for para a criticar, mas já não se pode fazê-lo se for para a apoiar (para a divulgar)? Os ministros devem ser eunucos?
Não proponho a castração de nenhum Ministro, cruzes canhoto! Isto de o DO postar tantos textos sobre sexualidade está a afectar a clientela…
Os Ministros devem fazer o seu trabalho. Cumprir as suas obrigações: e entre elas não consta a divulgação das suas entrevistas com dinheiro do Povo. É a mesma situação de quando o MAI criou um blogue para polemizar com os cronistas de jornal: o Governo é pago, por mim e por si, para trabalhar. Nada mais.
Os ministros não são, por serem políticos, obrigados a expor o seu pensamento e a oferecê-lo ao contraditório?
Mas a entrevista já tinha sido dada. Quem a quisesse ler comprava o jornal.
E, sendo assim, devem ter menos liberdade de expressão do que os seus críticos?
Nem por sombras. O que não devem é usar a sua posição de governante para impingirem as entrevistas que dão.
Francamente, dispenso lições de democracia participativa. Expus uma opinião, diferente da sua aparentemente, mas não sou nenhum facínora, nem agente da secreta, nem me pagam para difundir opiniões.
Fico feliz por si.
Se isso o incomoda, desculpe lá o mau jeito.
Não me incomoda de todo. Mas vejo que se se criasse um Ministério da Propaganda pelo qual os nossos lídimos governantes tivessem trupes de bombo e tambor nas ruas a anunciar o que fizeram e tencionam fazer, a forma como são bons e grandes guias do Povo no seu caminho para a paz e a prosperidade, tudo isto servido por uns belos murais e uns filmes à Eisenstein, isso não o incomodava. É sempre bom ir sabendo estas coisas…
É claro que o povo (essa entidade abstracta) pode criticar o Governo em todo o lado o que faz com manifesta energia.
Os funcionários do estado é que não, ali!
E por que cargas de água? O tempo do juramento de fidelidade já lá, vai amigo. Um funcionário público é um cidadão que exerce um ofício para o Estado. Só isso. Não é um homem de mão do Governo, nem deve uma fidelidade canídea aos senhores Ministros - e era só o que faltava se quisessem fazer deles isso…