Há dois dias, o governo admitia em comunicado ter conhecimento que o BPN “se encontra há alguns meses insolvente”. Mesmo assim, o Instituto da Segurança Social mantém 500 milhões de euros das reformas num banco que o governo sabia estar à beira da falência. Questionado por Francisco Louçã sobre a imprudência na gestão dos recursos públicos, Teixeira dos Santos saiu-se com esta pérola: “Eu não tenho que saber dos depósitos nas instituições. Há uma coisa chamada sigilo bancário e eu não tenho que saber quem é que deposita nas instituições, e quanto é que tem depositado.

Tudo indica que a nacionalização de um banco está a perturbar o ministro das Finanças. Teixeira dos Santos não se desloca ao parlamento como gestor do BPN, mas como o responsável pela boa aplicação dos recursos que os contribuintes confiam ao Estado. Não sabe onde é que o Governo aplica os dinheiros públicos? É-lhe indiferente que o faça num banco que sabia estar à beira de cair? Invocar o sigilo bancário quando estamos a falar da aplicação que o governo faz do dinheiro das reformas dos portugueses? Não podia telefonar a Vieira da Silva, ou perdeu o telefone do seu colega? Não se falam? Bem sabemos que, de acordo com o primeiro-ministro, os assessores do governo só trabalham com um computador concebido para alunos dos 6 aos 10 anos, mas escusavam era de nos fazer passar a todos por crianças. Principalmente quando andam a brincar com o nosso dinheiro.


13 respostas ao post “Para descobrir onde pára o dinheiro das reformas tive que nacionalizar um banco”  

  1. 1 1  m&m

    «É-lhe indiferente que o faça num banco que sabia estar à beira de cair?»

    o problema é que ele não sabia (ninguém, incluindo o BP) . Souberam pq o M. Cadilhe denunciou.

  2. 2 2  cobardolas

    Mas é óbvio que sabiam! Mas esta gente não pode ser assim tão ingénua!

  3. 3 3  Bang Bang

    Mas afinal quem é que é responsável pela gestão dos fundos públicos? Acho que, a bem da transparência e não só, deveríamos saber quem são as pessoas que têm a seu cargo tão importante tarefa. Se os políticos que elegemos não são responsáveis pela gestão das nossas poupanças, têm que nos informar rapidamente quem trata deste assunto. Começo a ficar preocupado.

  4. 4 4  Joaquim Teixeira

    “O problema é que ele não sabia”.
    Ó santa ingenuidade!

  5. 5 5  Nuno

    Como ponto prévio gostaria de afirmar q de acordo com o que penso apenas e só na CGD é q ue a SS deve ter depósitos.
    Posto isto deixo-lhe umas perguntas (retóricas) na sequência do seu post:
    - Qdo foi feita esta aplicação no BPN? Quem eram então os ministros responsáveis de então? Pq foi feito num banco menor?
    - O q acha q aconteceria de ao BPN se os €500M fossem retirados “há alguns meses”?
    Cpmts

  6. 6 6  Maria

    E ainda bem que Cadilhe denunciou porque ainda foi a melhor coisa que ele fez nos ultimos tempos.

  7. 7 7  Pedro Sales

    m&m ,

    O comunicado do ministério das finanças, e que se encontra linkado, é bastante claro. O governo admite que tem conhecimento que o BPN “se encontra há alguns meses insolvente”. Isto foi escrito na segunda-feira à noite. Não há como enganar.

  8. 8 8  m&m

    o governo tem conhecimento há alguns meses ( desde março); o pedro sales sabe quando é que o dinheiro da segurança social lá foi depositado? que eu saiba ainda não foi tornado público.

  9. 9 9  Pedro T

    Fosse ou não fosse depositado o dinheiro, voltamos à eterna questão deste (des)governo:
    à mulher de césar não basta paracê-lo, é preciso sê-lo!

    E desta feita, o governo (estado) até se pode tornar accionista de todos os bancos portugueses e dos internacionais, agora o que é preciso é que assuma que o faz, porque o faz e com que estratégia é que o faz!

  10. 10 10  Ricardo

    Ao menos podia dizer que foi o Louçã depois do Honório Novo o ter feito. É claro que existe uma ordem de intervenções, mas pelo menos não escondia uma importante parte da realidade, não acha?

  11. 11 11  Pedro Sales

    Caro ricardo,

    Não dei pela intervenção de Honório Novo. Em todo o caso a resposta do ministro - e parece ser a primeira, dado o tom - é ao deputado Francisco Louçã. Não vejo onde é que possa ter escondido alguma coisa.

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  2. 2 Um banco para todos « Notas ao café…

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