“A liberdade é algo que o País deve a Mário Soares, a Salgado Zenha, a Manuel Alegre… Não deve a Álvaro Cunhal nem a Mário Nogueira”
Augusto Santos Silva
Posso hoje não concordar com o que Álvaro Cunhal queria para Portugal. Mas sei que Portugal lhe deve muito na luta contra a ditadura. As dívidas não pagam o que os outros poderiam ter feito, mas o que realmente fizeram. E acontece que Cunhal esteve preso largos anos, foi clandestino e exilado, arriscou a vida e, como Mário Soares, lutou contra a ditadura. E isso devemos-lhe. Que, para reagir à contestação política, um ministro do PS (e ex-esquerdista) repita o discurso mais básico do CDS é sinal de grave desorientação.
Por Daniel Oliveira 11 Mar 08 em Governo, PCP


O homem não anda bem da cabeça (se calhar nunca andou) e o que é certo é que devia retratar-se ou, pelo menos, explicar muito bem em que é que acreditava e o que fez pela liberdade. Se não o fizer penso que seria importante que alguém o fizesse por ele. E já agora alguém do PS com coragem para o fazer. Que tal Manuel Alegre? Ou estará este a babar-se acreditando que foi ele e mais dois ou três que fizeram Abril?
Do Santos Silva nem vale a pena falar. Agora este Manuel pseudo-independente não sei se me irrita mais quando fala ou quando (por interesse) se mantém caladinho…
Não vale a pena ocultar o sol com a peneira!
A intolerância, como reflexo da ausência dum verdadeiro espírito democrático, não é exclusivo deste ministro. Diariamente, nos jornais, na televisão e na net, cruzamo-nos com comentários deste jaez.
Muito recentemente,e a propósito da manifestação dos professores, li coisas que poderiam, com a toda a naturalidade, ser subscritas por qualquer cidadão assumidamente neo-fascista.
Por muito preso que Cunhal tenha estado e por muito que tenha lutado contra a ditadura de Salazar, quiçá para impor outra, não deixa de ser verdade que a liberdade em Portugal não se deve a Cunhal mas muito contra Cunhal!
O Cunhal como disse e bem lutou contra a ditadura e a sua luta era por substituir uma ditadura por outra ditadura . Sendo assim não lutou pela liberdade e o esquerdista tem alguma razão.
Já agora ontem no debate fiquei de boca aberta ao ouvi-lo defender a republica. Em poucas palavras o Daniel disse tudo. bem aja.
Daniel Oliveira:
Não se preocupe:
Comparado com o que sofreram os homens que verdadeiramente lutaram contra ditadura, estes protagonistas são muito pequeninos. O que valem? E depois, o que fazem hoje quase todos os “ex-esquerdiastas”? E não só…
Em abstracto até quase que me sentia tentado a concordar consigo.
Mas veja o caso daquele cabo da GNR que matou as três infelizes jovens.
Era uma pessoa extremamente prestável, muito apreciado na vila, pertencia a uma data de associações, em suma um reformado útil e simpático.
Qual a imagem que fica dele agora e para todo o sempre?
Não foi assim que eu entendi. Essas figuras que lutaram pela liberdade, lutaram contra um inimigo comum que as unia no seu antifascismo. Por isso estiveram presos. Isso portugal deve a essas figuras, essa luta pela liberdade. A questão é saber se essa luta pos fascismo se traduziu também numa luta pela democracia tal qual existia (ou era concebida no ocidente) em toda a europa e se se pode aplicar na mesma medida em que uniu essas pessoas no passado contra um inimigo comum. as unia também num ideal democratico.
Adianta lutar por uma liberdade que nos é imposta e com a qual não concordamos mas ja é criticável e não adianta na minha optica que depois de nos libertarmos irmos fazer o mesmo em sentido inverso.
Podemos ter sido uns paladinos da liberdade no passado e passar a um sufoco da liberdade democratica a posteriori.
Existe aqui algum excesso. Álvaro Cunhal não lutou contra a ditadura, lutou contra AQUELA ditadura. Faz uma ligeiríssima diferença…
O Ministro tem parcialmente razão e, para não variar, o Daniel não tem nenhuma
A liberdade foi-nos dada pelos militares, não pelo Dr Soares, nem pelo Dr Cunhal, nem por nenhum dos autoproclamados “heróis antifascistas”. O Dr Soares e o Dr Cunhal foram apanhados de ceroulas, em em Paris e Moscovo e só vieram depois, aproveitar o refluxo da vaga. Quem arriscou tudo, carreira,família e a própria vida, num jogo cujo desfecho não era previsível, foram os militares.
Em 25 de Abril e em 25 de Novembro. Para correr com a ditadura fascista e para correr com a ditadura comunista.
Foram os militares , não os seus mitos de plástico, pese embora toda a propaganda com que l encheram a mona às criancinhas.
Se há que render homenagem a alguém, é aos militares que morreram, o Tenente e o Furriel dos Comandos que na noite de 25 de Novembro tombaram em combate, na Ajuda, para garantir que Portugal retomava o caminho da liberdade e da democracia.
Mário Soares, ao menos esteve do lado certo, quando Cunhal nos queria levar para a “democracia tipo Coreia do Norte”.
Cunhal, de resto nunca lutou pela liberdade, a não ser a dele.
Citemo-lo:
“Nós, os comunistas, não aceitamos o jogo das eleições. (…) Não, não, não, a mim não me interessam nada as eleições. Nada mesmo! (…) as eleições não têm nada ou muito pouco a ver com a dinâmica revolucionária.”
(1975-Álvaro Cunhal em entrevista a Oriana Falacci)
Este arrastao tb anda um bocado desorientado diga-se de passage, existe neste momento a tentativa de fazer o branqueamento da dedicação e por vezes a própria vida, começa a ser proibido ser-se comunista neste país, citando António Vilarigues, há quem tenha dificuldade em lidar com o assunto Partido Comunista Português.
A pessoa em causa estava visivelmente desorientada pelos populares, no entanto o minimo que deveria ter feito era, assim que ficasse mais calmo, efectuar um pedido de desculpas público e reconhecer o seu erro.
P.S. Parabéns Daniel pela tua participação ontem nos prós e contras. Só pena não terem aprofundado a diferença fundamental entre os dois regimes: de que à nascença somos todos iguais.
Mesmo depois do 25 de Abril, Álvaro Cunhal e os outros comunistas comportaram-se como democratas.
Eles tinham um projecto de socialismo real para o país, mas não tomaram o poder por golpe de estado. Foram a eleições. Perderam. Perguntaram aos portugueses se desejavam uma revolução comunista e os portugueses disseram que não ao votar Mário Soares.
O PCP podia ter tomado o poder de assalto, mas não o fez. Essa sensatez do PCP fez com que hoje não sejamos um ex-satélite da URSS, com os problemas que isso trouxe a toda a Europa de Leste. Somos uma democracia porque pessoas como Álvaro Cunhal e Mário Soares lutaram contra a ditadura e depois deram ao povo a escolher.
Quando se argumenta, como dizias no post, não com o que Álvaro Cunhal fez, mas com o que Álvaro Cunhal poderia ter feito, está-se a desconsiderar que Álvaro Cunhal não quis fazer nada sem o apoio do voto popular. Se o PCP tivesse ganho as eleições, claro que tomaria políticas socialistas e de aproximação à URSS, e isso teria acontecido com toda a legitimidade democrática.
Álvaro Cunhal foi um grande contributo à democracia portuguesa, não só por ter lutado por ela, como por a ter praticado quando era fácil não o fazer. Deu também uma lição aos marxistas: não é possível nem desejável uma revolução sem o apoio popular.
Você não está a ser sério, porque A.Santos Silva referia-se a Álvaro Cunhal no pós- 25 de Abril, qundo foi notória a tentativa de instaurar em Portugal uma ditadura comunista. E sei do que falo, porque assisti e porque era militante do PCP nessa altura.
Desorientação é esta discussão acerca das declarações do ASS!
Vês Daniel? O Santos Silva não está desorientado… passou a falar assim exactamente desde que decidiu “orientar-se”. E há sempre gente para concordar com aquele tipo de “declaração anti-democrática estúpida”, para citar o insuspeito de simpatias comunistas Marcelo Rebelo de Sousa.
Possivelmente, a única coisa que tornaria divertido poder viver mais cinquenta anos seria apreciar o lugar que estas figurinhas vão ter na História.
E a mim também deve, que lutei, disse o A Santos Silva… Agora ao Álvaro, não, caramba!
O ganda estúpido silva…
Você não está a ser sério…
Ai não? E estava o ass quando diz claramente que só soares e alegre, além dele, lutaram contra a ditadura? Rlr, ass, ainda agora com bafos ditadorzecos de fúria, ó clara de figueiras…
Quem devia falar sobre este assunto devia ser Mário Soares,ele um dia escreveu dizendo que Álvaro Cunhal tinha evitado uma guerra civil em Portugal,podia agora dizer e é provavel que o faça a que se estava a referir.O 25 de Novembro de 1975 foi há muitos anos,poucos sabem o que se passou nos bastidores do poder naquele dia e muitos já não estão entre nós,mas Mário Soares sabe porque estava presente.Do que me recordo quando o Presidente da Republica Costa Gomes declarou o recolher obrigatório,aquilo que nos foi dito no centro de trabalho do PCP onde nos encontravamos,foi de que fossemos para nossas casas e respeitassemos a decisão do Presidente.
Lidador
Eu, se fosse a si, tinha mais cuidado com os militares.
Olhe que em ambas as datas estavam de um lado e do outro.
Não se esqueça do Varela Gomes, Mário Tomé, Cuco Rosa, Duran Clemente, Diniz de Almeida et al que estão aí vivinhos da costa e pelo menos um até no BE.
baldassare
O PCP podia ter tomado o poder de assalto, mas não o fez.
Mas que o tentou com muita força, ninguém lhe pode tirar o mérito.
Entretanto, aos poucos, profs lá serão levados à grelha manhosa com que o ministério pretende favorecer o grupelho de serviçais do Governo, aqueles mais sem carácter, ao mesmo tempo que poupa no Orçamento. Boa malha, ganda manha, com certeza. E os professores lá irão, se não afinam, levados de carrinho.
Alguns de nós éramos muito novos na altura da revolução. Outros éramos muito inocentes e pensávamos que eram todos democratas os que não estavam ligados ao antigo regime. Os que eram muito novos, como você, têm desculpa. Já apanharam a papinha quase feita e acham tudo muito natural. Os outros rapidamente se aperceberam que mal tinham acabado de sair duma ditadura e já o tio Álvaro se preparava para os fazer cair noutra. Na Soeiro Pereira Gomes não se podia falar em eleições burguesas. Isso era para a direita, ou seja, os que não eram do PCP.
Resumindo: Cunhal defensor da democracia? Não estavam cá, pois não? Só pode…
Quanto ao Cunhal e o PCP, parece que já está tudo dito: não lutaram pela liberdade, ou pela democracia, mas pela URSS! Levaram muita gente ao engano, mas foi sol de pouca dura.
Mas acabaram por cumprir uma parte das ordens de Moscovo: uma vez entregue a última colónia portuguesa nos braços da querida Urssa, (11 de Nov. 75) baixaram os braços, e não mexeram uma palha no 25 de Nov. 75.
Quanto aos Capitães de Abril, o seu principal objectivo era manter as suas regalias, em relação aos “oriundos milicianos”…
Iran-Contra? Irangate? Iraqgate?
Esta gente tem a memória curta, demasiado curta.
O SS não vale um chavo, nunca valeu. Trata-se de uma invenção sem conteúdo. Consegue o milagre de viver sem ideias.
Quanto ao Cunhal, nunca dei por isso (e conheci-o bem…) mas era, pelos vistos, um democrata da mais fina água.
Ora, Daniel… Francamente!
Pelos vistos estão a passar ao lado do problema principal, que foi um grupo de energumenos, que se dizem professores, terem ido condicionar uma reunião de militantes socialistas. Parece que é normal ir para a porta de reuniões partidárias, insultar militantes que se reunem livremente.
Aproveito para pedir a tanto revolucionário de pacotilha, que em próxima aparição pública, numa reunião de militantes comunistas, do camarada Jerónimo, que aparecem com cartazes e apitos a apelar aos “amigos” das FARC para que libertem Ingrid Betancourt.
Terão coragem para tanto?
Ou é só treta bloquista/revolucionária?
E o que diriam então desta tentativa de condicionamento de uma reunião de “democratas” do PC?
sobre o mesmo tema isto fica aqui bem e resume bem certa construção da história feita com muitos ses
http://5dias.net/2008/03/09/o-fantastico-santos-silva/
Baldassare
O Álvaro Cunhal podia ter tomado de assalto o poder mas não o fez. Claro, ele não era estúpido. Ele sabia que um satélite da URSS a meio caminho entre a Europa e os Estados Unidos não tinha futuro.
Ele fingiu que queria o Continente para ficar com África. Foi o negócio da “China”.
Daniel
Dou-lhe os parabéns pela sua intervenção ontem na RTP. Foi clara, objectiva, profunda, séria e autêntica.
Só uma pergunta? Considerando, como disse, que não pode julgar hoje os factos do passado porque ficam descontextualizados, esta discussão sobre quem fez o quê há 40 anos não faz muito sentido.
Em relação ao Regicídio e tal com o PCP nas primeiras eleições o Partido Republicano teve uma percentagem muito pequena dos votos. Dois doidos não gostaram e mataram o Rei, o que você aprova.
Se o PCP tivesse tomado o poder depois das primeiras eleições você já não aprovaria. PORQUÊ?
Em que é que as situações seriam diferentes?
O problema aqui é o propósito.
Se Cunhal lutasse contra a ditadura para instaurar uma democracia, estava tudo muito bem. Mas se Cunhal lutasse contra uma ditadura para instaurar outra, estava tudo muito mal.
Se eu salvar alguém da forca para logo de seguida lhe enfiar dois balázios, não sei até que ponto fico herói na freguesia.
“Posso hoje não concordar com o que Álvaro Cunhal queria para Portugal.”
hoje já sabemos que não concorda. E ontem concordava? e antes d’ontem concordou?
e antes-antes-antes-antes-antes-d’ontem, também não concordava?
JR, fui militante comunista até aos 19/20 anos. Sim, concordava. Pelo menos concordava, até ao período final da minha militância, com aquilo que sabia que ele queria.
Li algures, que Mário Soares, vai a Faro, explicar ou trocar por miúdos, o tratado de Lisboa. Acho, pelo que ouvi, ontem à relação à monarquia, que ele devia ser eleito rei:
O REI SOARES
O tratado de Lisboa,
é uma coisa tão boa;
dá de comer à gente,
o povo está contente!
-
e no dia um de Abril,
para o povo elucidar;
vai ver o velho senil,
que pôs tudo pró ar!?
-
e até no céu os ares,
recordam d’um avião;
d’um reinado Soares,
deste povo, o patrão!
-
Vi num aceso debate,
falar sobre monarquia;
e se mais nele se bate,
Soares a rei ainda ia!
-
E ele entregou Angola,
e até entregou a Guiné;
e em Paris se consola,
pisa a bandeira com pé!?
-
E é ele d’uns gigantes,
d’um Portugal sem fim;
é o rei dos diamantes,
e é o tal rei do marfim!
-
venham todos ó gente,
ai, vinde escutar a lei;
da boca de presidente,
que inda há-de ser rei!
-
ai, s’eu podesse orar,
meus versos lá diria;
p’ra ver Soares reinar,
e que belo isso seria!
-
Pisco
quem diria?
As declarações de Santos Silva revelam a maior demência política.
Sá Carneiro conseguiu calar (e muito bem) alguns dirigentes do PPD que vinham com esse discurso. O próprio Freitas do Amaral, enquanto líder do CDS (e até como candidato presidencial), sempre apelou para o reconhecimento do mérito do PCP na luta contra a ditadura.
Alegre, Soares e Zenha nunca se arrogaram de qualquer tipo de exclusividade.
Se levarmos à letra o que diz este Ministro, nunca os meus filhos (ou mesmo eu, que tinha apenas12 anos no 25 de Abril) poderemos contestar qualquer poder, pois não temos pergaminhos anti-fascistas.
Ora, o Sr. Santos Silva esquece (faz por esquecer) que quem lutou contra Salazar, lutou para que nós, os que viemos depois, pudéssemos não ter que lutar contra ditaduras. Ou seja: Santos Silva ofende gravemente quem julga homenagear.
“O PCP podia ter tomado o poder de assalto, mas não o fez.
Mas que o tentou com muita força, ninguém lhe pode tirar o mérito.”
Fado Alexandrino,
tentou tomar o poder pela via democrática e só pela via democrática. Pela via democrática, os portugueses disseram que não. É simples.
Oh Daniel gostei muito de o ver no debate ontem à noite, mas gostei especialmente, do ar de “prisão de ventre” daquela malta monárquica, com o cabelo muito escovadinho, camisinha azul e respectivo casaco mais escuro. Só faltava pó talco na cara e peruca branca.
Copinhos de leite…
“E depois, o que fazem hoje quase todos os “ex-esquerdiastas”?”
fazem aquilo que sempre tiveram vontade de fazer, mas tinham vergonha de confessar.
a esquerda sempre foi mais hipócrita que a direita: sempre a esconder a sua ganância de poder, por detrás da altruísta defesa da classe operária e dos desprotegidos.
é por isso que “pequenas” gaffes do louçã - ao negar a autoridade de paulo portas opinar relativamente ao aborto por não ter filhos - ou do bernadino soares - ao ter dúvidas que o regime da coreia do norte não seja uma democracia - são tão reveladoras, porque põe a nu as verdadeiras intenções e caracteres:
o primeiro é um moralista, muito pior que o pior dos padres, e o sonho dele era “pôr ordem” nisto.
o segundo, um branqueador de ditadores, regimes totalitários e terroristas como as FARC.
A única esquerda que interessa é a esquerda liberal e social democrata. Porque a esquerda comunista, socialista e revolucionária é pura e simplesmente de evitar.
“JR, fui militante comunista até aos 19/20 anos.”
então conte-nos lá o que o fez mudar.
Besugo (de escama preta)
O seu post rescende a snobeira. Se vivessemos em Monarquia e lhe acenassem com um título de Barão (nem que fosse Barão da Escama Preta) tenho a certeza que ia a correr mandar fazer o brazão.
JR, demasiadas coisas que o senhor, por falta de honestidade intelectual nos debates que aqui vai tendo, não conseguiria ou não quereria entender.
Isabel,
Sabe qual o brasão que eu faria? …
E se fosse Barão, aceitaria ser minha súbdita? Tem a certeza?
Olho para aquela rapaziada e vejo “copinhos de leite”! So what?
Daniel,
Abusei na minha resposta à Isabel?
Na primeira versão sim, Besugo
desculpe?!!!… desonestidade intelectual? onde? diga-me. por dizer aquilo que o incomoda? por o confrontar com as suas contradições?
está tão irritado porquê? por lhe fazer recordar aquilo que o fez sair do PC? diga, homem. fale. tem medo de quê? de se “enterrar” nos seus fracos argumentos?
intelectualmente desonesto é você quando cita outros erradamente e de forma intencional. isso é que é desonestidade intelectual.
a minha pergunta é clara: diga-nos o que o fez sair do PCP. se quiser e tiver coragem para responder, responda.
mas faça-me um favor: poupe-me a esses seus tiques de arrogância e autoritarismo medíocre.
Caro JR, já lhe respondi o que queria responder. Já aqui contei porque saí. Mas a pessoas que querem debater ou saber, não a quem vem aqui para apontar as minhas contradições, uma forma muito pouco interessante de debate político. Passar bem
“não a quem vem aqui para apontar as minhas contradições, uma forma muito pouco interessante de debate político”
isto é uma pérola!
mas de resto vem na linha daquilo que eu dizia: a esquerda socialista, comunista e revolucionária é hipócrita - por detrás de um falso altruísmo para com os humilhados e ofendidos do capitalismo, esconde-se uma vocação totalitária, déspota e autoritária de acabar com todos aqueles que discordam deles.
por isso é que você acha pouco interessante que eu ponha em evidência as suas contradições. porque, certamente, preferia que eu viesse para aqui recitar a sua cartilha ou a do seu partido, o que de resto mostra bem a escola política onde você foi formado.
como diz um amigo meu “podemos tirar as pessoas da lama, mas não tiramos a lama das pessoas”.
o que aplicado ao seu caso, dá mais ou menos isto: você deixou o PC, mas continua com a mesma vontade de me mandar a mim e a todos os que discordam consigo para a sibéria.
Passar bem também para si.
Não, JR, preferia que viesse aqui discutir as minhas ideias ou as suas. Você prefere discutir as certezas do que acha que eu acho. E contra isso não há grandes argumentos. O senhor faz as perguntas, dá as respostas e ainda se atira para o chão como se eu o quisesse calar. Eu acho óptimo. Dá-me menos trabalho. Há pessoas que aqui vêm, que estão nos meus antípodas, bem mais trabalhosas. Veja lá: argumentam. Mas para isso é preciso um pouco mais do que o senhor consegue, pelo menos a julgar por o que aqui vai escrevendo.
Quando o senhor, que não me conhece de lado nenhum, escreve «podemos tirar as pessoas da lama, mas não tiramos a lama das pessoas», o que raio quer que eu debata consigo? Não o conheço. Não sei se é boa ou má pessoa, se passou a vida na lama ou foi um santo na terra. Não posso dizer-lhe nada.
Mandar em si? Limitei-me a não lhe responder porque saí do PCP. Posso ou isso é um ataque aos seus direitos fundamentais? Não quero responder-lhe. Não me interessa discutir consigo e ainda menos contar-lhe a minha vida. Não sou um político ou um eleito. Respondo apenas ao que quero, quando quero, a quem quero e se quero. É debater consigo, para mim, é uma perda de tempo. Estou no uso da minha liberdade ao não o fazer. Se acha que isso é como mandá-lo para a Sibéria, peço as minhas desculpas. Mas não lhe respondo na mesma.
E com isto até já lhe dei imensa atenção e escrevi imenso. Vê, até valeu a pena.
Volte sempre
Caro Daniel Oliveira,
é indesmentível que Cunhal lutou contra o fascismo português ( e não só) mas já é muito duvidoso que tenha tido alguma importância no seu derrube.
O regime novo caiu às mãos dos seus, por razões corporativistas, como eram as que moveram os militares chamados de Abril.
É também claro que se o Movimento das Forças Armadas evoluiu para as posições politicas expressas no Programa daquele movimento, tal se deveu a Melo Antunes e não a qualquer partido então existente.
Depois, foi o que se sabe. Todos os partidos tentaram apropriar-se do destino da chamada revolução. E, de facto, o PS foi o partido ganhador, nomeadamente no 25 de Novembro, num “democrático” golpe desenhado e executado por Eanes e tudo o que havia mais à direita em Portugal.
Mas o 25 de Novembro, embora preparado desde há algum tempo, teve como pretexto a sublevação dos para-quedistas de Tancos, que tinham à cabeça proeminentes militares do PC. Que realmente queriam tomar o poder, mas cometeram o erro de o quererem fazer contra o COPCON e contra Otelo, o que saiu caro à esquerda portuguesa.
Pessoalmente, prefiro o regime saído de Novembro do que qualquer regime do PC. Não tenho a memória curta para esquecer que na Revolução Russa mais do que a direita foi a esquerda (leia-se sovietes) a mais massacrada.
E lembro que em 1974 o farol do PC era a União Soviética e que nessa mesma altura Cunhal ainda afirmava que Stalin não era bem o que se pintava e que maior parte das coisas que dele se dizia eram invenções do imperialismo.
E estou em crer que o PC, ainda hoje, não tem o seu problema resolvido com Stalin.
Para terminar, estou também convencido de que o PC é hoje, basicamente, igual ao de outrora. Mas, tacticamente, tem que engolir a “democracia parlamentar” à espera de uma melhor conjuntura internacional (leia-se alteração da correlação de forças).
http://universosassimetricos.blogspot.com/2008/03/diz-que-uma-espcie-de-antifascista.html
A Isabel parece andar ainda por Sampetesburgo à procura do Coutinho.
E que um nome assim “ingraçado” possa espumar tanto de raiva ainda é o mais curioso.
caro daniel oliveira, segui o seu conselho e decidi voltar. e para lhe dizer o seguinte:
1. não tente levar isto para o campo pessoal porque não é disso que se trata. como você muito bem diz, não nos conhecemos de lado nenhum.
2. claro que você é livre para não responder à minha pergunta, tal como eu sou livre de pensar o que quiser sobre isso.
3. evite perder a compostura. fica-lhe mal.
4. vá-me dizendo coisas como: “apontar as minhas contradições [é] uma forma muito pouco interessante de debate político” - porque são valiosas!!!!!!! Mostram que sabe argumentar e, além disso, é um grande sinal de inteligência.
por mim, dou esta conversa por terminada.
Volte também.
“Para terminar, estou também convencido de que o PC é hoje, basicamente, igual ao de outrora. Mas, tacticamente, tem que engolir a “democracia parlamentar” à espera de uma melhor conjuntura internacional”
João Gomes, não diga isso que ainda o acusam de não saber argumentar ou de vir para aqui discutir as suas certezas.
É óbvio para toda a gente, menos para os cegos, que o PC é um partido profundamente anti-democrático. Faz parte da sua génese e da sua essência (quem leu Marx sabe que ele fala em ditadura e não em democracia do proletariado).
e o mesmo se passa com os partidos à esquerda do PC. são todos profundamente anti-democráticos, como facilmente se percebe pela arrogância e prepotência dos seus dirigentes.
É curiosa a incomodidade de algumas pessoas com a nossa história.
Bizarro é que as palavras tenham saído da boca do Ministro Relações Públicas. Mas enfim, não me espanta. Como não me espanta a mal resolvida relação de muita gente com o Salazar, com a monarquia, com a nossa história, em suma.
Prova sobretudo a ineficácia da nossa educação para o pluralismo, para a inteligência, para a “leitura” do mundo.
Como provavelmente acham que o povo não tem educação (nem inteligência) (e terão alguma razão) parece-lhes que o risco de cairmos numa nova ditadura, seja ela de que cor seja, é um risco real, portanto, melhor tentar cortar o mal pela raíz e demonizar que tem que ser demonizado.
Enfim, este país está uma lástima.
O contrário deste “preconceitualismo” estúpido foi o prós-e-contras; realmente muito bom; aproveito para saudar todos os intervenientes (em particular o dono desta casa) pela argumentação, pela elevação do debate, pela abertura mostrada a um debate que não era necessário vencer (como sempre acontece quando há boa fé).
E ali houve.
Ficou-me muita coisa na cabeça.
” Santos Silva ofende gravemente quem julga homenagear”
Pior, muito pior…Santos Silva está é gravemente doente da carola.
Mas este anti-comunismo bacoco não é por a caso. Que viu ontem a serenidade com que Jeronimo de Sousa se apresentou na Sic, percebe o desconforto da esquerda dita ” moderna”
Já agora: quem em defini esquerda ” moderna”???
JR:
Ditadura do proletariado, no contexo da obra de Marx, refere-se mais á ditadura de uma maioria do que de algum grupo corporativista. Não será muito diferente da ditadura da maioria que será então a: Democracia. Mais, ditadura do proletariado é um conceito que se estende bem mais além do que o JR possa querer fazer uso na sua arranhada saga anti-comunista.
Confesso que acho que não leu a obra de Marx.
Já agora, não sou comunista, apenas um leitor assíduo.
Não será muito diferente da ditadura da maioria que será então a: Democracia
Filipe Costa,
Nenhuma Ditadura, nem a do proletariado, nem a da maioria, poderá alguma vez ser uma Democracia. Numa Democracia, a maioria respeita os direito da minoria. Uma Ditadura, nem que seja a da maioria, espezinha os direitos da minoria, perpetuando-se no poder.
Não sei se me estou a fazer entender.
O que aconteceu, é que Marx congeminou as suas teorias em relalação a uma sociedade industrial e capitalista, como era a inglesa do séc. XIX. Depois estas teorias foram aplicadas a uma sociedade não industrializada e rural, como era a sociedade russa.
Foi aí que … deu bota!
Marx, como historiedor, até teve umas ideias interessantes, mas como polítco falhou redondamente.
Isabel Coutinho
Não discordo do que escreve, não é mentira nem tão pouco é a verdade toda.
A democracia, felizmente, é um conceito teórico aberto e em evolução.
Não será preciso recordar que na antiga Grécia, Grécia de Democrates, onde o conceito moderno de democracia tem a sua génese, a democracia fazia-se representar pela liberdade de escolha política dos cidadãos, onde se excluiam as mulheres os escravos e os estrangeiros. Era a ditadura da minoria denominada de democracia.
Não pretendo abrir aqui um debate sobre o que é a democracia…mas entre a teoria e a prática a democracia vai-se travestindo com os defeitos e virtudes inerentes ao homem e á cultura das épocas. Não me sinto numa democracia que me preencha, a Isabel talvez sim. Isto para dizer que a Democracia tem uma dimensão subjectiva e não pode ser reclamada de forma inequívoca.
Mas obrigado pelo reparo:)
e até digo mais, quem inventou a liberdade foi o mario soares e o unico que a cantou foi o manuel alegre… ah e o nosso grande lider socrates é que sabe.
o senhor augusto santos silva cometeu dois erros;
primeiro, vir com esse tipo de conversa que nada tinha a ver com o acontecimento.
ele lá tinha aquilo entalado algures e decidiu….digamos… desabafar.
segundo, alvaro cunhal sofreu como outros tantos (mais democratas ou menos democratas) e merece o reconhecimento pela luta que travou, para alem de que ele aceitou todo o processo democratico.
nota: engraçado que alvaro cunhal chegou a dar explicações a mario soares, quando eram ambos mais novos. terão falado sobre liberdade?
JR peço desculpa se o ofendo, mas tome um bom banho (a todos os níveis) porque há para aí lama entranhada que nunca mais acaba e isso só o pode tornar pesado e triste.
Apenas um conselho de um anti-fascista não proletário.
Pinto: “para alem de que ele [Álvaro Cuinhal]aceitou todo o processo democratico.”
Ops! até me ia dando um badagaio !
Não me sinto numa democracia que me preencha, a Isabel talvez sim.
Caro Filipe Costa,
Não, se quer saber, esta democracia que por cá se vive, também não me preenche.
Só para lhe dar um exemplo: quando um partido lá porque tem a maioria absoluta decide aprovar mascaradas como o Tratado de Lisboa e nega ao povo (que teoricamente é soberano), o inalienável direito de se pronunciar sobre ele, depois de, no programa com que se apresentou, ter garantido que o submetiria a referendo – no que foi acompanhado pelos 2 maiores partidos da oposição, que também tinham prometido a mesma coisa – isto não é uma democracia, é a verdadeira expressão da ditadura da maioria. E, o mais grave é que o mesmo está a acontecer, em 26 dos 27 países da (des)União Europeia. Que, por sua vez, é tudo menos democrática.
Este foi apenas o primeiro exemplo que me ocorreu. Poderia citar outros, mas penso que não vale a pena …
Mas, tem razão, não vamos aqui abrir um debate sobre a democracia.
Também não vale a pena
cara isabel coutinho,
é verdade, que remédio teve ele…
quanto a marx,
bem… o pais, em que a sua teoria foi aplicada, era basicamente feudal.
na minha perspectiva entre a teoria e a pra(c)tica há sempre grandes diferenças, e na experiencia de leste, a determinada altura, qualquer semelhança foi pura coincidencia.
de resto, marx é interessante, incluindo a sua analise sobre teoria economica.