Governo e Sindicatos não acertam nos números da greve de hoje dos funcionários da administração local e as diferenças são enormes. Cerca de 70 por cento de adesão avançava a dirigente Ana Avoila a meio desta manhã, enquanto o secretário de Estado da Administração Pública, João Figueiredo, anunciou ao início da tarde que os dados do Governo apontam para 5,3 por cento de trabalhadores que aderiram à greve.

Não faço ideia como está a correr a greve da Função pública. Mas está na altura de sindicatos e governo começaram a explicar os seus critérios para aferir as adesões às greves, porque há diferenças que não são aceitáveis. Fica apenas uma nota: nunca ouvi falar de uma greve em Portugal com pouco mais de 5% de adesão. Isto quereria dizer que, na prática, não havia greve nenhuma.

É o próprio governo que diz que «cerca de 96 por cento das escolas estão a funcionar, 98 por cento das repartições de finanças estão a funcionar, 97 por cento dos serviços locais da segurança social estão a funcionar, 93 por cento das conservatórias e cartórios notariais estão a funcionar». Mesmo tomando estes números como verdadeiros (serão?), eles são completamente incompatíveis com uma adesão de apenas 5,3% dos trabalhadores. Fosse essa a adesão e todos os serviços estariam a funcionar e a funcionar normalmente. A não ser, claro, que a greve tenha sido de quase 100% no que fechou e de quase 0% no que funcionou. Improvável, não?


Sem respostas ao post “Vejam lá bem essas contas”  

  1. 1 1  JLS

    Os sindicatos continuam a cair no ridículo de marcar greves imediatamente antes de períodos de férias (normalmente até costuma ser antes de fins-de-semana prolongados… neste caso é flagrante).

    É evidente que não tem força simbólica alguma, é justamente visto como oportunismo. Para além de ser possível contabilizar - aos sindicatos - quem marcou um dia de férias, quem faltou para ir de férias, etc; prefere colocar todos dentro do grupo dos que fez greve. Credibilidade Zero. Valor Zero.

  2. 2 2  Fado Alexandrino

    As greves em Portugal são um escândalo e permitem todos os números.
    Veja-se por exemplo o caso citado nas notícias de um posto de saúde em que as duas funcionárias da secretaria fizeram greve.
    E logo, por arrastão (não é brincadeira é que estas ondas propagam-se) todo o resto do posto, médicos e enfermeiros não podem trabalhar.
    Não estão em greve mas o posto não funciona.
    Então aqui temos 0,5% ou 100%.

  3. 3 3  Patricia

    Relativamente ás divergencias de números desta vez é muito maior que o habitual.Contudo num programa de opinião pública ouvi uma funcionária pública referir que os professores não aderiram á greve,provavelmente por se acharem de uma categoria superior.Quando entre eles existem este tipo de divergencias como é que é possível conseguirem levar a cabo estas formas de luta.

  4. 4 4  rvn
  5. 5 5  Professor

    Os professores não aderiram à greve, porque não são regidos pela legislação que se aplica à restante função pública. São regidos pelo Estatuto da Carreira Docente. Não tem nada a ver com falta de solidariedade, nem com serem de uma categoria superior. Da mesma forma que os funcionários auxiliares e administrativos de uma escola não participam nas greves e manifestações de professores. As reivindicações não são as mesmas. Não faria sentido

  6. 6 6  Patricia

    Meu caro professor eu não sou funcionária pública nem professora.Se tem explicações a dar é aos funcionários públicos e não a mim,eu limitei-me a referir o que foi dito num programa de televisão.Pareceu-me um pouco estranho o que ouvi,foi só isso.

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