«Com todos os seus tiques monarquistas, na República, finou-se o direito natural de alguém assumir uma posição pública pelo simples e sempre duvidoso facto do nascimento, pela ideia repugnante, que intrinsecamente despreza o mérito, de que uma família ou um clâ se acharem superiores aos indivíduos fora da sua linhagem por que se dizem filhos de alguém. E essa é, pelo menos (mas outras existem), uma razão que enobrece a República face a todas as Monarquias e que faz com que o sangue vertido pelos bravos do 31 de Janeiro não o tenha sido em vão.»
CAA



Pergunto-me se o voltariam a verter se soubessem o que seria Portugal na I Republica…?
Já agora, seria possivel que o Daniel me confirmasse a triste informaçao que acabei de ler, em que Fernando Rosas “exigiu” ao ministro da defesa que o exercito nao participasse nas comomeraçoes da morte de um antigo chefe de estado…
Henrique Morais
A-Foi a comissão de Defesa da Assembleia da Republica POR UNANIMIDADE, que entendeu e bem, que o exército não tem de associar-se a comemorações PRIVADAS sejam elas quais forem.
B- Considero justo e até útil ,que historiadores se debrucem sobre este periodo da nossa historia , já tenho muitas dúvidas, quando se tenta branquear a incompetência de Carlos de Bragança e da mulher a francesa Amelia, num dos piores reinados, da já de si bem mediocre dinastia dos Braganças.
A - Se assim foi, acho ridiculo que nao haja uma celebraçao do acontecimento por parte do estado e tenha de partir de privados. Trata-se de um chefe de estado que morreu a 100 anos. Celebram-se 1001 coisas quando se atingem datas redondas, de pintores, a escritores, politicos e ate desportistas. Nao vejo porque este medo a fantasmas.
B -Se acha que foi assim tao mau o reinado de D.Carlos, gostava de saber quem foi, na sua opiniao, um bom governante do pais. Nao digo que o de D.Carlos tenha sido perfeito, mas gosto sempre de saber quais os niveis de exigencia que estamos a discutir.
Explique-me apenas uma coisa, Corvo, a mim neto de uma francesa e com filhos bisnetos de duas, e já que cita “a francesa Amélia”: pelo que depreendo da sua adjectivação, o problema de D. Amélia era ser francesa? Se fosse portuguesa tb citaria “a portuguesa Amélia”?
Para que não restem dúvidas, não sou monárquico nem me interessa mtº o regime desde que democrático - acho que bem se podia aproveitar o centenário do regicídio e o do República para não desenterrarem questões já há longo tempo enterradas - e aplaudo a iniciativa de Fernando Rosas: Portugal ainda não é bem uma República das bananas
Fernando Rosas e os outros inúteis que andam lá pelo parlamento têm, parcialmente, razão.
O exército não se deve associar a comemorações privadas.
Deve apenas comemorar a derrota em Goa, Angola, Guiné, Moçambique e Timor.
À oligarquia por nascimento veio substituir-se a do dinheiro e a do cartão partidário. Em Portugal, país pequeno, são sobejos os exemplos dos apelidos que pontuam nos sectores mais lucrativos da sociedade (Governo incluido).
Infelizmente os apelidos não acabaram com a monarquia!
E lá está você com um parti-pris! :):)
E CITO:
«… pela ideia repugnante, que intrinsecamente despreza o mérito, de que uma família ou um clâ se acharem superiores aos indivíduos fora da sua linhagem por que se dizem filhos de alguém…»
- E quem lhe disse que o princípio (e o fim) subjacentes a essa IDEIA seja o de que o sangue legitime UMA QUALQUER SUPERIORIDADE?
Wrong!
A IDEIA (e a praxis) não é a de nenhuma superioridade!!! É a de uma escolha vinculada aos representados. E de um destino submetido a essa escolha.
Se A IDEIA FOSSE COMO DIZ, que democrata não acharia isso (como você acha) REPUGNANTE? Nenhum!
- E quem disse que “intrinsecamente se despreza o mérito”???
Ou a sua “régua de mérito” é muito pequena e uni-direccional, ou então… não está a ver o filme bem! Tem de arranjar um transferidor para abarcar o que ontologicamente está em causa.
Pois: mas é aí, nessa premissa ontológica, que está a sua confusão!
Para si a República significa o fim de um status, o fim do “direito natural de alguém assumir uma posição pública pelo simples e sempre duvidoso facto do nascimento”.
(Aliás, essa vantagem, por grande que seja
- e se a questão fosse mesmo essa, estava consigo de alma e coração! -,
tb. é uma coisa curtinha para louvar a república… Curta porque mto. facilmente desconstruível …dadas as práticas a que se dedicam as suas oligarquias oficiais e oficiosas).
E eu pergunto:
- Você estacionou quando e onde? Em 1820? 30?
É essa realidade particular que quer passar como a única sufragável, per omnia secula?
Wrong!
I’m so sorry :):)
Oh Fado Alexandrino, você eh o máximo, por muito que você lhes dê na cabeça, elas não vão nunca a prender. Por acaso você eh jogador de Xadrez? eh um jogo de imaginação.
Regards
Um grupo de monárquicos quer relembrar os 100 anos do regicidio, nada a obstar estamos em democracia, e isso é um direito dos cidadãos.
Já associar-se o ESTADO, neste caso o exèrcito, a uma comemoração com caracteriticas vincadamente monarquicas, seria de de todo impensavel.
Seria até bom lembrar que a causa directa deste facto da historia de Portugal , foi um decreto assinado por Carlos de Bragança ,em que DEPORTAVA para Timor mais de uma centena de adversários politicos, como se vê um grande rei constitucional, e respeitador dos principios da Carta Constitucional, que á época nos regia.
Mas existe em nestas comemorações uma tentativa de branqueamento dos ultimos reis Braganças.
Por exemplo ninguem fala do suicido do Mouzinho de Albuquerque…
Ninguem fala dos escandalos dos gastos sumptuarios, do rei , que levaram o Afonso Costa em pleno Parlamento a dizer:
-Por menos do que isso, rolou no cadafalso a cabeça de Luis XVI
Ninguem fala do ultimato, uma asneira do rei e dos seus conselheiros.
ETC.ETC.ETC.
Mas para um rei e uma rainha ,que consideravam o seu país, a PIOLHEIRA, estamos conversados.
PS.Não tenho nada com rainhas francesas, espanholas , austriacas, ou do Butão, se quiser foi uma figura de estilo, e nada tenho contra as francesas, antes pelo contrario, e nisso até sou émulo do Carlos de Bragança e do filho Manuel, que gostaram até demais, de coristas, balarinas, e outras cortesãs , com que se perderam, e perderam fortunas.
Ele sempre há cada engraçado! Então os chefes de estado americanos são escolhidos pelo mérito? Ah Ah.
Triste sina a de quem por sangue se vê obrigado às coisas do estado e leva-as a sério. Foi o caso de Amélia, Carlos, Luís Filipe (que ninguém se esqueça que tinha somente 20 anos quando foi assassinado. Não há outra palavra para o acto)e Manuel. Se não têm mérito que haja mecanismos que os retirem da função. A democracia é capaz de arranjar formas de representar o estado, seja em monarquia ou em república.
A monarquia ou a república não são um bem ou mal em si. O regime deve ser democrático e pronto (as maiores e piores e únicas ditaduras da Europa no século XX foram todas republicanas). Factos é que com Carlos I havia mais liberdade e democracia do que na 1ª república. São factos. Eu não sou monárquico nem republicano, referindo à chefia do estado.
«… pela ideia repugnante, que intrinsecamente despreza o mérito, de que uma família ou um clâ se acharem superiores aos indivíduos fora da sua linhagem por que se dizem filhos de alguém…»-CAA
deve se estar a esquecer da familia MAÇONICA ou do clã ABORTISTA, os exemplos da superioridade moral da actualidade…
Já cá faltava a tric com o aborto…
Confesso que li nos comentários algumas coisas com sentido. Por exemplo, “À oligarquia por nascimento veio substituir-se a do dinheiro e a do cartão partidário. Em Portugal, país pequeno, são sobejos os exemplos dos apelidos que pontuam nos sectores mais lucrativos da sociedade”. Parece verdade. Ou então ingenuidade pensar que durante a monarquia não existiria igualmente a ditadura do dinheiro… É que quem ler alguns comentários aqui pode pensar que as coisas na altura não haveria certas famílias, grupos, que sobrepunham a vontade particular ao bem do país com o aval do chefe de estado. Concordo com o que alguém disse aqui no blog, a monarquia e a república não são um bem ou mal em si desde que haja sempre democracia. Mas qual seria o sentido de andar suportar dois grupos de mamões, os do governo e os da família real se o primeiro pode existir sem o outro?
Óh Xico, a Itália fascista era uma monarquia…
Cara Laura,
“E quem lhe disse que o princípio (e o fim) subjacentes a essa IDEIA seja o de que o sangue legitime UMA QUALQUER SUPERIORIDADE?
Wrong!” (no my dear the answer is - Right!!!)
“A IDEIA (e a praxis) não é a de nenhuma superioridade!!! É a de uma escolha vinculada aos representados. E de um destino submetido a essa escolha.”
As suas palavras atraiçoam-na. Só existe submissão a algo que julgamos superior a nós próprios, logo existe uma relação ideológica de superioridade. O rei é considerado o nosso melhor representante para esse cargo pelo simples facto de ter nascido. O que leva à sua próxima questão:
“- E quem disse que “intrinsecamente se despreza o mérito”???”
Porque exige como único requisito o facto de ter nascido. O que implica que é um requisito que todos nós temos, senão não estaríamos aqui a debater esta questão. Embora tenha de concordar consigo que, dado o estado de alguns hospitais portugueses, é sem dúvida de atribuir mérito a certos recém-nascidos sobreviverem…
“Para si a República significa o fim de um status, o fim do “direito natural de alguém assumir uma posição pública pelo simples e sempre duvidoso facto do nascimento”.”
Não sei a resposta do Daniel mas para mim “também” significa esse fim de status e se souber algo de história não foi uma tarefa fácil. Se analisarmos toda a história da humanidade verificamos que somos uns privilegiados neste sentido. O fim desse status só foi possível passado 5.000 anos, e para quem critica outros de ter uma régua de mérito curta julgo que comete esse mesmo erro demonstrando uma régua ainda menor…
” Curta porque mto. facilmente desconstruível …dadas as práticas a que se dedicam as suas oligarquias oficiais e oficiosas).”
Se é facilmente desconstruível deixo-lhe o desafio de o fazer. Julgo que dado a facilidade deste desafio o fará rapidamente!
Julgo que a Laura no seu comentário e na sua opinião confunde questões ideológicas com questões práticas inerentes à nossa realidade. O que torna os seus argumentos pouco fundamentados e algo confusos. Fica-se com a noção que é contra “direito natural de alguém assumir uma posição pública pelo simples e sempre duvidoso facto do nascimento” mas que defende um regime que legitima esse mesmo direito. E parece argumentar que também actualmente existe esse problema com as nossas oligarquias, que me leva a duvidar se defende um regime monárquico, ou se o faz simplesmente porque aprendeu isso desde nascença e nunca duvidou.
Ideologicamente é de facto intolerável um regime monárquico que, por esse facto, nunca será totalmente democrático. Não o foi no passado e não o é actualmente (p.e. Inglaterra, Espanha, etc…)
Eu penso ter encontrado o argumento final e universal contra a hereditariedade dos cargos. E o argumento é que o pretendente ao trono de Portugal (sim… aquele que nós conhecemos) podia ser rei, se o cargo de Chefe do Estado fosse hereditário.
E como qualquer argumente para ser bom, tem que ter um âmbito abrangente, pode também ser aplicado no caso do citado Sr. ser herdeiro de uma empresa em vez de um país.
A empresa devia ser entregue a um presidente eleito por um conselho de administração, para ter hipóteses de sobrevivência, e não ao referido Sr.
Tudo isto se filia na constatação que o Sr. é uma personalidade impar e dificilmente repetível. Como os Presidentes da República e os presidentes dos concelhos de administração não são cargos vitalícios, na improvável hipótese de ser algum deles, émulo do referido senhor, era estatisticamente improvável que aparecesse outra pessoa das mesmas características no mesmo cargo durante pelo menos uma geração.
Caro STRAN:
(-ger.. –gness.. -ler?)
Penalizo-me por ter reparado tão tarde no seu comentário.
E agradeço tanta atenção ao meu!
(o que não deixa de ser engraçado, depois de lhe encontrar tantos defeitos de acabamento e défices de engenharia).
Mas o comentário era mesmo para o Daniel, a quem reconheço a virtude da frontalidade. E a assinalável tentativa de coerência (sendo que tentar já é 1 boa coisa).
Há certos temas, mesmo, em que me agrada muitíssimo a sua posição, não exactamente porque coincida com a minha (não ando sempre à procura de ecos, há espaço para tudo na vida), mas porque não seriam previsíveis, e menos ainda do seu “interesse”, se quisermos ver as coisas pelo lado mais comum entre os nossos comentadores…
Mas a “questão monarquia” é um terreno em que recorrentemente, a meu ver, o DO “patina” fortemente (preso por inesperados – mas não inexplicáveis -, cordões atávicos que não o deixam fluir…).
Pois é, mas indo ao que disse sobre as minhas afirmações, então:
1- “As suas palavras atraiçoam-na, etc”.
Não, não atraiçoam coisa nenhuma. Leia melhor!
(Serei eu que escrevo mal, e definitivamente faço comentários com grande falta de tempo?).
Repare lá bem no que eu disse “!!!
“ (A ideia)… É a de uma escolha vinculada aos representados. E de um destino submetido a essa escolha.”.
- Onde está a contradição?
Nenhures! O destino e a submissão não são nossos, dos representados! Continuam a recair sobre o mesmo sujeito: - os destinatários da nossa escolha vinculada. O destino é deles (repito)!
2º- “Despreza-se o mérito, sim senhor”, insiste você.
E eu insisto que não!
O mérito subjaz a quem foi preparado para servir a nação e o país. Há 1 prova de vida completa. Ninguém quer o poder para chegar a outros fins.
- Não descortinará você a diferença?
Não, eu sei que não consegue… Porque não é fácil atingir a extrema simplicidade da receita, alheia a esquemas conspirativos tão ao gosto português.
3º- Reafirma que “a República significa o fim de um status, o fim do “direito natural de alguém assumir uma posição pública pelo simples e sempre duvidoso facto do nascimento”.
Mas “convém-lhe” querer parar aí, porque senão os argumentos escasseiam e …contradizem-se, não é?
Demorámos 5000 anos a chegar aqui, diz você.
Olhe, você continua mesmo sem (querer) perceber…
Se há coisa que eu prezo é a liberdade que todos ganhámos com o 14 de Julho de 1789. E muitos pró-monárquicos também.
Por isso tenho de repetir: - Em que século parou você???
Para ter 1 representação tão anacrónica do que é 1 monarquia vivida em democracia?
Pensando bem, talvez não tenha parado coisa nenhuma!
4º Esse tal simples efeito anti-status “é curto e mto. facilmente desconstruível” …disse eu. E você “desafia-me” a desconstruir este argumento.
Meu caro, que tarefa tão fácil, se você concordar em tirar a vendita dos olhos!
Já aqui mesmo se disse:
-Então não vemos nós a igualdade entre todos ser atropelada descaradamente todos os dias?
E não… não me refiro à que decorre da simples organização social, ou da diferenciação do mérito, ou mesmo de outras especificidades!
Falo das “novas aristocracias” (e quanta consanguinidade também por lá se encontra…) que escandalosamente vivem alcandoradas no pobrezito do cidadão comum…
- É o partido; é o lobby financeiro; são os pedreiros A ou B; é o 4º poder; etc, etc…etc.
- Não há diferenças! Diz você…
Mas há, há!
Se há diferenças!
- Sabe?
É que o (indesejável) acesso às oportunidades pelo sangue ( o dito “sangue azul” de que você e o D.O. falam, e não outro qualquer) tinha 1 característica fundamental : - sabia-se de onde vinha; reconhecia-se à légua; farejava-se à distância; não passava despercebida (era só ir ao BI just in case).
Tudo às claras! Não havia hipótese…
Mas agora a descriminação verdadeira não se mostra, é sinuosa, não tem rosto, vai pela calada e é quase INVISÍVEL!
Sabemos que existe, mas onde está ela, de onde vem ela?
Circunscrevemo-la, mas como “apanhá-los”?
Ahah, não seremos nós prisioneiros de tanta doutrina e preconceito?
O que é certo é que somos “comidinhos” por parvos todos os dias, mas NADA DEMAIS!
-Qual é? -Não há crise! -Estamos a controlar!
E sabe? O mais patético é continuarmos a acreditar que vivemos em plena liberdade!
De modo que…
Donos e senhores da nossa vida e das nossas “ESCOLHAS” (ahah), ….perseguimos os perigos da infância (intelectual) e os fantasmas acidentais com… a artilharia pesada.
… e perseguimos os perigos reais e as verdadeiras ameaças aos nossos princípios e condição humana com…
a) o martelito dos bifes (se acaso os preparamos ao ouvir as notícias)
b) umas escrevinhações na secção do leitor do jornal Y
c) uns “de profundis” proferidos na mesa de café
d) uns ataques cerrados ao funcionário público mais próximo
e) uma fúria repentina na mesa de voto ( como se mudar o sítio da cruz valesse alguma coisa, santa inocência!)
f) o comum das vezes, umas palmadinhas nas costas de um poderoso de quem desconfiamos, não vá ele lembrar-se de qualquer dia nos recrutar para o grupo dos eleitos…
- Olhe, sabe o que lhe digo mais?
Não, não colhi a minha simpatia pela ideia monárquica à nascença, como vc. sugere.
Pelo contrário.
- E sabe porque é que vc, acha que o meu discurso é contraditório?
Eu explico:
Porque a monarquia não é o que você pensa.
Nem os monárquicos, simpatizantes ou militantes (não gosto particularmente deste último grupo. Ou melhor, não me reconheço em muitos dos seus representantes).
E como tem tantas e obsoletas certezas ( ou é simplesmente é engagé, e ponto final) qualquer pensamento fora dos seus “marcos” sacrossantos é uma contradição, um nonsense rematado.
Mas “olhe que não, olhe que não”….**
Repare bem.
O mundo mudou! E as pessoas nem precisam sequer de alegadamente terem recebido a catequese A , B ou C.
Simplesmente observam e pensam.
Os fantasmas não são 1 herança, felizmente!
** (mas que consolo saber que não vou ser despedida!!!!)
Cara Lara,
Chegou a minha vez de pedir desculpa por tão tardia resposta.
Quanto ao nome infelizmente para si não são “defeitos de acabamento e défices de engenharia” que julgou encontrar. Siga os links e rapidamente encontra a sua resposta. Quanto à forma de assinar é uma questão de estilo que é livre de não apreciar, nada mais que isso.
Vamos discutir rapidamente os seus pontos para depois passarmos ao tema propriamente dito:
1-”Onde está a contradição?
Nenhures! O destino e a submissão não são nossos, dos representados! Continuam a recair sobre o mesmo sujeito: - os destinatários da nossa escolha vinculada. O destino é deles (repito)!”
A submissão não desaparece por se alterar o sujeito. A contradição continua a existir na sua argumentação, pois não elimina essa relação de submissão como acaba de afirmar (e as palavras são suas e não minhas)
2-A questão do mérito é sem duvida de uma simplicidade atroz, que realmente não vê pelo simples facto de não querer. Elimina do processo preparatório todas as pessoas excepto uma. À partida da sua amostragem não sai nenhum mérito apenas condicionamento. Pela sua opinião o que defende é um sistema em que existe um condicionamento de um individuo para ocupar um lugar. E qual o mérito nessa escolha? qual a diferença entre esse bébé e qualquer outro do nosso estado?
3-”Em que século parou você???” No sec. XXI mas julgo que você ficou presa no sec passado ou anterior.
P.S. infelizmente vou ter que sair agora mas amanhã continuarei este debate…
Minha cara Lara,
Como prometi continuo aqui a minha resposta (embora julgue que não irá ler).
4-Você colocou a seguinte questão:
“-Então não vemos nós a igualdade entre todos ser atropelada descaradamente todos os dias?”
Para responder de seguida:
“Falo das “novas aristocracias” (e quanta consanguinidade também por lá se encontra…) que escandalosamente vivem alcandoradas no pobrezito do cidadão comum…
- É o partido; é o lobby financeiro; são os pedreiros A ou B; é o 4º poder; etc, etc…etc.”
Ou seja defende que no sistema actual existe um “atropelo da igualdade” marcado também por uma consanguinidade. E qual a sua brilhante solução para terminar este atropelo? Criar um outro sistema em que existe também esse mesmo atropelo com uma única vantagem apresentada por si: o facto de estar tudo às “claras”. Brilhante solução substituir um atropelo da liberdade por outro atropelo. Nas suas próprias palavras:
“É que o (indesejável) acesso às oportunidades pelo sangue ( o dito “sangue azul” de que você e o D.O. falam, e não outro qualquer) tinha 1 característica fundamental : - sabia-se de onde vinha; reconhecia-se à légua; farejava-se à distância; não passava despercebida (era só ir ao BI just in case).
Tudo às claras! Não havia hipótese…”
Mas passemos então ao debate propriamente dito.
Analisamos então os dois sistemas. Julgo pra ter uma imagem clara das diferenças abismais entre estes dois sistemas o debate deverá ser dividido em duas componentes: a teoria e a prática.
1- Teoria
Analisemos como estes dois sistemas funcionam:
No regime monárquico (que defende) existe um orgão de soberania exercido por uma família apenas: a família real. A única forma de acesso a esse orgão é através de nascimento. Não existe qualquer escurtinio, qualquer opção de escolha.
Neste caso o principio de igualdade é completamente posto de lado, sendo que o conceito de democracia apenas pode ser exercido na componente parlamentar. O poder seria ou tripartido ou bipartido (julgo que defende este ultimo).
No regime republicano (o nosso) todos os órgãos de soberania poderão ser exercidos pelos cidadãos. O poder é tripartido e todos os cidadãos escolhem os seus representantes através de eleição privilegiando-se a rotação. Neste caso todos são considerados iguais, não existindo nenhuma diferenciação perante a lei.
Julgo que o que apresentei são factos incontestáveis. Como vê a diferença entre o modelo monárquico e republicano é abismal. No modelo republicano a democracia é exercida por todos e o principio de igualdade não é amputado como no regime monárquico. Poderá preferir um regime menos democrático e menos igualitário mas essa é uma opção sua. Mas julgo uma desonestidade intelectual tentar apresentar o modelo monárquico com o mesmo nível de democracia e de igualdade que o modelo republicano. Poderá argumentar (como já o fez) que uma pessoa preparada desde criança poderá ser um melhor líder. Julgo que além da brutalidade deste conceito (no fundo defende o condicionamento de uma pessoa sem qualquer opção da mesma) é muito discutível pois esse modelo não garante o melhor líder uma vez que condiciona a “escolha” a uma única pessoa, o que traz inerente um risco elevado. Além de que prende uma nação inteira a uma “escolha” aleatória da natureza.
Quanto à questão do mérito é por mais evidente que esta não existe no modelo monárquico. Não existe qualquer “barreira” que o governante tem de ultrapassar a não ser o facto de estar vivo.
2-Pratica
O regime republicano ainda apresenta algumas das falhas dos regimes monárquicos, nomeadamente o exercício do poder é ainda de um espectro limitado da sociedade (embora como é óbvio tem um espectro mais alargado do que o monárquico). A democracia e igualdade ainda não é exercida na sua amplitude. Embora a culpa desta falha não seja do modelo em si mas de todos nós. E o espectacular deste modelo é que apenas depende de nós próprios para o mudar. As ferramentas estão nas nossas mãos (diferente de serem as nossas próprias “mãos”) e nós só precisamos de as utilizar. No caso monárquico os únicos instrumentos que temos são as nossas “mãos” para implementar algum tipo de mudança e a única forma é aquela que aconteceu em 1908 e 1910.
Fico a aguardar a sua simpática resposta.