
Depois das biografias bastante controversas de Lenine e de Estaline, o historiador Robert Service voltou-se agora para o intelectual marxista e revolucionário bolchevique Lev Davidovitch Bronstein, e o resultado parece um pouco inquietante para a sobrevivência do Trotsky mítico. Para além do papel decisivo que teve na vitória militar da revolução russa de 1917, a sua dimensão lendária ter-se-ia ficado a dever a ser alguém que se opôs abertamente a Estaline mas jamais chegou a controlar o poder na URSS – logo nunca «sujou as mãos» –, e também a possuir um evidente carisma, favorecido pela capacidade oratória e por uma esteticização da própria imagem. Ao ponto de muitos trotskistas, em larga medida apoiados na monumental história de vida publicada por Isaac Deutscher entre 1954 e 1963, o terem transformado numa espécie de «proto-Che Guevara».
Robert Service procura pulverizar esta ideia: de acordo com a sua perspectiva, não só Trotsky jamais teve a possibilidade de chegar ao topo por ter sido sempre ultrapassado pela habilidade de Estaline, como a sua insuportável arrogância fazia com que a maioria dos camaradas com os quais tinha de conviver o detestasse. Lia ostensivamente romances franceses nas reuniões do Politburo sempre que um orador o aborrecia, por exemplo, o que não o tornava propriamente um ente querido. Além disso, nada indica que, se tivesse conseguido dirigir o país, fosse capaz de impor à experiência da construção do socialismo da URSS o tal «rosto humano» do qual alguns continuam a proclamá-lo o grande profeta, uma vez que muitas das atitudes arbitrárias que tomou enquanto teve alguma autoridade apontam justamente no sentido oposto. Service esforçou-se até por desenhar o retrato de um monstro, capaz da maior violência tanto na intervenção pública quanto na vida privada. De certa forma, como comentou Robert Harris no Sunday Times, terá assassinado Trotsky pela segunda vez. Os seguidores deste, claro, abominaram o livro logo após as primeiras páginas.
Estou agora à espera das seiscentas e tal páginas, já encomendadas e a caminho, para poder escrever alguma coisa mais substancial sobre a obra. Aquilo que fica é, para já, apenas a notícia e a expectativa. E a constatação reiterada de que não existem revolucionários «puros», seres providenciais capazes, depois de terem sentido nas narinas o cheiro a pólvora e experimentado um poder quase sem limites, de permanecerem perfeitos e irrepreensíveis. Pode parecer que não aos mais distraídos, mas há ainda quem persista nesta crença absurda. [Robert Service, Trotsky. A Biography. Macmillan, 2009. 624 p.]
Publicado também em A Terceira Noite
40 comentários 9 Jan 10 em História, Livros



Expectemos
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Antes que mais, uma saudação aos novos membros do Arrastão, e aos que já cá estavam e tiveram a lucidez de os convidar.
off topic: uma sugestão para o novo arrastão: ponham o nome do escriba do artigo no topo do texto. Já que este é agora um blogue (mais) colectivo com muitas prespectivas diferentes, é importante para o leitor saber quem está a escrever o artigo e, para evitar ter de ir ao fundo do artigo e regressar ao início antes de o ler, era bom porem o nome no início, tal como acontece no 5dias, por exemplo.
Essa alteração já tinha sido feita aquando da 1ª renovação do arrastao, quando entrou o pedro sales e o pedro vieira, mas foi mal recebida, porque para ler os comentários era necessário regressar ao início do post. Acho que neste caso o modelo 5 dias é o melhor: nome do blogger no início e comentários no fim. Não sei se a vossa plataforma permite isso, mas de qualquer forma fica a sugestão.
Abraços!
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Um texto excelente. Com um conteúdo que só confirma as expectativas criadas.
A “associação” entre Trotsky e Che Guevara é muito mais profunda do que poderia parecer à primeira vista. Mas, essa é, para já, outra questão.
Quanto a mim, que rejeito o “imobilismo histórico”, aguardo que o livro chegue e, se possível, em Português.
Como disse Lenine (e se não disse, foi por se ter esquecido) questionar, questionar, questionar, sempre.
Um abraço.
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A.R.A Reply:
Janeiro 9th, 2010 at 14:43
CAFC
Meu bom amigo, nunca será de esperar que algo de abonatorio para a figura historica de Trotsky saia dos escritos deste Robert Harris, acerrimo apoiante de Tony Blair e conhecido pelos generosos donativos para o fundo do New Labour party mais conhecido como a 3ª via.
A meu ver será apenas uma adaptação “mui sui generis” de um passado para uma tentativa de propaganda que respeita uma agenda politica presente.
Mas cá estaremos, a espera, para ver se enganei.
Aquele Abraço
A.R.A
cafc Reply:
Janeiro 9th, 2010 at 15:50
Meu caro A.R.A.
É por isso mesmo que fico à espera. Depois, logo veremos, com o espírito crítico de quem analisa a obra.
Aquele abraço.
Associo-me às boas-vindas e saudações aos novos membros do Arrastão.
José Peralta
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considerando que Trotsky (fundador do exercito vermelho) queria tornar este numa força capaz de invadir a Europa para apoiar “as revoluções”, não me parece que o seu rosto humano fosse diferente do dos bigodes
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Este palhaço, no primeiro post já mostra ao que vem: atacar a esquerda!
Com tanta sacanagem e filho da puta pra denunciar e zurzir sobre, começa por bater num dos Zézinhos do costume: neste caso o Trostky.
Haja paciência pros doutorzinhos da coca
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João Cerqueira Reply:
Janeiro 9th, 2010 at 18:21
Depois de ler o texto do cidadão que assina O Marreta, onde o autor do Post é chamado palhaço, e se usa de”liberdades de linguagem”, pergunto
: já se pode, novamente, escrever tudo o que nos vai na alma?
Mas,nem o Estaline ganha ao Bush em mortos,(sim,isto é mesmo uma provocação e uma verdade para vos fazer sair da toca e demonstrar qto VªExcª mente com quantos dentes tem na boca e demonstrar o seu trabalho ao serviço do capital)e Trotski um aprendiz que queria q cada familia soviética fosse um elemento do Exército Vermelho.
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LGF Lizard Reply:
Janeiro 9th, 2010 at 16:44
Bolas, o Bush precisava de estar uma porrada de anos para chegar aos calcanhares do Estaline, em número de mortos. E o Estaline ainda precisava de mais uns anos para chegar ao Mao, grande líder nessa classificação pouco honrosa chamada “o gajo que matou mais gente”.
E mesmo que só fizéssemos a contabilidade a este século e esquececemos do século anterior, à frente de Bush ainda estavam vários líderes, como os responsáveis pelo Darfur ou pela guerra na República Democrática do Congo.
Cumprimentos
A.R.A Reply:
Janeiro 9th, 2010 at 19:06
LGF LIZARD
Sabendo como é um acerrimo defensor do “American Way” mesmo que as evidencias apontem para algo que não quer discutir ao ponto de ter que torcer a orelha, espero que não se cale no que concerne ao nosso “tete a tete” de outro post pois agurado pelas suas respostas, ansiosamente.
A.R.A
LGF Lizard Reply:
Janeiro 10th, 2010 at 0:01
Já lá estão.
Cumprimentos
Retenho estra frase e fico à espera de mais qq coisa
” logo nunca sujou as mãos”
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Ficaremos à espera, expectantes, fazendo de conta que não temos já uma ideia pré concebida do livro que vai enviesar toda e qualquer futura leitura.
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Só os mais desatentos ainda se surpreendem com o que aquifoi escrito. O papel de Trostsky na Revolução Bolchevique teve importância e significado suficiente para se perceber que estavamos perante um torcionário sanguinário tal qual Estaline, mais requintado e intelectualmente mais brilhante é certo, mas um torcionário na mesma, só não viu (vê) quem não quer.
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Das mãos de Robert Service só pode sair qualquer coisa que satisfaça os apetites dos simpatizantes do capitalismo!
Mas quem é Robert Service? Era essa a primeira questão a ser colocada! Este “senhor” é mais um daqueles renegados que passaram pelas fileiras da esquerda, para se transformar num anti comunista magistral.
Não deve causar espanto a ninguém que os maiores inimigos da esquerda são originários das classes burguesas, que fizeram escola nos partidos de esquerda.
Alguém ignora que os anti-comunistas mais refinados em Portugal são todos aqueles que estiveram ligados a partidos de ideologia comunista?
Robert Service seguiu o mesmo percurso. Portanto não é de esperar nada abonatório sobre Trotsky o que saiu da sua mão.
David Renton um professor de História da Universidade de Sunderland publicou uma biografia de Trotsky bastante equilibrada. De Victor Serge “As Memórias de um Revolucionário” foi alguém que conviveu com Trotsky durante muito tempo, por fim entraram em rotura, também é outra obra um tanto ou quanto isenta. O que faltam por aí são boas obras sobre Trotsky, especialmente autores Ingleses.
Deste canalha Robert Service o que se pode esperar? Outro tanto como da biografia de Che Guevara escrita por Pierre Kalfon!
Por favor não vistam as roupagens da esquerda para fazer passar mensagens anti-esquerda impregnadas de veneno.
Porque a coerência ainda não deixou de ser a virtude das pessoas honestos.
Se são de esquerda como propalam. Não aconselhem apenas livros de orientação contraria àquilo que dizem defender.
Ainda aqui ninguém indicou a leitura de Noami Klein, René Passet, Jean Ziegler, Loretta Napoleoni, Tzvetan Todorov, Pierre-Noel Giraud, Jean Paul Fitoussi. Nenhum deles é comunista. No entanto têm excelentes obras publicadas sobre os problemas que afectam a sociedade em que vivemos!
Eu tenho pachorra para ler de tudo, só assim posso estar devidamente informado.
Começo em Kropotkine termino em Nolt ( estou a ler Curzio Malaparte).
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cafc Reply:
Janeiro 9th, 2010 at 21:40
Caro Carlos Martins
Se você afirma: “Eu tenho pachorra para ler de tudo, só assim posso estar devidamente informado”, poderá deixar os outros seguirem o seu exemplo?
Se já leu o livro em referência, agradeço que transmita a sua opinião. Eu só aguardo a oportunidade de o fazer. Não é crime de “lesa-comunismo”, pois não?
A gente já sabe que os crimes do capitalismo são erros. Os erros do comunismo são “crimes monstruosos”.
Já agora: o Trotsky era um tipo insuportável porque lia autores franceses, só para chatear os adversários políticos. Agora já sabemos: ler autores franceses dá direito a uma picaretada na cabeça…
Manuel Monteiro
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Meus Caros Senhores sobre as vitimas de Estaline o acerto de contas chegou há cerca de 17 anos, só que os seus inimigos fizeram tal como aqueles rafeiritos cobardolas meteram o rabinho entre as pernas e pisgaram-se em silêncio. Porque faltou-lhe a coragem de publicar o que os seus próprios olhos viram, nesse caso tinham que se desmentir a si próprios.
Gorbatchov em 1989 nomeou uma equipa de reputados historiadores entre eles constavam A. N. Dougin e O. V.Xlevnuk , chefiada por V N Zemsky manifestamente um anti-socialista assumido. Tinham por missão investigar os arquivos do sistema prisional Soviético, o objectivo era esclarecer as reais dimensões da repressão Estalinista. Zemskov e a sua equipa foram os primeiros a ter acesso aos ficheiros mais secretos do Ministério do Interior e da policia politica (OGPU/NKVD). Esse estudo terminou em 1993.
Isto porque todos os especuladores exigiam que os arquivos fossem abertos e tornados públicos. Alegando que os números de mortos por eles apresentados iriam finalmente ser confirmados. De inicio os estudos dos documentos existentes começaram a ser publicados com grande histeria dos fabricantes dessas fantasias tenebrosas. Mas de repente aconteceu uma situação muito estranha. Já nem a imprensa “livre” de Gorbatchov estava interessada nos resultados encontrados nos arquivos.
Conforme os relatórios científicos iam sendo divulgados, deitavam por terra a colecção de números fantásticos apresentados por os falsificadores da história, do jubilo inicial passou-se ao silêncio sepulcral De tais como; Robert Conquest, Soljenitsine, Sakarov, Roy Medvedev e muitos outros farsantes ao serviço do capitalismo.
No final das investigações Zemskov e a sua equipa documentaram que entre 1921 e 1953 foram “reprimidas” 4 milhões de pessoas, dessas o regime Soviético condenou à morte cerca de 800 000 pessoas. Muitos longe dos 110 milhões avançados por esses especuladores sem escrúpulos.
De tudo isto fica uma pergunta muito pertinente. Porque razão a imprensa do mundo “Livre” até hoje ainda não divulgou estes relatórios?
Foram apenas publicados em revistas de pouca circulação. L`Historie, em França Nicolas Werth e na The American Historial Review, por J.Arch Getty. Além de uma entrevista que Zemskov deu ao jornal Espanhol “La Vaguardia”em 2001 , um jornal que apesar de direita, fez uma pergunta muito incomoda “a guerra fria terminou há uma década e já era hora de a propaganda dar lugar à história, e a conjectura ao documento”.
Pelo contrario, continua a fazer-se tudo para que a mentira prevaleça.
Sobre este tema quem estiver interessado consulte o jornal Publico de 30 de Outubro de 2009 tem um artigo de opinião de António Vilarigues sobre este tema, não está muito completo mas dá para tirar umas boas conclusões. Ou consulte o blogue http://www.ocastendo.blogs.sapo.pt .
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LGF Lizard Reply:
Janeiro 10th, 2010 at 13:55
Bem vistas as coisas, afinal não morreu ninguém durante o reinado de Estaline. E os que morreram, eram todos inimigos do povo e mereceram morrer. E os que não eram inimigos do povo, passaram a ser.
(estou a ser irónico, caso não perceba…)
E não foram 110 milhões. A estimativa de vítimas do comunismo em todo o mundo é de mais ou menos 100 milhões. Não é o número que importa – o que importa é que existiram vítimas inocentes. Seres humanos inocentes, que foram condenados à morte ou ao Gulag muitas vezes por nada.
Mas fico contente pelo facto de o Carlos Martins ter descoberto que “só” morreram 800 mil pessoas. Com um bocadinho de sorte, pode ser que consiga “descobrir” o resto…
João Cerqueira Reply:
Janeiro 10th, 2010 at 16:36
Senhor Carlos Martins
O senhor certamente conhecerá muita mais bibliografia sobre o Comunismo do que eu. E selecciona a que lhe interessa; daí não vem mal ao mundo, nem ao debate.
Todavia, parece-me que não se apercebeu do absurdo da sua argumentação ao reconhecer que (pelo menos) 800 000 seres humanos foram mortos pelo regime da URRS. Pois ainda que (hipoteticamente) consiga corrigir os números, já não corrige, e até confirma, a única conclusão que se pode tirar de tão tenebrosa cifra: o regime comunista da URSS cometeu crimes contra a humanidade.
Depois, qualquer contabilidade das vítimas, acrescentando ou subtraindo milhões, pode ser importante para a verdade histórica mas, como argumento relativo à natureza de um regime, é simplesmente obsceno.
Se todos seguissem a trajectória da manipulação histórica, como têm feito até aqui os inimigos do socialismo. A outra parte também podia alegar que a repressão da ditadura Argentina entre 1977 e 1984 ? teve proporções maiores que as que aconteceram na União Soviética. É muito fácil fazer as contas em 7 anos, só desaparecidos foram mais de 30 000, não contando com outros milhares que foram abatidos. Numa população de 22/23 milhões de habitantes , não é preciso ser-se um grande perito em matemática para tirar essa triste conclusão . Mas….. mas se a isto somar-mos todas as vitimas da operação Condor que varreu a América Latina de um extremo ao outro. Onde ficamos? É melhor não fazer contas porque senão ainda têm que ir sacar Estaline às catacumbas do inferno!
Mas não é minha intenção quantificar mortos. Muito menos me disponho a fazer exercícios macabros e interrogar quem foi pior que quem?
As vitimas todas elas inocentes, foram assassinadas em nome de quê e com que objectivos? Será legitimo alguém adoptar um método quantitativo e negligenciar as visões politico/ideológicas destes actos brutais contra os cidadãos dos próprios países!
Não procuro consensos. Exijo apenas que não se falte à verdade!
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Sugerir que um certo livro contém informação perturbante que pode ser bom conhecer não significa necessariamente concordar com ele. Para isso mesmo existe a chamada leitura crítica. Também não podemos fazer juízos de valor sobre uma obra de carácter científico pelo simples facto do seu autor ser, ou poder ser, um tipo detestável. De qualquer forma, Service é um historiador e académico reconhecido que usa documentação inédita que se torna importante conhecer. Aquilo que faz com ela, já é outra questão. Para além disso, abalar mitos é sempre positivo pois os mitos são perigosos. Mas só depois de ler o livro com atenção será possível dizer alguma coisa de mais objectivo.
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Carlos Martins Reply:
Janeiro 10th, 2010 at 4:34
O Rui Babiano está no seu direito em aconselhar as leituras que muito bem entender. Mas essa proposta sair de alguém pretensamente de esquerda considero bastante estranho.
Porque razão não recomenda também outros autores com opiniões diferentes deste?
Muitos dos que referi no meu comentário anterior o Senhor de certeza que os conhece. Service pode ser um excelente historiador, não podemos é descorar o sentido que faz das informações que recolhe. E de quem as põe ao serviço.
Pierre Kalfon também é um escritor muito cotado, no entanto leia o que escreveu sobre Che Guevara.
A conversa está a seguir um caminho um pouco diferente, pois o objectivo do post era só noticiar um livro que questiona um mito. Mas já que foi invocado o artigo do Público que refere os números de Zemskov, deixo ficar um link para um outro artigo, de resposta a esse (aqui numa versão ligeiramente aumentada), por mim publicado no mesmo diário: http://aterceiranoite.org/2009/11/13/rever-e-desculpabilizar-o-gulag/
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CAFC;
Qual a razão que me interpela apenas sobre o livro de Service? Fiz referencia a obras de outros autores!
Há já sei! Service agrada-lhe mais por tratar-se de um anti-comunista babado. Eu não disse que vou ou não ler Service apenas fiz apenas a apresentação desse “senhor”. Se se identifica com os seus pontos de vista é porque adora ler coisas sensacionalistas expurgadas da verdade. E rejeita os bons analistas que sabem escrever com isenção livres de quaisquer influências. Mas esse já é problema seu. Não tente depois vender essa mercadoria contrafeita.
Se pretende enriquecer o seu vocabulário anti-comunista leia de Alexander Yakovlev “ Cem Anos de Terror na Rússia”. Se quer até lho empresto.
Ou pesquise os livros de Roy Medvedev. Está a ver o medo que tenho dos meus inimigos políticos?
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cafc Reply:
Janeiro 10th, 2010 at 12:54
Caro Carlos Martins
O comentário 15 do Rui Bebiano seria resposta suficiente. Porém, parece transparecer do que você escreveu que (não tendo medo dos seus inimigos políticos) tem algum receio que eles sejam lidos por outras pessoas.
Meu caro, suposições e rotulagens imediatistas, pode fazer as que quiser. Só não sei onde vê “vocabulário anti-comunista” e quais as leituras do meu agrado.
Porque sou um defensor da unidade da esquerda, não vou entrar em polémicas radicalistas que só dão “gozo” à direita. Espero que, agora, tenha compreendido a intenção do que escrevi.
Um abraço.
Se os evangelicos Americanos apanham este livro, la vao comecar a mostrar a capa para estabelecerem a ligacao entre bruxaria e comunismo (porque Trotsky parece Harry Potter, e nao ha coincidencias!).
Ja vai tarde mas, Rui Bebiano, bem vindo e espero que me oriente em muitas mais boas leituras:)
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Rui Babiano!
Reparou no final do meu comentário? ««««« Não pretendo quantificar mortos, nem fazer exercícios macabros»»»».
Muitos anos antes do Vilarigues ter saído com este artigo já eu tinha conhecimento disto. Dougin é quem mais tem publicado opiniões sobre este assunto.
Todos os dados que cita no seu artigo não deixam de ser opiniões pessoais. Ou estatísticas tal como dizia Eicheman. Acho sempre muito interessante os contadores destas estórias usarem o tal spray marca PCP para darem mais brilho à cor com que tentam pintar. O Rui Babiano não fugiu á regra!
Afinal vamos acreditar em quem? Quem está a falar verdade? São situações muitíssimo complicadas! Cada lado pretende esgrimir os números que dispõe.
Assim sendo o que foi encontrado nos arquivos não é valido? Mas se encontrassem lá esses números fabulosos que desejavam já era verdade? Onde se encontram esses documentos de Béria e dos outros dirigentes se ainda ninguém foi capaz de mostra-los?
Deixem-se mas é de exibicionismos e publiquem tudo o que têm na mão. Se é que têm?
Até lá podem desenterrar quantos historiadores queiram porque ninguém pode dizer que está mais perto da verdade que o outro. Roy Medvedev um historiador dissidente conselheiro de Gorbatchov, durante algum tempo também do Czar de todas as máfias, sustentava que eram 60 milhões o numero de mortos, Soljzhenitsyn começou por falar em 66 milhões para depois aumentar para 100, Michael Voslensky 110 milhões,Charles Bettelheim consultando as estimativas de Wiles falava em 1,62 milhões, André Glucksmann um ex-Maoista falava em 15 milhões “ prováveis”, já Jean Ellenstein em “História da URSS” 1973 avaliava em alguns milhões o numero de deportações não fazendo referencia a mortos.
Afinal vamos acreditar em quem? Se uma estimativa contradiz a outra!
Por favor não brinquem com um povo que não tem conhecido ao longo da sua historia outra coisa que repressão, guerras, fome e miséria!
O Rui Babiano também não tinha necessidade em plasmar o seu comentários com dramatismos provincianos, sobre a sorte desse tal cidadão que escreveu no boletim de voto o que lhe ia na alma. Será isso mais dramático que torturar uma criança de tenra idade na presença dos pais para obter confissões? Ou assassinar uma Senhora que acabou de dar à luz numa prisão, os carrascos raptarem o filho só se sabendo do seu paradeiro mais de vinte anos depois?
Caro Rui Babiano esta situação e muitas outras mais horrorosas aconteceram na América Latina nos anos 80. Não o incomoda isto? Tanto não o incomoda que o Senhor e quem partilham da sua opinião remetem-se ao mais integral silêncio!
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««««««Tal como tem acontecido com a tentativa de reexame do Holocausto, decorrem processos de revisionismo histórico da experiência do Gulag que tendem a reduzir o seu papel na edificação da sociedade soviética ou a requalificá-la como opção politicamente válida. Emergem em parte da historiografia e do actual sistema educativo do Estado russo, determinados a justificar perante as novas gerações o uso da violência na construção de uma política centralista e imperial «eficaz». Em The Future of Nostalgia, Svetlana Boym fala de incentivos a uma «megalomania da imaginação» que na Rússia actual se tem servido das dificuldades diárias vividas pelas pessoas comuns para estimular uma revisão heróica e gratificante do passado. Mas estas releituras provêem também dos sectores políticos, próximos ainda da matriz leninista, que conservam uma atracção reverente pelo antigo «país do futuro radioso»»»».
O que o Rui Babiano publicou no seu artigo é demonstrativo dos conhecimentos que tem da Rússia actual.
Não é isto que se ensina nas escolas Russas sobre história. Nem tão pouco se faz a glorificação do período Soviético. Sobre Estaline e Lenine pode consultar a agencia oficial Russa, RiaNovosti em Castelhano tem um artigo de opinião de NiKolai Troitski, que lhe desfazem todas as duvidas que ainda possa ter.
Essa suposta “requalificação” Soviética que menciona. Deve-se à campanha que ultimamente tem sido desenvolvida por os revisionistas em equiparar o nazismo ao comunismo. O Presidente Russo reagiu desmascarando a tentativa de colagem que se estava pretender fazer.
Talvez o Senhor não ignore o que se tem acontecido nos últimos tempos aos monumentos dos soldados Soviéticos nos países de Leste? A começar pela Ucrânia onde Stefan Bandera foi instituído como herói nacional por Yuschenko, acabando nas republicas Bálticas com desfiles dos antigos membros das SS ainda vivos, por outro lado desmantelam todos os símbolos que façam referencia aos militares Soviéticos durante a guerra. Também não sabe o que se passou há bem pouco tempo na Geórgia?
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como já coloquei aqui o comunismo foi responsável pela morte de mais de 100 milhoes de pessoas
A saber
20 milhões na União Soviética
65 milhões na República Popular da China
1 milhão no Vietname
2 milhões na Coreia do norte
2 milhões no Camboja
1 milhão nos Estados Comunistas da Europa de Leste
150 mil na América Latina
1,7 milhões na África
1,5 milhões no Afeganistão
10.000 mortes “resultantes das acções do movimento internacional comunista e de partidos comunistas não no poder” (página 4).
O Hitler ao pé do “estalino” ou “zé bigodes” era um aprendiz de feiticeiro
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Recordo que em todas as direcções existe manipulação de dados. Convém, sempre que for possível, saber em que fontes (livros, relatórios, documentos vários, testemunhos, etc.) se baseiam os números e quais os critérios usados para se chegar a eles. Os números adiantados no Livro Negro do Comunismo, por exemplo, padecem de alguma insensatez, pois em certos momentos os seus autores misturaram alhos com bugalhos. Só mesmo os factos comprovados – e não a pura propaganda, de um lado ou do outro – podem dar razão aos argumentos de quem procura aproximar-se da verdade. Doa ela a quem doer.
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Esperar que Service escrevesse algo abonatório a Trotsky é de ir às lágrimas.
Ninguém mostre ste texto ao Louçã, por amor de Deus.
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A quem interessar, uma crítica ao livro na “International Viewpoint”: http://www.internationalviewpoint.org/spip.php?article1786
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http://nefriakai-1.blogspot.com/2010/01/eu-e-robert-service-trotsky-biography.html
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Aqui -http://fora.tv/2009/07/28/Uncommon_Knowledge_Christopher_Hitchens__Robert_Service – podem ficar a conhecer quem é este tipo, este Robert Service. É uma entrevista de um tipo da Hoover Institution (da Universidade de Stanford – does the name Condoleeza Rice ring any bells?) a R. Service e Chris Hitchens.
R. Service também fez biografias de Lenine e Estaline e é um de muitos ‘obreiros’ empenhados em «demolir» o comunismo.
Ainda assim, estou a ler o livro do sujeito. Já encontrei bastante lixo.
António Paço
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Hoje, especialmente, encontro-me nos antipodas da reacção e se há coisa que mais me enche de vontade em bramir contra a morte lenta a que este meu povo se vai prestando é, sem duvida alguma, ver estas postas de material propagandista numa altura em que a falencia do modelo se encaminha para a sua morte arrastando consigo um mundo que teima em questionar até onde vai o poder das coisas.
Fomos, em determinada altura da nossa Historia, pioneiros do conhecimento será que alguma vez chegaremos a ser pioneiros da mudança?
O comunismo contemporaneo esta aí e todos virão a cara tal como um dia o fizerão a Trotsky deixando a revolução nas mãos de um sanguinario. Ele que era o legitimo depositario de Lenine e um visionario comunista como ficou bem explicito na IV Internacional.
No entanto, recuso-me perentoriamente em enveredar em nomes cliches de Trotskysmos, Leninismos, Stalinismos e outros tantos ismos que queirão empregar, porque para mim, só houve e sempre haverá um ismo, o do comunismo.
Assim sendo, por muitos branqueamentos historicos que pretendam fazer ou cisões absurdas que insistam em fomentar (aqui dirijo a minha critica ao PCTP-MRPP, POUS, PSR, etc) porque para mim, desmentindo os seus vários coveiros, o comunismo continua a mobilizar inteligências, a reinventar-se como conceito e a condensar esperanças pois urge ultrapassar o ostracismo ao qual o seu fiel depositario ( o PCP em Portugal – embora, como problema filosófico, o comunismo não seja propriedade de um partido o que só o responsabiliza mais enquanto pensamento com implicações concretas) se votou cerrando fileiras contra o inimigo e silenciando as críticas mais profundas.
E quem não as silenciou, experimentou sempre a acusação de dar trunfos ao inimigo em tempo de guerra, de “objectivamente” ajudar o outro lado.
Pois chega de tanta alarvidade ideologica, separatista e demagogica. Os tempos são propicios para a mudança e perder-mo-nos em guerrinhas privadas são o garante da incompetencia cognitiva de por em pratica aquilo que apregoa o lema da Internacional:
Proletarios de todo o mundo, uni-vos!
Não é por acaso que livros desta estirpe surjam para numa altura de flagrante falencia do sistema capitalista, venham intoxicar aquele sangue novo que procura uma alternativa ao qual, a meu entender, se deveria responsavelmente demonstrar que o comunismo contemporâneo pretende preservar e superar todo progresso tecnológico, conquistado através do capitalismo, mediante um sistema de planeamento geral, no qual as múltiplas decisões, tomadas de acordo com o mecanismo de mercado no capitalismo, sejam adoptadas de forma deliberada segundo critérios que permitam maximizar a satisfação das necessidades de toda a sociedade e não cair na erronea redundancia classica da eterna justificação como se de 2 blocos monolíticos (novo e velho comunismo) se trata-se pois seria demasiado redutor fazer a sua valorização de um modo tão simplista (sendo assim um bom e o outro mau) correndo o risco de fazer tabua raza das conquistas da revolução proletaria perante os erros criminosos de alguém a quem Trotsky chegou a caracterizar como “a mais estúpida iminência do partido” e chegando mesmo a assinar o seu proprio exilio com frases do genero “O Pravda de Petrogrado, cujos editores, antes da chegada de Lenine, eram Estaline e Kamenev, manteve-se um monumento permanente à estreiteza mental, à cegueira e ao oportunismo.”
Bem sei que para determinadas pessoas isto não passem de delirios de comunista ou de mais uma versão da famosa cassete e que para alguns camaradas meus esta minha visão pessoal possa ter sido demasiado critica para com o partido, com um comportamento um tanto “desviante”, mas o que me importa aqui frizar não é o dar loas a uma figura historica da minha ideologia mas sim insistir no chamar à responsabilidade os partidos da Esquerda nacional e dizer-lhes que já é tempo de uma concertação solida o suficiente para que finalmente sejam uma alternativa de poder.
Enquanto tal não acontecer, estão tambem a ajudar no branqueamento historico dos feitos e conquistas daqueles que, com o seu sangue, tornarão possivel a Internacional.
Disse.
A.R.A
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Antonio Cunha Reply:
Janeiro 13th, 2010 at 9:21
Caro ARA
Isso hoje tá mau. Mas não se apoquente o seu amigo Chavez lá na Venezuela está a por em prática esse novo comunismo para que sirva de exemplo aos seus amigos ocidentais, como o nosso socrates, e quem sabe um dia destes não veremos Alegre no seu programa diário de TV a mandar o CEMGFA, que está em pé a fazer continência, juntamente com o povo inspeccionar todos os negócios privados para que não exista especulação e bla bla bla.
Este mundo é só rir….
Caro Antonio Cunha
Não precisa de ir buscar exemplos a Venezuela quando tem um estado membro da UE com um presidente comunista.
Portanto continue a rir, meu caro, porque rir faz bem a saude.
A.R.A
[Responder]