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Tão inconsequente como tentar fazer passar votos de pesar no Parlamento por coisas que aconteceram há 100 anos, é organizar manifestações contra as comemorações monárquicas. A História pode ser (e é sempre) um campo de batalha político. Mas se se limita a isso, fica mais pobre e mais incompreensível. Buiça e D. Carlos não são personagens do século XXI e o país onde viviam era outro. Não se aplicam a eles os mesmos conceitos morais e as mesmas grelhas de análise. E mesmo que se aplicassem, isso é de longe o menos interessante. Menos do que isso, só mesmo história contrafactual, essa habilidade, pouco recomendável para quem preze o rigor, de tentar imaginar o que sucederia se não tivesse acontecido o que aconteceu.


Sem respostas ao post “No tempo errado, do modo errado”  

  1. 1 1  corvo

    Tudo se passou há 100 anos, e por isso muito boa gente pretende vender gato por lebre.

    Um deputado monárquico hoje na Assembleia da Republica, propôs um voto que nos considerandos considerava o Bragança ,um misto de João II, Vasco da Gama, Grão Vasco, Luis da Cunha e Fernando de Bolhões…..

    É preciso topete, e assim se tenta reescrever a biografia de um homem, que teve certamente pontos positivos,mas como rei foi perfeitamente mediocre….

    Mas hoje em Cascais resolveram erigir-lhe mais uma estátua a segunda, olhem o Vasco da Gama, o Albuquerque, o João II, o Manuel I ,o Damião de Gois, o Garcia de Orta o Pedro Nunes, não merecem ao autarca de Cascais nem uma placazinha, é caso para dizer que grande pacóvio.

    Mas o mais caricato é que o Capucho foi colocar a estatua, á porta da cidadela de Cascais, local bem conhecido á época como o BORDEL privado do Carlos de Bragança, só que em vez de umas calcinhas de renda a cheirar a rosas puseram-lhe na mão um par de binoculos.

    Em suma o novo riquismo cavaquista no seu melhor…

  2. 2 2  JC
  3. 3 3  H V&P

    Leitor frequente, muitas vezes em desacordo, hoje subscrevo-a na integra! E, se me permite, junto apenas uma palavra: há coisas realmente ridículas!

  4. 4 4  Xico

    JC tem toda a razão no seu comentário.
    Fazer a história deve servir para lembrar os factos e limpar o lixo da propaganda!
    Se não faz sentido nenhum lembrar ou comemorar o regicídio, menos sentido faz comemorar o centenário da implantação de um regime que desgraçou Portugal durante a maior parte do século XX, e que de semelhante ao nosso só tem o nome!
    Se é para comemorar o 5 de Outubro com o meu dinheiro, então eu prefiro erigir estátuas a D. Carlos I.
    E muito me custa como cidadão haver gente neste país que homenageia até com dinheiros públicos, o assassino de um jovem de 20 anos a quem nenhuma culpa ou responsabilidade podia ser imputada, como faz a câmara municipal da terra do tal assassino!

  5. 5 5  Fado Alexandrino

    Tão inconsequente como tentar fazer passar votos de pesar no Parlamento por coisas que aconteceram há 100 anos

    É preciso muito cuidado com o que se escreve.
    Daqui a cem anos, o parlamento Espanhol pode estar a votar uma moção de censura aos acontecimentos de Guantanamo e o seu bisneto, como representante provincial do distrito de Sevilha-Elvas pode ter a tentação de dizer sim, e aí vão lhe lembrar a frase do bisavô e de como ele escreveu um texto para tentar limpar o folclore que uns anarquistas que se diziam do Bloco de Esquerda fizeram um dia em Lisboa

  6. 6 6  António Mota

    O Sr. Carlos Bragança era um sujeito que tinha poder político para o qual não tinha sido eleito, e cujo perspectiva de mandato era vitalícia. Qualquer indivíduo nestas circunstâncias arrisca-se a ser corrido do poder à força. Por isso, em vez de escrever notas biográficas sobre o Sr. Carlos Bragança, ( que é já bem conhecido) pedia ao Sr. Daniel que, se possível fornecesse alguns elementos biográficos sobre o Srs. Manuel Buiça e Alfredo Costa neste blogue, que poderia satisfazer a curiosidade de alguns, entre os quais me incluo

  7. 7 7  Xico

    Por falar em comemorações de facto passados. Onde estão os que fazem tanta questão em comemorar e celebrar factos, sem dúvida hediondos, passados há 500 anos atrás????!!!!

  8. 8 8  Sapka

    O Duarte Piu Piu diz que que o regicídio foi um acto terrorista, uma violência do caraças. E o cardeal patriarca acrescentou mais qualquer coisa de que já não me lembro, nem quero lembrar. O trono e o altar nunca se separam, chova ou faça sol. Mas fiquei pensativo, sério. O Duarte Piu Piu e o patriarca têm razão, foi uma coisa bárbara e nunca vista, AQUELE regicídio. Mas que dirão eles do rei João II, que arrancou pessoalmente ou mandou arrancar o coração do Duque de Viseu pelas costas do dito? E os outros reis que mataram irmãos, primos, sobrinhos, tias e tios na luta pelo poder? Tudo uma data de talibans carbonários duma figa?

  9. 9 9  Vítor Pimenta

    Na mesma lógica do “Se a minha avó não tivesse morrido ainda estaria viva”… Hmm, afinal o Correia de Campos tem razão. Estamos sempre todos, a meter os pés pelas mãos. Eu humilde pecador me confesso. A (III) República está morta, viva a (IV) República!

  10. 10 10  Euroliberal

    Do Aspirina B:

    “Descobri hoje no Alfarrabista Bocage na Calçada do Combro a cópia de uma carta de Pascoaes a Unamuno de 2-10-1908. Depois de saudar o «querido amigo», Pascoaes afirma:

    «A tragédia de Lisboa foi o desenlace duma luta travada entre o gato e o rato. E, coisa curiosa, o rato matou o gato! João Franco subiu ao poder para eliminar abusos, roubos, sinecuras. O advento do Franquismo representou um tardio arrependimento do Rei Carlos. Calcule a guerra feroz que lhe moveram os partidos (progressista e regenerador) que se viram despojados do Tesouro Público! Guerra de difamação contra o Rei e de ódio contra o Franco. Este viu-se obrigado a recorrer a meios violentos e pouco simpáticos nos tempos de hoje para resistir à onda que o tentava derrubar. Estas medidas violentas exasperaram dois pobres e ingénuos sonhadores (Costa e Buíça) que, num ímpeto que eles julgaram libertador, deitaram a terra D. Carlos e o Príncipe Luís, um adorável rapaz de 20 anos! Resultado: o Franco foi para o estrangeiro por onde anda errante como um fantasma; o Buíça foi para a sepultura, fulminado como um Titã que quis roubar o fogo do céu! No dia 1 de Fevereiro de 1908 havia dois homens em Portugal, João Franco e Buíça; inimigos irredutíveis que se destruíram um ao outro, em vez de salvarem a sua Pátria! Neste momento Portugal é um mistério. É impossível a gente calcular o que virá a ser dele! É uma Pátria que a noite envolve, entregue aos morcegos e às aves agoireiras. Aqui, não se vê um palmo adiante do nariz; é tudo confusão e sombra. Um abraço do seu grande admirador e amigo certo – Teixeira de Pascoaes.»

    Um documento curioso, descoberto e lido cem anos depois, num alfarrabista da Calçada do Combro.”

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