
A indignação de certas pessoas com comparações descabidas foi sempre manifestamente exagerada.
Por Daniel Oliveira 6 Out 07 em História
A indignação de certas pessoas com comparações descabidas foi sempre manifestamente exagerada.
Por Daniel Oliveira 6 Out 07 em História
Che Guevara e os mimos da família Civita
Por Gilberto Maringoni
A humanidade sempre gostou de animais de estimação, mas agora o costume virou moda. Pet shops tomam conta das cidades brasileiras e roupas, brinquedos e alimentos especiais para bichinhos disputam um mercado crescente. Escolas especiais pipocam por toda parte, sofisticando a pedagogia caseira de ensinar mascotes a sentar, dar a patinha ou buscar objetos atirados ao longe. Todos gostam dessas companhias domésticas. Fazem a alegria das crianças.
Há uma família em São Paulo que parece adorar mascotes. É um clã de origem italiana, aqui radicado há décadas. Não se sabe bem o porquê, mas alguns de seus membros exibem socialmente um inconfundível acento nova-iorquino. Manias, quem sabe. Trata-se da turma dos Civita, gente boa, com negócios para os lados da marginal Pinheiros.
Os Civita adoram mascotes. Têm vários. Um dos orgulhos de sua casa de negócios atende pelo nome de Diogo. Aliás, são dois os Diogos amestrados daquele - chamemos assim - lar da marginal. Vamos falar de um deles, o Diogo Schelp (tem o Mainardi, mas este fica para outra hora). O Schelp é um espécime reluzente. Dá a patinha, busca o que o dono mandar e não gosta do que os Civita não gostam. Coisa bonita de se ver. Diogo Schelp deve andar aí pela casa dos trinta anos. Tem futuro.
Cuba, Venezuela, MST etc.
Os Civita detestam tudo que cheire a povo. Externam especial repulsa por coisas como Cuba, Venezuela, MST e quejandos. Quando precisam propalar aos quatro ventos seus desapreços, chamam um dos Diogos. “Vem, Diogo, vem”. E Diogo - qualquer um deles - faz a alegria da família. “Vem, Diogo, vem, desce o chanfralho no Chávez, vem!”. E lá vai Diogo, correndo, mostrar o serviço.
Como toda boa família, os Civita têm sua sala de visitas, onde exibem tudo do bom e do melhor. A sala de visitas tem até nome. Chama-se Veja. Toda semana apresenta uma decoração nova, todas diferentes, mas iguais às anteriores, se é que dá para entender.
Diogo é um fenômeno, dizíamos. É bom também não confundi-lo com Dioguinho, apelido de Diogo da Rocha Vieira, famoso bandido e salteador que aterrorizou os sertões da Mogiana, entre o final do século 19 e inícios do 20. Dioguinho era bandido de aluguel, que agia em troca de bom soldo. Diogo, o Schelp não aterroriza ninguém.
Pois não é que depois de fazer das suas por várias vezes, exibindo língua solta contra a Venezuela e Cuba o Diogo resolveu voltar-se contra Che Guevara. Certamente fez isso depois de dar a patinha, rolar no tapete e pedir papinha, pois a vida não anda fácil.
Pérolas e olfatos
Diogo é uma graça. Ganhou uma capa - é capa da tal sala de visitas, a Veja - e mais um monte de espaço. Sua pérola chama-se “Che. Há quarenta anos morria o homem, nascia a farsa”. A obra é hercúlea. Diogo contou com a ajuda de outro civitete de estimação, um serzinho chamado Duda Teixeira.
Para fazer das suas, foram falar com vários cubanos que, segundo ambos, conviveram com Che Guevara. Não foram a Cuba, mas entrevistaram quatro que moram na mais reluzente cidade latino-americana, chamada Miami. Tem uma comunidade cubana lá que é do balacobaco. Ajudaram a eleger George e seu irmão Jeb Bush. Gente fina.
Entre citações dos tais cubanos e sacadas próprias, a dupla DD (Diogo e Duda) saiu-se com estas:
“Che foi um ser desprezível”.
“Che tem seu lugar assegurado na mesma lata de lixo onde a história já arremessou há tempos outros teóricos e práticos do comunismo, como Lenin, Stalin, Trotsky, Mao e Fidel Castro”.
“Sua vida foi uma seqüência de fracassos”.
Como a vida da dupla DD é uma seqüência de sucessos, eles podem dizer esta última frase de boca cheia. Certamente ambos vão revelar proximamente terem feito algo mais grandioso do que uma revolução nas barbas do império (desculpem o uso da expressão antiquada) ou de terem dado a vida defendendo o que pensam.
O mais legal é a especialidade olfativa dos DD. Sabem de cada uma. Vejam esta:
“Che (…) não gostava de banho e tinha cheiro de rim fervido”.
Cheiro de rim fervido! Alguém sabe como é? Os DD, pelo visto, cultivam o salutar hábito de experimentar odores em busca de comparações espirituosas a pedido dos Civita.
E tem mais. Como estão fazendo graça, dando a patinha e tal, os DD não se preocupam nem mesmo em dizer uma coisa no início da matéria e desdizer a mesma coisa linhas abaixo. Pois vejam só:
“Desde o início, Che representou a linha dura pró-soviética, ao lado do irmão de Fidel, Raul Castro”.
Lá adiante, a dupla do barulho fala assim:
“Che também se tornou crítico feroz da União Soviética”.
Os Civita devem adorar. Os Civita gostam de dinheiro, poder e publicidade oficial, da qual suas revistas andam cheias. O governo deve gostar muito dos Civita e de seus mascotes, para dar esse ajutório todo.
Mas deve haver uma hora que os DD cansam um pouco a família lá da marginal. Mesmo vivendo toda hora na sala e se exibindo para as visitas, há sempre um perigo maior.
O de fazer xixi no tapete.
Foi o que aconteceu agora. Graça demais não tem muita graça não.
http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=26219
O conflito mais duradouro da era contemporânea
POR LÁZARO BARREDO MEDINA
NA primavera de 1995, um grupo de políticos, economistas e intelectuais fomos a Nova Iorque, particularmente à sede do Conselho das Relações Exteriores, para intercambiar bilateralmente aspectos econômicos, culturais e políticos entre Cuba e os EUA.
Tratava-se de um exercício acadêmico para tentar conseguir um intercâmbio de opiniões no contexto das sérias desavenças existentes entre as duas nações.
Pela parte norte-americana estavam presentes alguns subsecretários do Departamento de Estado que tiveram a ver com a política contra Cuba em gvernos anteriores, acadêmicos de diversas instituições e personalidades do Conselho. Apesar de ser tranqüila a atmosfera do encontro, desde o primeiro momento, os desacordos foram desagradáveis, devido às divergências quanto a diversos temas.
A reunião foi aumentando de tom quando se passava de um tema para outro. Quando foi discutido o tema político, houve absoluta discordância.
A parte cubana expôs como se evidenciava a falta de pragmatismo na política norte-americana sobre Cuba, quando nesse momento os Estados Unidos estavam normalizando plenamente as relações com a China e o Vietnã e davam passos para um entendimento com a Coréia do Norte, países com os quais travaram guerras na última metade do século 20, morrendo mais de 100 mil estadunidenses e havendo um número considerável de desaparecidos. As contendas bélicas na Coréia e no Vietnã deixaram traumatismos profundos na sociedade norte-americana.
A seguir, sublinhou que em Cuba, com quem não travaram guerras nem houve mortos, não queimavam bandeiras norte-americanas, não havia aldeanismo nem xenofobia na hora de conhecer e espalhar a cultura estadunidense, não havia atmosfera de repúdio contra nenhum cidadão norte-americano quando visitava a Ilha, apesar do dano terrível provocado pela política de agressão. Contudo, não existia decisão nenhuma de negociar com ela para, ao menos, analisar as divergências.
O senhor William D. Rogers, que foi subsecretário de Estado para Assuntos do Hemisfério Ocidental, nos dois mandatos de Henry Kissinger, interrompeu a parte cubana e disse: “Tudo isso que o senhor falou da China, do Vietnã e Coréia é verdade, mas os cubanos não podem esquecer que para a maioria dos políticos norte-americanos Cuba é um assunto diferente”. E enfatizou: “Para a imensa maioria dos políticos norte-americanos, Cuba é um assunto sentimental…”
Aquelas palavras tiveram grande impacto em mim. Se Cuba é hoje um assunto sentimental, isso quer dizer que para conseguir o respeito à plena autodeterminação cubana, será preciso esperar que surja uma classe política nos Estados Unidos que reconheça uma simples oração de sete palavras: “Cuba é um país livre e independente”.
Contando a um amigo latino-americano os detalhes dessa reunião, veio à baila sua incompreensão sobre este assunto histórico e quis atribuir a responsabilidade de todo o conflito ao desafio de Fidel Castro, argumentando que com a morte do chefe da Revolução Cubana, tais atritos entre os dois países se eliminariam.
E digo incompreensão sobre o assunto histórico porque as desavenças entre Cuba e os Estados Unidos são de longa data…
Qualquer um que examinar as relações entre Cuba e os Estados Unidos e mergulhar nos acontecimentos históricos que datam do fim do século 18, constatará que o problema entre os dois países vai além de qualquer tendência ideológica e se baseia na encruzilhada entre a independência e o anexionismo.
Documentos e diversas bibliografias cubanas e norte-americanas demonstram que o conflito entre essas duas nações é o mais duradouro da era contemporânea, que teve início desde a independência das treze colônias inglesas até hoje, com a Lei Helms-Burton e mais recentemente, com o documento de 450 páginas que contém mais de 600 medidas para determinar o futuro de Cuba com base na concepção de uma “transição violenta”, estabelecido pela administração de George W. Bush, sob um pretenso “plano de ajuda a uma Cuba livre”.
Cuba, como nenhum outro país do mundo, teve que enfrentar durante quase 200 anos a política externa norte-americana, consagrada a estabelcer que os Estados Unidos não são um país comum, mas exclusivo, “destinado” (Destino manifesto) a cumprir a missão civilizadora de transmitir a outros povos o “modo de vida norte-americano”.
CUBA, POR NECESSIDADE E POR DIREITO, DEVE PERTENCER AOS ESTADOS UNIDOS
“Confesso com candura — escreveu em 1807 Thomas Jefferson, um dos fundadores da nação norte-americana —, que sempre vi Cuba como o país mais interessante que se podia incorporar a nosso sistema de Estado.”
Em 1823, o secretário de Estado estadunidense, John Quincy Adams, lançou à publicidade o termo do fatalismo geográfico cubano com sua doutrina da “fruta amadurecida”: “Assim como uma fruta afastada de sua árvore por causa da força dos ventos, não pode, embora quisesse, deixar de cair no chão, assim Cuba já separada da Espanha e quebrada a relação artificial que a liga a ela, incapaz de se sustentar por si mesma, tem que gravitar em torno da União Norte-americana, e até ela exclusivamente, e será impossível à propria União, em virtude da lei, não admiti-la em seu seio.”
Neste tempo, James Monroe, criador da famosa doutrina “América para os americanos”, era o presidente dos EUA, a quem Thomas Jefferson escreveu: “A anexação de Cuba a nossa Confederação é exatamente do que se precisa para aperfeiçoar o nosso poder nacional e elevá-lo ao mais alto grau de interesse”.
Em maio de 1847, o jornal The New York Sun referiu-se num de seus editoriais: “Cuba, por sua localização geográfica, por necessidade e por direito, deve pertencer aos Estados Unidos. Pode e deve ser nossa”.
Um ano depois, o então presidente norte-americano Polk aprovou as primeiras negociações a fim de comprar Cuba à Espanha. O diário Creole de Nova Orleans refletia a essência desta apetência ianque: “Cuba, por destino da Providência, pertence aos Estados Unidos e tem que ser americanizada”.
O processo de “americanização” de Cuba, que se foi criando durante o século 19 no pensamento político norte-americano, mostrava absoluto desdém aos cubanos.
Em 1852, o jornal El Delta de Nova Orleans explicou: “Sua língua (a dos cubanos) será a primeira coisa a eliminar, pois a língua latina bastarda de sua nação não resistirá por nenhum tempo o poder competitivo do forte e vigoroso inglês… Seu sentimentalismo político e suas tendências anárquicas serão eliminadas depois da língua e, de maneira gradual, a absorção do povo será absoluta, o que seria devido ao inevitável predomínio da mente americana sobre uma raça inferior”.
Decerto, a proeminência geográfica atingiu imediatamente o setor econômico. Ao redor de 1828, 39% do total das importações cubanas procediam dos Estados Unidos. Da Espanha somente chegava à ilha 26%. Em 1860, a dependência era majoritária: os Estados Unidos absorviam 62% das exportações cubanas, a Grã-Bretanha 22% e a Espanha apenas 3%.
Em 1881, o cônsul norte-americano em Cuba afirmou em seu relatório consular: “Do ponto de vista comercial, Cuba se tornou dependente dos Estados Unidos, embora politicamente continue dependendo da Espanha”- Em 1884, os Estados Unidos absorviam 85% da produção de Cuba.
SANEAR ESSE PAÍS, EMBORA SEJA COMO SODOMA E GOMORRA
Na década de 1890, os setores políticos norte-americanos chegaram à conclusão de que a “fruta cubana” estava a ponto para ser engolida.
Em novembro de 1891, a publicação Munsey Magazine insistia novamente na compra da ilha cubana, argumentando a importância da localização geográfica para a defesa dos Estados Unidos e como ponto de destino dos excedentes de produção norte-americanos, ao passo que expressava com clareza a decisão de fazerem todo o possível para se apropriarem de seu território, afirmando: “Pode se declarar como quase certo que, muito cedo, Cuba será nossa”.
Outra publicación, American Magazine of Civics, destacou em 1895 diversas opiniões sobre a anexação de Cuba, entre as quais, a de proeminentes figuras do Wall Street, como Frederick R. Condert, que declarou: “Faço água em minha boca quando imagino Cuba como um dos estados de nossa família”.
“Se nos apoderarmos de Cuba — escreveu, em 23 de setembro de 1897, Teodore Roosevelt, subsecretário da Marinha dos EUA — “a ilha continuará nas mãos de uma nação fraca e decadente e a possibilidade de obtê-la poderia se considerar perdida para sempre. Não acho que Cuba se possa pacificar com a autonomia (uma promessa da Espanha à Ilha naquele tempo) e confio que daqui a pouco acontecerão fatos ali em que nós teremos que intervir”.
Os verdadeiros objetivos que determinaram a intervenção aparecem reveladoramente expressos no relatório apresentado, em 24 de dezembro de 1897, pelo senhor Breckenridge, secretário de Guerra dos Estados Unidos, ao tenente-general do exército norte-americano N. S. Miles, designado general-em-chefe das forças que realizariam a intervenção.
De que tratava esse relatório?
“Cuba, com um território maior, tem uma população maior que Porto Rico. É composta por brancos, negros e asiáticos e os mestiços. Os habitantes são, em regra, preguiçosos e apáticos. É claro que a anexação imediata de um número considerável de elementos tão perturbadores a nossa Federação seria uma loucura, e antes de colocá-la, devemos sanear esse país, embora seja aplicando o meio que a Divina Providência aplicou às cidades de Sodoma e Gomorra.
“Teremos que destruir tudo aquilo que nossos canhões alcançarem a ferro e a fogo. Será necessário aumentar o bloqueio a fim de que a fome e a peste, sua permanente parceira, dizimem sua população pacífica e minorem seu exército, e o exército aliado (refere-se ao Exército Libertador cubano) será utilizado constantemente em explorações e vanguardas, para que sofram todo o peso da guerra entre dois fogos e eles precisamente serão encomendados para todas as expedições perigosas e desesperadoras”.
A iminente vitória das forças patrióticas cubanas foi escamoteada pela intervenção estadunidense e não tornou possível o surgimento de um novo Estado, como tinha acontecido no resto da América Latina, ao manter todas as estruturas do poder colonial a seu serviço visando implementar os planos de tornar completamente dependente a Ilha.
Talvez por causa desse convencimento anexionista já preconcebido nos Estados Unidos, a primeira decisão de Tomas Estrada Palma, já iniciada a intervenção norte-americana no conflito cubano-espanhol, foi trair a memória de José Martí e dissolver o Partido Revolucionário Cubano, por meio do qual, o Apóstolo tinha conseguido a união para a luta independentista, e propiciar que o movimento revolucionário cubano se dividisse depois do estabelecimento de 57 partidos ou agrupações políticas!
Após alcançar seus objetivos com a intervenção, o general Leonardo Wood, governador militar norte-americano em Cuba, escreveu ao secretário da Defesa dos EUA, E. Root: “Os americanos e os cubanos que olham o porvir sabem que a Ilha vai fazer parte dos Estados Unidos e que interessa tanto a eles quanto a nós dar-lhe uma posição sólida”.
A prova de que o verdadeiro interesse era aproveitar ao máximo seus poderes ilimitados para servir a seus interesses, é Leonardo Wood, por exemplo, governador de Cuba desde dezembro de 1899 até maio de 1902, que entregou 223 concessões a companhias norte-americanas para a exploração dos recursos naturais mais valiosos da Ilha.
Acrescenta-se a isso, a Ordem Militar n.o 62, do governador estadunidense Wood, conhecida pelos cubanos da época como a “Lei da Espoliação” e o incrível paradoxo de que o presidente norte-americano McKinley tivesse mais poderes num país estrangeiro que no seu próprio, como exemplifica o fato de que podia alterar as tarifas cubanas e não as dos Estados Unidos, por essa ser uma faculdade única do Congresso, trazendo como conseqüência a ruína dos produtores cubanos independentistas e a perda de suas propriedades.
Um jornal de Louisiana noticiava naqueles dias: “Pouco a pouco, a Ilha está passando para as mãos de cidadãos norte-americanos, sendo o caminho mais curto e seguro para conseguir anexá-la aos Estados Unidos”.
COM A EMENDA PLATT, DEIXAMOS POUCA OU NENHUMA INDEPENDÊNCIA A CUBA
As ânsias das grandes potências européias no fim do século 19 de partilhar o território e a necessidade diplomática norte-americana de impedir desavenças em meio de tais contradições, assim como a resistência da maioria do povo cubano à anexação, obrigaram os Estados Unidos a encontrarem uma fórmula, mediante a qual, os cubanos teriam uma república, mas os cubanos eleitos sempre teriam que responder a seus interesses.
Baseado nisso, o secretário da Defesa dos EUA, E. Root, encaminhou uma carta, em 9 de fevereiro de 1901, ao governador Wood, onde explicava as cinco condições em que se baseariam as relações cubano-estadunidenses:
1. Reconhecer o direito dos EUA de intervirem nos assuntos internos de Cuba;
2. Limitar o direito de Cuba de assinar acordos e convênios com as potências estrangeiras ou de lhes conceder todo tipo de privilégio, sem estas chegarem antes a um acordo com os EUA;
3. Limitar o direito de Cuba de obter empréstimos no estrangeiro;
4. Reconhecer o direito dos Estados Unidos de adquirirem terras e instalarem bases navais em Cuba;
5. Reconhecimento e observação por Cuba de todas as leis promulgadas pelas autoridades militares norte-americanas e os direitos derivados de tais leis.
O senador Orville H. Platt, ao apresentar sua emenda no Congresso norte-americano, examinou esses cinco pontos e acrescentou três cláusulas:
6. O governo de Cuba executará, e se necessário, cumprirá os planos previstos e outros que sejam mutuamente convenientes para o saneamento dos povoados da Ilha, com vista a impedir o alastramento de epidemias e doenças infecciosas, protegendo assim os habitantes e o comércio de Cuba, bem como o comércio e os habitantes dos portos do sul dos Estados Unidos;
7. A Ilha de Pinos será omitida das fronteiras de Cuba estabelecidas pela Constituição, deixando a propriedade da mesma para um futuro acordo;
8. O governo de Cuba inserirá as disposições referidas acima num Tratado Permanente com os Estados Unidos.
Foi assim que surgiu a Emenda Platt no Congresso dos Estados Unidos, que os cubanos seriam obrigados a aceitar como um apêndice de sua Constituição republicana.
Uns dias depois de ser aprovada a Emenda Platt, o general Wood escreveu a Teodore Roosevelt, então vice-presidente dos EUA: “É claro que com a Emenda Platt deixamos a Cuba pouca ou nenhuma independência… Agora o mais prático é a anexação. Para isso, precisaremos de tempo… Mantendo Cuba sob nosso controle — que, sem dúvida, se tornará em breve uma possessão — controlaremos logo todo o comércio de açúcar do mundo. Creio que Cuba é uma boa aquisição para os Estados Unidos”.
Wood não só exerceu uma forte pressão sobre os constituintes cubanos para conseguir tais propósitos, mas também fez manobras para limitar a participação do povo cubano nas eleições parciais de junho de 1900, cujos requisitos, impostos pelos interventores norte-americanos, só permitiram que 7% da população votasse. De 1.572.797 habitantes, só foram registados 150.648 habitantes diante das limitações que impunha a lei eleitoral promulgada pelo governador Wood, dos quais votaram 110.816. Desta maneira se realizaram as primeiras eleições “democráticas” em Cuba, organizadas pelos Estados Unidos.
A concepção republicana para Cuba foi ressaltada naquele último ano do século 19 pela publicação Review of Reviews: “A nova Cuba será uma nação, mas não um poder soberano. Internamente, possuirá a independência almejada por seu povo e pela qual lutou. Externamente, será uma nação dependente e ficará sob a proteção do grande poder norte-americano”.
O primeiro governo republicano cubano garantiu isso. Dos ministros ou secretários de governo que faziam parte com Tomás Estada Palma da pseudo-república cubana, nove pertenceram ao desaparecido Partido Autonomista, cujas principais figuras serviram à metrópole espanhola durante o governo espanhol colonial em Cuba, seis eram membros de famílias proeminentes da oligarquia cubana dona das usinas de açúcar, e mais seis — inclusive figuras que participaram de uma forma ou outra da revolução em 1895 — ocuparam altos cargos durante o governo da ocupação norte-americano.
O desprezo que os governantes dos Estados Unidos sentiam pelos cubanos foi descrito por Gonzalo de Quesada, que foi, nos primórdios do século 20, embaixador de Cuba nos EUA: “Hoje apregoam (nos Estados Unidos) nossa incapacidade para nos sustentar sem a ajuda externa. Põem a descoberto nossos erros e nossos homens são alvo de caçoadas… As centenas de milhões de pesos investidos em Cuba são, para eles, mais prezados que nosso futuro intelectual e moral. O ouro exige estabilidade, tranqüilidade, prosperidade… e paz, embora seja a dos sepulcros”.
A OPINIÃO DOS PROCÔNSULES
O resto da história é o comportamento dos procônsules com “direitos autoconcedidos”, aos quais, a largos traços, me referirei em vários exemplos:
Charles Magoon, o “governador provisório” de 1906 a 1909, expôs claramente em seu relatório ao governo norte-americano a natureza do pluripartidarismo cubano, ao explicar a seus superiores o seguinte: “Os laços dos Partidos não ligam muito os indivíduos em Cuba. Poucas bases, se existir alguma, incluem pontos essenciais da política nacional ou verdadeiras diferenças de princípios políticos”.
Charles Maggon se inseriu na política interna de Cuba com a primeira intervenção norte-americana, de acordo com as regulamentações da Emenda Platt, mas visando abrir expeditamente todos os caminhos aos empresários ianques. Segundo afirmam os historiadores norte-americanos Scott Nearing e Josep Freeman no livro Dollar Diplomacy (A diplomacia do dólar), escrito em 1925, desde essa primeira intervenção militar norte-americana e até a terceira em 1917, os interesses econômicos estadunidenses cresceram na Ilha. Os US$ 50 milhões investidos em 1898 aumentaram para US$ 141 nilhões em 1909 e depois cresceram espectacularmente para US$ 1,25 bilhão em meados da década de 1920.
Da mesma maneira, é bom salientar o poder real do general norte-americano Enoch Crowder, enviado dos EUA, que chegou em 1921 a Havana e manipulou o governo cubano mediante 15 memorandos, tendo mais poderes que o próprio presidente cubano, contra as tentativas que pudessem levar a qualquer gesto de independência.
Na década de 1930, o embaixador Summer Welles, em cartas a seus superiores, reconheceu: “O presidente me pede conselhos todos os dias a respeito de todas as decisões que atingem o governo. Tais decisões abrangem desde os problemas de política doméstica e os referentes à disciplina do Exército, até a designação do pessoal em todas as esferas do governo”.
Mais tarde, chegou como representante pessoal do presidente Roosevelt, o embaixador Jefferson Caffery, que mostrou intromissão tal, que a história cubana denomina a criação de um dos governos republicanos com seu nome.
Os Estados Unidos tinham tanta certeza de que Cuba seria sua colônia, que o jornal The Washington Daily News publicou, em 30 de maio de 1934, um dia depois de ser abolida a Emenda Platt a seguinte frase:
“Cuba continuará sendo economicamente pupilo dos Estados Unidos. Enquanto o capital norte-americano continuar predominando naquela república de indústrias, terras e bancos e enquanto os cubanos dependerem do comércio norte-americano, seu governo e a vida nacional estarão influenciados de diversos modos pelos Estados Unidos.”
Eles tinham tanta certeza disso devido à presença na Ilha de mais de 300 companhias norte-americanas. A “livre empresa” tornou possível que 28 corporações estadunidenses controlassem a quarta parte das terras produtivas da nação cubana, além da posse de 36 usinas de açúcar, companhias ferroviárias, mineiras, telefônicas, elétricas e muitas mais, ao passo que se mantinha a base naval de Guantánamo e os compromissos de reciprocidade militar.
Além disso, a abolição da Emenda Platt foi simplesmente um ato simbólico publicitário.
O diário The Washington Post, em seu editorial de 18 de junho de 1934, afirmou a respeito disso: “Os Estados Unidos renunciaram à responsabilidade de manter a lei e a ordem na Ilha, mas o nosso direito de intervirmos para a proteção das vidas e propriedades dos norte-americanos existe.”
No novo Tratado Permanente sobre as relações bilaterais se constatava que as regras do jogo não seriam modificadas, estando explícito no artigo 2 desse acordo assinado em 1934: “Todos os atos realizados em Cuba pelos Estados Unidos da América durante a ocupação militar da Ilha, até 20 de maio de 1902, data em que se instaurou a República de Cuba, foram ratificados e considerados válidos; e todos os direitos ganhos legalmente em virtude desses atos serão mantidos e protegidos”.
O “status quo” da Emenda Platt estava vigente e prova disso foi a confissão de um dos últimos embaixadores norte-americanos na década de 50, o senhor Earl Smith, que reconhecia anos depois em suas memórias que, desde seu mandato até os primeiros dias da vitória da Revolução, o embaixador dos Estados Unidos era o segundo homem na Ilha, e às vezes desempenhava, inclusive, um papel mais importante do que o do presidente de Cuba.
O governo norte-americano esteve quase a ponto de aplicar em 1958 o “direito de intervenção” da Emenda Platt,diante do avanço das forças rebeldes comandadas por Fidel Castro, que derrotaram o exército do ditador Fulgencio Batista, que subiu ao poder mediante um golpe de Estado em 1952 com o beneplácito norte-americano, apesar de todo o apoio militar dos Estados Unidos. Uma nota do Departamento de Estado anunciou a possibilidade da intervenção no conflito armado, tal como fizeram em 1898. Mas nesta ocasião as coisas seriam bem diferentes…
O NEUTRALISMO DE FIDEL CASTRO É UM DESAFIO
Hoje querem desvirtuar tudo perante o mundo, mas os fatos demonstram com toda eloqüência a realidade histórica desse conflito.
Em janeiro de 1959, o que surgiu verdadeiramente foi simplesmente a decisão de independência nacional almejada ao longo de mais de um século pelos patriotas cubanos.
A Revolução Cubana emergiu vitoriosa em 1º de janeiro de 1959. Fidel Castro e o Exército Rebelde entraram em Havana uma semana depois. Em 15 de janeiro de 1959 — uma semana depois da entrada vitoriosa em Havana — o comandante-em-chefe Fidel Castro foi entrevistado pela publicação U. S. News and World Report, em que declarou, referindo-se à relações cubano-estadunidenses: “Queremos ter boas relações com os Estados Unidos, mas submissão, não”.
Estas palavras de Fidel, por meio das quais anunciava a posição de soberania de Cuba de não permitir intromissão nem desrespeito à autodeterminação, foram interpretadas como uma agressão pelos governantes norte-americanos.
Ainda faltavam meses para que Cuba promulgasse a primeira lei revolucionária, a Lei de Reforma Agrária, em maio desse mesmo ano, e ainda estava muito longe o fato de que as idéias do socialismo enraizassem na consciência nacional dos cubanos, mas desde janeiro de 1959, os políticos norte-americanos estavam aborrecidos com essa exigência de respeito ao direito à autodeterminação.
A revista Time, em seu número de 6 de abril de 1959, destacava a dissensão provocada por essa atitude independente entre os governantes norte-americanos e afirmava num artigo que “o neutralismo de Castro é um desafio aos Estados Unidos”.
O governo cubano nem podia ser neutro frente aos Estados Unidos!
Desde então, começou uma guerra desapiedada que fracassou em todas suas tentativas de subverter a nação cubana e que esgotou, com a Lei Helms-Burton e o novo plano de medidas de George W. Bush, todo seu arsenal de represálias políticas, econômicas e diplomáticas.
E todas essas ações são realizadas por um país gigantesco, que ao nascer em de julho de 1776, levou seu povo a aprovar uma Declaração de Independência, onde, como primeiro princípio irrenunciável, se consagrou o direito natural de cada povo de decidir por si mesmo seu próprio destino.
http://www.granma.cu/portugues/2007/febrero/mier28/9litigio-p.html
Gostava de ver esses meninos do Atlântico a porem a cara do Pinochet ou do GW Bush com o bigodinho do Hitler.
Só o Ché é que foi mauzinho?! Ou foi por ser de esquerda?
Luís e João, ou João Luís, pedia que fizessem links em vez de tornar as caixas ilegíveis. Obrigado.
Daniel, a propósito deste tema, veio hoje no portal do Portugal Diário, uma reportagem com este teor: SOS Racismo denuncia clima de terror em escolas e bairros da margem Sul. «Estão a recrutar jovens nas secundárias. Há miúdos de 14 e 15 anos que andam com t-shirts do Hitler». Dirigente alerta também para «raides» de jipes e carrinhas «na perseguição» de negros, «ciganos e brancos traidores».
Deixo aqui o link: http://www.portugaldiario.iol.pt/noticia.php?id=862568
Temos manifestações de esquizofrenia online, todas elas cheias de sumos e “sustância”.
Não é manifestamente exagerada,é uma imbecilidade e uma ignomíania.
Nunca ficou provado que o Che tivesse dado autorizaçao para execuçoes de elementos afectos ao regime de Fulgencio.O que existem sao acusaçoes,nunca provadas.O Che foi um revolucionário,não comunista(alias rompeu com Fidel aquando da deriva pró-sovietica).Um idealista,talvez demasiado lirico,para levar a revoluçao a toda a parte,como idealizou.Criminosos foram os que o executaram e mutilaram.
CARTA DEL CHE
A mis hijos
Queridos Hildita, Aleidita,
Camilo, Celia y Ernesto:
Si alguna vez tienen que leer esta carta, será porque yo no esté entre ustedes.
Casi no se acordarán de mí y los más chiquitos no recordarán nada.
Su padre ha sido un hombre que actúa como piensa y,
seguro ha sido leal a sus convicciones.
Crezcan como buenos revolucionarios. Estudien mucho para poder dominar la técnica que permite dominar la naturaleza. Acuérdense que la Revolución es lo importante y que cada uno de nosotros, solo, no vale nada.
Sobre todo, sean siempre capaces de sentir en lo más hondo cualquier injusticia cometida contra cualquiera en cualquier parte del mundo.
Es la cualidad más linda de un revolucionario.
Hasta siempre, hijitos, espero verlos todavía. Un beso grandote y un gran abrazo de
Papá
http://www.granma.cu/che/aleida.html
Luís, é assim tão dificil escrever qualquer coisa da sua lavra sem ter de fazer copy/paste em todos os posts?
“Acuérdense que la Revolución es lo importante y que cada uno de nosotros, solo, no vale nada.
Sobre todo, sean siempre capaces de sentir en lo más hondo cualquier injusticia cometida contra cualquiera en cualquier parte del mundo.
Es la cualidad más linda de un revolucionario.”
ó luís, deixe lá, que lhes há-de sobrar sempre a deixa de meterem tudo no mesmo saco por obnibularem a irmandade de Busha a Calígula e São Hitler!
a indignação de certas pessoas em se comparar, por mera hipótese, a capacidade de certos governantes e demais homens de nome da nossa praça social e política, em determinadas circunstâncias, se equivalerem em classe a um Pol Pot ou Nero ou Bush ou Zé do Telhado é um exagero…
para exemplo, o Senhor tal e tal, de entre nós, em dado momento, seria menos que o Zé Staline, o Carlos Chacal, o Hitler ou o Jack Estripador?
quem, na verdade, poderá dizer que um português seria em tais casos menos do que um desses outros?!
só que cada um se feriria, creio, de ver chamado a exemplo o seu guru de irmandade, certo?
pois essa é a ideia do “Portugal Contemporâneo”, como ora aí do “Arrastão”, areia pòs olhos, meus amigos, na forma de simples confusão que baste!…
O problema é que os militantes do PCP, têm talas como os burros, e só ouvem a cassete.
Por isso enchem as caixas de comentários com transcrições.
Não vá sair alguma ideia daquelas cabeças, contraria á cartilha do partido….
Quanto á capinha da Atlantico, o que é que se podia esperar daquelas sumidades….
O Luis recebeu um livro de citações mas ainda sem tradução. Para quê escrever se podemos transcrever? Para quê pensar se podemos repetir?
É exagerada porque, felizmente, o sabujo do Ernesto Guevara foi impedido muito mais cedo que o Adolfo.
Tivessem morto o Adolfo mais cedo e, se calhar, os putos andavam com t-shirts de Adolf Hitler e o a festa do Avante estava cheia delas.
Parece-me que o Daniel Oliveira não quer que as pessoas tenham acesso no seu próprio blog às ideias que contraria com pretextos variáveis (tornar mais legível, ser escrito pelo próprio). Eu acho que não vale a pena estar-se sempre a inventar a roda, que é legítimo dar destaque a citações alheias e particularmente neste caso dar destaque ao homem de quem se fala. Recomendo a todos a leitura deste texto da filha do Che, Aleida: “Mamá, ese hombre está enamorado de mí” aqui: http://www.granma.cu/che/aleida.html
Desconheço pormenores sobre a vida de Che Guevara mas se ele rompeu com Fidel Castro aquando da deriva pró-soviética, porque razão é que o regime cubano continua a ostentar a sua imagem como se de um “homem do aparelho” se tratasse?
ui, pa sabujo o tonibler ganha a todos, ó seu moço de recados que a decrépita albion deu aos invasores do Iraque, esse gang de assassinos!
Quem quiser aprofundar mais sobre o Che recomendo que siga este link:
http://www.granma.cu/che/homeche.html
O Luís lê alguma coisa para além do Gramma e do Avante!?
Se eu até o leio a si…
Quem acusa os meios de comunicação “mainstream” de serem porta-vozes dos interesses económicos instalados e afirma que todas as suas notícias são mentiras costuma informar-se através de outras fontes - o Avante! e o Granma estarão invariavelmente entre essas fontes.
O que acontece é que esses dois jornais não são nenhuns senhores da verdade e serão sempre os porta-vozes de uma ideologia que vai contra a minha liberdade pessoal.
Então está-se a discutir Cuba e que jornais entende que se devia citar? O Conchichina Times?
A brincadeira Atlântica decorreu da notícia que veio na Veja onde se escalpelizam os podres de Che. Como bons macaquinhos, soltaram guinchos de contentamento, e vai daí decidiram pintar uns bigodes no Che. Primeiro, importa dizer que tal acto caricaturista é um branqueamento do próprio Hitler - comparar o Che com qualquer coisa que se assemelhe ao terceiro reich é manifesta pusilanimidade, mesmo que não se concorde com muita coisa que o primeiro tenha feito ou pensado. Segundo, porque o Che aparece com bigodes de Hitler, mas o Pinochet não, na isenta revista Atlântico, ficamos a saber que eles até gostam de ditaduras, mas é só as que protegem os seus interesses.
Em relação ao texto da Veja ver o que diz o observatório da imprensa brasileiro aqui http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=453FDS001
parcialidade por parcialidade é sempre melhor ter duas visões parciais, mas contraditórias, do que apenas uma. No Brasil vieram para a rua queimar a Veja.
Vejo que entre tantos ícones comunistas que mataram milhões de pessoas (Stalin, Pol Pot) o autor da dita capa preferiu ir pela demagogia barata e escolher um ícone comunista sobre o qual se diz tudo de mal mas ninguém prova nada, é no mínimo desonesto e ridículo odiar um homem sem conseguir provar o que se diz sobre ele, odiar apenas porque sim?
E há “gracinha” da Veja respondeu assim o Gilberto Maringoni no texto “Che Guevara e os mimos da família Civita” que pode ler aqui:
http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=26219
Um assasinou não se destingue da quantidade de pessoas que matou. Ché não é melhor nem pior que Hitler. Hitler não é melhor nem pior que Bush. São assasinos.