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«O projecto do PS de fazer desaparecer o divórcio litigioso da lei portuguesa “é um grande erro que o país vai pagar caro no futuro”, criticou o porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), D. Carlos Azevedo, para quem este projecto - ­que será debatido no plenário a 16 de Abril - é mais um sinal claro da postura de afrontamento que o actual Governo assumiu relativamente à Igreja Católica.»

Uma coisa extraordinária: a Igreja acha que fazer desaparecer o divórcio litigioso (que ela própria não permite aos católicos - nem esse, nem qualquer outro) da lei que rege o casamento civil é afrontá-la. A Igreja acha que tem um qualquer direito de propriedade sobre o casamento civil. O casamento de todos: católicos, protestantes, hindus, muçulmanos, agnósticos ou ateus. Para a Igreja, quando o poder político tem sobre qualquer tema uma posição diferente estará a afrontá-la.

A Igreja é contra o divórcio e gostava de dificultá-lo? Que o faça com os seus fiéis. É livre (e deve se-lo) de ter as posições que entender sobre cada assunto e tratar de usar instrumentos religiosos e a lei canónica para pressionar quem, por decisão própria, lhe resolve obedecer. Não é livre de querer que o Estado sirva para controlar os seus católicos e, por arrasto, os que não o são.

Independentemente das diferenças religiosas, cabe às democracias (ocidentais, mas não só) garantir a laicidade do Estado. Quer isto dizer que a religião trata de dizer o que devem ou não devem fazer aos seus fiéis (e eles obedecem se assim o entenderem), mas não decide como se devem comportar os restantes nem usa o Estado como instrumento de pressão das suas regras aos seus fiéis. Não sendo religioso, não dou a nenhuma igreja o direito de utilizar o Estado para me obrigar a ser o que não sou. E um Estado que sabe que não tem esse direito não afronta a Igreja. Limita-se a respeitar os direitos de todos.

Ou provavelmente até afronta. Mas foi com esse afrontamento a todas as Igrejas quem em todos os tempos de julgaram donas do poder secular que conquistámos a nossa liberdade. E será também afrontando todas as igrejas que outos países e culturas a conquistarão. E geralmente são os próprios fiéis que acabam por querer esta separação clara: Estado para um lado, Igreja para outro. A bem do Estado e da Igreja.


54 respostas ao post “Afrontamentos”  

  1. 1 1  Pedro Baltazar

    A Igreja Católiaca Portuguesa continua a querem que as leis do país refiltam os principios religiosos Católicos.

    Uma Igreja que em vez de pedir aos seus fiés devoção, pede fiés ao Estado.

  2. 2 2  mondrian

    A igreja parte do princípio que a esmagadora maioria da população são cordeiros seus. E, se calhar, essa presunção faz sentido: pois não é verdade que quase toda a gente se casa pela igreja?… Mesmo não sendo crentes, acham piada e os pais até fazem questão… Daí que a igreja assim fale…

    Isto não deixa de ser uma afronta à igreja e aos seus princípios. Ainda bem.

  3. 3 3  mondrian

    Porque é que se não há-de dar aos nubentes liberdade contratual, como acontece na maioria dos contratos?

    Os nubentes redigiriam as regras pelas quais pretenderiam que o seu contrato de casamento se regulasse - desde que se não ofendessem os princípios gerais de direito em vigor (não seria válida, obviamente, a cláusula mediante a qual um dos cônjuges pudessem bater no outro…)

    Quem não quisesse ter esse trabalho ou concordasse com as regras vigentes, ser-lhe-ia aplicado supletivamente o regime em vigor!

    E salvaguardava-se, assim, o entendimento de quem quer ver aplicadas as regras em vigor!

    E aí, os católicos já poderiam ser «obrigados» a casarem-se pelo regime que a igreja entendesse!

    É que depois da alteração projectada ficam órfãos aqueles que concordam com as regras do presente contrato de casamento - o que também não está bem…

  4. 4 4  tric

    “A Igreja acha que tem um qualquer direito de propriedade sobre o casamento civil. O casamento de todos: católicos, protestantes, hindus, muçulmanos, agnósticos ou ateus.”

    e dos Judeus, não tem ?

  5. 5 5  pedro oliveira

    Estou, totalmente, de acordo com aquilo que defende.
    Penso até que o estado devia abolir o casamento civil como está consagrado na lei.
    Quem queria casar, casava sob os ritos religiosos se fosse o caso para os outros existiria um contrato que poderia ser rescindido em qualquer altura por qualquer um dos contratantes.
    Acabava-se assim com a estéril discussão do casamento entre homossexuais e com os privilégios legais que os casados têm em relação aos solteiros, dias de férias aquando do casamento e benefícios fiscais.

  6. 6 6  Fado Alexandrino

    O Papa dos comentadores, a jóia da coroa dos fazedores de opinião, um dos homens mais influente de Portugal, esse mesmo o Doutor Miguel Sousa Tavares também é contra este projecto de lei.
    E ninguém o pode acusar de ser cristão ou de beijar a fímbria do manto de nenhum cardeal.

  7. 7 7  Francisco Crispim

    O bispo tem todo o direito de dar a opinião da Igreja sobre este e outros temas que entender.
    Nós temos o direito de lhe conferir muita, pouca ou nenhuma importância.
    Ninguém tem o direito de exigir que o bispo se cale. Como ninguém pode exigir que acatemos ou deixemos de acatar o que ele diz
    Democracia é isto. Ou não, Daniel?

  8. 8 8  Ente Lectual

    «E geralmente são os próprios fiéis que acabam por querer esta separação clara: Estado para um lado, Igreja para outro.»

    os fiéis de quê?

  9. 9 9  Idalina Jorge

    Casei há 36 anos, era muito radical, não levei vestido de noiva. Posso casar-me outra vez com a mesma pessoa e de branco? (temos dois filhos)

  10. 10 10  inocêncio

    Ou,mais exactamente,é a igreja que afronta o Estado!!!

  11. 11 11  rosinha dos limões

    O Governo de Sócrates tem, em minha opinião, dado demasiada cobertura a muitas pretensões e exigências da Igreja Católica, tal como os Governos anteriores!
    A Igreja Católica exerce um poder oculto sobre os políticos, que não tem tido a coragem suficiente para os afrontar!
    Não é verdade que agora com esta medida (e outras como a legislação sobre o aborto) os afronte!!
    A laicidade do Estado Portguês é um estatuto que ainda não conquistámos na sua integridade total, pois em nome de uma maioria católica dos Portugueses se tem fechado so olhos em matérias importantes da vida dos portugueses!
    E acho que, concretamente, nesta do divórcio, a Igreja não tem aqui nenhum “assento” para falar, a não ser a comunhão fiel dos seus seguidores e fiéis católicos!! - Tal como refere o Daniel oliveira, só eles lhes devem “obediência”! Eu ( e muitos outros) não!
    A Igreja Católica (ou outra) não tem que interferir nas políticas do Estado, dirigidas aos direitos individuais dos cidadãos,(como é o casamento civil), independentemente das suas religiões!!

  12. 12 12  Luis Moreira

    É por estas e outras que as pessoas cada vez casam menos pela Igreja! E a maioria juntam-se que é uma forma particularmente bonita de as pessoas viverem o seu amor! Sem contratos!

  13. 13 13  Rosário

    A nosso bem!

  14. 14 14  Carlos

    Um excelente “post” com o qual acho, na minha modesta opinião, se devia encerrar a eventual discussão sobre o tema. Aliás num país que se diz multiétnico outro não é o papel do Estado que não o de garantir a liberdade de ideias religiosas ou outras.
    Nem sempre concordo com DO, mas como sempre é rigoroso nas suas ideias. Parabéns.

  15. 15 15  Loura

    Sou loura, com todas as suas implicações. Cheguei a fazer parte do coro da igreja e acabou-se-me a fé quando vi o padre zé completamente adormecido com o vinho da missa.

    Sou casada, pelo civil e sou casada apenas porque não quiz afrontar a família. Foi uma opção.

    A partir do momento que fui viver com o homem que hoje é meu marido, entendi que ele merecia aminha fidelidade, apoio e carinho, tudo o que se pede nos votos de casamento, por isso, casar ou não casar, para mim ía dar ao mesmo.

    Para quem já frequentou a missa, o ambiente de paróquia, percbe que as intenções são boas: o cumprimento de uma promessa que se faz frente a várias testemunhas na altura do casamento que entendem não deve ser quebrada.

    É aquela coisa da moralidade que uns se acham com mais capacidade de ter e que querem impôr aos outros.

    Moralidade imposta pelas famílias que defendem o direito à vida, mas levam as filhas aos amigos médicos para “retirarem o apêndice” às filhas a quem o diabo tentou.

  16. 16 16  jb45

    um estabelecimento comercial só tem fregueses se servir e aviar bem. é a dinâmica de todos que os frequentadores digam bem da coisa. ora se a coisa está avariada, penso eu, que devemos mudar, pois os elos das correntes já não fazem sentido. aos pregadores alcatrão e penas de galinha. parece que os grãos do tempo e da história da inquisição são placebos e não curam a moléstia dos procuradores do senhor santo cristo.

  17. 17 17  laura

    “CURSOS DE PREPARAÇÃO RÁPIDA PARA O DIVÓRCIO”
    por
    DANIEL OLIVEIRA
    e outros…

    (Inscreva-se já!
    Com o tempo que o casamento dura é melhor reservar agora mesmo a sua vez…)
    __________________________________

    Hehehe, pois, pois.
    Se houvesse necessidade de treinar o contraditório, oferecia-me já para colaborar, mas não é preciso;);)

    Laicidade do Estado, democracia, etc. e tal…
    Você… Daniel ;) vá lá fazer o seu “anti-curso de preparação para o matrimónio” para quem engula essa operação de “confusionismo” mental;)
    - Sabe que ISSO TAMBÉM É um insulto à inteligência?
    Neste caso é um insulto à inteligência dos portugueses em geral, essa técnica de querer constantemente METER AO BARULHO as posições que a Igreja sustenta sobre matérias que são acima de tudo do foro cívico e supra-religioso, para ver se “acena” com os velhos fantasmas!!
    A Igreja tem todo o direito de sustentar as suas teses e de as dar a conhecer, acho eu. AGORA isso não reduz o alcance dos assuntos ao perímetro religioso, como vc. e outros adoram dar a entender, numa espécie de denúncia constante da grande promiscuidade entre Estado e Igreja. Isso é diminuir o cidadão, sabe?
    Mas pronto, foi assim com o aborto-a-pedido, é assim com o divórcio-a-pedido, enfim….
    - Será que só restam mesmo esses argumentos?!
    - E você AINDA NÃO PERCEBEU que entre a sociedade dos Xás e Ayatollahs, com todas as abjecções sociais do tipo das que caricaturava nos posts abaixo(servidão da mulher, etc..) e a sociedade do “livre repúdio” que, juridicamente, PS e BE sustentam, não há a menor das diferenças?!
    Ora pense lá bem!

    (E não é mesmo que já o estou a ver de cabeça tapada e de tapete voador com 500 cc, a visitar a enorme família espalhada pelo universo?)

  18. 18 18  Xico

    Tem toda a razão Daniel. E se a Igreja entende que é um ataque a si vai mal. Mas a Igreja, como outra organização qualquer, tem todo o direito de criticar posições políticas e chamar a atenção para as consequências dessas políticas. As consequências são a completa desvalorização do casamento como contrato civil. Se isso é bom ou mal para a sociedade cabe a todos reflectir e debater. O que não vale é dizer que não. Não se trata de um ataque à instituição do casamento como contrato civil. A mim parece-me que este deixa de fazer qualquer sentido do ponto de vista civil. Haja coragem para dizer isso às pessoas! E haja coragem para dizer quais as reais consequências dessa desvalorização! Não se trata de prejudicar quem queira divorciar-se, trata-se de impedir que vítimas sejam ainda mais vítimas!

  19. 19 19  Levy

    Este é um daqueles assuntos que diz respeito aos civis, pois trata-se do casamento civil.
    A ICAR devia ocupar-se dos casamentos religiosos e nada mais. Quanto muito, devia se quisesse, ocupar-se a reflectir se o padres casam ou não no civil e depois no religioso.

  20. 20 20  antónio

    Como sabe, no casamento Católico tem de haver obrigatoriamente contrato civil com valor jurídico que se presume perpétuo, contrato este que se pode denunciar unilateralmente mediante algumas condições .

    Num casamento religioso Protestante, Hindu ou Muçulmano esse contrato não é obrigatório. Percebe a diferença?

    Mesmo com a lei actual há alguém que se mantenha casado contra vontade?

  21. 21 21  The Studio

    Concordo com o Daniel. A Igreja não devia dizer nada. Liberdade de Expressão sim, mas só para quem tem a mesma opinião que o Daniel.

  22. 22 22  MRC

    Caro Daniel,
    A Igreja Católica tem todo o direito de se pronunciar, à semelhança de qualquer outra confissão religiosa.
    A defesa da família é algo que está consagrado na Constituição. Não é preciso ser se católico para constatar que o Estado Laico prevê na sua constituição a defesa do casamento e da família.
    Se uma pessoa deixou de gostar de outra por que perdeu o “afecto” então não se devia ter casado porque o casamento não é para pessoas que perdem o afecto, é para pessoas que assumem compromissos, fazendo aderir a sua vontade e também os seus afectos a um opção de vida com outra pessoa.
    Quem não gosta disto não tem que alterar o regime do casamento. Só tem é que não se casar.
    Como advogado sei o tempo que demora em tribunal um processo litígioso, mas sei também que uma justiça mais rápida, com procedimentos mais céleres, resolveria o problema.

  23. 23 23  H V&P

    Li duas vezes o texto, sem o conseguir entender: condena que a Igreja Católica tenha posições sobre a sociedade e que as defenda?

  24. 24 24  j. ricardo

    subscrevo o seu posicionamento “ideológico” em relação à igreja. no entanto, representando a igreja uma parte substancial da população portuguesa, está no no seu direito de lutar contra determinada posição (que também é, naturalmente, ideológica, e ainda bem que o é…) do governo, relativamente a assuntos que fazem parte do código genético da própria instituição eclesiástica. já o fizeram contra o aborto e, sem grandes excepções, os padres e bispos e freiras aceitaram a decisão. é com estas batalhas (perdidas) que a igreja se vai modificando…

    um abraço,
    j. ricardo
    http://www.rescivitas.blogspot.com

  25. 25 25  MRC

    P.S.- Estes projectos do BE e do PS fazem-me lembrar a história do tipo que não consegue fazer o salto em altura sem deixar cair o pauzinho.
    Vai daí que melhor solução senão baixar o pauzinho e assim já consegue saltar à vontade.
    É a lógica da mediocridade e dos mesmos que defendem que como incentivar a adopção ou apoiar as mulheres grávidas em dificuldade custa dinheiro às famílias e ao orçamento de Estado há é que promover o aborto.

  26. 26 26  Isabel

    Penso que D. Manuel de Azevado se insurge contra o divórcio em geral e agora mais facilitado, porque para todos os efeitos, estatisticamente, somos um País católico. O baptizados são bastante mais que 50%. Logo a Igreja tem o direito de se pronunciar em relação aos valores culturais que se reflectem na moral.

    Hoje em dia, ninguém obriga ninguém a baptizar-se. Se os pais baptizam os filhos, em coerência, têm que ouvir também o que os baptizados devem pensar em relação às instituições abençoadas pela Igreja, como o casamento.

    Ou será que baptizam os filhos apenas porque a festa é muito bonita, tiram muitas fotografias e arranjam bons “padrinhos”? É preferível então não os baptizarem.
    Mas por muito que custe à esquerda, seja lá por que motivo for, os portugueses continuam a baptizar os filhos.

  27. 27 27  Carlos Esperança

    Gostava de ter sido eu a escrever esre post.

  28. 28 28  Sérgio

    Muito bem. É isso mesmo. Toda a gente diz que a Igreja Católica já assumiu o princípio da separação, mas tenho muitas dúvidas acrescidas pelas declarações da sua hierarquia (mesmo por gente interessante como Carlos Azevedo ou D. Manuel Clemente). Os direitos de verdade devem ser uma tentação sempre ali a manifestar-se…

  29. 29 29  Maria

    Por favor!A apologia da ausência de valores e da inércia moral já cansa!Há de facto uma perseguição cerrada à Igreja com este governo, que se viu há décadas noutros países, mas q já está a retroceder…(Leia-se o discurso de Sarkozy no Vaticano…). Esta pseudo-liberdade mascarada de “laicismo”,vazia, oca, em q cada um sabe de si e olha por si, mas onde se acaba por n saber ou olhar para ninguém é a responsável pela deseducação nas nossas escolas, pelos abortos nos hospitais e todas esses “marcos de progresso” que a esquerda defende.

  30. 30 30  Isabel Coutinho

    A Igreja Católica tem todo o direito de ter a sua opinião. E de emiti-la.
    Ou laicidade é retirar às Igrejas o direito de emitir opiniões?

  31. 31 31  Euroliberal

    Já temos uma queda demográfica preocupante, e este projecto de lei celerada vem agora agravar mais a situação… se uma mulher casada com filhos não pode confiar num minimo de establilidade do casamento, estará disposta a ter filhos, que só a podem empatar em caso de divórcio, mesmo sem culpa sua ? Claro que não !

    A ofensiva niilista contra as instituições-base da sociedade continua. Uma decadência miserável…

  32. 32 32  Daniel Oliveira

    H V&P: condeno a Igreja Católica por achar que quando se aprova uma lei com a qual não concorda e que é para todos os cidadãos (incluindo os não católicos) se está a afrontar a Igreja.
    antónio: a Igreja não reconhece o divórcio e os católicos são livres de acatar ou não as ordens da Igreja. uma coisa é certa: se se divorciam não se voltam a casar pela Igreja. Pelo civil podem, como é evidente. A Igreja manda no casamento religioso, não manda no casamento civil.

  33. 33 33  jpt

    Este post (excelente) diz tudo sobre o assunto. Mas com opiniões como eu ouvi na tv, de pessoas entrevistadas na rua, sobre este tema, não vamos longe. Este país continua tacanhamente conservador. Mas que tal cada um aplicar o conservadorismo à sua própria vida em vez de tentar condicionar a liberdade dos outros?

  34. 34 34  H V&P

    Sou agnóstico, mas não me ofende que a Igreja Católica expresse a sua opinião, quer para dentro, quer para fora!

  35. 35 35  Fado Alexandrino

    Este assunto já foi discutido um milhão de vezes mas como Cristo agora não tem muita disponibilidade para vir dar vista a cegos continuam a não ver coisas muito lineares.

    A Igreja tem todo o direito de dar instruções aos seus fiéis até porque ninguém é obrigado a ser cristão (não confundir com os seguidores do livrinho pois neste caso Daniel Oliveira acha que eles têm o direito de ditar as leis civis) e tem também todo o direito de dizer que uma determinada lei é feita para a afrontar.

    Quem não se sente não é filho de boa gente.

    Agora não estão certamente à espera que a Igreja pegue no fulano que fez esta lei o arraste para a praça pública e o apedreje até à morte.

    Ainda não chegamos ao Irão!

  36. 36 36  Euroliberal

    Está tudo bêbado no Governo ? Esta lei pretende acabar com Portugal ?

    “Baixa fecundidade não permite renovar gerações

    O Índice de Fecundidade tem vindo a diminuir em Portugal nos últimos 50 anos e desde 1982 que o número médio de nascimentos por mulher, em idade fértil, não assegura a renovação das gerações. A nível nacional, os números revelam uma «realidade que compromete o futuro do país», afirmou hoje Maria Filomena Mendes, professora da Universidade de Évora (UE) e membro da comissão organizadora de um congresso, que decorre terça-feira.”

  37. 37 37  Nuno

    Penso eu de que o problema não se prende com as opiniões ou defesa de certos valores que faz a ICAR. Está no seu direito de liberdade de expressão, direito inalienável que é sempre de defender!
    A questão aqui é o conteúdo ridículo desta comunicação, é achar que facilitar o divórcio litigioso se trata de um afrontamento à ICAR. E se fosse qual o probblema? Como DO muito bem afirma foi assim que conquistámos as nossas actuais liberdades, afrontando
    Pelos comportamentos das pessoas, nos mais diversos quadrantes da sociedade, entende-se que não somos um país maioritariamente católico! Afirmamos isso, mas da palavra à acção vai uma gde diferença. Tem um nome essa diferença, chama-se hipocrisia!

  38. 38 38  mondrian

    «…e tem também todo o direito de dizer que uma determinada lei é feita para a afrontar.»

    Concordo que a lei afronta as teses da igreja, mas daí a dizer-se que o «leit motiv» da lei é afrontar a igreja…

  39. 39 39  Nuno

    Não sabia que era preciso casar-se para “fecundar”! Essa ideia de liberal tem muito pouco!

  40. 40 40  Ricardo Alves

    «pois não é verdade que quase toda a gente se casa pela igreja?»

    A percentagem em 2006 era 52% de casamentos católicos, o que anda muito longe de «quase toda a gente». Dada a tendência de anos anteriores, o casamento católico até poderá ter passado a minoritário, pela primeira vez, em 2007.

  41. 41 41  Isabel Coutinho

    É claro que o casamento religioso (católico), como sacramento que é, só diz respeito aos crentes.
    No entanto a Igreja tem todo o direito, e até o dever de alertar para actos que dizem respeito a toda a sociedade, crente ou não crente, e que considera nefastos para essa mesma sociedade. Como, por exemplo a desagregação da família, ou a diminuição dos nascimentos. Para já não falar do repúdio que é o que esta lei pretende institucionalizar. Quando permite que um dos membros do casal “despache” o outro sem o seu acordo, e sem ter de invocar quaisquer razões para tal.
    Isto não é um avanço civilizacional, pelo contrário é um retrocesso.
    Se querem voltar à barbárie, voltem, mas não incitem outros a fazê-lo.
    É contra isto que Igreja se manifesta.
    Pensem nisto, os crentes e não crentes.

  42. 42 42  jpt

    Gostava que os distintíssimos comentadores me explicassem uma coisa, que passo a explanar: Como é que a actual lei promove a natalidade num casal em que um dos elementos se quer divorciar e apenas não o faz imediatamente devido às atuais restrições? Quando muito poderia procriar mais rapidamente com o parceiro seguinte, caso não existissem as atuais restrições ao divórcio…

  43. 43 43  Isabel Coutinho

    jpt,

    Ninguém, está disposto(a) a mandar vir a cegonha se não contar com um mínimo de estabilidade. Se souber que o(a) outro(a), em 20 m pode dizer diz “bye bye, vou-me embora, arranjei outro(a)”.
    Paternidade exige responsabilidade.

  44. 44 44  jpt

    Isabel Coutinho:

    e se o outro arranjar outra (ou vice versa), vale de muito ter que esperar 3 anos para o divórcio… ou melhor, ir a tribunal fazer uma peixeirada monumental. Devem nascer montanhas de crianças durante essa embrulhada…

  45. 45 45  mondrian

    Ricardo Alves,
    Já agora, convinha revelar a fonte relativa a esses dados; até porque, provavelmente, essa mesma fonte pode até já verter dados actuais…
    De qualquer forma, ainda que os casamentos sejam em proporção inferior a 50%, não se pode considerar tal percentagem uma «minoria», já que este termo tem um significado mais preciso! Senão, também poderíamos dizer, por exemplo, que foi uma pequena minoria de cidadãos que descriminalizou o aborto… É que as grandezas aritméticas não podem ter significados diferentes, consoante o fim argumentativo que pretendemos prosseguir…

    Isabel Coutinho,
    «Quando permite que um dos membros do casal “despache” o outro sem o seu acordo, e sem ter de invocar quaisquer razões para tal.»
    Concordo que a solução não é perfeita, mas entre esta e aquela que obriga um casal em ruptura a continuar a conviver só porque um deles persiste em continuar casado… Acha essa solução preferível? Será melhor para os filhos crescerem com uns pais que se não podem ver?…

  46. 46 46  Euroliberal

    Agora só falta legalizar o “casamento” entre larilas e com animais (por que não ?) para sermos uma sociedade mais prá-frentex… e a caminho da extinção… que bom, não é ? Que moderno…

  47. 47 47  mondrian

    Essa teoria segunda a qual os casais «casados» são mais férteis do que os «juntos» é baseada em quê?

    O argumento de quem é contra a alteração legislativa é o de que a espécie pode ficar em perigo?

  48. 48 48  jpt

    Não é que eu tenha esperança que o Euroliberal entenda qualquer argumento racional, mas também não percebo porque é que a legalização do casamento homosexual nos vai levar à extinção. Já estou a imaginar magotes de casais heterosexuais a divorciarem-se para casarem com pessoas do mesmo sexo…

    Porque é que não assumem os vossos preconceitos e não deixam de usar argumentos intelectualmente desonestos?

  49. 49 49  Isabel Coutinho

    Mondrian e jpt,

    Houve um filósofo qualquer que disse: “a Paixão é egoísta, o Amor é altruísta”. Na Paixão procura-se a satisfação própria; no Amor a satisfação do outro. Muitos confundem amor com paixão. Os dois podem coexistir, mas nem sempre, nem por muito tempo.
    Na vida dum casal há sempre momentos de crise. E nessas alturas parece que o amor acabou. Não pensem que isto não acontece a todos. Se houver vontade dos dois, a maioria das crises é ultrapassável. Amor também é compreender e perdoar.
    O amor é uma coisa muito frágil. Tem de se cultivar e alimentar, senão morre. Prescindir do amor para ir atrás duma paixão, é condenar-se à infelicidade.
    Desculpem os que me acharem moralista. Não, isto não é moralismo. É a realidade. É a vida, como dizia o outro.
    Eu sei que há casos impossíveis, mas, insisto: a maior parte dos casos não é.

  50. 50 50  jpt

    Isabel:

    Aceito o seu argumento. Claro que uma relação a dois tem que ser cultivada, claro que por vezes é difícil. Eu nunca fui casado e sei isso muito bem. O que eu contesto é que se consiga influenciar uma relação através duma lei. É utópico e irrealista. Provavelmente a única coisa que esta lei que dificulta o divórcio consegue é dificultar a vida a quem já decidui que aquele casamento já não funciona. Impede-os de avançar, e se calhar iniciar uma outra relação que funcione. A Isabel tem todo o direito de ser moralista, o estado não.

  51. 51 51  Luís

    Diz o Daniel:”Uma coisa extraordinária: a Igreja acha que fazer desaparecer o divórcio litigioso (que ela própria não permite aos católicos - nem esse, nem qualquer outro) da lei que rege o casamento civil é afrontá-la”

    Daniel, você só disse isto por ignorância ou por vontade de confundir os leitores do seu blogue, e qualquer um dos casos é mau.

    É que, ao contrário do que disse o Daniel, O DIVÓRCIO LITIGIOSO É PERMITIDO MESMO NO CASO DOS CASAMENTOS CATÓLICOS. Isto por força da Concordata.

    Na verdade, quem celebre um casamento católico pode divorciar-se litigiosamente (divórcio esse que terá os mesmos efeitos civis que um divórcio de um casamento civil).

    Este projecto do BE, se passasse, teria, portanto, também influência nos casamentos celebrados catolicamente, passando a poder haver DIVÓRCIO A PEDIDO DE UM SÓ DOS CONJUGES TAMBÉM NOS CASAMENTOS CATÓLICOS (naturalmente com efeitos meramente civis, como actalmente).

    Daí que o Senhor Dom Carlos Azevedo tenha todo o direito de pronunciar-se sobre os efeitos civis que esse projecto pode ter nos casamentos católicos.

    Espero que tenha percebido, Daniel. E digo isto sinceramente.

    Trata-se de um erro clamoroso seu.

    Sugiro que corrija o seu post, porque o considero uma vergonha neste aspecto: ou demonstra ignorância ou vontade de enganar (e acredito que seja apenas o primeiro caso).

    Se quiser que eu lhe explique melhor, posso fazê-lo.

    Manter este erro é que me parece muito mal, tendo em conta as pessoas que visitam o seu blogue.

    Cumprimentos

    Luís

  52. 52 52  Luís

    Daniel:
    Quando um leitor do seu blogue disse, a propósito do seu post “chafurdar no medo”:
    «Se é ateu devia abster-se de falar de religião.»

    …O Daniel respondeu, no seu comentário de 28 de Março de 2008, às 15h00: “É que não faltava mesmo mais nada.”

    Ou seja, para o Daniel, o Daniel, mesmo sendo ateu, pode falar de religião (o que eu concordo), mas o Senhor Dom Carlos Azevedo não pode criticar os aspectos legais do regime do casamento (que, como disse em anterior comentário, se vão aplicar com efeitos civis quer aos casamentos civis quer aos casamentos católicos).

    É esta sua noção de liberdade de expressão?

    Luís

  53. 53 53  Daniel Oliveira

    Pode criticarr o que quiser, não pode é dizer que se o Estado está a afrontar a Igreja. São coisas diferentes.

  1. 1 Arrastão: Dois anos

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