«A Mesquita Central de Oxford, muito conspícua, com minarete e cúpula, reclamou agora o direito de fazer apelo à oração, com o ruído que a ortodoxia recomenda. (…) Já em Roma, um grupo de professores não permitiu que o Papa Ratzinger - um académico, um filósofo e um teólogo - fosse à Universidade de Roma, “La Sapienza”, em nome da laicidade da investigação e do que ele pensa (se pensa) sobre a condenação de Galileu. (…) A liberdade invocada para autorizar um muezzin em Oxford é a mesma liberdade invocada para não permitir que o Papa fale na Universidade em Roma.»
Vasco Pulido Valente

Para Vasco Pulido Valente a rua e a Universidade são a mesma coisa. Assim, para haver equilíbrio, ou as universidades deveriam deixar de ter a liberdade para convidar ou não convidar quem entendessem (na verdade, ao contrário do que diz Pulido Valente, Ratzinger foi convidado e perante protestos decidiu, em liberdade, não aceitar o convite) ou o Estado pode decidir que religiões podem e não podem fazer ruido na rua, onde ninguém está presente a convite e onde ninguém pode proibir (felizmente) os sinos (suponho que estes não sejam ortodoxos) de tocar a rebate. Só com comparações absurdas (e alteração dos factos) se pode sugerir o absurdo: que graças ao multiculturalismo a Igreja católica vive quase na clandestinidade em Itália e que o Islão já está a tomar conta do Reino Unido. Não querem ver que até têm mesquitas? E até fazem barulho. Fanáticos!

Os dois exemplos são óptimos exemplos de liberdade: os muçulmanos são livres de, como os cristãos, manifestar a sua religiosidade. Os não-muçulmanos são livres de não gostar, mas não o podem proibir. Perante os protestos, os muçulmanos seriam livres de desistir desta sua vontade. Ou de não desistir. Os católicos (ou não-católicos) são livres de convidar o Papa para falar numa Universidade. Os não-católicos são livres de não gostar, mas não o podem proibir. Perante os protestos, o Papa é livre de recusar o convite. Ou de não o recusar.

Em Alepo, em Damasco e em Istambul ouvi os sinos de igrejas cristãs. Os sirios e os turcos normais não pareciam ficar incomodados nem considerar que aquilo era «ruído que a ortodoxia recomenda».


Sem respostas ao post “Liberdade”  

  1. 1 1  Héliocoptero

    À semelhança do que já se fez no Womenage à Trois, convém realçar que o Papa foi convidado não apenas para ir à universidade em causa ou para dar uma conferência, mas para presidir (e mais tarde participar apenas) à abertura do ano.

    Suponho que Vasco Pulido Valente também ficaria chocado se a Universidade de Oxford convidasse para idêntica honra em idêntica cerimónia um clérigo islâmico de opiniões menos tolerantes.

  2. 2 2  Fourtet

    O problema é que os muçulmanos fazem muito barulho na sua prática religiosa. Infringem claramente a lei do ruído. E como é óbvio ninguém pode estar acima da lei.

  3. 3 3  Daniel Oliveira

    Fourtet, suponho que não vive ao lado de uma Igreja. E não me interprete mal: a mim não me incomoda nada. Apenas quero que note que o seu argumento não tem pés nem cabeça.

  4. 4 4  Fourtet

    “Le muezzin est le membre de la mosquée chargé de lancer l’appel à la prière, au moins cinq fois par jour, souvent depuis le sommet d’un des minarets de ladite mosquée.” Wiki

    Ouvir um tipo berrar umas palvras que ninguém percebe, e logo 5 vezes ao dia, e todos os dias, arrebenta com a paciência de qualquer um. É que isso nada tem a ver com a nossa tradição. Claro que as crianças que cresçam a conviver com isso nada estranharam. Mas a nossa tradição e os nossos valores ficam seriamente comprometidos.

  5. 5 5  Daniel Oliveira

    Não precisa de citar. Já estive em vários países muçulmanos. E vivi anos ao lado da Basílica da Estrela. Gosto das duas coisas: dos sinos e dos muezzin (que cantam, alguns deles maravilhosamente). Gosto de cidades vivas. Prefiro-as aos cemitérios. E nesta matéria (sinos, muezzin, procissões, etc) sou muito pouco laico. Ainda assim, diga-me lá qual é então a regra: pode-se fazer barulho desde que seja numa lingua que se entenda? Pode-se fazer barulho até 3 vezes por dia? Estamos de facto a chegar a um ponto que quaquer argumento serve. Islamofobia? Nãããã!

  6. 6 6  Arquiduquesa de Grayskull

    “Il 15 marzo 1990, ancora cardinale, in un discorso a Parma, Joseph Ratzinger ha rilanciato un’intollerabile affermazione di Feyerabend: “Il processo della Chiesa contro Galileo fu ragionevole e giusto”".

  7. 7 7  Fourtet

    No fundo o Daniel defende um processo de aculturação, isto é, imposições forçadas de valores sociais e culturais que nos são estranhos. Mas Daniel, cuidado. Pode chegar o dia em que o caso de Abdul Rahaman, o afegão convertido ao cristianismo condenado à morte pelas autoridades afegãs, posso também ser possível no Ocidente. E depois o que fazemos?

  8. 8 8  Daniel Oliveira

    “nos” são estranhos? Caro Fourtet, eu sou ateu. Os sinos das igrejas também são estranhos à minha cultura e formação. De resto, a generalização é o primeiro passo para o racismo. E esse mais do que se discutir, combate-se. A cultura dos muçulmanos mais radicais do Afeganistão ou Sudão também é estranha aos muçulmanos bósnios ou turcos (e à esmagadora maioria dos muçulmanos em todo o Mundo). Conhecer o outro é o primeiro passo para não repetir o preconceito. Tente. E já agora procure as coisas que se diziam e escreviam sobre os judeus nos anos 30.

  9. 9 9  Parca

    Que é que uma coisa tem a ver com a outra? Desde que o chamamento do muezzin não se torne intolerável (e quem aguenta com automóveis e obras na cidade, de certeza que aguenta com uma voz humana), não há razão para proibir. Eu lembro-me em S. Francisco (EUA) de ver pregadores religiosos com altifalantes nas ruas e ninguém se importava.

  10. 10 10  Fourtet

    Daniel,

    Tudo o que escrevi foram puras provocações. Estava a testar a sua forma. Já vi está boa e recomenda-se. Já de VPV não se pode dizer o mesmo. E é pena.

  11. 11 11  The Studio

    Este texto do Daniel foi uma excelente oportunidade perdida para ficar calado e não dizer disparates.

    Factos referentes ao Reino Unido:

    - Os postais de Natal foram proibídos para não ofender os muçulmanos funcionários dos correios.

    - As iluminações de Natal desapareceram (pelo menos em muitas cidades) para não ofender os muçulmanos.

    - Os funcionários da BA estão proíbidos de ostentar crucifixos, mas podem ostentar quaisquer símbolos islâmicos.

    - Espaços públicos são recusados a organizações cristãs, mas exactamente os mesmos espaços são cedidos a organizações islâmicas.

    Agora o Daniel vem defender o direito dos Muçulmanos a violar a lei (do ruído)…

    Haja paciência

  12. 12 12  Daniel Oliveira

    The Studio, claro que nunca poderia faltar a este debate. Mande aí links de jornais (de referência) a essas notícias.

    De resto, os sinos não violam a lei do ruído? Haja paciência digo eu. O senhor encontrará sempre num estrangeiro ou em alguém com uma cultura diferente da sua a violação de uma lei qualquer. Tudo como sempre.

  13. 13 13  Fado Alexandrino

    A questão que se coloca é muito clara.
    Se um muçulmano quiser vestir-se da sua maneira peculiar, entoar os seus cantos tradicionais e ajoelhar-se no local de trabalho três vezes por dia virado para Meca, no ocidente isso não pode ser proibido.
    Se eu, como católico, quiser praticar o meu ritual em Meca cortam-me o pescoço.
    É aqui que está a diferença entre a civilização e a barbárie, por muito que isto custe a ver.

  14. 14 14  Xico

    Também eu não entendi muito bem onde VPV queria chegar. Gosto de ouvir os sinos e não desgosto de ouvir os muezzin.
    Mas a atitude de professores e alunos em relação ao papa, faz-me lembrar outros fascismos.
    Convidar um papa para uma universidade não é o mesmo que convidar outro chefe religioso. Não porque seja melhor, mas porque representa a instituição que criou as universidades na Europa. Quando cuspimos nas nossas tradiçoes e cultura, bem podemos dizer adeus à nossa identidade e civilização.
    Há uma intelectualidade que tem medo deste papa. Tem medo que ele desmascare certa propaganda feita com meias verdades e mentiras que ganhou foros de verdade! O processo de Galileu é um deles. Debatam-no com seriedade e vão ver que a Igreja não fez pior do que actualmente fazem muitas universidades modernas, salvaguardando o rigor das penas como é evidente!

  15. 15 15  Daniel Oliveira

    Fado, na maioria dos países muçulmanos há católicos ortodoxos, apostólicos romanos, cristãos maronitas e outros. Há igrejas (tive em várias na Síria, por exemplo). Essa é a comparação que deve ser feita. Se os sinos tocam em Damasco ou em Istambul (e tocam), porque não há de haver chamamento para a oração em Oxford? Apesar de tudo, Oxford não é o Vaticano.

  16. 16 16  Possidónio C.

    Esta questão sendo subjectiva não é de análise tão óbvia como o Daniel quer fazer crer.

    Não acha que deve haver limites à tolerância cultural, quando no seu encontro uma fere outra?
    Isto pode parecer tolo, mas nessa situação tenho para mim que deve vencer a que “joga em casa”!
    Claro está que dentro de limites que, à falta de melhor, serão os do bom-senso (subjectivo mais uma vez, eu sei!).

    Ou achará o Daniel que um bosquímano deve ter o direito de passear-se nu pela baixa de Lisboa?
    Para ele, essa proibição será tão incompreensível como para um muçulmano a proibição dos muezzins.
    Por isso é que existem Leis que são, obviamente, influenciadas pela cultura dominante.
    Graças a Deus!

    E se os sinos violam a Lei, punam-se os santinhos também.

  17. 17 17  Marco Oliveira

    Daniel,
    Há aqui outro aspecto.
    Bento XVI não deixou de ir à Turquia depois das polémicas com o discurso em Ratisbona. Porque será que desistiu de ir a esta universidade?

    Quanto a mim foi uma oportunidade política para aparecer como uma vítima da intolerância e da falta de liberdade de expressão (ele que tinha silenciado vários teólogos como Leonardo Boff ou Hans Kung). E tudo isto graças a um grupo de ateus radicais (e muito ingénuos, também!).

    Grande ironia esta: ateus radicais a dar uma valente ajuda ao sector mais conservador da Igreja Católica! Deus deve estar a rir às gargalhadas!

  18. 18 18  João Vasco

    Fado:

    Se acha que a “civilização” é permitir os cultos alheios, e a “barbárie” é atacar quem pratica rituais que nos são estranhos, como se depreende da sua mensagem, então, como defensor da “civilização” imagino que juntará a sua voz à do Daniel para que não se ataquem rituais alheios como fazem os “bárbaros”.

    Realmente estou de acordo consigo numa coisa: o estrito respeito pela liberdade religiosa é uma conquista civilizacional.

    Mas há uns bárbaros por aí que querem atacar tudo o que é diferente… Seja lá, seja cá.

  19. 19 19  Daniel Oliveira

    «Não acha que deve haver limites à tolerância cultural, quando no seu encontro uma fere outra?»

    Acho. Não sei quem joga em casa (sendo eu ateu, o sinos são mais da minha casa que o chamamento para a oração?). Ainda assim, não vejo como se pode considerar que autorizar o chamamento para a oração ultrapassa esses limites. É apenas intolerância e com a intolerância não deve haver tolerância. Se um país maioitariamente muçulmano com uma minoria cristã proibir as igrejas de tocar os sinos qual será a sua opinião?

  20. 20 20  João Vasco

    Quanto ao ataque à nossa cultura e aos nossos valores, acho que se tem de ter cuidado com o clero islâmico, é verdade. Mas também ao clero católico. E também ao clero evangélico. Enfim… ao clero em geral.

    «Os valores que distinguem a cultura europeia não são valores Cristãos. Pelo contrário. Na Europa ocidental o estado soberano da Cidade do Vaticano é o único que não respeita os princípios da democracia, da igualdade de direitos para ambos os sexos e da liberdade de expressão e crença religiosa. É verdade que a Europa foi assim mas agora já não é. A ditadura, a intolerância religiosa e a discriminação sexual já não são aceites na cultura Europeia.»

    Ver mais em http://ktreta.blogspot.com/

    É preciso estar atento, é preciso manter a separação entre estado e igreja, é preciso não deixar que as crenças religiosas influenciem a lei.
    Se não querermos ficar como o Afeganistão talibã, temos de respeitar a liberdade religiosa, e não ceder às ambições do clero.

  21. 21 21  Dover

    O exemplo dado no qual se critica o Vaticano por n ser uma democracia apenas pode provir de um idiota que n percebe nada de nada.

  22. 22 22  Tiago Antao

    A referência que eu tenho para o que vou dizer a seguir foi uma conversa que tive com holandeses e o facto de ter vivido lá (i.e., não tenho aqui nenhuma referência legal à mão).

    Parece que nos Países Baixos a lei do ruído é válida para todos. O direito ao descanso é mais importante que a liberdade religiosa de tocar uns sinos (cristãos no caso) às 3 da manhã. Como tal, entre as 11 da noite e as 7 da matina não há sinos a tocar. Vivi ano e meio ao lado de uma igreja (com uma grande estátua do S. António) e nunca a ouvi de noite. Presumo que a regra seja igualmente aplicada a mesquitas.

    Se a liberdade religiosa é mais importante que o direito ao descanso porque também não há-de ser a liberdade de nos divertirmos, por exemplo? Não vejo porquê o divertimento deva estar a baixo da religião, para a maioria das pessoas (muitos crentes incluidos) não está - É uma parte maior da vida. Donde se sinos podem tocar, quero puder fazer festas às 5 da manhã em minha casa…

    Por outro lado a necessidade biológica básica de dormir deve estar acima de tudo isto. Convém lembrar que nem todas as pessoas são iguais e muitas não serão como provavelmente o nosso bloguista que deverá dormir facilmente…

  23. 23 23  Fado Alexandrino

    Esta metáfora dos sinos que tocam ou deixam de tocar serve apenas para esconder o essencial.
    Antes de me explicar recordo a polémica que foi a tentativa de imporem o uso daqueles trapos a tapar o rosto nas universidade francesas e recordo também que se pretendemos não ferir as susceptibilidades alheias, alheias porque estranhas, temo que terminemos a admitir a excisão do clítoris que é uma expressão cultural, entre quem o pratica.
    Como já disse por várias vezes não haver limites na cultura ocidental contra usos e praticas que nos são estranhas leva a que quem está do outro lado da corda a estique até ao impossível de aceitar.
    Nem vale a pena falar dos exemplos que estão por todo o lado.
    Onde é que se fará sentir a necessidade de parar é uma questão que me preocupa mas lendo as várias opiniões, maioritárias na esquerda, não deixo de sorrir para dentro e pensar em quantas vezes citam o poema do Reverendo Niemoller.
    Ou julgam que o fascismo não pode ter a cara de uma religião intolerante?

  24. 24 24  Daniel Oliveira

    Não, fado, o debate é o chamamento para a orçação em Oxford, não é os véus em França. E o debate agora, desta vez, é haver gente que acha que os muçulmanos não têm esse direito que é dado aos católicos. E o debate é sobre a liberdade das pessoas contestarem a ida do Papa a uma universidade sem que isso seja transformado na proibição do Papa ir a uma universidade. O debate não é sempre o mesmo mesmo quando é sobre outra coisa.

    Não há religiões intolerantes nem tolerantes. Felizmente, as relegiões são um pouco mais complexas do que isso. Se está familiarizado com os sufis, por exemplo, saberá que são imensamente tolerantes e são muçulmanos. Há religiosos tolerantes e intolerantes. É outra coisa. E a ideia de que há “religiões intolerantes” é ela própria absolutamente intolerante.

  25. 25 25  Daniel Oliveira

    Dover,

    Tente fazer o debate sem insultar. É mais produtivo e interessante e consegue dizer praticamente o mesmo. Obrigado.

  26. 26 26  David Fernandes

    Então em termos de algazarra o tal chamamento dos muezzin (aprendi uma palavra nova) é comparável aos sinos de uma igreja? Oh Daniel, diga-me lá qual é a igreja.

    Mas enfim, acho que o ponto não era bem este.

    Mas também, ao colocar, logo de início, a questão entre rua e universidade (”Para Vasco Pulido Valente a rua e a Universidade são a mesma coisa.”) não admira que o argumentário descambe para alhos e bugalhos.

  27. 27 27  Diogo

    O Asco Prurido Demente ia dar em doido com os sinos de Damasco e Istambul. Nem com meia garrafa de Johnnie Walker…

  28. 28 28  Onlooker

    Daniel, já agora, veja o que este tipo escreve sobre o seu blogue mais abaixo

    O QUE É O POLÍTICAMENTE CORRECTO?

    Muitos de nós fazemos uma ideia do que é o politicamente correcto (PC), pela repetição de informações transmitidas pelos mídia.

    O PC não teve origem recente; remonta a sua utilização como instrumento ideológico, ao tempo da I Guerra Mundial. Quando Karl Marx escreveu o “Manifesto Comunista” (séc. 19), ficou bem claro que ideologia que nascia assentava em duas vertentes básicas: O Marxismo Económico, que defende a ideia de que a História é determinada pela propriedade dos meios de produção, e o Marxismo Cultural, que defende a ideia de que a História é determinada pelo Poder através do qual, grupos sociais (para além das classes sociais) definidos pela raça, sexo, etc., assumem o poder sobre outros grupos. Até à I Guerra Mundial, o Marxismo Cultural não mereceu muita atenção, que se concentrou praticamente toda no Marxismo Económico, que deu origem à revolução bolchevista (URSS).

    O Marxismo Cultural é uma sub-ideologia do Marxismo (a “outra face da moeda” é o marxismo económico), e como todas as ideologias, tende inexoravelmente para a implantação de uma ditadura, isto é, para o totalitarismo.

    À semelhança do Marxismo Económico, o Marxismo Cultural (ou Politicamente Correcto) considera que os trabalhadores e os camponeses são, à partida, “bons”, e que a burguesia e os capitalistas são, a priori, “maus”. Dentro das classes sociais assim definidas, os marxistas culturais entendem que existem grupos sociais “bons” (como as mulheres feministas — porque as mulheres não-feministas são “más”), os negros e os homossexuais – para além dos muçulmanos, dos animistas, dos índios, dos primatas superiores, etc.. Estes “grupos sociais” (que incluem os primatas superiores) são classificados pelos marxistas culturais como sendo “vítimas” e por isso, são considerados como “bons”, independentemente do que os seus membros façam ou deixem de fazer. Um crime de sangue perpetrado por um homossexual é visto como “uma atitude de revolta contra a sociedade opressora”; o mesmo crime perpetrado por um heterossexual de raça branca é classificado como um “acto hediondo de um opressor”. Segundo o Marxismo Cultural, o “macho branco” é o equivalente ideológico da “burguesia” no Marxismo Económico.

    Enquanto que o Marxismo Económico baseia a sua acção no acto de expropriação (retirada de direitos à propriedade), o Marxismo Cultural (ou PC) expropria direitos de cidadania, isto é, retira direitos básicos a uns cidadãos para, alegadamente, dar direitos acrescidos e extraordinários a outros cidadãos, baseados na cor da pele, sexo ou aquilo a que chamam de “orientação sexual”. Nesta linha, está a concessão de quotas de admissão, seja para o parlamento, seja no acesso a universidades ou outro tipo de instituições, independentemente de critérios de competência e de capacidade.

    Enquanto que o método de análise utilizado pelo Marxismo Económico é baseado no Das Kapital de Marx (economia colectivista marxista), o Marxismo Cultural utiliza o desconstrucionismo filosófico e epistemológico explanado por ideólogos marxistas como Jacques Derrida, que seguiu Martin Heidegger, que bebeu muita coisa em Friederich Nietzsche. O Desconstrucionismo, em termos que toda a gente entenda, é um método através do qual se retira o significado de um texto para se colocar a seguir o sentido que se pretende para esse texto. Este método é aplicado não só em textos, mas também na retórica política e ideológica em geral. A desconstrução de um texto (ou de uma realidade histórica) permite que se elimine o seu significado, substituindo-o por aquilo que se pretende. Por exemplo, a análise desconstrucionista da Bíblia pode levar um marxista cultural a inferir que se trata de um livro dedicado à superioridade de uma raça e de um sexo sobre o outro sexo; ou a análise desconstrucionista das obras de Shakespeare, por parte de um marxista cultural, pode concluir que se tratam de obras misóginas que defendem a supressão da mulher; ou a análise politicamente correcta dos Lusíadas de Luís Vaz de Camões, levaria à conclusão de que se trata de uma obra colonialista, supremacista, machista e imperialista. Para o marxista cultural, a análise histórica resume-se tão só à análise da relação de poder entre grupos sociais.

    O Desconstrucionismo é a chave do politicamente correcto (ou marxismo cultural), porque é através dele que surge o relativismo moral como teoria filosófica, que defende a supressão da hierarquia de valores, constituindo-se assim, a antítese da Ética civilizacional europeia.

    Com a revolução marxista russa, as expectativas dos marxistas europeus atingiram um ponto alto. Esperava-se o mesmo tipo de revolução nos restantes países da Europa. À medida que o tempo passava, os teóricos marxistas verificaram que a expansão marxista não estava a ocorrer. Foi então que dois ideólogos marxistas se dedicaram ao estudo do fenómeno da falha da expansão do comunismo marxista: António Gramsci (Itália) e George Lukacs (Hungria).

    Gramsci concluiu que os trabalhadores europeus nunca seriam servidos nos seus interesses de classe se não se libertassem da cultura europeia – e particularmente da religião cristã. Para Gramsci, a razão do falhanço da expansão comunista marxista estava na cultura e na religião. O mesmo conclui Lukacs.

    Em 1923, por iniciativa de um filho de um homem de negócios riquíssimo de nacionalidade alemã (Félix Veil), que disponibilizou rios de dinheiro para o efeito, criou-se um grupo permanente (“think tank”) de estudos marxistas na Universidade de Frankfurt. Foi aqui que se oficializou o nascimento do Politicamente Correcto (Marxismo Cultural), conhecido como “Instituto de Pesquisas Sociais” ou simplesmente, Escola de Frankfurt – um núcleo de marxistas renegados e desalinhados com o marxismo-leninismo.

    Em 1930, passou a dirigir a Escola de Frankfurt um tal Max Horkheimer, outro marxista ideologicamente desalinhado com Moscovo e com o partido comunista alemão. Horkheimer teve a ideia de se aproveitar das ideias de Freud, introduzindo-as na agenda ideológica da Escola de Frankfurt; Horkheimer coloca assim a tradicional estrutura socio-económica marxista em segundo plano, e elege a estrutura cultural como instrumento privilegiado de luta política. E foi aqui que se consolidou o Politicamente Correcto, tal como o conhecemos hoje, com pequenas variações de adaptação aos tempos que se seguiram. Surgiu a Teoria Crítica.

    O que é a Teoria Crítica? As associações financiadas pelo nosso Estado e com o nosso dinheiro, em apoio ao activismo gay, em apoio a organizações feministas camufladas de “protecção à mulher”, e por aí fora – tudo isso faz parte da Teoria Crítica do marxismo cultural, surgida da Escola de Frankfurt do tempo de Max Horkheimer. A Teoria Crítica faz o sincretismo entre Marx e Freud, tenta a síntese entre os dois (“a repressão de uma sociedade capitalista cria uma condição freudiana generalizada de repressão individual”, e coisas do género).

    No fundo, o que faz a Teoria Crítica? Critica. Só. Faz críticas. Critica a cultura europeia; critica a religião; critica o homem; critica tudo. Só não fazem auto-crítica (nem convém). Não se tratam de críticas construtivas; destroem tudo, criticam de forma a demolir tudo e todos.

    Por essa altura, aderiram ao bando de Frankfurt dois senhores: Theodore Adorno e Herbert Marcuse. Este último emigrou para os Estados Unidos com o advento do nazismo.

    Foi Marcuse que introduziu no Politicamente Correcto (ou marxismo cultural) um elemento importante: a sexualidade. Foi Marcuse que criou a frase “Make Love, Not War”. Marcuse defendeu o futuro da Humanidade como sendo uma sociedade da “perversidade polimórfica”, na linha das profecias de Nietzsche.

    Marcuse defendeu também, já nos anos trinta do século passado, que a masculinidade e a feminilidade não eram diferenças sexuais essenciais, mas derivados de diferentes funções e papéis sociais; segundo Marcuse, não existem diferenças sexuais, senão como “diferenças construídas”.

    Marcuse criou a noção de “tolerância repressiva” – tudo o que viesse da Direita tinha que ser intolerado e reprimido pela violência, e tudo o que viesse da Esquerda tinha que ser tolerado e apoiado pelo Estado. Marcuse é o pai do Politicamente Correcto moderno.

    O sucesso de expansão do Marxismo Cultural na opinião pública, em detrimento do Marxismo Económico, deve-se três razões simples: a primeira é que as teorias económicas marxistas são complicadas de entender pelo cidadão comum, enquanto que o tipo de dedução primária do raciocínio PC, aliado à fantasia de um mundo ideal e sem defeitos, é digno de se fazer entender pelo mentecapto mais empedernido. A segunda razão é porque o Politicamente Correcto critica por criticar, pratica a crítica destrutiva até à exaustão – e sabemos que a adesão popular (da juventude, em particular) a este tipo de escrutínio crítico é enorme. A terceira razão é que o antropocentrismo do marxismo económico falhou, como sistema social e económico, em todo o mundo; resta ao Marxismo a guerrilha cultural.

    O que se está a passar hoje na sociedade ocidental, não é muito diferente do que se passou na União Soviética e na China, num passado recente. Assistimos ao policiamento do pensamento, à censura das ideias, rumo a uma sociedade totalitária.

    _________

    A UTOPIA NEGATIVA

    Tentei definir aqui o Politicamente Correcto de uma forma que a maioria entenda, mas a verdade é que o politicamente correcto é muito mais complexo e varia de acordo com os tempos e com a cultura das elites.

    No tempo de Salazar não deixou de existir o politicamente correcto, porque subjacente ao politicamente correcto, existe sempre uma utopia. No caso do Estado Novo, existia a utopia da Portugalidade e do Quinto Império. Tratava-se de uma utopia positiva, consentânea com a “utopia clássica” de Platão, Tomás Moro, Campanella, Fourier, etc., etc.

    O marxismo cultural (ou politicamente correcto actual) trata-se de uma utopia negativa, porque se concentra na crítica dissolvente da nossa sociedade real. A Teoria Crítica da sociedade por parte do politicamente correcto é negativa porque não possui conceitos capazes de superar a distância entre o presente e o futuro, mas “pretende conservar-se fiel àqueles que deram e dão a sua vida pela Grande Recusa” (“O Homem Unidimensional”, de Herbert Marcuse). Quaisquer que sejam as possibilidades reais que a nossa sociedade actual apresenta de um futuro melhor, o marxismo cultural não nos revela quais são, limitando-se a negar totalmente o sistema em que se baseia a nossa sociedade, e na sua totalidade. Exemplos do marxismo cultural são as “picaretas falantes” do Bloco de Esquerda: destrói, destrói, critica e critica, bota-abaixo, mas ficamos sem saber muito bem quais são as alternativas que propõem para a nossa sociedade. Vejam o discurso do Francisco Louçã e reparem se não é verdade.

    Por exemplo, a utopia que preside ao blogue “Arrastão” ( http://www.arrastao.org ) é parte da utopia negativa marxista cultural que procura sistematicamente a dissolução da nossa sociedade, e tem na procura dessa dissolução o seu único objectivo. Quando o Daniel Oliveira (e outros que tais) defende as posições das minorias a ponto de lhes dar privilégios que a maioria não tem, não o faz por piedade ou sede de justiça: fá-lo por pura ideologia socialmente destrutiva, que é seguida de uma forma irracional através de uma cartilha de lobotomia política definida.

    A chamada Utopia Negativa (marxismo cultural ou politicamente correcto actual) nasceu com a Escola de Frankfurt, conforme descrito aqui. Herbert Marcuse, Theodor Adorno e Max Horkheimer ligaram estritamente a investigação filosófica à sociologia e à psicologia e declararam inspirar-se em Hegel, Marx e Freud.

    Com Hegel, os marxistas culturais insistem no carácter absoluto da Razão, isto é, “o que é real é racional, e o que é racional é real” (sic, Hegel) o que implica um determinismo que já está ultrapassado pela actual probabilística científica. Por outro lado, seguindo Hegel, os marxistas culturais refutam o Saber fora do seu carácter finito, ao contrário de Fichte que distinguiu o Saber Finito em constante evolução, do Saber Infinito. Depois, os marxistas culturais dizem que seguem Hegel no carácter dialéctico (ou carácter negativo) da Razão, ignorando contudo a parte mais importante da dialéctica de Hegel, que é a identidade positiva entre a realidade e a racionalidade. Em suma, os marxistas culturais pegam em Hegel, adulteram a sua filosofia, e depois dizem que se baseiam nele.

    A Marx, os marxistas culturais vão buscar a essência da sua filosofia: a crítica à sociedade capitalista, a prognose do fim do capitalismo – que não só não acabou, como se transformou no neoliberalismo actual –, ignorando contudo quer o desenvolvimento da estrutura económica que deveria – segundo Marx – determinar a passagem à sociedade socialista, quer o conceito de Marx de que o homem é essencialmente constituído pelas necessidades e pelas relações de produção e trabalho que as satisfazem (a chamada “Esquerda Caviar”). A diferença ideológica entre o Bloco de Esquerda e o PS de Sócrates, por um lado, e o Partido Comunista está (essencialmente) aqui.

    A Freud, os marxistas culturais foram buscar o conceito de “instinto”, entendido como tendência para o regresso a uma situação anterior, primordial ou originária; o “instinto”, segundo Freud, é o retorno à origem do Homem. Depois, foram buscar o conceito freudiano de “repressão”, sendo que (segundo os marxistas culturais) esta é exercida pela civilização sobre o tal “instinto” primordial e originário – ignorando os marxistas culturais a função positiva que, segundo Freud, essa repressão exerce, através do Superego, quer na formação da civilização quer na formação da personalidade humana normal. Por isso é que o Daniel Oliveira diz que “a normalidade exige intimidade”, porque a “normalidade” da personalidade humana está fora do conteúdo ideológico que retiraram de Freud.
    Em suma, os marxistas culturais pegam em Freud, adulteram as suas conclusões científicas, e depois dizem que se baseiam nele.

    Existem outras vacuidades dos marxistas culturais, como a negação filosófica da relação entre a “razão objectiva” versus “razão subjectiva”. Segundo os marxistas culturais, a tarefa da filosofia não é a de regressar à tradição objectivista do passado, mas antes a total e completa destruição do presente por meio de um “progresso da direcção da utopia que consiste na negação de tudo o que é inútil ao homem e impede o seu livre desenvolvimento” (“Eclipse da Razão”, Max Horkheimer). Paradoxalmente, existe muito de Hayek nesta ideia; vejam esta citação: “precisamos de reformas radicais para libertar o processo de crescimento espontâneo dos obstáculos que a loucura humana erigiu” (Hayek, “Road to Serfdom”). Contudo, e apesar de tudo, a utopia de Hayek é positiva, e não negativa como a dos marxistas culturais, porque pretende utilizar a realidade tal qual existe para chegar à sua utopia, enquanto que os marxistas culturais pretendem destruir a realidade social no seu todo para chegarem à sua utopia.

    Para os marxistas culturais, para além da trilogia “Marx, Freud e Hegel”, só existem duas personalidades históricas que não são crucificadas, e que constituem verdadeiros ídolos: Nietzsche (na sua faceta niilista e anti-ética) e o Marquês de Sade, “porque ao declararem a identidade entre a Razão e o Domínio, as doutrinas impiedosas são mais piedosas do que as dos lacaios da burguesia” (“A Dialéctica do Iluminismo”, Adorno & Horkheimer).

    Para os marxistas culturais, existe uma obcecação doentia na luta total contra o “domínio”: o domínio dos pais sobre os filhos, o domínio do dono sobre o gato, o domínio do gato sobre o rato, etc., e quando um filho mata o pai, não se trata de um crime, mas “de uma revolta contra o domínio estabelecido pela Razão burguesa”. Quando um heterossexual mata um homossexual, trata-se de “um crime hediondo que exprime o domínio da Razão burguesa sobre uma vítima da civilização”; quando um homossexual mata um heterossexual, trata-se da “reacção de uma vítima da História contra o domínio cultural da burguesia”. Se virem bem, a relação entre o Domínio e a Razão está sempre presente em qualquer coisa que o Daniel Oliveira escreva, e se for necessário acabar com a Razão para se acabar com o Domínio, então é perfeitamente legítimo para ele que entremos todos na irracionalidade.

    Outra obcecação doentia dos marxistas culturais é tudo o que se relaciona com a sexualidade. A “repressão do instinto” é pau para toda a colher, tudo o que é “instinto” é valorizado, e a noção aristotélica de “virtude moral” baseada na Razão do “justo-meio” é desprezada sistematicamente pelo marxismo cultural.

    “A auto-sublimação da sexualidade destrói o primado da função genital, transforma todo o corpo em órgão erótico e transforma o trabalho em jogo, divertimento ou espectáculo. Com o advento do puro Eros, ficaria assim destruída a ordem repressiva da sexualidade procriadora” – “Eros e Civilização”, de Herbert Marcuse

    Sendo que “a auto-sublimação da sexualidade destrói o primado da função genital”, legitima-se assim tacitamente a pedofilia através da necessidade da não-sublimação da sexualidade infantil (conforme defendido por Alfred Kinsley, Wilhelm Reich e Michel Foulcault, todos eles marxistas-freudianos), embora os marxistas culturais não assumam abertamente a defesa da pedofilia – para já; lá chegaremos: na Holanda já se iniciou a campanha politicamente correcta marxista-freudiana a favor da legalização da pedofilia.

    Depois, consideram a procriação como expressão de uma sexualidade “repressiva”, legitimando assim a prática sexual homossexual, não-reprodutiva por excelência, como sendo “não-repressiva”, e portanto, superior à heterossexualidade.

    Quando um homossexual se suicida, o marxista cultural vem dizer que “o suicídio resulta de uma manifestação de desespero perante a repressão da moral burguesa e do domínio dos lacaios da burguesia em relação a uma vítima da História”; quando um heterossexual se suicida, o marxista cultural não diz nada porque os suicídios são maioritariamente cometidos por heterossexuais, e porque o heterossexual faz parte da “maioria dos lacaios da burguesia” – salvo se o heterossexual suicida for um negro ou melhor: uma mulher negra.

    Seria fastidioso enumerar aqui toda uma série de contradições ideológicas e filosóficas do marxismo cultural; trata-se de uma retórica risível que defende sistematicamente uma ideia e contradiz essa mesma ideia logo a seguir. Mas a triste realidade é que muita da filosofia inconscientemente absorvida pelos nossos políticos actuais é de origem marxista cultural – Sócrates incluído. Até o ortodoxo Jerónimo de Sousa não escapa.

    http://espectivas.wordpress.com/o-que-e … -correcto/

    _______________

    Fisgado ao “Fórum Antifascista MAP”:
    http://accaoantifascista.pt.vu/

  29. 29 29  Guimarães

    Ora aqui está uma bela confusão entre religiões, praticantes das mesmas, história, cultura e fundamentalismo jurídico.

    Primeiro, há que não confundir as religiões (doutrinas) com os que delas se aproveitam para justificar as suas tendências totalitárias.

    Quem tenha vivido em Macau, pode testemunhar um exemplo paradigmático de boa convivência entre as mais diversas etnias e religiões, com respeito (e por vezes comparticipaçâo) pelos outros.

    Quanto a culturas, não se esqueçam que, gostem ou não, descendemos étnica e culturalmente dos mais diversos povos, onde os árabes não foram os de somenos importância.

    Quanto ao ruído, lembra-me a proibição, há poucos meses, aos bombeiros de Oliveira de Frades de tocarem a sirene de alarme durante a noite, pois infringia a lei do ruído e houve um habitante que se queixou.

  30. 30 30  Dover

    Desculpe, penitencio-me, por vezes aparecem textos demasiado cretinos para serem discutidos serenamente.

  31. 31 31  Tarique

    Posso confirmar o que diz o Tiago Antão. Na Holanda acima de Deus estão as regels.

  32. 32 32  marieta

    “Só com comparações absurdas (e alteração dos factos) se pode sugerir o absurdo”

    tá ‘í o que eu buscava, ao ler o artigo, e de pleno agora entendi…

    thank you, então, Daniel, merci…

  33. 33 33  João Vasco

    Tiago Antao:

    Aqui a grande questão não é se os barulhos devem ser permitidos ou não. Na verdade entendo ambos os lados desse debate.

    Mas parece-me ridículo considerar que os sinos possam ser permitidos e o chamamento para as orações de outras religiões não. Isso é patético. Onde são permitidos os sinos, devem ser permitidos estes chamamentos.

    As religiões devem mesmo ser tratadas todas de igual forma pela lei. E nunca se devem sobrepor à lei. Seja o islamismo, seja o cristianismo, seja a cientologia, seja qualquer seita.

  34. 34 34  João Vasco

    Dover:

    Penitenciou-se e voltou à carga chamando “cretino” ao texto.

    Foi um arrependimento muito sincero, eh!eh!eh!

    De qualquer forma, não adimira que não consiga mesmo escapar aos insultos. Quando não se tem argumentos isso acontece.

  35. 35 35  The Studio

    Daniel,

    Aos exemplos que dei podem-se acrescentar outros de que entretanto me recordei: A aluna que foi suspensa da escola por usar um crucifixo, a alteração curricular por forma a destacar convenientemente a importância do número zero (contribuição do mundo Árabe para a matemática), etç. Se o Daniel não conhece nenhum destes casos é porque vive com umas palas nos olhos e naturalmente que vale a pena discutir com alguém que tem umas palas nos olhos.
    Quanto aos sinos das igrejas, tanto quanto sei não violam nenhuma lei. Assim como as mesquitas podem fazer o que quiserem desde que não violem a lei.

  36. 36 36  Filipe Abrantes

    Excelente post. Este VPV já irrita. Mais estilo que verdades, bah ainda prefiro ler o rui tavares, mantém o estilo mas diz algumas verdades por vezes..

  37. 37 37  João Dias

    Mas quem é esta malta.
    Vão para o Bolhão dizerem às peixeiras que não podem berrar…
    Anda tudo com problemas auditivos? Têm sensibilidade auditiva? Aqui no norte anda tudo aos berros (sim é preconceito, no norte não anda tudo aos berros) e também não percebo nada, querem ver que são muçulmanos?

    É a mesma “ladainha” de sempre, não querem ver outras religiões ganharem o seu espaço no mundo ocidental e então dizem que estão a ser menorizados, espezinhados…etc. Mas o problema de só ter uma estratégia é que ela se torna óbvia, optem por outra mais trabalhada, arranjem uma nova cruzada dos tempos modernos…esta é intelectualmente fraquinha.

    E depois há sempre aquela treta de que “eles” no país deles não nos toleram e por isso são mauzões, mesmo que não se estivessem a referir a uma minoria do mundo muçulmano, acho curioso invocarem a maldade dos outros para, nada mais nada menos, fazer outra maldade que é minorar-lhes a liberdade religiosa.

    Eu não gosto de religião, sou ateu e defendo o livre arbítrio, mas de facto não há razões aceitáveis para minorar a liberdade religiosa, porque a liberdade para a praticar está consagrada no meu respeito pelo livre arbítrio. Agora nem tudo é razoável, e tentar impedir as manifestações religiosas que não as nossas não é democrático, não é sério e isso eu não aceito.

    VPV mente, repare-se que ele diz que Ratzinger foi impedido de ir à universidade, o que é falso e ajuda na consequente vitimização, Ahmadinejad esteve perante semelhante situação na universidade de Columbia (Nova Iorque) e optou por ir à mesma. Obviamente que VPV não ficou incomodado com similar situação, porque os argumentos deste são apenas instrumento para uma agenda, não são sujeitos à lógica da razão e da verdade.
    Supostamente VPV é um intelectual, mas deve pertencer a esta nova casta de intelectuais que resvalam com facilidade para o populismo e que se preciso recorrem à mentira.
    Se estas são as características de um intelectual então eu proponho um colóquio sobre intelectualidade com Alberto João Jardim à cabeça.

  38. 38 38  Vasco

    Vê o emocionante derby Alcochete vs Ota em:

    http://vascocasimiro.blogspot.com/2008/01/alcochete-4-3-ota.html

    e comenta.

    Cumprimentos

  39. 39 39  Fado Alexandrino

    O senhor é uma pessoa inteligente e pretende levar a discussão para o lado contrário aquele em que eu a pretendo situar porque é no plano ideológico que estas questões interessam e não numa ou noutra sineta.
    E antes, deixe-me acrescentar que vivi largos anos em África onde havia muitas culturas e muitas religiões e estou muito habituado a mesquitas e orações gritadas do alto dos minaretes.
    E não me incomodam absolutamente nada.
    Incomoda-me sim que estas legitimas manifestações de fé sejam toleradas, diria mesmo acarinhas, no Ocidente e que se, por exemplo, na Arábia Saudita me apetecer passear com a minha mulher (por acaso não tenho) de mão dada e bermudas vá parar com os costados à cadeia e ela seja convenientemente apedrejada.
    E isto é bárbaro, aos meus olhos.
    E é esta intolerância religiosa do Islão que apela a converter os infiéis pela espada que nos devia fazer pensar um pouco.
    Hoje estão lá, amanhã estarão aqui.
    E eu gosto de viver em liberdade.

  40. 40 40  Daniel Oliveira

    Fado, porque nos continua a comparar com a Arábia Saudita e não com a Síria, a Turquia, o Líbano ou com a maioria dos países muçulmanos onde há minorias religiosas e onde as coisas não se passam como descreve? Para quê manter essa imagem do caricatural do mundo muçulmano, usando países como a Arábia Saudita, EAU, Afeganistão ou Sudão que estão longe de corresponder à normalidade do mundo Muçulmano?

  41. 41 41  Fado Alexandrino

    Porque é um mundo que existe.
    Atacou as Torres Gémeas, efectuou o atentado em Madrid, matou em Londres, cancelou o Dakar, e em tudo isto apenas chacinou inocentes colocando toda a civilização ocidental temerosa e de joelhos.
    Em nome de Allah.
    E, dizem, há só um.

  42. 42 42  Sabekem sabe

    A Arábia Saudita não é um país democrático?Amigo da melhor das melhores democracias do mundo(é verdade,que só concorre quem tem dinheiro,n’é?,mas dinheiro tb é democracia-assim como na Grécia só votava quem tinha carcanhol),portantos,portantos que há uns senhores por aqui q são fascistas no sentido Hitleriano,mussoliano,Bilderberguiano.Enfim,umas bestas disfarçados de retóricos.

  43. 43 43  Bolota

    Liberdade??? Onde???

    http://www.carapau.info/downloads/Oligarquia.pps

    Como diria Zeca Afonso em Vampiros

    Eles comem tudo
    Eles comem tudo
    Eles comem tudo
    E não deixam nada

    Depois, o sistema está falido porque os cantoneiros de limpeza, são uns malandros…

  44. 44 44  José Silva

    Interessante a “manifestação cultural e religiosa” de uma gravação esganiçada do “treze de maio” a desoras numa aldeola do norte; noutras paragens, os sininhos electrónicos vomitados pelos altifalantes desafiando o sossego…
    Já li por aí que houve quem se manifestasse contra tais tradições e fosse insultado pelos crentes - a tal “maioria” da população portuguesa (onde eu, porque batizado em idade em que não tinha direito a voto na matéria, também me enquadro…)

    Isto tudo e mais as mesquitas a chamar para a oração, hum… mais barulho?

    Pá, se isso é cultural e por aí a fora, façam-no lá onde eles são “a maioria”. Não sou eu que a troco do “treze de Maio” vou aceitar o ruído.
    Já basta querer acabar com a chinfrineira local e não o conseguir à conta dessa excepção “tradicional” ao regulamento do ruído.

    Religiem-se à vontade, tenham casas de culto à vontade (paga pelos interessados, claro está), mas deixem os outros em paz!
    Que saudades dessa esquerda não ajoelhada que dizia que “a religião é o ópio do povo”!

  45. 45 45  Daniel Oliveira

    Fado, seguindo essa lógica, a Europa é representada pela ETA.

  46. 46 46  Minhoto

    têm que haver respeito pelas religiões e seu folclore, mas imagine-se uma pacata aldeia verde inglesa, very british, com um minarete a debitar cacofonia….burlesco no minimo.
    note-se que o que se passa aqui em Portugal, antes fossem os sinos, pode ser comparado á cacofonia islamica qd as igrejas da terriola debitam os ” avé, avé….Maria…” verdadeiramente insurportável.
    é tudo uma questão de bom senso coisa que vocês não conseguem ter pois estão cheios de idealogia nas cabecinhas.

  47. 47 47  tric

    Os dois exemplos são óptimos exemplos de liberdade: os muçulmanos são livres de, como os cristãos, manifestar a sua religiosidade. Os não-muçulmanos são livres de não gostar, mas não o podem proibir. Perante os protestos, os muçulmanos seriam livres de desistir desta sua vontade. Ou de não desistir. Os católicos (ou não-católicos) são livres de convidar o Papa para falar numa Universidade. Os não-católicos são livres de não gostar, mas não o podem proibir. Perante os protestos, o Papa é livre de recusar o convite. Ou de não o recusar.”-Daniel

    A Liberdades em conflito!

    -os cristãos são livres de querer viver numa sociadade baseada em valores cristãos, os não-cristãos podem não gostar, mas nao podem proibir!

    -Os Jacobinos são livres de querer viver numa sociadade baseada em valores Jacobinos, os cristãos podem não gostar , mas não podem proibir !

  48. 48 48  Daniel Oliveira

    Defender a laicidade do Estado é defender um Estado que respeita todas as religiões e quem não as tenha. Um Estado neutro do ponto de vista religioso não é equiparável a um Estado religioso. Eu sou ateu e não defendo um Estado que promovo o ateísmo. Apenas defendo um Estado laico que não se envolve em questões religiosas. E a maioria dos religiosos que conheço defendem o mesmo.

  49. 49 49  Fado Alexandrino

    Gostei muito desta troca de ideias mas deixe-me dizer-lhe que embora a ETA seja uma associação criminosa luta por tornar independente aquilo que considera ser o seu Pais.
    Os outros lutam por tornar dependentes os países alheios.

  50. 50 50  tric

    “Um Estado neutro do ponto de vista religioso não é equiparável a um Estado religioso.”

    como é evidente ninguem defende um Estado religioso , como tambem não acredito que você acredite em Estados Neutros… eu acredito mais num Estado de inspiração cristã do que de um de inspiração jacobina

  51. 51 51  Joao da Silva

    Boa Tarde,

    Na esquadra de Luton em Bedfordshire, numa brincadeira que se costuma fazer no Natal, os agentes da policia trocam presentes que eh suposto serem pouco ortodoxos.
    Um agente que trabalhava nesta esquadra ha mais de 10 anos foi obrigado a pedir a demissao por ter oferecido a um colega muculmano uma garrafa de vinho e uma embalagem de bacon.
    Foi considerado um acto racista!
    Pergunto: sera assim que se estimula a boa convivencia entre culturas?
    e se esse muculmano oferecer um preservativo a a um catolico?
    Nao vejo nenhum problema com o que pretende o senhor da mesquita de Oxford.
    Mas aqui em Inglaterra o politicamente correcto esta a tornar-se insuportavel.

  52. 52 52  Miguel Madeira

    “A aluna que foi suspensa da escola por usar um crucifixo”

    Studio, se é o caso que eu estou a pensar, não foi nada disso - na escola em questão era proibido (sabe-se lá por quê) usar jóias, e como o crucifixo foi considerado “jóia”, ela foi suspensa por um dia.

    Quem depois evocou a questão do crucifixo ser um simbolo religiosos foi a própria rapariga, argumentando que a proibição de usar jóias estava a violar a sua liberdade religiosa.

    http://www.telegraph.co.uk/news/main.jhtml?xml=/news/2005/12/06/njewel06.xml&sSheet=/news/2005/12/06/ixhome.html

  53. 53 53  Euroliberal

    As reticências à conferência do Papa, um intelectual e académico de alto nível, na Universidade de Roma foram chocantes. Puro fundamentalismo jaconino e laico, o mais reles de todos. Não há neutralidade. Há imposição de uma visão, a ateia e jacobina, como pensamento único.

  54. 54 54  ose Henriques

    Quando é que a tolerância tão badalada é praticada pelos crentes?
    Em nome de que Deus se chacinam, se queimaram, se torturam outros? Que raio de supremacia moral pode ter quem se arroga o direito de ser superior? Nada disto tem a ver com o post do Daniel, mas sim com os considerandos de quem encontra no seu modo de vida a civilização e nos outros a barbárie. Eu não sei qual seria a religião oficial de uma Europa Nazi ( longe vá o agouro) mas pelo que foi dado a ver, se o Hitler tem sido bem sucedido tambem iria à missa ao Domingo!
    VPV tem quem o idolatre, escrevendo nem bem nem correctamente. Para zurzir tudo lhe serve e não é a primeira vez que mente sem rebuço para ilustrar o que afirma.
    Mas sem amesquinhar e insultar parece que lhe falta a tinta.

  55. 55 55  José Corte-Real

    ose Henriques,
    Sobre Hitler apenas lhe digo duas coisas: era ateu e tinha grande consideração sobre os muçulmanos pois considerava-os facilmente manipuláveis.
    “Em nome de que Deus se chacinam, se queimaram, se torturam outros?” Concerteza que não fala dos cristãos contemporâneos… Ninguém nega a monstruosidade da Inquisição, das cruzadas, etc, mas não se esqueça de contextualizar com a época, onde a justiça de um roubo era encontrada na forca. Porque se descontextualizarmos também nos podemos lembrar da execução da nobreza francesa durante a revolução da Liberdade, Igualdade e Fraternidade…

  56. 56 56  Nicolae

    Continuo a não compreender o porquê de toda a generalização que é feita quando falam dos muçulmanos. Fazê-los passar todos por selvagens terroristas é como dizer que todas as pessoas que frequentam um estadio de futebol são iguais à meia dúzia de aborígenes das claques. Não podemos julgar o todo pela parte que faz mais barulho ou que mais nos incomoda. O que diriam vossas excelências se a partir de agora os manuais escolares fossem alterados para ensinar aos estudantes que a Igreja católica foi a maior organização assassina da história ? Era muito fácil justificar, bastava para cada século generalizar para todos os católicos acontecimentos como as cruzadas, a inquisição, a matança dos cátaros, a guerra dos 30 anos, etc, etc.
    O vosso cérebro é um órgão maravilhoso. Usem-no

  57. 57 57  rouxinol

    A despropósito do tema, e só para não deixar passar a máxima de que uma mentira repetida várias vezes acaba por se tornar verdade…

    “Sobre Hitler apenas lhe digo duas coisas: era ateu”

    Falso. Hitler era católico e morreu católico. No Mein Kampf apesar de se inclinar para o protestantismo (tendo até ganho as eleições nas igrejas protestantes) acabou por inventar o conceito do cristianismo positivo, segundo o qual o Reich seria imparcial em relação às duas confissões cristãs.
    Para confirmar isto basta ler o ponto 24 dos 25 pontos do NSDAP: “The party as such represents the point of view of a positive Christianity without binding itself to any one particular confession.”

    As citações de Hitler também confirmam o seu cristianismo.
    Do Mein Kampf escolho esta citação:“Hence today I believe that I am acting in accordance with the will of the Almighty Creator: by defending myself against the Jew, I am fighting for the work of the Lord.”

    Este discurso no Reichstag em 23 Março de 1933: “O Governo do Reich, que considera o cristianismo a fundação inabalável da moral e do código moral da nação, considera do maior valor as relações amigáveis com a Santa Sé, e está empenhado em as desenvolver…”

    E o juramento dos soldados das SS.

  58. 58 58  João Vasco

    «Sobre Hitler apenas lhe digo duas coisas: era ateu»

    Isso é falso.

    Hitler não era ateu, era crente devoto.

    «Assim, nós assumimos a luta contra o movimento ateísta, e não apenas com algumas declarações teóricas: nós eliminámo-lo»
    Adolf Hitler, discurso em Berlim, 24 de Outubro de 1933.

    «Escolas laicas não podem alguma vez ser toleradas porque escolas dessas não têm instrução religiosa; uma instrução moral sem fundação religiosa é construída no ar; consequentemente toda a formação de carácter deve ser assente na fé»
    Adolf Hitler, discurso de 26 de Abril de 1933.

    «Imbuídos do desejo de garantir para o povo alemão os grandiosos valores religiosos, morais e culturais enraízados nas duas confissões cristãs, nós abolimos as organizações políticas mas fortalecemos as instituições religiosas»
    Adolf Hitler, discurso no Reichstag, Berlim, 30 de Janeiro, 1934.

    Um artigo publicado no jornal Lansing State Journal (Lansing, Michigan) de 23 de Fevereiro de 1933 dá conta das intenções do nazismo em combater o ateísmo, via uma campanha contra o «movimento sem Deus».

    A ideia de que Hitler era ateu é mais uma das mentiras que a Igreja Católica propaga. Muitos estão consciente da falsidade daquilo que propagam, mas como são mentirosos por profissão essa reconstrução da história não os parece incomodar.

  59. 59 59  José Corte-Real

    Faço mea-culpa. Abusei na linguagem ao afirmar o seu ateísmo, mas Hitler não era crente devoto. Apesar de louco e fascínora, Hitler sabia muito da arte de manipulação e serviu-se sempre dos valores cristãos já existentes na Alemanha para chegar e cimentar o poder. Não é por acaso que, num país eminentemente protestante, tentou esse esoterismo que é o cristianismo positivo!
    Assim, enquanto cristão, recuso-me a aceitar que Hitler acreditava e seguia os ensinamentos do mesmo Deus que eu… As suas verdadeiras devoções eram o III Reich e o arianismo…

  60. 60 60  The Studio

    Miguel Madeira:

    Fiz uma pesquisa no google “ban school crucifix” e afinal existem vários casos. A proibição de usar “peças de joalharia” é a forma encontrada de discriminar os cristãos dado que os crucifixos passam a ser considerados “peças de joalharia” e portanto proibidos ao passo que todos os outros símbolos religiosos são permitidos.

  61. 61 61  rouxinol

    “mas Hitler não era crente devoto.”

    Não podes afirmar isso porque não dispões de mais factos do que os restantes leitores. Só entrando dentro da cabeça do adolfo é que se poderia saber se estava a mentir ou não. À falta dessa informação, temos que aceitar que ele se dizia cristão, da mesma maneira que eu acredito que você se diga cristão mesmo sem o conhecer de lado nenhum.

    “Hitler sabia muito da arte de manipulação e serviu-se sempre dos valores cristãos já existentes na Alemanha para chegar e cimentar o poder.”

    Fantasmagórico. Repare que Hitler não inventou nada. Ainda não tinha nascido e já o ambiente anti-semita tinha sido criado por católicos e protestantes. Martinho Lutero já tinha escrito o “Mein Kampf” (Hitler apenas lhe acrescentou o prefácio). Os soldados völkisch na formatura quando Hitler ainda nem era nascido. A tese da responsabilização dos judeus pela morte de Jesus só foi rejeitada pela ICAR bem depois da Segunda Guerra Mundial. Até lá, durante séculos, foi uma licença divina para desencadear progroms contra os judeus. Matar judeus por alturas da Páscoa era uma tradição.
    Hitler é pois um filho do seu tempo, do fanatismo cristão e a sua obra não é mais do que uma amostra do perigo das religiões para a paz e para o bem-estar social.

    “Assim, enquanto cristão, recuso-me a aceitar que Hitler acreditava e seguia os ensinamentos do mesmo Deus que eu”

    Quer fazer o quê? Excomungar todos os Papas até ao século XX por não partilharem das deduções que faz hoje da bíblia, apoiado em complexas hermenêuticas? (golpes de rins dos mais arrojados).
    A bíblia condena à morte os infiéis:

    “Whoever sacrifices to any god, except the Lord alone, shall be doomed.” (Exodus 22:19 NAB)

    Imagine o que não desejaria aos que acusou de deicídio durante séculos…
    Não há segundos significados para os repetidos “shall be put to death” que se encontram na bíblia.
    A bíblia é o que é, e não aquilo que gostaria que ela fosse.
    A verdade é que Hitler foi quem melhor respeitou e seguiu a bíblia. E os restantes?? a bunch of pussies à procura de segundos significados, por falta de coragem para responder instruções bem precisas.

  62. 62 62  António

    Queria deixar bem claro que essa é uma polémica cujo início se situa bem longe e o fim se prevê indefinido. Deixo-vos com esta reflexão:

    «Neste século (XX) em que o homem se obstina em destruir inumeráveis formas vivas, depois de ter destroçado tantas sociedades cuja riqueza e diversidade constituíam, desde tempos imemoriais, o mais brilhante do seu património, jamais, sem dúvida, foi tão necessário dizer, como fizeram os mitos, que um humanismo bem ordenado não começa por si próprio, mas antes coloca o mundo no lugar da vida, a vida no lugar do homem e o respeito pelos outros no lugar do amor próprio»

    Claude Lévi-Strauss.

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