Segundo Simon Kamm, da agência Lusa, a cabo-verdiana de 48 anos vive em Portugal há quase oito, com o marido. Os três filhos, de 14, 18 e 19 anos, foram-se juntando a pouco e pouco à família, que vive numa casa própria no Cacém de Cima, Sintra.
Embora Tomasia queira obter a nacionalidade portuguesa e cumpra os requisitos para pedir a naturalização no quadro da nova Lei da Nacionalidade (vive há mais de seis anos em Portugal), a sua leitura fraca e o facto de praticamente não saber escrever impedem-na de o fazer.
Por Daniel Oliveira 7 Jan 08 em ImigraçãoSem respostas ao post “Compreende-se a exigência neste país de letrados”
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Tomasia é o perfeito exemplo dos que em terra alheia nunca se integram.
Não sabe ler, não sabe escrever e claro que falará se falar um português péssimo.
Não é caso único e os subúrbios estão pejados de Batustões com os seus costumes, línguas, trajes e leis próprias.
Devemos respeitar as diferenças, dizem uns, mas também há o aforismo em Roma sê Romano.
Por acaso até estamos melhor que uma Alemanha uma França ou uma Inglaterra.
Mas, claro, que esta é uma forma proibida de ver o problema.
Por questões de igualdade, deveria ser retirada a nacionalidade aos nacionais que não passassem em exame semelhante.
Lá passavam os portugueses para 75% ou menos, havendo o perigo de os redactores de certas leis serem também excluidos.
A visão do emigrante português:
“No caminho de 50 minutos até Portomar, para mais uma cantata dou boleia a 4 senhoras da Igreja da Cova. No banco de trás discute-se política americana e já todas decidiram que irão à Embaixada votar no Obama para presidente.
Comunidade fustigada pela fome nos anos 60/70, da Cova Gala emigraram para a pesca nos Estados Unidos muitas famílias. Agora muitos anos depois na Cova Gala muitas pessoas têm dupla nacionalidade e fidelidade. A América é a terra de todas as possibilidades. «Antes o mal da América do que o bem de Portugal», comenta-se. Na America ganharam os dólares, criaram-se os filhos, tem-se subsídios, assistência médica, muda-se de emprego quando se pode ganhar mais, conseguiram orientar a vida. «Aqui a fominha era muita, pastora! Não se conseguia criar os filhos! Mas lá na América, lá é um país de Deus.» Sofreram muito ao princípio, saíram daqui com carta de chamada, mas sem saber dizer uma palavra em inglês - na verdade alguns nem sabiam ler ou escrever. Muitos dos portugueses que lá viviam tinham vergonha de o ser e fingiam que não falavam português, então era difícil fazerem-se compreender. «Agora já há tudo em português: há supermercados, restaurantes, hoje nem é precisos falar inglês para viver na América! Ahahahah - dizem divertidas - Os portugueses agora, já não têm vergonha de falar português.» Na América sentiram pela primeira vez que trabalhar não era vergonha, e que embora fizessem os últimos trabalhos da escala social, não deixavam de ser pessoas - «Lá os ’supervisors’ têm coração e tratam-nos como gente, aqui éramos muito mal tratadas nas fábricas e pelas patroas!» E outra acrescenta: «Ai mulher! Nem me quero lembrar da miséria que aqui passei antes de ir para a América!!!» … que teria sido desta gente se tivessem de ter feito o exame de inglês para obter cidadania?
texto encontrado por acaso em http://mulheresestejamcaladas.blogspot.com/
Ser cidadão implica o exercício de direitos e deveres para com o Estado e a sociedade. Se estes têm uma língua oficial, conhecê-la é um instrumento indispensável para o exercício da cidadania. Se uma parte significativa dos portugueses nativos não dão o exemplo, a resposta não pode ser nivelar por baixo e suprimir o critério de conhecimento da língua: pelo contrário, deve-se aumentar a qualidade e o grau de exigência das escolas.
Em vez de criticar as regras de naturalização, o Daniel teria sido muito mais construtivo se perguntasse como é que alguém que vive em Portugal há quase oito anos permanece analfabeta. Onde está o sistema de ensino? Qual a situação laboral da senhora?
Em Portugal já só existem hoje 8% de analfabetos. Só ou ainda?
Ter entrado no 3º milénio, com um tão grande número de cidadãos incapazes de dominar as utensilagens básicas que são a leitura e a escrita, é uma realidade lastimável e uma mancha que marca de opróbrio um país que integra a UE.
Isto para não falar no nível de analfabetismo funcional, a iliteracia, de muitos outros portugueses, que nem sequer aflora os mais elementares instrumentos do conhecimento e que, de acordo com a OCDE, nos coloca na cauda de 41 países no que toca à leitura e compreensão de textos e no penúltimo lugar no ranking da iliteracia na Europa Comunitária.
Seria só o que faltava, recusar a naturalização a alguém que cumpre todos os requesitos de acordo com a lei vigente. A não ser que, simultaneamente, despachassem para o exílio cerca um milhão de portugueses, com a Cartilha de João de Deus numa das mãos e a tabuada na outra, até que aprendessem a ler e a contar, para readquirir a nacionalidade.
Talvez entre eles fossem ex-ministros (da educação) e actuais deputados…
Se fosse jogador de futebol estava o problema resolvido!
O que não é dito aqui, como pode ser visto na íntegra da notícia, é que existem mecanismos alternativos para iletrados, passando por outro tipo de provas. Mas esta senhora diz que não tem tempo para estudar para esses exames. E mesmo que tivesse tempo, “já não tem cabeça”. Pelos vistos, não é o sistema que é assim tão monstruoso!!
Se está tudo no artigo linkado, porque perguntam?
A “situação laboral da senhora” é sair de casa às 5 da matina para regressar às 10 da noite, pois tem dois “tachos” em serviços de limpezas.
Portanto, esse “bendito” sistema de ensino que se pergunta onde está, está aí: algures entre as 10 da noite e as 5 da madrugada, as 7 horas que a analfabeta tem para jantar, ver o marido e os filhos e dormir e… e… claro, ir estudar!!!
É claro que devem dar à Tomásia a nacionalidade portuguesa. Ela dá um contributo válido para o nosso país.
São mesmo as regras de naturalização que são inaceitáveis, são a prova provada que a exacerbação da identidade peca por excluir os demais. Desejo com vigor que a Sr. Tomasia aprenda português, não aceito nunca que depois de esta estar residente em Portugal 8 anos não seja naturalizada porque não domina o português. Sim Hélicoptero, podemos e devemos questionar o sistema de ensino e precaridade laboral desta mulher, e, por isso mesmo, não podemos aceitar a recusa da sua naturalização que é precisamente o que facilita o acesso a essas coisas.
Que gente é esta que defende o português através da exclusão dos demais, o que interessa defender o bom português se nem se sabe distinguir o acessório do essencial. O essencial é mesmo integrar esta mulher.
Estes procedimentos em termos pedagógicos são aquilo que eu gosto de chamar a pedagogia da merda (espero que o DO deixe passar esta), você é o elo mais fraco…vai para os crocodilos. É fantástico, mas vendo de um ponto de vista “darwiniano” nós pomos os mais capazes num berço de ouro a mamar e atiramos os menos capazes para a selva…(já cheira a reality show)
Combatam as dificuldades da Tomasia, não combatam a Tomasia…é bastante diferente.
P.S. Por amor de Zeus, a mulher chama-se SILVA DA COSTA…porra, podia lá ser mais portuguesa.
“A “situação laboral da senhora” é sair de casa às 5 da matina para regressar às 10 da noite, pois tem dois “tachos” em serviços de limpezas.”
Isso sim merece ser questionado e criticado! Até porque, à semelhança deste caso, há muitas outras pessoas - portugueses ou não - que se vêem impossibilitadas de ter aulas do que quer que seja por força da mesma condição laboral. E isto independentemente de ser formação básica ou profissional.
Se é para ir ao essencial, então ataque-se o problema pela raíz e não pelo sintoma. E se o acesso ao ensino é facilitado apenas e só pela naturalização, a questão é exactamente a mesma: questione-se o sistema de ensino para se resolver o mal nas causas e não nas consequências. Combatam as dificuldades da Tomásia, sem dúvida! Mas na origem dos problemas, a bem dela e de muitos outros, cidadãos ou não.
Convenhamos que se ela falar português correctamente e for demonstrado que é efectivamente analfabeta não há nada como o mais elementar bom senso…
Heliocoptero:
Estou de acordo. Mas não é na injustiça do acesso ao ensino e nas condições laborais que existe desacordo, o desacordo reside no seguinte:
é ou não aceitável este processo de selecção? É aceitável sequer fazermos uma selecção? Eu digo claramente que não. E o caro?
Eu pessoalmente não tive de provar grande coisa para ser português, aliás na altura só sabia defecar e pouco mais. Quando nós (autóctones) nos tornamos portugueses éramos um cheque em branco para sociedade, não demos garantias nenhumas de falar bem português ou ser letrados.
Já agora, e um deficiente mental pode ser naturalizado?
Eu acho triste estarmos a discutir isto, porque em bom rigor acho imoral que se faça selecção de indivíduos “naturalizáveis” (sim, agora venham com exemplos de criminosos e tal).
têm toda a razão . não se podem naturalizar analfabetos. para isso já bastam os que cá nascem .só não consigo entender como é que ainda há quem queira ser português .
João,
Eu digo que sim, acho aceitável que se faça uma selecção. Se alguém deseja fazer parte de uma comunidade, ela tem todo o direito de avaliar os candidatos. Quando muito eu discutiria o valor individual de cada critério, mas não a existência destes. Não sou nem nunca fui um adepto de naturalização só porque se quer, não acho nem nunca achei que quem quer ser acolhido deva ignorar a língua, cultura e memória colectiva de quem acolhe. Eu estive um ano num país estrangeiro e não quis fazê-lo sem antes aprender um pouco do idioma e costumes nativos; se fosse passar lá o resto da minha vida e pedisse a nacionalidade sueca ser-me-ia impensável fazê-lo sem antes dominar minimamente o sueco.
Nem todos têm as mesmas possibilidades de acesso ao ensino ou à cultura? Nesse caso o problema está nos sistemas de educação e não neste critério particular de naturalização. O país pode não ser de letrados, mas não irá certamente sê-lo se descurar a educação de quem nele nasce e de quem nele é acolhido.
Quanto ao facto de não teres tido que provar nada para seres português, temos obviamente diferentes concepções de nacionalidade: eu acho que ela tanto pode ser herdada como adquirida (ou trocada) por vontade própria e que a aquisição deve estar sujeita a critérios de quem recebe. Tu pareces achar que só pelo facto de se impôr critérios na aquisição não faz sentido herdar-se nacionalidade. Teremos que concordar em discordar.