Vale a pena ler este post do Devaneios Desintéricos sobre a criação de uma plataforma europeia anti-islâmica composta por partidos de extrema-direita europeus para perceber duas coisas: que os seus argumentos contra os muçulmanos são muito semelhantes aos que vamos ouvindo de alguma direita que se diz democrática e que o ódio aos muçulmanos não é diferente do ódio aos judeus e tem os mesmos protagonistas. Começa é a estar mais na moda. Por isso, alguns dos que vão alertando até à náusea contra a o perigo islâmico na Europa e bramindo pela defesa dos valores ocidentais, quase nos mesmos termos que faz esta rapaziada que se juntará em Bruxelas no dia 11 de Setembro, deviam pensar em que lado querem estar da história.
Por Daniel Oliveira 31 Ago 07 em Islão


Daniel,
Durante estas férias tive a oportunidade de ler um livro chamado “diário de um skin” da autoria de um jornalista de investigação espanhol que utiliza o pseudónimo de Antonio Salas. O mesmo conseguiu ser um infiltrado no movimento dos skinheads neo-nazis, mantendo durante mais de um ano contactos com diversas organizações extremistas de toda a Europa, América do sul e América do Norte.
Nesse mesmo livro Antonio Salas aborda um assunto que até ao momento era completamente desconhecido pela maioria dos interessados no tema: muitos neonazis têm vindo gradualmente a converterem-se ao islamismo. Em grande parte este movimento, que parte da “elite” dirigente e não das bases, nasce do ódio partilhado pelos nazis e pelos mulçulmanos em relação aos judeus.
Este estranho fenómeno começa a ganhar alguma expressão na extrema-direita espanhola e há quem o defenda com recurso a argumentos como facto de vários muçulmanos se tenham alistado para combater pelo III Reiche na II Grande Guerra. Existem teóricos da direita nazi que igualmente defendem Bin Laden, com o argumento de ser o último resistente ao “capitalismo sionista” dos E.U.A. .
É certe que na extrema-direita existem pessoas que profeçam todo o tipo de religiões, que vão do hitlerianismo (culto religioso), passando pelo paganismo e culminando até no satanismo, como o próprio jornalista o relata exemplarmente.
Espero que tenha ajudado a esclarecer alguma coisa Daniel. Prometo em breve fazer um texto no meu blog sobre o livro.
Um abraço
João, onde a extrema-direita é realmente forte não acredito que se encontre disso. Isso será uma idiossincrasia de alguns skins em lugares onde a extrema-direita não tem qualquer ambição real de crescimento, como em Espanha.
A ligação do Nazismo ao Islamismo radical é histórica.
Hitler e Amin al Husayni (mufti de Jerusalém, tio de Arafat, herói Palestiniano) foram fortes aliados.
http://en.wikipedia.org/wiki/Mohammad_Amin_al-Husayni
O Nazismo e o Islamismo radical têm muitos pontos em comum.
Tendência totalitária e supremacista, ódio a judeus e americanos, desprezo pelo individualismo e capitalismo.
JEM, a ligação do catolicismo ao nazismo também é histórica. Adoro quando se fala dessa história e se assobia para o lado em relação à conivência do Vaticano, que, aliás, já se começa a tentar reescrever. E lá se conseguirá. Um dia destes se contar-se-á às crianças que o Holocausto resultou de uma aliança entre o nazismo e as correntes radicais do Islão, tendo os judeus contado apenas com a valorosa solidariedade da Igreja de Roma.
Mas não é disso que estamos a falar, pois não?
Daniel
A Igreja Católica pediu desculpa, em particular João Paulo II, por muitos dos erros da Igreja Católica neste período.
A postura da Igreja Católica é de conciliação com todas as crenças do mundo.
Não sou católico, nem sequer religioso.
Amin Hussei ainda hoje é comemorado como herói, em particular na Palestina.
Não sou católico, nem sequer religioso. Mas consigo ver diferenças nestes comportamentos.
O Daniel também vê alguma diferença?
Ainda sobre a ligação da extrema direita ao islamismo.
Le Pen tem-se direccionado para um eleitorado islâmico mais radical, sabendo que pode ganhar aí votos. Mais uma vez, partilham inimigos comuns: americanos e judeus (e israel).
O que não deixa de ser engraçado, inimigos também comuns com a extrema esquerda (a extrema esquerda substitui judeus por israel).
Mais, a mesma tendência totalitária, anti-individualista e anti-capitalista dos 3 movimentos: islamismo, extrema direita e extrema esquerda.
Afinal, não é por acaso que se diz que o Nazismo, Nacional Socialismo, é uma degenerescência do Socialismo.
http://www.nysun.com/article/27822
«Le Pen tem-se direccionado para um eleitorado islâmico mais radical, sabendo que pode ganhar aí votos.»
Não sei se reparou, talvez lhe tenha passado ao lado, que TODO o discurso de Le Pen se dirige contra a imigração do Magreb. Isto, de facto, hoje diz-se o que se quer e a realidade é apenas um enfeite.
Quanto as desculpas da Igreja, suponho que elas apagam o presente. Podemos tirar isso dos livros de história. Pediu desculpa já não se fala mais disso. Não aconteceu.
Não me espanta nada que não seja católico. Percebe-se bem que as suas motivações são bem mais terrenas e políticas. Não batem é certo com a realidade. Por exemplo, que a notícia referida no post.
“Percebe-se bem que as suas motivações são bem mais terrenas e políticas. Não batem é certo com a realidade. Por exemplo, que a notícia referida no post.”
Começaram ataques ad hominem. Uma maneira baixa de contra-argumentar.
Diga lá, quais são as minhas motivações? E o que é que não bate certo com o post?
Sobre a “corte” que Le Pen fez a grupos mais radicalizados da comunidade islâmica, pode ler aqui:
http://www.telegraph.co.uk/news/main.jhtml?xml=/news/2007/04/02/wfra02.xml
Combater o islamismo radical sem entender muito bem que o fundamentalismo islâmico, o fundamentalismo cristão e o fundamentalismo judaico são metástases do mesmo cancro leva, de facto, a que se caia no discurso da extrema-direita.
Ligar a esquerda à extrema-direita, mesmo que isso desafie a lógica e os factos.
De resto, como é que vai fazer para sustentar a sua tese. Apagar da sua história os ataques de Le Pen à comunidades islâmica francesa? Não havia blogue suficiente para os links. Talvez ele peça desculpa e a malta esquece.
1. Não liguei a “Esquerda” à extrema direita. Disse, e repito, que a “EXTREMA Esquerda”, “Extrema Direita” e “Islamismo Radical” têm inimigos comuns: Americanos, Judeus/Israel, Capitalismo.
E nota-se que, efectivamente, os Islâmicos radicais aliam-se com sucesso quer com a extrema direita, quer com a extrema esquerda.
Se se recordar,na última guerra Israel-Hezzbollah, neo-nazis e extrema-esquerda se encontraram na embaixada de Israel a fazer manifestações anti-israel (e pró-hezzbollah).
2. Enviei-lhe alguns links mostrando como Le Pen, nas últimas eleições, tentou namorar, com relativo sucesso, franjas mais radicais da comunidade islâmica, baseando boa parte do seu discurso neste inimigos comuns.
3. Quando os movimentos políticos deixam de ser críticos, e actuam para combater movimentos contrários, muitas vezes, na lógica “inimigo do meu inimigo, meu amigo é”, acabam “na cama” com quem menos desejariam.
A “aliança informal” que a extrema esquerda tem feito com grupos islâmicos radicais, como hezzbollah ou hamas, é bem disso um exemplo.
Há de facto casos de simpatia entre a extrema direita e o islão radical, basta ver o caso do Irão, que é um regime que quase se poderá reclamar de extrema direita e cujo presidente inspira muita simpatia a inumeras figuras dessa mesma extrema direita.
O que não se pode, mas infelizmente é o que sucede, é confundir islamismo com islamismo radical ou fundamentalismo relogioso, e acho que o próprio Daniel está a cair nessa armadilha.
A cultura e as leituras de quem fala sobre estas coisas deixam-me, amiúde,hipnotisado.
Não há uma palavra para os valores ocidentais!Aqueles que são caros a todos nós!Dá ideia que há um profundo ódio á nossa vida e á nossa maneira de viver,por nós mesmos!
Os mesmos que gozam uma vida como nunca,civilização alguma gozou!
E, não é, especialmente por razões económicas.Por razões de liberdade e cidadania!
E isto assusta-me!Vamos primeiro defender o que temos, para sermos suficientemnte fortes para compreender os outros?
Os comentários que aqui li são absurdos: é certo que há algumas semelhanças entre a extrema-direita e o islão radical. Mas então esse seria um bom motivo para tratar os extremistas de direita como terroristas e assim condená-los a prisão perpétua? Não me parece.
Quer uns, quer outros são CRIMINOSOS TERRORISTAS quando transgridem a legalidade e praticam actos TERRORISTAS (não confundir com actos de RESISTÊNCIA), e a um terrorista não se perguntam nem se olha a religião, porque não a tem. Querer misturar indíviduos que proclamam uma religião a essa mesma religião pode ter efeitos perneciosos, como por exemplo confundir a Inquisição e tudo o que de negro a Igreja católica cometeu (e não foi pouco) com a religião católica, o que penso que não será a intenção de todos os aqui escrevem.
Só uma curiosidade: durante vários anos, os judeus encontraram refúgio em países árabes e muçulmanos quando eram perseguidos na Europa!
Posso não saber muito bem o que é esquerda e direita (ou melhor, até sei: a direita quer que haja muitos para servir os poucos, a esquerda não quer que ninguém sirva ninguém; ser de direita é falar de «recursos humanos», ser de esquerda é abominar esta expressão) - mas sei muito bem o que é o monoteísmo e até que ponto a sua lógica de base é fundamentalista. Para o monoteísta, se só um deus é deus, então todos os outros deuses são falsos deuses. Segue-se daqui que os seguidores de outras religiões, para não mencionar os agnósticos e os ateus, são todos infiéis.
Trata-se dum raciocínio muito simples e muito óbvio. Nos monoteísmos quem precisa de ginásticas intelectuais complicadas são os moderados, não os fundamentalistas
O simplismo fundamentalista e o primarismo que lhe está associado podem ser observados também nas opções políticas - e isto tanto à direita como à esquerda. Não será aqui que está o nosso pior inimigo?
Muito se fala sobre movimentos extremistas de direita e de radicais islâmicos, mas e sobre judeus racistas, sobre o Sionismo será que ninguém comenta ?
Será que ninguém vê as atrocidades cometidas contra o povo palestino ?
A direita quer que haja muitos para servir os poucos,muito imparcial essa definição, parabéns pelo brilhantismo José Luiz…