
Vamos por partes porque a confusão parece ser grande. Na cabeça de Paulo Pinto Mascarenhas o meu preconceito levaria a perdoar estes 12 quilómetros de muro que teriam sido erguidos por árabes. Dois erros: um de percepção, outro de facto.
O de percepção: são incontáveis as vezes que critiquei o vergonhoso comportamento dos países árabes para com a questão palestiniana. A começar pelo Egipto, Jordânia, Líbano e Arábia Saudita. O sofrimento palestiniano é excelente para os tirantetes árabes usarem quando têm conflitos com Israel. É excelente para procurar apoio popular, já que se trata de uma causa que junta, entre o povo árabe, moderados e radicais, pró-ocidentais e islamistas, laicos e religiosos. A Palestina está para os árabes como Timor esteve para os portugueses. Mas à primeira oportunidade, a causa palestiniana é esquecida. Nos últimos anos, Egipto e Jordânia têm sido, na maior parte das vezes, cúmplices da ocupação israelita.
O erro de percepção de Paulo Pinto Mascarenhas é natural: para ele, como para muitos dos que genuinamente acreditam que vivemos um choque de civilizações, há os muçulmanos e nós (e nós, inclui Israel). Na melhor das hipóteses, há ainda os muçulmanos moderados (que apoiam o Ocidente) e os radicais. O erro de avaliação é evidente: nem os “nossos” aliados muçulmanos são moderados (Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Iémen), nem os muçulmanos são uma entidade política. Não tenho nenhuma simpatia política pelos muçulmanos, assim como não tenho nenhuma simpatia política por judeus ou cristãos. Apenas porque isso não faz qualquer sentido. Tenho apenas uma reacção que me parece saudável e avisada contra a islamofobia, uma nova forma de anti-semitismo (no que aos árabes diz respeito), que parece encontrar na nossa intelectualidade de direita pasto fértil, assim como o anti-semitismo contra os judeus encontrou no passado.
Mas a minha posição sobre o conflito israelo-palestiniano é uma outra coisa. É uma posição sobre um conflito concreto, um território ilegalmente ocupado, a expulsão sistemática de um povo (que inclui muçulmanos, cristãos, agnósticos e ateus) das suas terras, o roubo da sua água, a demolição das suas casas, a destruição da sua economia e, cereja no bolo, a construção de um muro que só alguém muito baralhado em relação ao que deve ser o comportamento de um Estado e o respeito pelos direitos humanos pode tolerar.
O erro de facto, que torna toda a conversa que fiz até agora irrelevante: os 12 quilómetros de muro que dividem Gaza do Egipto não resultam de uma iniciativa do Egipto e não foram construídos pelo Egipto. Não é, ao contrário do que diz o Paulo baseado não faço ideia em quê, «um muro edificado por árabes». Mais: nem sequer está na fronteira entre o Egipto e Gaza, mas dentro do território palestiniano (cerca de 300 metros antes). E para criar um espaço deserto entre o muro e a fronteira com o Egipto, a que deu o nome de código “Corredor de Filadélfia”, Israel demoliu milhares de casas palestinianas, desalojando, com a ligeireza do costume e silêncio internacional do costume, milhares de famílias. Segundo um acordo (julgo que na altura da retirada israelita da Gaza, e que, na realidade, nunca chegou a ser assinado pelos israelitas), a Autoridade Palestiniana trataria da fronteira palestiniana, o Egipto da fronteira egípcia e uma unidade europeia trataria do espaço entre as duas, sendo esse espaço igualmente controlado por câmaras de vigilância israelitas, que assim poderiam monitorizar todos os movimentos entre fronteiras.
Ou seja, o muro foi construído por Israel dentro de território palestiniano e existe por sua exclusiva exigência. Claro que a cumplicidade egípcia e os ruinosos acordos que foram sendo assinados e que Israel raramente cumpriu ajudaram. Devo recordar que todas as entradas e saídas de Gaza (por terra, mar ou ar) são decididas por Israel. Todas!
Não deixaria de sorrir, não fosse o caso trágico e o desequilíbrio nas condenações aviltante, quando se usa como argumento para defender o comportamento israelita os patéticos rockets palestinianos. Não fosse por outra razão, bastaria comparar o número de vítimas e de estragos materiais dos dois lados, a força militar dos dois lados e o dia-a-dia nos dois lados para ter algum pudor. O ataque aos palestinianos (à sua liberdade de movimentação, à sua economia e às suas vidas) é quotidiano, planeado ao pormenor e de um sadismo assinalavel. Condenar os rockets é uma coisa. Justificar os bombardeamentos, o cerco de fome quase permanente e a punição colectiva por causa deles é uma brincadeira de mau gosto.
Quanto ao muro, justificado por razões de segurança, tem uma outra função, que na Cisjordânia se torna especialmente evidente: boicotar a viabilidade económica, territorial, social e política de um futuro Estado da Palestina. E desenhar fronteiras futuras, remetendo os palestinianos para bantustões dependentes, em cada minuto, dos raros momentos de boa-vontade de Israel.
Fica assim esclarecido Paulo Pinto Mascarenhas: não há para mim bons e maus muros. Só que neste caso, o muro é o mesmo, o dono da obra foi o mesmo e os propósitos foram os mesmos. Que ele não o saiba, não me espanta. Sobre a avaliação que muita gente faz do que se passa entre Israel e a Palestina, pesam muito mais motivações ideológicas e preconceitos étnicos e religiosos do que a dura e trágica realidade dos factos.
Por Daniel Oliveira 28 Jan 08 em Israel, Palestina


Ui que granda dislate …
Sim, tens razão, o muro não foi edificado pelos árabes. Mas, como também dizes, foi edificado com a cumplicidade do Egipto. E é disso que eu não ouço falar: o facto de os palestinianos não serem as vítimas de Israel, mas do mundo árabe, desde sempre. Mundo árabe esse que só se lembra dos palestinianos para atacar Israel. Outro facto: apesar do conflito é em grande medida no território israelita que os palestinianos conseguiram alguma integração. Não foi no Egipto, na Jordânia, ou noutro qualquer país árabe vizinho que conseguiram essa integração. Bem pelo contrário, sempre foram hostilizados ou perseguidos.
Não Paulo, não foi edificado com a cumplicidade do Egipto, já que tal aconteceu em território que não era egípcio. A cumplicidade do Egipto é em deixar que Israel controle uma fronteira que já não é sua. E do comportamento dos ditadores árabes aliados dos EUA que usam a Palestina como moeda de troca. Não me parece que queiras falar demasiado deste tema.
Quanto à integração dos palestinianos na sociedade israelita, aconselho-te a falar com eles. Cidadãos de terceira, para dizer o mínimo. Felizmente, há em Israel, israelitas judeus que lutam com muita coragem pelos direitos dos palestinianos de nacionalidade israelita. Mas esses não subscrevem quase nada do que os auto-proclamados amigos de Israel por cá escrevem sobre o tema.
O que se passa em Gaza é algo que nos deveria envergonhar a todos. O seu post é, pelo que tenho lido e me é dado saber, perfeitamente objectivo. Felicito-o, por isso, pois chega a ser desesperante ver a frieza com que a desgraça dos palestinianos é tratada, quer pelos governos ocidentais, quer pelos governos árabes, quer pela opinião publicada.
Finalmente,concordo consigo em todas as linhas.Já não me lembrava da feitura do muro ainda não à muito longe.Mas,recordo-me agora e de ter visto imagens de satélite sobre a proeza do regime do apartheid.Convém recordar tb que a CE é também cúmplice desta tentativa de genocídio,mas que os ‘nossos’ politicos engravatados teem um discuso dúplice.Parabéns
Onde op PPM fala em árabes deveria falar em governos de ditadores traidores e colaboracionistas que nada têm a ver com os “árabes”. Estes, a rua “árabe”, estão 100% com os palestinianos e aguardam ansiosamente o dia em que os criminosos sionistas dançarão na ponta da corda… Por outro lado, é verdade que não há integração NENHUMA dos refugiados palestinianos nos países árabes limitrofes, porque isso seria fazer o jogo do ocupante israelita. Um palestiniano exilado não se quer integrar nem mudar de nacionalidade. A sua Pátria é só uma, a Palestina que urge limpar da peste nazi-sionista… Todos eles voltarão para recuperar casas, haveres e Pátria… ninguém duvide disso.
Concordo inteiramente com FCC. O Daniel Oliveira está a ser perfeitamente objectivo. Acrescento: aos palestinianos só é deixado um caminho, que é do fuga da sua terra.
Apesar do tema ser de grande controvérsia, penso que o Daniel tocou no cerne da questão; aquilo que realmente deve importar - o sofrimento das pessoas.
de ter visto imagens de satélite sobre a proeza do regime do apartheid
Quem escreveu isto não sabe o que foi o apartheid
Particularmente não estou preocupado com muros. Havia um muito famoso que era explicado ainda não há muito tempo pelo PCP como necessário.
Há no entanto um facto que gostava de trazer para a discussão.
Os atentados bombistas em Israel são efectuados por civis sobre civis.
Os ataques israelitas sobre os seus nervosos vizinhos são efectuados por militares sobre alvos militares e ou instalações onde se acolhem as milícias armadas e é claro como elas se refugiam entre a população civil há sempre vítimas colaterais.
Se isto não for verdade, por favor corrijam.
E se for verdade, então o muro tem utilidade.
Subscrevo o comentário do ezer, o que é dizer: óptima análise.
Daniel, reconheci o erro - fruto da pressa dos blogues - e disse que tinhas razão, mas não exageremos. Estive em Israel e falei com palestinianos críticos do governo de Telavive mas muito mais críticos do radicalismo do Hamas. Falei com equipas de jornalistas - por exemplo, repórter israelita e cameramen palestiniano - e todos concordavam que o comportamento do Hamas apenas veio dar razão aos falcões de Israel.
O facto é que não respondes ao ponto essencial, talvez porque o reconheças implicitamente, atribuindo logo as culpas a - quem havia de ser? - Washington: os palestinianos têm sido ao longo da história ostracizados pelos países árabes, antes e depois de qualquer aliança com os EUA.
PPM, com muita facilidade me verás a ser muitíssimo critico em relação ao Hamas e à Fatah. Se tiveres paciência para ler o que escrevi quando cheguei de Gaza verás que sou crítico em relação à desastrosa liderança palestiniana (Hamas e Fatah) e ainda mais em relação aos vizinhos árabes. Na Palestina, sou solidário com o povo palestiniano e com os movimentos pacíficos, e por isso adversários do Hamas, e combativos, e isso opositores de Abbas. Moderados nos métodos, firmes nos propósitos.
Se falei dos aliados dos EUA, é para explicar a posição dos mesmos: não tendo legitimidade democrática, vendem com facilidade as suas posições a quem lhes oferece protecção. Um erro dos EUA, porque ao escolher os mais dóceis escolhem os mais fracos e fazem assim crescer o sentimento anti-americano. E a situação na Palestina tem ajudado muito. Uma dos caminhos para combater o terrorismo é os EUA aceitarem ser um verdadeiro intermediário entre palestinianos e israelitas, em vez de continuarem a ser uma parte, sempre ao lado de Israel. Mas infelizmente não me parece que tal venha a ser possível.
Sempre que se começa a discutir esta questão em termos éticos a coisa fica sem sentido, se o que se pretende é a inteligibilidade. Mal falamos em ética alguém tem que assumir uma posição. Quando faz isto adopta uma lente que o-a impede de compreender o que se passa de facto. Não se trata de exilar a ética para local recôndito.(mas sim de a viabilizar) Trata-se, sobretudo, de reconhecer que existem erros, dramas, e grandes injustiças de ambos os lados. A espiral discursiva da discussão ética leva-nos a um grande nada. Ser-se objectivo é procurar as causas essenciais dos problemas e cultivar a dolorosa capacidade de compreender as cumplicidades macabras que existem entre inimigos. O muro não é uma causa. O desespero dos Palestinianos, que poderia ser facilmente aliviado, também não o é. Nem as injustiças da ocupação. etc
O que tem acontecido com este tema, como muitos outros temas controversos, é a reiteração monótona e obsessiva do mesmo. Até parece que aqueles que vem para aqui concordar e discordar (e eu já fui e sou um destes muitos) optaram por participar num elaborado concerto.
Eu, pessoalmente, já me fartei desta lenga lenga. Começo a acreditar que é perniciosa porque divide aqueles que, não estando sujeitos ao conflito, deixam-se dividir por ele. Assumir uma posição (e eu já o fiz inúmeras vezes) Esta imparcialidade, sempre precária, é essencial, a meu ver. Mas prefiro ir dar uma vista de olhos ao Charles Tripp do que estar aqui a dizer asneiras.
Melhores cumprimentos, Daniel.
A concepção típicamente sionista, é a do egocentrismo comunitarista. O judeu, na perspectiva sionista, é sempre a favor do judeu, tenha ele ou não razão, seja ele o perseguido e massacrado ou o carrasco e ocupante. O direito e a moral estão ausentes deste pronunciamento. Apoia-se o judeu porque ele é judeu. Só por isso. E rouba-se a terra do outro só porque se tem a força para o fazer, o que não dá resposta satisfatória a esta questão: e se a força mudar ?
Ora isso é profundamente racista e incompatível com a ideossincrasia europeia. Na nossa cultura política pós-45, todos os povos do mundo são iguais e os conflitos resolvem-se tomando por referência normas ético-jurídicas universalizáveis (que possam ser reconhecidas como justas por todos), segundo a lição de Kant. O europeu da UE (culto e não cretino, ça va de soi) é assim pró-judeu, não sistematicamente, mas apenas quando o judeu é vitima de discriminação e genocídio, e anti-sionista quando o sionismo oprime, massacra e ocupa. Só assim há coerência e justiça. Não vivemos num mundo de aliados e inimigos imutáveis, ao sabor de alianças baseadas, não no direito, mas num prescrito estado de necessidade pré-45 (a ordem vestefaliana, a real politik). É isso que o poder sionista e o seu lacaio buhista esquecem, perfilhando o unilateralismo e a irrelevância do direito internacional, e com isso fazendo perigar a paz do mundo, já que o unilateralismo legitima o unilateralismo oposto e nem sempre o que parece mais forte o é, como se está ver no Médio Oriente….
PS. Para o fadista: em Gaza não há objectivos militares. Não há quarteis, nem tanques, nem aviões, nem marinha. Apenas civis, alguns armados de armas ligeiras. Também no guetto de Varsóvia havia alguns judeus armados…Não podiam ? Logo, os palestinianos ocupados exeercem a legítima defesa (LEGITIMAMAENTE, saliente-se) contra o ocupante (civil ou militar, são todos criminosos e foras da lei). A soldadesca das SS Tsahal ataca só civis e executa através de snipers mesmo crianças às centenas. São crimes de guerra porque a legítima defesa, segundo o direito internacional, é exclusivo do ocupado, não do ocupante invasor.
PS2: Para o Daniel: você pode pensar o que quiser do glorioso Hamas. Mas a legitimidade deste resulta do voto popular. Tiveram mais de 60% dos votos de forma limpa e são o governo da Palestina. O único. O outro é fantoche, colaboracionista e traidor, sem base nas urnas. Quanto a priviligiar resistências passivas (flower power ?) é seu direito, mas nem a lei internacional nem a moral exigem que um povo ocupado renuncie à violência legítima para escorraçar o invasor. Aliás, aí o Hamas não está só. Tanto as brigadas Al Aqsa da Fatah, como a Jihad lutam com armas contra a soldadesca das SS Tsahal…
Questões políticas à parte, só queria dizer que a fotografia que ilustra o post é fa-bu-lo-sa.
Saudações,
VA
o PPM andou anos a tentar que alguém o levasse a sério. ainda me lembro quando tentou arranjar uma “polémica” com o RAP, que o despachou para canto num instante, naturalmente. finalmente parece que arranjou quem lhe desse troco, o que é pena, pq o arrastão acaba por funcionar como uma espécie de ‘espelho’ do atlântico/31, uma espécie de cunhal de salazar, e não precisa disso, é muito melhor do que isso.
PS. Para o fadista: em Gaza não há objectivos militares. Não há quarteis, nem tanques, nem aviões, nem marinha. Apenas civis, alguns armados de armas ligeiras.
O senhor quando abre a boca, deve cuspir balas.
Aliás as mesmas balas que os seus civis atiram sobre os soldados israelitas.
E assim eu pergunto-lhe.
Devem ester responder com rebuçados?
Fabulosa foto
Tormentoso tema
Cuidado que une gente na Palestina e em israel - também eu sei de judeus contra o muro, israelitas judeus pela paz, contra o muro e o que a ele se liga, e o Daniel refere e vem referindo há bem mais tempo que o que leva a escrever um comentário fatigado. Ou 17 comentários, como os que vão feitos nesta data.
Um link, sem pretensões, apens pelo nome em desenho de esperança. á dias em que as antigas palavras não se sentem gastas. E se usam. Mesmo.
Solidariedadecom a Palestina
http://palestinavence.blogs.sapo.pt/
Esta do PPM é o q se chama meter os pés pelas mãos. 1ª cavadela: “Mas então também existe um muro edificado por árabes para evitar a entrada dos palestinianos?” Minhoca: o muro é todo ele construído por Israel. 2ª cavadela (que veria mm a calhar p emendar a mão): “foi edificado com a cumplicidade do Egipto”. minhoca: o muro está construído em território palestiniano.
Admitidos o erros a fuga possível foi destacar um ponto (o essencial veja-se) que não fora respondida. Na resposta, o óbvio (1º é mentira que os palestinianos estejam bem integrados em Israel (são os mais explorados dos explorados, não lhes são reconhecidos direitos, etc.) 2º os palestinianos procuram muito mais q a integração noutro local, procuram isso sim, ter direito a viver em paz na sua terra. 3º para desespero de PPM os mesmos governos de que fala - os tais que sempre desprezaram a causa palestiniana - são curiosamente dos que menos pruridos têm para se aliar com o ocupante e seus aliados coniventes com os regimes q aí se praticam).
PPM o ponto aqui, diria que até essencial, é o seguinte: PPM sabe que a um comum mortal chocará ver (mesmo que as noticias toquem nisso de raspão) que existe no séc. XXI um governo que usa a força militar para ocupar e aniquilar um povo. Como a PPM isso até nem faz muitas cócegas e o opressor é Israel, procurou então uma originalidade q demarcaria PPM como um conhecedor profundo da realidade em análise, conhecimento q sustentaria a sua posição sobre o conflito. O ponto então meu caro (muito para lá da sinistra “pressas dos blogues”), é que PPM caiu do trapézio na jogada, pois não sabe do que fala e ainda por cima chega tarde à conclusão. O seu silêncio sobre a matéria saúda-se.
António Fonseca
E verdade , a fotografia e exemplar.
E tambem e verdade que a perda, o sofrimento e o terrivel efeito da guerra se sentem dos dois lados.
Em dois lados que ate conseguiram conviver pacificamente durante um certo tempo ha muito tempo atras e sendo assim poderia esperar-se que o desejo da paz despertasse essa memoria nas conciencias de todos. Penso que essa consciencia existe em maior ou menor grau em todos os que sao vitimas dessa guerra, mas a verdade e que existem muitas outras realidades por detras de tudo isso e podemos ser a favor ou contra um dos lados , ver as razoes de um ou outro mas a verdade e que crianças morrem todos os dias, lares sao desfeitos todos os os dias e essa e a pior realidade de todas e e real para todos. Seria muito bom que um dia a paz pudesse a judar a sarar tais feridas e os muros todos eles, fossem substituidos pela aliança e pela convivencia respeitada e respeitadora dos direitos de todos.
Para mim ainda o mais interessante disto tudo é o facto de os verdadeiros culpados serem sistematicamente esquecidos. A Inglaterra (com a complacência de outros´é verdade), mais uma vez fez asneira. Da mesma forma que forçou à divisao entre Índia e Paquistão. Da mesma forma que votou a África do Sul a décadas de Apartheid. Dizem que nós fazemos mal as coisas, mas eles nao ficam atrás.
Da mesma forma que votou a África do Sul a décadas de Apartheid.
O que se aprende neste blog!
A República da Africa do Sul tornou-se um domínio em 1910 e pelo Statute of Westminster tornou-se formalmente independente em 1931.
O apartheid é muito mais novinho.
Aliás a Inglaterra nunca apreciou esta manifestação colonialista, preferiam simplesmente não se misturar com os nativos e o Private Eye de 17 de Setembro de 1966 faz aliás uma capa jocosa sobre a morte (assassinato) de Hendrik Frensch Verwoerd o verdadeiro pai do apartheid
Quanto à divisão que a Inglaterra forçou entre o Paquistão e a Índia, devemos ter piedade das pessoas.
Fado, se me queria corrigir, devia fazê-lo com exactidão. Sim, a Inglaterra teve grandes responsabilidades na cisão entre Hindus e Muçulmanos na Índia. Cito-lhe directamente da wikipedia:”Decididos a abandonar a Índia a partir de 1945, os britânicos depararam em 1946 com a multiplicação dos confrontos sangrentos entre a comunidade muçulmana, de um lado, e as comunidades siques e hindus, de outro. A Liga, que continuava a exigir a criação de um Estado distinto nas regiões de maioria islâmica, sagrou-se vencedora na maior parte das zonas eleitorais muçulmanas nas eleições de 1946. Os britânicos decidiram-se, então, em favor da partição do país, apesar da oposição de Nehru e Gandhi. A Lei de Independência Indiana (Indian Independence Act) aprovada pelo parlamento britânico, entrou em vigor à 00:00 h do dia 15 de agosto de 1947, momento em que o Reino Unido transferiu a soberania local para os novos Estados independentes da Índia e do Paquistão, que se tornam então membros da Commonwealth.”.Pode verificar aqui(http://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_do_Paquist%C3%A3o). Quanto à África do Sul, o Apartheid não começou tão mais tarde, e cito-lhe novamente:”De 1948 a 1993/1994, a estrutura política e social é baseada no Apartheid, o sistema legalizado de discriminação racial que manteve o domínio da minoria branca nos campos político, económico e social”, como pode verificar aqui(http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%81frica_do_Sul). E penso que não terá dúvidas de quem legitimava o referido domínio da minoria branca. O que eu quero dizer com tudo isto é que a atitude de fuga dos problemas dos Britânicos tem feito escola ao longo dos séculos, com as consequências que se têm visto.
João Antunes Mendes
Muito obrigado.
apesar da oposição de Nehru e Gandhi
Mas que outra coisa podiam eles querer?
O problema é que como o senhor bem leu, as lutas fratricidas não deixavam outra solução à potência ocupante, que aliás pecou por timidez.
Recorde-se de como nasceu o Bangladesh (esse amontoado de pobres) e como mesmo assim não conseguiram resolver o problema de Kashmir.
Aliás, acabo de ler a auto-biografia de Gandhi e deve ser difícil encontrar uma pessoa mais machista, mais intolerante e mais racista do que aquele que é considerado um imaculado santo.
Quanto à Africa do Sul I was there
Mentira