Berlusconi regressa ao poder. Liga Norte, à direita, e Italia dos Valores, à esquerda, sobem. UdC, de Casini, e a coligação liderada pela Refundação Comunista sofrem os efeitos do voto útil e têm resultados fracos. A Sinistra L’Arcobaleno (Esquerda Arco-Íris, liderada pela Refundação Comunista) fica a 0,4% da barreira dos 4%, o que a impede de eleger deputados e não chega aos 8% em nenhuma região (a barreira para o senado é regional e é de 8%) o que a impede de eleger qualquer senador.
Previsões para as eleições italianas:


PdL (de Silvio Berlusconi) com Liga Norte (de Umberto Bossi) e Movimento para a Autonomia (de Raffaele Lombardo)
Câmara: 45,5% (340)
Senado: 46,4% (167)
PD (de Walter Veltroni)/Italia dei Valori (de Di Pietro)
Câmara: 38,8% (241)
Senado: 37,9% (122)

UdC (de Pier Ferdinando Casini)
Câmara: 5,6% (34)
Senado: 5,7% (2)

Sinistra L’Arcobaleno (de Fausto Bertinotti)
Câmara: 3,6% (0 - barreira de 4%)
Senado: 4,7% (0 - barreira de 8% em cada região)

La Destra (de Daniela Santanchè)
Câmara: 2,7% (0 - barreira de 4%)
Senado: 2,4% (0 - barreira de 8% em cada região)

Partito Socialista (de Enrico Boselli)
Câmara: 0,9% (0 - barreira de 4%)
Senado: 0,7% (0 - barreira de 8% em cada região)
Dentro de cada bloco Liga Norte e Itália dos Valores crescem. Ver transmissão televisiva do Corriere.
Por Daniel Oliveira 14 Abr 08 em Itália




Pois é , a “refundação” desde que se transformou numa especie de bloco é sou perder votos….Saudades dos 8,5%, mas nessa altura o PRC proclama a todos que era um partido comunista e não o que é hoje que ninguém entende a começar pelos italianos. Porque será Daniel???
Nuno Oliveira, o PRC nunca foi um partido tipo PCP. Bertinoti (um ex-trotsquista) é praticamente desde a sua fundação o líder e agenda do PRC sempre foi a mesma. Pode tentar adaptar a realidade política para as conclusões que entender, mas seria bom ver em que estado está a ortodoxia comunista italiana. Desapareceu. Não existe. Na realidade, só existe em Portugal e na Grécia.
Não posso estar de acordo consigo. A RC na sua genese foi uma tentativa de criar uma alternativa comunista no seio da esquerda italiana proveniente do PCI que se estava rapidamente a socialdemocratizar. Lembro-me bem do discurso de Bertinoti, inclusive aqui em Portugal, e não tem nada haver com o actual. Quanto á ortodoxia, por acaso deu dois bons exemplos: são só os dois maiores partidos comunistas da CE, excluindo o Chipre e possivelmente o PC da R. Checa. Logo não percebo onde quer chegar.
Nuno Oliveira, que tal informar-se um pouco da realidade politica italiana.
Verá que terá muitas surpresas, a começar pelo peso da Mafia, a continuar no Vaticano, e a acabar no poder perfeitamente condenavel do Berluscoso.
Quanto ao Bertinotti e ao seu Arcobaleno, ou RC , aquilo sempre foi uma mistura de muita coisa, e sem uma ideologia definida, Bertonotti, é um produto tipico do oportunismo da esmagadora maioria da classe politica italiana, e mais nada.
Não, não são, Nuno. O Partido de Esquerda Alemão ou o Partido Socialista Holandês são mais fortes. O Partido Comunista Grego tem cerca de seis porcento. Vale menos do que o BE em Portugal. O PCP tem menos do que o Partido da Esquerda alemão.
O PRC nunca foi ortodoxo. O próprio PCI nunca teve nada a ver com o que é o PCP. Aliás, só mesmo o PCF (no passado) e o Partido Comunista Grego têm alguma coisa a ver com o PCF. Recordo que o PCP não é propriamente um grande partido e tem hoje metade das votações que teve no passado. A queda dos partidos comunistas é uma realidade europeia também evidente em Portugal. É que quem ouça alguns militantes comunistas ficaria a pensar que o PCP tem uma força um pouco diferente da que tem realmente.
Já agora, o próprio Bloco, que nasceu com 2%, tem 6,5%. Parece que a “linha Bloco”, que o senhor acha responsável por desgraças eleitorais, tem resultado em Portugal. Ou não?
Daniel, o KKE nas ultimas eleições teve mais de 8%. O partido da esquerda, nunca concorreu a eleições em toda a alemanha. Como deve saber o actual partido surge da união de uma dissidencia do PSD alemão com o Partido da esquerda da antiga RDA que efectivamente tinha e tem uma força eleitoral forte mas se tivermos em consideração o território da ex RDA. Juntos ainda só concorreram a eleições estaduais.
Quanto ao resto considero que o bloco cumpre o seu papel, mas não acho nada de extraordinario a votação que tem tendo em conta as prespectivas altas (3ª força politica), e a ajuda dos media, em contraponto com a má imprensa do PCP.
É curioso verificar que só os partidos comunistas que conservaram uma linha ideológica ortodoxa (mesmo quando a realidade a desmente todos os dias) conservam a simpatia de uma fatia interessante do eleitorado. Porque será?
Eu tenho uma teoria: beneficiam de uma forte e coesa estrutura directiva (a mesma desde há muitos anos), dirigentes credíveis para o seu eleitorado e uma capacidade (eleasticidade?) táctica notável. E a simpatia de muitos sindicatos. Melhor, de muitos dirigentes sindicais.
Se não fosse assim, como seria possível ao PCP organizar e realizar uma manifestação partidária com mais de 50 000 pessoas? Isso deve ser um caso de estudo a nível internacional…
.
Ah! As eleições italianas! Não me dizem nada, hoje em dia. Tiveram mais de meia centena de governos desde o pós-guerra e têm (tiveram?) uma economia pujante. Por isso…
Má imprensa do PCP? Ainda diz isso? Só se for por hábito. Neste momento, com o tratamento sempre tão simpático que é dado a Jerónimo, pode bem dizer-se que é pobre e mal agradecido.
De resto, ainda há uns dias falava com militantes de vários partidos comunistas europeus e todos eles falavam sobre o PCP (e o partido comunista grego) como coisas exóticas. Já não há comunismo como o PCP o defende na Europa. Só mesmo em países onde o comunismo passou ao lado de qualquer debate ideológico e onde o debate ideológico na política é miserável - isso ajuda a perceber a miséria que é o PSD. E isto é independente de qualquer resultado eleitoral.
“Quanto ao Bertinotti e ao seu Arcobaleno, ou RC , aquilo sempre foi uma mistura de muita coisa, e sem uma ideologia definida…”
Assim a modos de um “Bloco de Esquerda”?
Mamma mia! Graças a Deus que existe a Itália para nos sentirmos menos mal com a nossa paisagem política…
Má imprensa o PCP, anda mal informado sr. Oliveira.
Jeronimo de Sousa é dos lideres politicos um dos que mais tempo tem em televisão, Francisco Louçã aparece em DECIMO LUGAR.
O PCP consegue o triplo do tempo do BE, são estudos comparativos de Jornais, e televisões.
Mas uma mentira repetida mil vezes, passa por verdade, não é caro Nuno Oliveira, ( isto sem ofensa, pois penso que não quer nada com o Gobbels)
Talvez…cavalo sentado…. talvez.
Tal como qualquer partido português, seja o PCP, o PS, o PSD, ou o CDS, a ideologia é uma coisa muito fluida.
Mas a RC consegue piruetas, que já levaram a votações, como manter tropas italianas no Afeganistão e no Iraque.
Ou apoio a politicas claramente de direita levadas a cabo pelo governo de Prodi, só porque o sr. Bertinotti queria o lugar de Presidente do Parlamento.
Etc etc .
Mas o interessante, é quanto tempo vai durar este governo do Berlusconi, pouco….. com a subida de votação da Liga do Norte, o seu chefe Bossi, não tarda vai transformar aquele governo num saco de lacraus, e no proximo ano lá teremos novas eleições em Italia.
Isto é horrível!
Mas será que os italianos não lêem o Público, não lêem o Arrastão, não conhecem as propostas do Bloco de Esquerda.
Não há por lá uma Sinistra Aggiornamento qualquer?
Estou a ver que a única solução é enviar-se uma delegação permanente de teóricos do Bloco de Esquerda para lhe pregaram o socialismo em versão revista e melhorada.
Ou aprendem a bem ou aprendam a mal.
Enviar também cinco ou seis professores escolhidos dentro da manifestação calhas.
Deus queira que acerte num e não em mim nem em Daniel Oliveira que também lá estivemos.
Em Itália, o neo-fascismo retoma o poder. Pela via eleitoral. Na pessoa do vigarista e corrupto Sílvio Berlusconi que, após os dois anteriores mandatos, os italianos parecem ainda não conhecer devidamente.
A democracia é, de facto, muito frágil. De tal forma que, quando o eleitorado não passa de um rebanho dócil e sem ponta de cidadania, pode até dar muito jeito para legitimar as situações mais absurdas. Ou mesmo trágicas. Como aconteceu com a eleição de Adolfo Hitler.
2 correcções:
Refundacioni pertence ao mesmo grupo internacional do PC, pelo que são o equivalente
A esquerda não perdeu por voto útil, perdeu por mérito da Liga do Norte que dobrou a votação. O proletariado do Norte não vota à esquerda, vota sim na direita nacionalista.
Maria da Fonte, nem o PCP nem a Refundação pertencem a nenhum grupo internacional. Pertencem a dois grupos europeus. A Refundação pertence ao GUE (grupo do parlamento Europeu de que fazem parte o PCP e o BE) e ao Partido da Esquerda Europeia (de que o BE é membro e o PCP é, se não me engano, observador). Grupo internacional? Qual?