publico1990.jpg

Tinha 20 anos e foi com algum alívio que na redacção do “Diário de Lisboa” soube que a saída do primeiro número do “Público” tinha sido adiada. Sabíamos que seríamos as primeiras vítimas do novo jornal, com um investimento inicial nunca visto e com uma redacção de luxo. Inspirado no “Guardian” e no “El Pais”, ocupava, do ponto de vista editorial, o lugar que “Diário de Lisboa” tentava, a custo, manter: o de um jornal de referência no campo do centro-esquerda. O seu director tinha dado provas, à frente da revista do “Expresso”, de arrojo e imaginação.

O “Público” saiu e, pouco tempo depois (também por outras razões), o Lisboa fechou. Na redacção do jovem “Público” amontoavam-se velhos e novos talentos. Entre os veteranos, muitos deles vindos do “Expresso”, estavam Vicente Jorge Silva, José Vitor Malheiros, Augusto M. Seabra, Jorge Wemans, Teresa de Sousa ou Adelino Gomes. E alguns jovens davam nas vistas. Recordo-me de quatro (vim a conhecer quase todos mais tarde): Paulo Moura, Pedro Rosa Mendes, Luís Pedro Nunes e Alexandra Prado Coelho. Entre veteranos e jovens estou seguramente a esquecer-me de muitos. O grafismo, impecável e muito arejado para a altura, era de Henrique Cayatte. Eduardo Prado Coelho acabou por ocupar, por mérito próprio, a última página do jornal sendo, durante anos, um dos mais influentes colunistas portugueses.

O jornal oferecia um bom suplemento todos os dias (a revista de domingo foi a única coisa que nunca chegou a ganhar identidade). Tinha uma secção de ciência, outra de educação. Tinha o Local de Lisboa e do Porto. Todos os dias os destaques eram feitos por várias secções, cruzando olhares sobre um mesmo tema. O “Público” apostava, como nenhum jornal diário português fizera até então, no Internacional. Tinha correspondentes, enviava jornalistas para conflitos, guerras e eleições. Era uma lufada de ar fresco na provinciana imprensa nacional. A qualidade da fotografia estava a anos-luz dos restantes jornais. As capas eram muitas vezes arrojadas e imaginativas. Tinha uma linha editorial e nem por isso deixava de ser deontologicamte irrepreensível. Alimentava-se o livre debate - mais do que em qualquer jornal -, mas havia coerência entre redacção, directores e a maioria dos leitores. E, no entanto, o pluralismo de opinião, entre os colunistas, era uma marca do jornal. Era um projecto pensado, antes de mais, por jornalistas. O “Público” mudou, como nenhum jornal no pós-25 de Abril, a imprensa escrita portuguesa.

Passados 18 anos a imagem é desoladora. Grande parte dos suplementos acabou, o que distinguia radicalmente o “Público” dos restantes jornais desapareceu, raramente o “Público” está onde as coisas acontecem no Mundo, praticamente não tem correspondentes, os destaques são apenas a notícia mais importante, raramente descobre novos jornalistas e os mais velhos, com raras excepções, ou foram embora ou parecem acomodados. As capas são burocráticas, as fotografias, demasiadas vezes, banais. O novo grafismo e arrumação correspondeu a um franchising sem a identidade do jornal e confuso para a maioria dos leitores. Até o antigo cabeçalho do jornal (algo que os jornais que se respeitam mudam muito ligeiramente de décadas em décadas) desapareceu. Claro que parte disto resulta da crise financeira da imprensa, de que o “Público”, por ter sido mais ambicioso, se ressentiu ainda mais do que os outros. Mas não foi apenas isso.

Desde que nasceu, o “Público” é o meu jornal diário. Foram poucos os dias que não o li. Mesmo depois das sucessivas sangrias sem renovação, continua a ser o jornal diário com os melhores jornalistas, com o melhor grafismo, com a melhor secção internacional, com a melhor fotografia. Mas a mudança mais radical no “Público” não foi aquela que resultou de uma profunda crise e do seu emagrecimento interno. Essa era provavelmente inevitável. Talvez Portugal, onde poucas pessoas lêem jornais, não tenha dimensão para o que era o projecto que Vicente Jorge Silva dirigiu. A mudança mais radical foi outra: foi o seu abastardamento editorial.

Depois das passagens meteóricas de Nicolau Santos e Sarsfield Cabral, a direcção ficou nas mãos de José Manuel Fernandes,que rapidamente transformou o lugar num posto de combate ideológico. Vindo, como tantos outros, da extrema-esquerda, assentou arraiais na direita conservadora com o mesmo empenho, militância e dogmatismo de sempre. E quis que o jornal revelasse as suas convicções. Nada de grave, isto de um director ter um posicionamento ideológico e faze-lo sentir. O lugar, pela história, origem e posicionamento do “Público”, é que era o errado.

O “Público” passou então a viver em permanente esquizofrenia. Com uma redacção de esquerda, com uma tradição de esquerda, com a maioria dos leitores de esquerda, o director fez do jornal um ponto de combate ideológico da direita. Primeiro nos seus editoriais, que passaram a ter um cunho pessoal muito mais vincado e a estarem muito mais centrados no seu director do que acontecia no tempo de Vicente Jorge Silva. Depois nos colunistas, relegando Eduardo Prado Coelho para o interior do jornal e desequilibrando lentamente, com novas entradas e algumas saídas, a opinião. Por fim, depois da guerra do Iraque e do reacender do debate político, as obsessões do director passaram finalmente a ter presença assídua na primeira página do jornal. Sobreviveu parte do interior do jornal, escrito por uma redacção que tem muito pouco a ver com o seu director. José Manuel Fernandes descaracterizou o “Público” sem, no entanto, o conseguir transformar noutra coisa. Fez dele uma manta de retalhos sem coerência nem sentido. Hoje é impossível perceber qual é a linha editorial do jornal. Conhecemos apenas a do seu director.

Mas isto muda hoje, dia 5 de Março de 2008. Ao escolher para dirigir o jornal por um dia, no 18º aniversário, o seu inspirador ideológico, mandando às urtigas toda a história do “Público”, José Manuel Fernandes faz a sua confissão: o “Público” é, para si, o mesmo que foi a “Voz do Povo” - um projecto político. Ao escolher um colunista da casa, um amigo de sempre, reduz um dos mais importantes títulos portugueses a uma coisa pequena e paroquial. O simbolismo desta escolha é evidente e é triste.

Pela mão do seu director, o “Público” passou anos a maltratar a sua alma e a desbaratar todo os seus activos. O “Público” foi representando uma farsa, fingindo continuar a ser o jornal que começámos a ler há 18 anos. Com este convite, José Manuel Fernandes esfaqueou finalmente o retrato que, como o de Dorian Gray, andava escondido dos olhos dos leitores mais desatentos. E com este acto de arrogância medíocre o director obriga o jornal a exibir finalmente a sua verdadeira natureza. Com a assinatura do político Pacheco Pereira, José Manuel Fernandes mostra com orgulho a sua obra: a transformação do melhor diário português numa trincheira ideológica contra-natura. E, mais importante, um jornal a todos os níveis muito pior do que aquele que foi fundado por Vicente Jorge Silva. Resta-nos assim o projecto pessoal de José Manuel Fernandes. O que é muito pouco, tendo em conta que a pessoa do projecto é só aprendiz de Pacheco Pereira.


52 respostas ao post “A confissão”  

  1. 1 1  Nuno Rebelo

    Fiz somente uma leitura na diagonal, hei-de voltar para a leitura integral, mas desde já subscrevo o que diz, nomeadamente sobre J.M.Fernandes e a evolução do jornal… Mas quando é que o homem sai ou o tiram de la??

  2. 2 2  João Barreto
  3. 3 3  Mr. Love

    Nuno Rebelo, quem o pode tirar é o sr. Belmiro, esqueça isso, mude de jornal.

  4. 4 4  Nuno Rebelo

    Para qual? Para aquele que eu, se tivesse uns 500.000 € certamente tentaria lançar… até porque acho que há espaço para mais um diário… ainda assim acho que o melhor mesmo do Público, actualmente, são os suplementos, como o “Y” e o “Inimigo Público”pena que não se vendam isoladamente.

  5. 5 5  José Neves

    Caros,
    JMF desde há largos anos vem transformando o “Público” no seu “Avante” pessoal.

  6. 6 6  da outra margem ...

    http://vagaliberdade.forumotion.com/index.htm

    um espaço de debate democrático, do antigo EXPRESSO ONLINE !!!!!!!

  7. 7 7  Luís Verao

    Completamente de acordo. Também será digno de nota, relativamente à decadência dos suplementos, que estes muitas vezes serviram de poiso (esta designaçao peca por passiva, “cunha” seria mais correcta) a muito “filho de papá” com pretensao a intelectual.

  8. 8 8  Fado Alexandrino

    Com uma redacção de esquerda, com uma tradição de esquerda, com a maioria dos leitores de esquerda, o director fez do jornal um ponto de combate ideológico da direita.

    Daniel Oliveira irritou-se.
    E logo deu uso ao velho ditado sobre as comadres.
    Mas fez bem, pois assim espatifa o velho mito de que algumas das carcaças que por lá andam, quando escrevem aqueles textos todos de uma cor da qual não posso dizer o nome, são puros e apenas querem o bem.
    Dizer que o Público não é de esquerda só porque o director de vez em quando faz um texto ao centro, parece-me uma afirmação que cairá se começarmos a alinhar dos lados das barricadas aqueles senhores que fazem lá opinião como quem faz salsichas.
    Vamos a votos?

  9. 9 9  AV

    Em toda esta crítica, que percebo, só não entendo esta frase que me parece completamente incoerente no contexto: “Mesmo depois das sucessivas sangrias sem renovação, continua a ser o jornal diário com os melhores jornalistas, com o melhor grafismo, com a melhor secção internacional, com a melhor fotografia.” É que tinha acabado de dizer o contrário… explica-me o que quis dizer, Daniel?

  10. 10 10  Scolari

    Já aqui tinha refererido alguns dos pontos que o Daniel postou.
    Assino o post por baixo com excepão do seguinte: há uns dois três anos atrás essa esquizofrenia entre um director em contra-ciclo com a redacção foi atenuada pela saída de muitos jornalistas da casa. Na verdade, depois de Ana Sá Lopes, Eduardo Dâmaso, João Pedro Henriques ou Fernanda Câncio terem abandonado o jornal, hoje podemos dizer qu a redacção está bem mais alinhada com a linha editorial.

  11. 11 11  Bang Bang

    Muito bom post. Parabéns.

  12. 12 12  corvo

    Totalmente de acordo, excepto no que se refere á Voz do Povo, e já agora ao 25 de Abril do Povo, onde o Fernandes e o Nuno Pacheco tambem estiveram, é que esses dois jornais da area da UDP, defendiam uma linha claramente de esquerda, de apoio ás lutas dos trabalhadores, de apoio aos mais pobres e desprotejidos.

    O Publico defende os tubarões como o Belmiro, o neo-liberalismo, e tem uma linha de defesa das posições de Bush e seus aliados.

  13. 13 13  nuno magalhães

    Em que é que esse pacheco pereira trabalhou na vida?

  14. 14 14  Hugo Ricardo

    Segundo percebo, quando a linha editorial e a redação do “Público” eram de esquerda, o jornal era uma maravilha. Agora que a linha editorial é menos esquerdista, o jornal tornou-se numa desgraça.

    Que argumento patético.

    Quem não gosta não compra, é tão simples.

  15. 15 15  Manuel Leão

    Também acho; mude de jornal!
    Mude para o DN, por exemplo. Esse, ao menos, é sempre situacionista, seja a “situação” o que for.

  16. 16 16  Zé Miguel

    Para mim continua a ser o melhor jornal de informação em Portugal. Mesmo assim não posso deixar de concordar com as críticas do Daniel ao José Manuel Fernandes e à sua linha editorial.

  17. 17 17  Carlos Barbosa de Oliveira

    Assino este post por baixo, claro. Apesar de ter assistido ao nascimento do Público à distância, era sempre com algum alvoroço que o recebia. Fui seguindo, durante anos, o percurso do jornal com a equidistância que o afastamento do País permitia. Pouco tempo depois de regressar a Portugal, comecei a “sentir” que se começava a esvaziar. Hoje, raramente o compro porque tal como os restantes jornais portugueses pouco me dizem. Tenho pena que a “lufada de ar fresco” se tenha transformado numa brisa bafienta. Paciência…mas continuo a pensar que com a qualidade dos jornalistas que temos, ainda era possível ter um jornal de referência em Portugal que se destacasse da mediania suporífera que nos impingem diariamente.
    http://cronicasdorochedo.blogspot.com/

  18. 18 18  Daniel Oliveira

    Hugo, se é isso que percebe não sabe ler.
    Sabe que os leitores dos jornais fazem um pouco mais do que deixar de comprar jornais. Criticam. Bem sei que algumas pessoas acham que o mercado é uma espécie de ditadura: comprar ou não comprar e calar. Até porque tenho um problema: a linha editorial dos jornais é toda igual. Porque será?

  19. 19 19  Mocho

    Não sou muito dado a efemérides, mas na qualidade de espoliado do Público, ( o que aí está agora é outra coisa e chama-se P) deixo subir um furtivo suspiro.

    Enfim, obrigado Daniel, alguém tinha que escrever umas palavritas assim.

    Mas se o “mundo”, enfim, quer ficar quer ficar no colinho desta súcia de ex-estalinistas mal convertidos (mas tanto zelo…), bom proveito lhe faça.

  20. 20 20  Tiago Mota Saraiva

    Estou inteiramente de acordo com o post do Daniel.

  21. 21 21  rui mota

    Continuar a ler o “Público”, apesar de JMF? Ou não ler o “Público”, para não ter de ler JMF? Há “Público” para além de JMF?…

  22. 22 22  Maria Martinho

    Meu caro Daniel:

    Muito gostaria de saber entre que datas e em que secções do desaparecido «Diário de Lisboa», o meu amigo trabalhou. Se possível que desse a conhecer a estes atentos leitores do “Arrastão” alguns dos trabalhos/artigos/reportagens, etc, que nessa época tenha publicado naquele jornal.
    Um abraço.
    M. Martinho

  23. 23 23  Daniel Oliveira

    No último ano de existência do “DL”, na direcção de Mário Mesquita e Diana Andringa. Trabalhei primeiro na secção de política e depois na informação não diária (sobretudo no suplemento “Mosca”), estando para isso integrado na redacção. Se precisa de mais, a minha secretária era ao lado do falecido Fernando Brederode dos Santos. Escrevi inúmeras reportagens, a maioria delas publicadas naquele suplemento semanal, como poderá confirmar nos arquivos do DL e da Hemeroteca. Infelizmente não guardo o que escrevo, mas seguramente poderá dar-se ao trabalho de verificar. Abandonei o DL um mês e meio antes de fechar, já que fui chamado para cumprir as minhas obrigações militares. Quer saber mais?

  24. 24 24  D.Liberal

    O Arrastão há muito foi despojado de qualquer rigor intelectual. Óbvio que saudoso e de qualidade era o Diário de Lisboa de tanta que morreu na sua insignificância e que além do coro habitual dos ayetollahs habituais não lembram ao Diabo. De facto é triste que além de uns quantos xistes televisivos e caixa de ressonância de soundbites de esquerda burguesa disfarçada e envergonhada pouco substância se encontra. Resumindo o capitalista jornal que foi liderado por Vicente Jorge Silva em velhos idos passa a jornal que serve de “boca da reacção” diriguido por uma especie de neo-con português sob as ordens do vil Eng. Belmiro…Sr. Oliveira, parabens por mais um post intemporal, ou seja os anos passam as ideias essas são sempre as mesmas com ou mais naftalina! Cumprimentos!

  25. 25 25  Francisco Crispim

    Discordo de grande parte do que diz, Daniel, mas é claro que lhe reconheço todo o direito de o dizer.
    Parece-me que há por umas contas quaisquer a ajustar com o JMF…
    Quanto ao Diário de Lisboa, a verdade é que morreu de dupla morte macaca: primeiro, quando se rendeu por inteiro ao PCP, por interposto Piteira Santos; depois, quando caíu nas mãos do Mesquita, que inevitavelmente lhe deu o golpe fatal, como era de esperar.

  26. 26 26  Fado Alexandrino

    Passei pelo Público, ali na Rua Viriato esta tarde.
    Com surpresa ouvi o choro e o ranger de dentes que vinha lá da Redacção.
    Pensei, claro, que era pela vitória da senhora Hillary no Texas e Ohio a que junta a Califórnia e New York (nada de importante são simplesmente o primeiro, segundo terceiro e quinto maiores estados em número de delegados).
    Mas afinal não era.
    O motivo era nacional e o grande único culpado era o senhor Daniel Oliveira com este post.
    Quem chorava.
    Chorava Vital Moreira e São José Lapa e ainda Rui Tavares que se apoiava no ombro de outro choroso o senhor José Vítor Malheiros que por sua vez consolava sem êxito o senhor António Barreto que emprestava dorido um lenço a José Diogo Quintela e todos olhavam para o outro lado da sala onde por entre lágrima viam Carla Machada acabrunhada e silenciosa junto do pranto enorme de Catarina Portas.
    Discreto Daniel Sampaio preparava-se para aplicar os seus conhecimentos logo que Desidério Murcho lhes largasse o braço onde limpava a lágrima rebelde.
    Era urgente ir para o outro canto consolar Kalaf que tentava entrar em contacta com o correspondente Santana Castilho e mais um senhor de que apenas se sabe que é especialista informático.
    E tudo porquê?
    Porque alguém cujo nome era dito em surdina tinha dito que eles não eram de esquerda.

  27. 27 27  carlos

    Discordo em quase tudo o que disse. Para mim o Público é o melhor jornal nacional. É o único que compro quase assiduamente. Já li e comprei de todos, desde semanários a diários. Infelizmente é o único jornal que faz frente a estes socialistas ordinários e que tem uma opinião contra a corrente e que não é domesticada.

  28. 28 28  Piscoiso

    Subscrevo o conteúdo do post.
    Há 18 anos que compro diariamente o Público, mas desde a invasão do Iraque que apenas o leio em diagonal, já que alguns editoriais do José Manuel Fernandes sobre o assunto, eram repugnantes de propaganda camuflada.
    Como optimista, tenho esperança que alguém do “Inimigo Público” passe a substituir o Fernandes.

  29. 29 29  joão melo

    não concordo. no entanto um texto bem escrito e bem argumentado.

  30. 30 30  Rogerio Silva

    Muitas vezes estou em desacordo com os conteúdos dos teus posts, mas neste assunto a convergência é plena.
    Tenho escrito sobre este tema em “Vermelho Vivo”

  31. 31 31  araujo

    Há sem duvida umas pegas grandes com JMF mas especialmente com o Pacheco Pereira.
    Parece-me que é a prova que o Pacheco põe o dedo na ferida mesmo… Ganda Pacheco!

  32. 32 32  João Gomes

    Daniel,
    Estou de acordo contigo na analise que fazes do Público.
    Hoje, o Público é um jornaleco à imagem do seu director. Grita muito mas nada diz…
    E, convenhamos, quando diz alguma coisa, é a mando do dono, o Belmiro, que não dorme em serviço quando a questão é amealhar mais uns tostões.

  33. 33 33  Ramalho dos Santos

    Li o seu texto sem passar os olhos pelos comentários já publicados, se o sentido do meu lhe parecer um plágio é pura coincidência. As suas últimas linhas bastam par construir um comentário construtivo ao que julgou importante comunicar-nos.
    Dá de si a imagem de alguém primário, apesar de adornar a prosa com informação bastante, como que a adquirir patine por se envolver no pão ralado deste pequeno mundo dos jornalistas, não tão límpido e de excelência como o pinta o DO ao citar PC ou VJS etc.
    Dá de si a imagem de alguém despeitado, fazendo um ataque desnecessário a uma realidade na qual também transpira mas cujos contornos não determina, para um não crente em si ou nos outros é uma realidade evidente.
    O que sobra do seu ataque (opinião é outra coisa) fica dito, não gosta do PP e do JMF, sabe-lhe a fel um ter um brinquedo, que por ventura devia ser seu por mérito, e em contra peso ainda é discípulo da “besta” o PP. Assim não vai lá. Não deixe o seu futuro ao sabor dos seus amargos de boca. De onde está pode e deve reconstruir-se diariamente e utilmente. O DO representa, em sentido oposto, embora ao lado um do outro, as “Fátinhas da TV”. São os dignos representantes do votante mediano, em si não é nada mau. São como são.

  34. 34 34  Daniel Oliveira

    Ramalho Santos, espero que não seja jornalista. Com uma escrita tão barroca gasta demasiadas palavras para não se perceber grande coisa.

  35. 35 35  Euroliberal

    O que faz falta é desneoconizar o Público…uma limpeza com o Kärcher em profundidade…aquilo é um lumpanar bushista. Putas velhas como o director precisam de passar à reforma…

  36. 36 36  Fado Alexandrino

    O que faz falta é desneoconizar

    Também acho.
    Você fica com os homens eu com as mulheres.

  37. 37 37  Sebastião Dias

    Viva, Daniel, já cá não venho há algum tempo. Anteriormente vi o seu blogue com publicidade a voos low- cost e a aparelhos de «pénis-enlargement», mas devo ter visto mal, ou então já decidiu retirar a publicidade – no fim de contas parecia um blog muito capitalista. Mas a linha trauliteira do blog continua e continua a não surpreender. Sinto a sensação de não ver um amigo há muito tempo e de pensar que afinal não se passou tempo nenhum.

    Ficamos assim felizes em saber que o Daniel Oliveira acha que José Manuel Fernandes é um militante da direita conservadora, é dogmático, faz um jornal sem linha editorial, capaz de arrogâncias medíocres, e que apesar de ter transformado «melhor diário português numa trincheira ideológica contra-natura», mas que «depois das sucessivas sangrias sem renovação, continua a ser o jornal diário com os melhores jornalistas, com o melhor grafismo, com a melhor secção internacional, com a melhor fotografia» e, tanto quanto percebi, continua a ser o seu diário de eleição.

    Claro que também não foi capaz de resistir à tentação de morder os calcanhares ao seu odioso Pacheco Pereira por um dia ter sido director deste jornal. Entretanto, apesar de mais este ataque pessoal a PP, ficámos sem saber o que achou da edição comemorativa por ele dirigida, nomeadamente a seriedade jornalística do artigo especial dedicado ao negócio «Casino Lisboa», assim como outros. É sempre mais fácil atacar a pessoa do que fazer um comentário sério do seu trabalho. Nada que não estejamos habituados da sua parte.

    Infelizmente para si, o José Manuel Fernandes, anteriormente de extrema-esquerda veio para a direita, o Pacheco Pereira, anteriormente de extrema-esquerda veio para a direita, o PS, anteriormente de esquerda veio para a direita, um eleitorado cada vez mais de centro-direita. Sim, se o bloco quiser ser poder um dia, terá de se coligar com a esquerda-envergonhada-por-ser-de-direita ou todos os que se encontram à sua direita. Talvez quem tenha razão seja o velho Louçã.

    Eu sei que o país não merece o Daniel Oliveira, mas estou certo que, na falta de propostas para termos o Daniel Oliveira director de um grande jornal, certamente com um alinha editorial trauliteira de extrema-esquerda moderna, talvez fosse melhor fundar o seu próprio jornal, se tiver tomates para tal, eventualmente com o seu amigo e camarada de partido Miguel Portas, que conta já com experiências importantes de muito sucesso na direcção de projectos editoriais. Felicidades.

    Prometo arranjar mais tempo para fazer alguns comentários no seu blog, contribuindo assim para a pluralidade de opiniões (que só vêm enriquecer aqui a tasca). Abraço

  38. 38 38  Ramalho dos Santos

    Ora diga lá Caro Daniel Oliveira porque espera ou deseja que eu não seja jornalista? Por gastar demasiadas palavras? Não é próprio do métier usar e abusar das ditas? Por ter uma escrita barroca? Saberá o preclaro Daniel Oliveira o que isso é? Descobriu posições clíticas erradas? Ou será algum despropósito no uso da próclise, da ênclise ou da mesóclise? Ensine.
    Não percebeu grande coisa? Assim não aprende. Diga-me ponto por ponto o que não entende e assim poderei tentar fazer alguma luz nessa caverna semiescura dos seus enredos. Só lhe falta vinte anos de vida para estarmos ao mesmo nível, se medir as coisas assim dizer-lhe-ei que visto do seu lado terá que durar mais metade do que já viveu. Quanto ganhará em euros em tanto tempo. Observado deste altar onde me encontro só lhe falta um terço do que eu já vivi. É de jornalista ou não? Não será seguramente, dirá o Daniel, só falta provar.

  39. 39 39  Daniel Oliveira

    «Descobriu posições clíticas erradas?»
    Nem percebi que havia alguma posição.

  40. 40 40  Ente Lectual

    Confesso que tenho algum prazer em ler o seu blogue, mas estes arrombos “ideológicos” dão um ar tacanho e pessoal à coisa.

  41. 41 41  jorge oliveira

    Também sou leitor do Público deste primeira hora. Também não gostei durante muito tempo das posiçoes assumidas por JM Fernandes. Ultimamente gosto mais. Quanto ao jornal dirigido durante um dia por Pacheco Pereiro, tive uma primeira reacção negativa mas, confesso, li o jornal desse dia e gostei!

  42. 42 42  Pedro Lerias

    Concordo com a análise.

    Considero que num bom jornal o editorial não é escrito pelo boss do lugar mas reflecte melhor a redacção no seu conjunto.

    JMF não tem o mínimo sentido de decoro, ou profissionalismo (reconhecer a sua audiência e respeitá-la, respeitar a redacção, etc). Nem de humildade.

    Pessoalmente, acabei a ler imprensa estrangeira online. Deixei de comprar o Público há uns anos.

  43. 43 43  Jorge Fallorca

    Alto e pára o baile!!! «Trabalhei primeiro na secção de política e depois na informação não diária (sobretudo no suplemento “Mosca”), estando para isso integrado na redacção. Se precisa de mais, a minha secretária era ao lado do falecido Fernando Brederode dos Santos. Escrevi inúmeras reportagens, a maioria delas publicadas naquele suplemento semanal, como poderá confirmar nos arquivos do DL e da Hemeroteca.» Daniel, não custa nada sermos honestos e dar a mão à palmatória, a ser verdade o que afirmas em relação ao suplemento “A Mosca”, onde estavas no dia em que o António Cabrita, que o coordenava, se baldou e tive de ser eu, Jorge Fallorca, e a pedido do Rodrigues da Silva, via Diana Andringa, a fechá-lo????
    Presunção e água benta….

  44. 44 44  Daniel Oliveira

    Jorge Fallorca, vá a hemeroteca e consulte. Pergunte à Diana Andringa, ao Mário Mesquita, a quem entender. Não faltava mais nada. Nunca coordenei a Mosca nem disse que o fiz, nem podia dizer. Disse apenas que a maior parte das minhas reportagens foram publicadas na Mosca. Tinha 20 anos. Mal seria que me pusessem a coordenar fosse o que fosse… Não percebo ao certo o que quer dizer: que estou a mentir e não trabalhei no DL? Que as minhas reportagens não foram publicadas sobretudo na Mosca? Que não comecei por trabalhar na secção de política? Onde está exactamente a minha presunção? O que raio disse eu que lhe permita este tom? Isto de facto há cada um… Pediram-lhe para fechar a Mosca? Parabéns, leve a taça. Não percebo o que eu tenho a ver com isso. Até, porque como lhe disse, saí do Lisboa antes dele fechar para ir para a tropa e era um puto que não mandava nada no jornal. Fazia as reportagens que me mandavam fazer. Ponto. Se tem alguma coisa a desmentir…

  45. 45 45  Jorge Fallorca

    Não preciso de ir à hemeroteca, conservo a colecção da Mosca, não ando com a “mosca”… E a haver aqui algum tom dissonante e sobranceiro, é o que habitualmente o caracteriza. Quanto à taça que tem a amabilidade de me oferecer, vc sabe perfeitamente ao que me refiro: arrivistas como o Cabrita e vc, que quando não sabiam dar conta do recado, ou a ressaca os ultrapassava, contavam com o braço protector quer da Diana, do Mesquita ou do catavento Rodrigues da Silva.
    Vc tenta ainda, como se nisso houvesse algum mérito, em afirmar que a sua secretária ficava ao lado do Fernando Bredorode dos Santos, como se isso lhe conferisse algum privilégio além do hálito a álcool. Passe bem…

  46. 46 46  Daniel Oliveira

    Jorge Fallorca, o senhor não deve bater muito bem. Suponho que a propósito de ressaca não se refira a mim, já que sou próximo de abstémio. Quanto ao mais, era pouco mais do que estagiário, e não mandava em nada mas cumpria sempre as minhas obrigações. Deixo essas pequenas vinganças ressentidas para si. Referi a minha secretária para tentar avivar a memória de alguém que julguei ser do Diário de Lisboa. Passar bem e vá resolver os seus problemas que parecem ser graves.

  47. 47 47  O Salgador da Pátria

    Vejo que este assunto provocou aqui uma explosão de comentários igual ao penteado matinal da Manuela Ferreira Leite.
    Do “P”, como foi supra-mencionado, só passo os olhos pelo site e em diagonal há já algum tempo. Vivemos num país triste com uma imprensa que me faz rir: da “Dica da Semana” do LIDL aos ditos “jornais de referência” nacionais vai um passo muitíssimo curto.
    Agora espero um posto destes para cada um deles Daniel: todos merecem, embora o caso do “P” seja naturalmente o mais grave.

  48. 48 48  eu

    contra-natura é ser homossexual !

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