Jacques Rodrigues, presidente do Grupo Impala, teve a simpatia de enviar uma mensagem de Natal aos seus “colaboradores (a expressão que se usa hoje para deixar bem claro que que não se têm obrigações para com os funcionários). Com título “Ano de 2007 versus 2008″, o senhor Rodrigues - um homem que, na facilidade como despede e contrata pessoas, antecipa o mundo maravilhoso que nos que nos reservam os nossos “liberais” - aproveita a quadra para recordar a “falta de profissionalismo de alguns colaboradores, em prejuízo dos demais e das empresas”. E, para que todos possam saborear com optimismo o bacalhau natalício, avisa que os seus postos de trabalho estão em risco.
Conhecido pela sua fúria anti-tabágica que já levou a vários despedimentos, o presidente da Impala lembra que a norma de não fumar na empresa não foi cumprida por “uma percentagem acentuada de funcionários”. E recorda que a “nova lei antitabaco que irá funcionar a partir de 01-01-2008”.
Para terminar, este bom cristão apela a “uma atitude diferente daqueles que com as suas atitudes colocam em causa o seu posto de trabalho e o de outros”. No fim, quando todos já estão muito animados e prontos para um novo ano, o presidente da Impala dedica uma linha e meia à quadra e deixa “expressos os votos de boas-festas e bom Ano Novo a todos os colaboradores e famílias”.
É o patrão do século XXI. Directamente chegado do Século XIX.


Fotos roubadas ao Para Mim Tanto Faz. A redacção da Focus (do grupo Impala) no Natal de 2006. E a redacção da Focus em Novembro (já deve estar diferente). O grande problema de Portugal é a rígida lei do trabalho e a impossibilidade de despedir os trabalhadores, não é?
Por Daniel Oliveira 22 Dez 07 em Jornalismo, Natal, Trabalho


Além de focar o seu post nos trabalhadores que a Impala terá despedido durante 2007, o Daniel deveria também lembrar os trabalhadores que a Impala contratou durante o mesmo ano. E durante os anos transatos. Certamente que a Impala não se limita a despedir trabalhadores - também contratará muitos.
Quanto aos trabalhadores que fumam no local de trabalho, acho muito bem que sejam postos no olho da rua. A minha mulher ficou com a saúde arruinada pelos anos que passou em empresas com colegas a fumarem-lhe para cima. Se não querem ser civilizados, se querem fumar, que criem o seu próprio emprego e fumem sozinhos nele.
Recomendo ao senhor Luís Lavoura que vá já a correr pedir emprego ao sr. Rodrigues. Ou então, caso, como suspeito, já trabalhe no palácio envidraçado de Ranholas, que vá diligentemente mostrar esse seu comentário ao patrão da Impala. Estou certo que o Sr. Joaquim lhe ficará muito agradecido.
Esta não percebi,os postos de trabalho estão em risco por causa dos fumadores?
Eu propunha que o sr. Lavoura contasse o número de jornalistas (e até directores) que a focus já teve na sua curta existência antes de fazer comentários desses. E já agora que contasse também quantas vidas o senhor Jaques já arruinou. Não é só o fumo que mata. não ter dinheiro para pagar o jantar também ajuda. e como gostam de dizer os liberais (ia chamar-lhes outra coisa mas o tipo da juventude popular ou o biotecnólogo de serviço ao dn ainda se ofendiam) que por aí pincham, se um tipo estiver disposto a arruinar a vida a trabalhar num sítio cheio de fumo pq caralho (uma cedência à linguagem clara e sem rodriguinhos do blogger Pedro Vieira) não o há-de fazer? O espírito de Natal dos católicos também me surpreende sempre. Muito beatos, muito papa-hóstias, mas quando um empresário (e empregador, claro está) desfaz qualquer espírito natalício na mensagem com que devia estar a celebrar o nascimento do Salvador, logo os seguidores da Obra e seus apaniguados lhe tecem loas. Ninguém explicou aos senhores que não se misturam cagalhões com marmelos? O que pode ir numa mensagem de chamada de atenção não pode ir numa mensagem de Natal? (Assinado: um adepto da nova lei do tabaco, tirando as permissões na prisão)
Como é que você sabe que ele é Cristão? Ter-lhe-á dito a título particular nalgum encontro havido entre os dois? A na religião que você professa, um misto de agnosticismo com ateísmo, não encontra gente deste calibre? É tudo gente moralmente irrepreensível?
Caro Luís Lavoura
Quando se souber na pele dos brancos apagados depois a gente conversa, está bem?
Estamos perante o vazio. Portugal nunca teve empresários com a cultura capitalista, capazes de equacionar o futuro a médio e longo prazo, mas apenas sanguessugas como os patos-bravos que pensam num negócio até terem casa para a amante… Mais deprimente ainda na Socratelândia é que até o Partido Comunista deixou de fazer oposição e começou a gozar connosco:
Esperava-se do PCP que fizesse oposição, mas também já se demitiu, e só fala por falar, pois é incompreensível que proponha para o salário mínimo nacional um valor que apenas difere do proposto pelo Governo em apenas 50 cêntimos! Sócrates propôs 426,00 €. Vasco Cardoso, da Comissão Política do PCP, sustentou que o valor fixado “ficou aquém do proposto” pelo partido, que era de 426,50 €, e “das necessidades de milhares de trabalhadores” dos sectores da indústria têxtil, eléctrica e do calçado. Portugal Diário (18/DEZ/2007)
- O que é que temos de fazer?
http://netodays.blogspot.com/2007/12/o-partido-comunista-gozar-connosco.html