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O Pedro Sales tem toda a razão. A abertura de um quinto canal de televisão em sinal aberto é uma péssima ideia. Na televisão, as coisas vão apenas piorar mais um pouco. Com o cabo e a Net a ganhar espaço nos segmentos com maior poder de compra, continuará a guerra para captar o máximo de público com o mínimo de custos. Isto não quer dizer que se dê às pessoas o que elas querem ver. Quando os interesses são cada vez mais diferenciados, a televisão generalista, a única acessível aos mais pobres, limita-se a procurar o mínimo denominador comum: o que afugenta menos pessoas. E como as receitas em publicidade diminuirão, os custos em produção também terão de baixar. Concursos e novelas são a coisa mais barata para produzir dentro dos produtos de consumo indiferenciado. E como os preços da publicidade vão baixar o tempo de publicidade terá de subir.

Mas a tragédia será mesmo para a imprensa e rádio. Com o mercado da publicidade a aceder a saldos televisivos (o que na realidade já acontece), o pouco que ainda resta para a imprensa e rádio generalistas - que chegam a menos gente - vai acabar de fazer a migração, aprofundando ainda mais a crise no jornalismo nacional. Ou seja, com televisões generalistas com menos receitas (e por isso menor disponibilidade para investimento em áreas quase sempre deficitárias, como a informação) e jornais e rádios sem anunciantes, o que aparentemente aumentaria o pluralismo - a abertura de um quinto canal - terá exactamente o efeito contrário. Dirão: a concorrência tratará de fazer fechar o canal de televisão que não conseguir ser competitivo. Falso. Eles conseguirão aguentar, nem que seja com margens de lucro mínimas. São os jornais que pagarão a factura. Porque o mercado publicitário é o mesmo.


Sem respostas ao post “Mais um canal, menos pluralismo”  

  1. 1 1  Rui C.

    Quanto ao mercado publicitário não me pronuncio porque o desconheço mas no que toca a conteúdos acho que se estão a tirar conclusões precipitadas.
    Menos dinheiro não quer necessariamente dizer menos qualidade.

    Com alguma sorte com menos dinheiro conseguem-se grelhas melhores. Que tal os excelentes Dr. House ou o 24 em horário nobre? Que tal o fim dos reality shows? Que tal o regresso de programas de debate? Ou de teatro? São tudo coisas relativamente baratas.

    Ah! E a maior vantagem de todas. menos futebol!!!

  2. 2 2  fabiana

    A solução seria qual? Proibir a abertura do novo canal? Infelizmente, parece-me, o problema da imprensa e da rádio não se coloca com a abertura de um ou mais canais de televisão. Seria uma solução maquilhada e instantânea e colocar-se-ia cada vez que abrisse um novo meio de comunicação suportado por publicidade. Também por que haveríamos de querer mais rádio e imprensa e menos televisão? É que, segundo essa lógica, não se permtiria a abertura de novos canais de televisão para que fosse possível manter algum jornal ou rádio. Quem garante que a imprensa e a rádio nos asseguram melhor informação? Mercantilistas como todas são hoje… O que se devia fazer era garantir apoios para a continuação da imprensa e rádio (neste caso em situação desfavorável), apoios que deveriam ser dados pelo Estado (que deve garantir o direito à informação dos cidadãos – direito esse que é assegurado pela pluralidade de fontes e meios).

  3. 3 3  jrd

    No tempo em que a RTP estava orgulhosamente suja, perdão, só; também se dizia que as receitas publicidade não chegavam para mais canais. Depois foi o que se viu com a TV da ICAR a exibir imagem de seminuas a comer semi-frios.
    Agora vai ser mais do mesmo i.é., lixo a vender lixo, durante dez minutos em cada sessenta.

  4. 4 4  Tonibler

    Boa porcaria de argumento, Daniel. Outra ameaça aos jornais é este blog e onde é que está o teu arrependimento?

  5. 5 5  João Dias

    Discordo desta tese, aliás ouvi-a primeiro através das palavras de Pinto Balsemão que normalmente nestas coisas é de uma imparcialidade e desinteresse extremo.
    Sugiro que se pense no caso concreto dos Gato Fedorento como elemento de refutação desta tese miserabilista no que toca a fontes de rendimento da televisão. O elenco dos Gato Fedorento terá saído da Sic Radical porque a Sic apresentava como motivo da não subida dos seus rendimentos o facto de estarem em canal de cabo e não em canal aberto, vindo mais tarde a exibir episódios em canal aberto sem autorização do elenco. No início deste post é referido em contraponto o caso do cabo e da net, ora a administração da Sic considerou que na Sic generalista é que há condições para pagar mais dinheiro, de onde eu depreendo que logicamente será de onde se poderá arrecadar mais receitas.

    Nós vemos por exemplo que a Sic apresenta uma dualidade de qualidade entre cabo e generalista acentuada, agora se a Sic tem orçamento para fazer programas de qualidade em cabo não tem para fazer em canal aberto?? E será que os problemas são mesmo orçamentais??

    Parece-me que Daniel erra ao dizer que os concursos e novelas serão a opção mais barata que não afugente as massas, que esses serão o denominador comum em termos de aceitação do público e em termos orçamentais. Não me arrisco a dizer que concursos e novelas não tenham uma aceitação tentadora, é precisamente no orçamento que tenho sérias dúvidas, tenho sérias dúvidas que seja preciso recorrer a novelas e concursos por motivos orçamentais. Os programas de humor, os debates, os programas culturais/cidadania, por exemplo, serão em geral passíveis de ter orçamentos mais baixos que novelas e concursos. A questão orçamental não pega, já a das audiências pega, mas isso simplesmente traduz o óbvio, que as estações televisivas não se pautam por qualidade, pautam-se por desejo de lucro fácil.

    Não digo que as receitas de publicidade não diminuam devido a esta relação procura/oferta, parece-me é demagógico dizer que isso é motivação para se excluir a hipótese de abertura de novos canais. Pessoalmente prefiro canais públicos, porque se geridos como coisa pública claramente podem ser pensados para a qualidade e estarem desfasados desta lógica de procura/oferta visto serem alimentados por vias indirectas.

  6. 6 6  rouxinol

    “E como as receitas em publicidade diminuirão, os custos em produção também terão de baixar.”

    Pressupõe, de forma errada, que não existe uma margem lucrativa para absorver a queda das receitas com a publicidade.

    O raciocínio leva-nos a concluir que a competição nos media leva à sua tabloidização. E eu concordo. E é por isso que temos um canal que é pago pelos contribuintes, e que por isso não se tabloidiza (ou assim era suposto).
    Dizer que é necessário conter a entrada de mais concorrentes (estilo, condicionamento industrial) para impedir que apertos orçamentais conduzam os media para o sensacionalismo ou para uma indigente prostituição a grupos de pressão, é o mesmo que dizer que a televisão pública falhou.
    A mesma lógica levar-nos-ia a conter o aparecimento de mais jornais, ou mesmo blogs com publicidade.

    “Dirão: a concorrência tratará de fazer fechar o canal de televisão que não conseguir ser competitivo. Falso. Eles conseguirão aguentar, nem que seja com margens de lucro mínimas.”

    O mesmo não se pode aplicar aos jornais?
    Talvez os jornais se vejam obrigados a transformar o seu output e não há condicionamento que altere esse caminho.

    Cumprimentos

  7. 7 7  Jam

    Não se precipite. Televisão em HD significa melhor qualidade do que um DVD.

  8. 8 8  Patricia

    É evidente que para os que já estão instalados mais um canal de sinal aberto é um problema de concorrencia.Basta ouvir Balsemão para perceber.Contudo segundo o que se consta os interessados são dois grupos,um que detem o DN e outro que detem o CM.Se a qualidade do novo canal for igual á dos jornais citados só pode via por aí mais lixo.

  9. 9 9  Josué

    Dê cumprimentos ao Balsemão…

  10. 10 10  PTB

    “São os jornais que pagarão a factura. Porque o mercado publicitário é o mesmo.”

    Lamento, mas é completamente falso.

    (Aliás, repare que se assim fosse já não existiram jornais em muitos países)

  11. 11 11  aviador

    Quanto ao mercado pub. quem não sabe ser caixeiro feche a loja.

    Quanto a conteúdos, será que ainda haverá pior?

    Oh Daniel- deixa lá eles f… uns aos outros.

  12. 12 12  Á de Moura Pina

    Viva o pluralismo de um canal só!

  13. 13 13  C.INDICO

    E os gajos da COFINA e CONTROLINVESTE se disserem entretanto mal do governo ficam sem licença….eh,eh,eh, admiro o Sócrates, para cabrões Cabrão ao quadrado.

  14. 14 14  Ricardo Sebastião

    Não vejo qualquer problema naquilo que enunciaste!

    O que querias era que o Estado tomasse o controlo dos canais e metesse concertos de ópera, peças de teatro e o Expresso da Meia Noite 24h sobre 24h?

    Pois é, o raio do povinho só quer é ver bola, concursos e novelas, só pode estar alienado pelo grande capital! E cúmulo dos cúmulos os jornais não param de perder compradores! Devia haver uma lei para obrigar as pessoas a comprar jornais! Isto de as notícias estarem disponíveis gratuitamente na net é uma chatice e só prejudica os menos afortunados em favor dos ricos!

    Catano, sempre a mesma mentalidade!

    Deixem abrir os canais e eles que decidam qual a respectiva grelha! Quem não quiser ver, muda de canal ou desliga a TV!

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