É muito interessante ver as vagas de repetições na comunicação social. Sairam os livros e os artigos, os blogues repetiram e a imprensa aqui da província levou ao povo. Nunca falha. Neste aniversário da morte de Che Guevara foi o coro: desmontar o mito. Nem contraditório, nem investigação própria. Repetir, repetir, repetir. E compreende-se. É o que falta na limpeza geral do imaginário popular da esquerda. Por mim, que não sou fã de Che, não me incomoda grande coisa. Mas lá que tem graça ver a disciplina com que comunicação social segue a onda, lá isso tem. E com o novo DN, que nem precisou de mudar de jornalistas, sempre na linha da frente.
Recordo: este não é o aniversário da revolução cubana. É o aniversário da execução sumária de Che Guevara. Ninguém diria, pois não? Está a ver esta imagem aqui em baixo? É mito. Nunca aconteceu.




Concordo com a sua análise de desmontagem do mito. Mas não terá sido o processo de montagem do mito em tudo semelhante?
E em que tema é que a imprensa não se comportou assim? A não ser que lhe seja encomendada a notícia, dizem todos a mesma coisa.
PS: Para quem não é fã…:)
V. Daniel está cada vez menos fã de qualquer coisa.
Parece que anda a redefinir-se constantemente. Sempre a evocar o post antigo para se justificar. V., acredite, não era assim. Era um homem livre e solto.
Ai o brilho e o poder das luzes da ribalta!!
A Torgado
Como de costume há aqui muita desinformação. O que dá boleia a discursos reaccionários a condizer. A mistificação mais corrente, que salta mais à vista, é a de que o “Che” fosse pró-soviético. Quando da “crise dos misseis” em 1962 o caso resolveu-se entre Kennedy e o Krustchev sem que os Cubanos tenham sido sequer ouvidos nem achados para as decisões que foram tomadas. Claro que a partir daqui, ao contrário do que a desinformação encartada quer fazer crer, as coisas azedaram-se. A natureza imperialista dos dois campos ficou mais que exposta. E Che Guevara foi o primeiro a compreende-la, vendo que a solução estava na emancipação dos povos, cada um per si. O mais que ele podia fazer era ajudar onde fosse preciso, na consciencialização dos povos para essas lutas. E assim fez.
Quanto à crise dos misseis, mais tarde veio-se a saber que Krustchev tinha trocado a protecção de Cuba pela promessa dos americanos em não instalar bases militares na Turquia. That`s it. Aí está o “pró sovietismo” do Che
Era para escrever no outro post, mas escolho este que é mais fresquinho… Falava o Daniel de que nao podemos deixar de associar Che ao movimento comunista, como nao podemos deixar de associar Salazar a movimentos autoritarios de direita. Certo. A palavra Fascismo é de facil uso na europa ocidental e demonstra que muita gente nao sabe, nem tem ideia do que é. Basta ser um pro-americano pra ser fascista, o que representa bem esta caracteristica de ignorancia. O que eu quero com isto dizer é que todos os regimes comunistas tiveram os mesmos principio e o objectivo de atingirem os mesmos fins, isto faz com que haja um relacionamento muito maior entre estes que, por exemplo, entre Hitler e Salazar, que nem tinham os mesmos principios nem pretendiam os mesmos fins. Alias, encontro muitas mais relaçoes entre regimes comunistas e e regime Nazi, que este com o regime de Salazar. Termino, e espero que tenha sido claro, para tentar exprimir a minha opiniao no que se refere a tentativa da extrema-esquerda de tentar fazer sub-divisoes dentro de regimes comunistas, entre Estalinismo, Maoismos ou Castrismos…
As democracias das esquerdas avançam perigosamente na América Latina.
Quando só havia guerrilheiros revolucionários, era fácil desacreditá-los aos olhos do mundo e metê-los todos no mesmo saco dos esquadrões da morte.
Quando o resultado vem do voto popular, a coisa torna-se mais difícil.
A necessidade de desmontar o mito do Che tem muito a ver com a vontade de impedir que estes novos regimes possam vir a ser inspiração para uma nova ideologia alternativa ao capitalismo neoliberal susceptível de ser exportada a granel.
O marxismo foi amaldiçoado muito por culta dos neosovietes e dos neomaoistas.
A América Latina parece-me ser o único lugar do mundo que tem condições para criar uma teoria neomarxista.
A propósito do artigo do DN, deixo aqui um texto que faz a “desconstrução” dessa abjecta montagem do “outro lado do mito”.
Vale a pena ler:
http://blogvisao.org/2007/10/08/067-che-guevara-de-memrias-repentinamente-recobradas-e-efemrides-oportunas-cobradas/
Foi um pessimo politico, um pessimo guerrilheiro, um pessimo ministro e um pessimo lider. Reponsavel pelo campo de concetraçao em Cuba e pela execuçao sumaria de centenas, sem do nem piedade! Por que razao vamos festejar o 40 aniversario da sua morte?Se a imagem dele represnta a utopia comunista, e estamos a falar do simbolo, nao significa que glorifiquemos o homem.Já agora, porque permite o BE, que tanto diz odiar facinoras, que usem t-shirts deste senhor nas suas reunioes e manifestaçoes?
É ternurento ver aquele senhor fazer festinhas na cabeça do mártir, qual Maria Madalena acariciando o Senhor Jesus Cristo no leito da morte. Isso até dava para cartaz propagandista de Santuário de Peregrinação, tipo Fátima.
O mesmo se passa quando se fala no Estado Novo ou no 25 de Abril. A cassete, sempre pronta, começa logo a repetir… Por mim, que não sou fã de um ou de outro, não me incomoda grande coisa. Mas que tem graça ver a disciplina com que, entre outros, o Daniel Oliveira segue a onda, lá isso tem.
essa é a imagem onde muitos veêm Jesus Cristo…
e onde outros veêm a “Lição de Anatomia” de Rembrandt
Há tipos que só morrem quando todos os cérebros forem derretidos pelas ondas hertzianas. Mas amanhã não será a véspera desse dia.
Che vive. Danem-se!
Se ser jornalista é escrever artigos que se limitam a juntar várias declarações mais ou menos parciais encontradas pela net ou pelas biografias, então o curso de jornalismo é treta e qualquer um é jornalista.
Já ninguém consegue escrever artigos nos jornais saídos da própria cabeça? O artigo sobre Che no DN só merece um comentário: trabalho feito em cima do joelho.
Eu acho que artigos como os da Atlântico e outros, mais do que uma forma de denegrir o Che Guevara, são uma forma de branquear o fascismo com que o comparam.
O raciocínio é: Se Che é igual a Hitler e se é aceitável e normal que se ande em todo o mundo com t-shirts do Che, porque afinal de contas, mesmo não se sendo Guevarista, se pode admirar o seu idealismo, reconhecer que ele se preocupava com a fome e a miséria dos camponeses, etc, etc, então também é aceitável que se ande com uma t-shirt de hitler… É um raciocínio imbecil e inimaginável para quem tenha um pouco de bom senso, mas é o que anda a ser fabricado por aí.
A isto mesmo ligam-se questões como o Pacheco Pereira achar mal que seja preso Mário Machado, porque teria meramente cometido um delito de opinião, por exemplo…