O comportamento do primeiro-ministro como engenheiro é politicamente relevante? Não. Mas é relevante do ponto de vista jornalístico. Não se trata de nada que tenha a ver com a vida privada de José Sócrates. É, por isso, legitimamente escrutinável pela comunicação social. Caso Sócrates tenha assinado projectos de que não é autor isso é deontologicamente criticável. É notícia, já que se trata de uma das mais importantes figuras públicas nacionais. É politicamente irrelevante. Se no desmentido, Sócrates tivesse mentido, isso seria bem mais grave.

Quanto ao suposto facto de ter cumprido funções privadas enquanto recebia subsídio de exclusividade de deputado, as coisas são mais simples: se é ilegal, é politicamente relevante, porque se trata uma falha enquanto ocupava um cargo político. Se, como diz Vital Moreira, a notícia não é rigorosa, o jornal “Público” deve corrir o seu erro e pedir por ele desculpa. Se Vital Moreira não tem razão, Sócrates deve responder politicamente por isto.

Em qualquer um dos casos, a reacção do primeiro-ministro a más notícias é infantil. Acusar os jornais de perseguição política, de casa vez que sai uma má notícia, é sinal de pouco espirito democrático. Cabe ao primeiro-ministro, em relação à primeira notícia, garantir que é mesmo autor dos projectos que assinou e, em relação à segunda, que era legalmente aceitável fazer os trabalhos que fez e que os fez realmente de forma gratuita. Mais nada. Os jornais trazem notícias. A isso chama-se liberdade de imprensa. O que interessa é saber se são verdadeiras ou falsas.

Quanto à recorrente acusação de que o “Público” investiga o primeiro-ministro por causa de interesses económicos de Belmiro de Azevedo, nada tem de novo. É a reacção de sempre, sempre que um jornal é desagradável para o poder. E tem graça, tendo em conta que vem do partido que tem resistido a uma verdadeira e eficaz lei anti-concentração da comunicação social. Interessa saber duas coisas: as informações são falsas? O mesmo tipo de informação, sobre um dirigente da oposição, não seria publicada no mesmo jornal? O que não é aceitável é que um jornal cujo proprietário tenha um diferendo com o governo passe a estar limitado na sua liberdade de investigar esse mesmo governo. Nem isso, nem o oposto.

Claro que a exposição de José Manuel Fernandes, que se comporta nos seus editoriais e posições públicas mais como um polemista e político do que como um director de um jornal. ajudam a este tipo de acusação. José Manuel Fernandes fragiliza o “Público” de cada vez que insulta, como já fez várias vezes, dirigentes políticos, dando sinais de não compreender o lugar sensível que ocupa. Para a polémica, o confronto e até, quando necessária, a agressividade argumentativa existem colunistas a que o jornal paga para fazerem isso mesmo. O jornalismo é outra coisa.


Sem respostas ao post “O que interessa?”  

  1. 1 1  Justicialista

    Mesmo que essas notícias sejam verdadeiras, a culpa morrerá sempre solteira. Tal como aconteceu com o caso “Independente” ou com o Deputado embriagado José Raúl dos Santos. E isto para não falar nos casos “Casa Pia”, “Apito Dourado”, “Fátima Felgueiras”, “Isaltino de Morais”, “Avelino Ferreira Torres”, “Voos da CIA”, “caso UGT- Torres Couto”, etc.

  2. 2 2  na_hora

    Tá, de acordo, mas agora dig’eu, como escrito ali abaxo:

    Sem dúvida, estas coisas, falsas ou verdadeiras, na parte ou no inteiro, mesmo que desenterradas por bem, simples inveja, vingança ou mau feitio (que assim deus nos livre de cerejos e balbinos!), são como o bicho da calúnia para um qualquer PM, igual que para nós todos, ninguém se engane, face ao pouco que nos sobra numa escolha de entre os mesmos responsáveis da política à portuguesa, depois da recém-lembrada como incapaz monarquia…

    pois que querem que lhes faça, se, para exemplo, a cada novas eleições, o PCP e o BES não passam de 5-10% (dos cinco aos dez por cento)?

    se à vista de um tal tremendo desaguizado da sorte os portugueses são levados, entrementes, a entreter-se com tais ninharias de sócrates, como dos santanas e portas, meus amigos?!…

  3. 3 3  Scolari

    Caro Daniel:
    Fui leitor do Público desde a sua fundação.
    Sempre foi o “meu” jornal que religiosamente li anos a fio.
    Ora, para quem acompanhou a evolução do Público nos últimos anos há algo que só quem não for sério pode ignorar: o Público passou a ter uma “agenda” claramente liberal e à direita e nos últimos tempos vem prosseguindo uma linha editorial de clara perseguição ao PS e ao PM.
    Desde as notícias sistemáticas acerca da vida do PM, passando pelos editoriais, pelos títulos das notícias que nao batem certo com o seu conteúdo, tem valido de tudo.
    Exemplo “de escola” é um artigo não assinado que saiu nos dias seguintes ao discurso de Natal do PM intitulado “Discurso visto à lupa” ou algo parecido em que o jornal, num “artigo” não assinado, pura e simplesmente faz política, emite opiniões, manipula números, tudo para descredibilizar o PM.
    A acabar só duas coisas:
    1. Estou particularmente à vontade para dizer o que acabei de escrever porque nunca na minha vida votei no PS.
    2. Desde há umas semanas a esta parte, deixei de ser leitor do Público. É a vida…

  4. 4 4  Daniel Oliveira

    Scolari, se a agenda é liberal porque raio havia o Público de querer combater Sócrates?
    JMF tem uma agenda clara. Acho abusivo estender isso a todo o jornal.

  5. 5 5  Justicialista

    Assistiu-se hoje a gigantescos protestos na Turquia contra a proposta legislativa de eliminar a proibição do uso do véu islâmico nas universidades. Os militantes seculares exigem a manutenção da lei anti-véu, em vigor desde a década de 80. Alguns militantes anti-islâmicos apelam mesmo ao derrube do governo e do Presidente pelo exército, caso a lei entre em vigor.
    O partido no governo, AKP (no ocidente, apelidado de “islamita moderado”), diz que a lei tem como objectivo permitir o acesso à universidade a milhares de mulheres que se viam impedidas por essa lei.
    O Tribunal Constitucional poderá declarar inconstitucional a lei, que passará por larga margem no Parlamento.

  6. 6 6  josé Manuel Faria

    Excelente análise Daniel, parabéns. Há muita esquerda que está calada por pensar que se trata de um ataque ao carácter do PM, não é. O escrutínio político tem de abarca também o passado para o sr. não se armar em impoluto.

  7. 7 7  rosinha dos limões

    Estou 100% de acordo com o SCOLARI…
    O Público parece ter um objectivo primeiro que não o de informar, ou noticiar,mas antes “enxovalhar Sócrates”, vasculhando-lhe a vida!
    Também não sou simpatizante do homem nem do partido, mas rendo-me às evidências.
    Quanto à liberdade de informar do jornal e dos jornalistas, é indiscutível.

  8. 8 8  Pedro Penilo

    “Quanto à recorrente acusação de que o “Público” investiga o primeiro-ministro por causa de interesses económicos de Belmiro de Azevedo, nada tem de novo. É a reacção de sempre, sempre que um jornal é desagradável para o poder.”

    Gostaria de perceber em que é que a investigação é desagradável para o poder. Ela é desagradável apenas para Sócrates. O “poder” mantém-se intacto. Porque há-de haver outro Sócrates. E quanto mais baixo descer a política, pior é para a democracia.

    Tudo na vida se resolve nas prioridades. E a investigação não é uma “notícia caída do céu”.

    O “Público” correidamanhãnizou-se.

  9. 9 9  Bolota

    “ Por outro lado, uma declaração subscrita por ele próprio em 13 de Abril de 1992 vai ainda mais longe: “(…) declaro por minha honra (…) que pertenço ao quadro técnico da firma Sebastião dos Santos Goulão, Industrial de Construção Civil, na qual exerço as funções que competem à minha profissão por forma efectiva e permanente (…).” Nesta altura, já no decurso da VI Legislatura, José Sócrates, mediante um novo requerimento, já estava a receber, desde Janeiro de 1992, o subsídio de exclusividade que manteve até ao fim do mandato, em 1995. ”

    http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1318441&idCanal=12

    Scolari, pode até deixar de ser leitor do Publico por outra cosia qualquer, mas por esta…Acha normal que um jornal ou jornalista sem qualquer tipo de provas ou fundamentos iriam levantar uma questão tão melindrosa como esta???
    Bukassianos parecem-me os desmentidos descabelados que por ai, á boca fechada, vão surgindo.

    Processar o Jornal não seria um procedimento de imediato???

  10. 10 10  Bang Bang

    Boa análise. Mas existem umas coisas que o Daniel não sabe. O Público tem 3 jornalistas alocados exclusivamente à “causa” de vasculhar o passado de Sócrates, com o intuito unico de descobrir situações que o comprometam. Por isso quando o Daniel pergunta: O mesmo tipo de informação, sobre um dirigente da oposição, não seria publicada no mesmo jornal? A resposta é um rotundo “NÂO”. E isso faz toda a diferença. Por isso, o post só é bom porque o Daniel desconhecia esta informação.

  11. 11 11  dsm

    Relembremos o texto do seu primeiro post sobre este assunto: “Aqui estão as casas-tipo-méson cujos projectos foram assinados por Sócrates. Assinou os projectos mas não foi da sua refinada cabeça que tamanhos estes mamarrachos. O homem pode não ser muito rigoroso, mas tem bom gosto”. Sem “ses”, sem “caso…tenha”, sem “suposto facto”, não é? Quando se trata de Sócrates, o Daniel come tudo o que lhe põem no prato, só depois se põe a palitar deontologias e importâncias relativas. Se relermos o que agora publica, verificamos que é um fartote de “ses” e expressões equivalentes. Faltou-lhe a onda que se preparava para cavalgar, não foi?

    Mas não deixa de ser um bom exemplo do jornalismo que vamos vendo por aí.

    Se, por exemplo, um jornal titulasse uma notícia sobre um recente caso em Rio de Mouro com um sereno “Mais uma vez, pretos matam”, o Daniel limitar-se-ia a comentar: “O que interessa é se é verdadeiro ou falso.” Pelo que vi na televisão, parece que é verdadeiro: os intervenientes eram negros e, obviamente, não é a primeira vez que um negro mata alguém. Portanto, para o Daniel, tudo bem. Jornalismo puro. Pura objectividade. Nada na manga.

    As campanhas jornalísticas são como a corrupção: difíceis de provar, mesmo quando óbvias. Que Sócrates fale das primeiras como Marinho Pinto fala da segunda é apenas refrescante. Que Daniel Oliveira venha defender as suas corporações (os jornalistas directamente e a Impresa por interposto Público) “nada tem de novo. É a reacção de sempre, sempre que [alguém] é desagradável para” um jornal, ainda que não seja o nosso, não é?

  12. 12 12  tric

    “Claro que a exposição de José Manuel Fernandes, que se comporta nos seus editoriais e posições públicas mais como um polemista e político do que como um director de um jornal. ajudam a este tipo de acusação. José Manuel Fernandes fragiliza o “Público” de cada vez que insulta, como já fez várias vezes, dirigentes político, dando sinais de não compreender o lugar sensível que ocupa. Para a polémica, o confronto e até, quando necessária, a agressividade argumentativa existem colunistas a que o jornal paga para fazerem isso mesmo. O jornalismo é outra coisa.”

    o estranho é que quando santana lopes era 1ºministro , os editorialistas dos orgãos de comunicação social deste país, foram tão violentos ou mais do que está sendo a linha editorial do Publico para com o pinóquio do socrates e na altura ninguem se queixou do comportamento do jornalismo português…

  13. 13 13  Daniel Oliveira

    «Se, por exemplo, um jornal titulasse uma notícia sobre um recente caso em Rio de Mouro com um sereno “Mais uma vez, pretos matam”» violaria o seu livro de Estilo.

  14. 14 14  Nik

    Não é só o JMF que descredibiliza o Público, que já em nada se parece com o jornal dirigido por Vicente Jorge Silva. O JMF até nem é quem manda mais no jornal. O bota abaixo contra o Sócrates e o governo envolve a tempo inteiro o jornal quase todo, sem esquecer os colunistas “liberais de pacotilha”, para quem o governo de Sócrates se tornou numa obsessão raivosa. O Cerejo nem merece menção, dali já não se espera outra coisa. Sabemos reconhecer quando estamos perante uma campanha acintosa, de ataque ao homem. Não somos estúpidos, Daniel. Admiro-me com esses seus paninhos quentes a desculpar o Público e… o eng. Belmiro, coitado, que nem ficou nada cego de raiva com a OPA falhada sobre a PT. Você estará a apontar para comentador do Público?

  15. 15 15  tonibler

    O Público já me deu a certeza que se algum dos meus filhos escolher ser jornalista isso me dará uma profunda tristeza. Como dará a qualquer pai que gostaria de ver o filho com uma ocupação honesta.

  16. 16 16  João Pinto e Castro

    “Acusar os jornais de perseguição política, de casa vez que sai uma má notícia”? Quanta inocência!

  17. 17 17  estouxim

    Não é pelo facto de o Publico ser um pasquim que o Engº double proud deixa de ser um troca-tintas.
    Que qualquer residente sabe que para aprovar projectos em tempo útil nas Câmaras do interior convêm que os mesmos sejam encomendados a quem os aprova e que estes, por impedimento, os dão a assinar por uns trocos ao(s) colega(s) da câmara vizinha, não é novidade, é prática antiga e anterior ao 25-04. Novidade é o 1º vir dizer -não senhor, nunca tal pratiquei, só assinei o que a minha arte produziu, sou puro como a neve da serra.
    Força então, Daniel, com a exposição retrospectiva da arte do Engº. Fotografias precisam-se. Se for tudo como Valhelhas proponho nomeação imediata ao Nobel da Arquitectura e introdução de nova cadeira em Belas-Artes - Estética Pinto de Sousa.

  18. 18 18  Jam

    Daniel, qual foi o trabalho do Público aqui?

    O Público basicamente partiu de “ideias” que existem desde o caso do curso que basicamente consiste em ir a arquivos. O Público montou tenda em arquivos, como também às vezes se montam tendas em tribunais, para andar a trás de cassetes.

    Ora desde o caso do curso até hoje, já se mencionou várias vezes o recurso a “arquivos”. Não acredito que o Público seja o único meio noticioso a andar à procura de notícias nesses “arquivos”. O que eu vejo é essas “notícias” surgirem sempre no Público. E são sempre meias noticias. Partem de dados factuais, de arquivo, comprovados. Mas 90% são especulação. Pergunta ao empreiteiro tal e ele responde-lhes com um diz que disse, um tenho ideia ou um acho que foi. Pergunta ao PM e este responde-lhe mas noticia como “o Público perguntou tal e o PM respondeu tal”. Onde é que estão os outros 90% de factos que eles alegam? Os únicos comprováveis são os de arquivo… nem as cartas publicam. Nem se sabe bem o que perguntaram, nem se sabe bem a resposta, nem se sabe bem se perguntaram só X nem se sabe bem se lhe responderam só X. É muito fácil pegar em parte de uma resposta e “cola-la” numa notícia, perfeitamente descontextualizada, ou sem a possível justificação ou explicação que lhe seguiu. NADA! A maior parte das coisas que o Público vai enunciando como factos não são comprováveis. É pura especulação. É informação seleccionada.
    E volto ao que referi no início. É o ÚNICO meio noticioso a “descobrir” estas coisas. De entre muitos meios noticiosos, muitos deles com maior disponibilidade orçamental. É o único que, sistematicamente, consegue descortinar estas “notícias”. Comparado com o trabalho exaustivo, sempre preocupado em provar, concretamente, o que ía afirmando, que foi pelo pelo autor do Portugal Profundo; este é um trabalho jornalístico, sobretudo por ser jornalístico, verdadeiramente vergonhoso. 90% é especulação ou fabricação. E será a minha opinião até o Público apresentar os factos, as provas sobre tudo o que não consta em arquivos. É que nem as cartas entre eles e o PM… qual seria a dificuldade técnica nisso?

  19. 19 19  JC

    Porra! Mas que cambada de mentecaptos são estes comentadores!

    A propósito de mais umas notícias acerca do trapaceiro e carreirista sócrates, misturam o eventual alinhamento político do Público com o do seu director e com a falta de isenção do jornalista cerejo.

    Os jornais não existem para repetirem as notícias de agências sobre um crime em alguidares de cima, rixas de pretos e de brancos e assaltos a bancos e ourivesarias. A sua função também não se resume a darem espaço a colunistas avençados, os únicos a que parece concederem o direito a ter opiniões políticas, e que apesar de escreverem regularmente nos jornais não se sabe bem o que sejam: se políticos, se técnicos, se simples cidadãos ou se jornalistas.

    Os jornais servem para veícularem notícias e opiniões políticas, incluindo as dos seus jornalistas. Ou os jornalistas não podem ter opiniões políticas nem podem expressá-las nos jornais onde trabalham? O daniel, por exemplo, apesar de colunista, não se considera jornalista? E o que faz na sua coluna? Crónicas mundanas?

    A liberdade inclui também a liberdade de termos jornais alinhados politicamente. Quem não gostar, compra outro; quem se sentir discriminado, que arranje novos jornais, sejam eles diários ou semanários.

    E qual a imoralidade do belmiro, do balsemão ou da igreja católica veicularem nos seus jornais, rádios ou tvs a defesa dos seus interesses económicos e políticos? Haveriam de veicular os pontos de vista e os interesses dos seus concorrentes ou adversários?

    Tratemos de nos habituar ao pluralismo que a liberdade nos concede e deixemo-nos da aparência de falsas virgens ofendidas. A vida é a política, e quanto mais às claras for feita melhor informados ficam os cidadãos.

    E sobre as notícias do Público. Referem-se elas a factos não ocorridos? São insultuosas ou caluniosas? Não parece ser, de todo, o caso, mas se o visado se sente ofendido tem os tribunais para lavar a sua honra.

    São ninharias sem interesse, pecadilhos e pequenas falcatruas que nuns casos não chegam a constituir crime, mas contornam fraudulentamente a lei, e noutros casos gozam da ambiguidade acerca da exclusividade de funções? Pois, talvez. Mas são estas práticas, comuns a milhares de outros pilantrecos da classe média que se servem dos pequenos poderes que detêm no aparelho do estado para melhor se governarem, que é necessário pôr a nu, para ir mandando borda fora este caldo de cultura de impunidade da corrupção e do nepotismo instalado no país e que o estagna.

    É pena que somente um bloger e o Público tenham pegado no caso da licenciatura obtida na farinha amparo ou nestas outras falcatruas do espécime que temos por primeiro-ministro. Tudo o resto teve medo e encolheu-se, comportando-se como a voz do dono (a rtp, então, foi uma autêntica vergonha, recompensada agora com a promoção do fiel pivot e entrevistador!). É esse jornalismo subserviente que desejam?

    E o que julgam estar por detrás da forma como o país está a ser desgovernado - com o betão a invadir as reservas, com a complacência para com os crimes dos grandes e poderosos, com alterações da lei para suavizar presumíveis penas dos amigos em julgamento, com a degradação das condições de vida, com a obssessão pela contenção do défice - se não a falta de ética e a mediocridade de gente sem estatura para governar um país, cuja essência está camuflada pelo marketing político?

    Nos últimos anos calharam-nos na rifa uns exemplares de se lhe tirar o chapéu: portas, barroso, lopes e, agora, este sócrates, que a todos parece levar a palma. Foda-se! que é má sorte. É tempo de dizer basta! Para ver se gente séria se resolve a varrer a trampa que se instalou nos partidos do poder e se as oposições passam a ter colhões para desancarem nesta cabranagem.

  20. 20 20  Daniel Oliveira

    «O daniel, por exemplo, apesar de colunista, não se considera jornalista? E o que faz na sua coluna? Crónicas mundanas?»

    Não. Fui jornalista durante 16 anos. Deixei de ser jornalista e de ter carteira profissional quando assumi a assessoria de imprensa de um partido. Quando abandonei essas funções não pedi de novo a carteira. Sou colunista. Ser jornalista é uma outra coisa. Ainda assim, ser director de um jornal exige um tipo de comportamento especial, porque de cada vez que um director escreve num jornal escreve-o com esse estatuto, colando o jornal ao que escreve. E houve, desse ponto de vista, um sequestro editorial do Público por parte do seu director.

    Claro que os jornais podem ser alinhados politicamente. Acontece que o Público parece não ter o mesmo alinhamento político que o seu director. Nada do que foi o projecto do Público parece bater certo com o que diz e pensa o seu director.

  21. 21 21  eu mesma : A Esfumaçada

    Daniel:

    “O comportamento do primeiro-ministro como engenheiro”, para mim, é politicamente relevante, na estrita medida em que informa do seu estatuto ético - pessoal, profissional e social / político.

    “Caso Sócrates tenha assinado projectos de que não é autor” , para mim, é social / política, JUDICIAL e ÉTICAMENTE GRAVÍSSIMO ! porque denota um desrespeito pessoal (do PM por ele pp.) monstruoso, porque revela uma ausência de respeito ético assombroso pelos seus pares de profissão e restantes concidadãos, a par duma prepotência política desmedida (se “deontologicamente criticável”…parece-me mais do foro das associações e ordens profissionais).

    “Quanto ao suposto facto”, para mim, enquanto cidadã, não é nada, mas nada, simples!!! (é suposto ou é facto?) e…..

    “se é ilegal” é JUDICIALMENTE relevante, porque se trata de abuso de poder delegado pelos cidadãos, violação da lei, crime económico perpetrado ao Estado,etc…(os advogados e juízes sabem os restantes…)

    Se fôr falsa a notícia (qualquer delas), cabe ao PM agir judicialmente contra quem inventa notícias; se fôr verdadeira, espero (e diria mais, exigo) que os jornalistas, que estejam na posse de provas, as consubstanciem em acção judicial contra o PM de Portugal.

    Quando refere liberdade de imprensa… penso que se esteja a referir à possibilidade da diversidade de opinião; as notícias , julgo, referem-se a factos reais e portanto… verídicos. Estou enganada?

    Depois de tudo isto, resta-me dizer que, o que me interessa é :

    saber em quem devo acreditar??
    (se possível, a tempo de poder decidir a quem vou dar o meu voto).

    Atenta e Esfumaçadamente,
    sua leitora

  22. 22 22  Januario Vieira

    Com o devido respeito e salvo melhor opinião, alguem que assina um projecto agindo como testa de ferro de um funcionário que por razões de imcompatibilidade do regime do funcionalismo público se encontra impedido de o fazer é cúmplice desse corrupto funcionário.O jornal refere até um projecto manuscrito por outrém. Este ilícito não interessa só à matéria política mas também é matéria que deve ser objecto de investigação e explicação. Quem exige rigor aos portugueses tem de mostrá-lo de si próprio. Não basta assinar o Tratado de Lisboa, tem ter um passado e um presente compatível com os valores europeus e civilizacionais aceites para exercer um poder responsável. Mas, se até nomeou uma ministra da saúde acusada de pagamentos indevidos a uma instituição particular, o que é que nós podemos esperar além de mais uma teoria da cabala e uma auto-vitimização? É porreiro pá !

  23. 23 23  Fado Alexandrino

    «Se, por exemplo, um jornal titulasse uma notícia sobre um recente caso em Rio de Mouro com um sereno “Mais uma vez, pretos matam”» violaria o seu livro de Estilo.

    Mas porquê?
    Acaso uma verdade incomodativa deixa de o ser apenas porque uma raça suplanta outra em desacatos?
    Presumo que para o senhor quando uma notícia diz que um toxicodependente fez uma qualquer tropelia isso também colide com o estatuto editorial.
    Para já não falar de marido ciumento mata mulher que no seu correcto vocábulo passaria a ser pessoa interrompe a vida de outra
    Deixe-me acrescentar que li alguns artigos de jornais sobre o funeral dos dois delinquentes mortos por outro e num assunto sempre triste, algumas espacialmente as do DN assinadas por Kátia Catulo conseguem de tão gongóricas ser risíveis.
    Em nota final, os dois jovens tinham antecedentes criminais.

  24. 24 24  José M. Sousa

    «Caso Sócrates tenha assinado projectos de que não é autor isso é deontologicamente criticável. É notícia, já que se trata de uma das mais importantes figuras públicas nacionais. É politicamente irrelevante.»

    É politicamente irrelevante?
    deontologicamente criticável? Apenas? então a ética exigível a uma figura da mais alta importância para o governo de país é assim tão insignificante? Não devo ter percebido, certamente.

  25. 25 25  Manuel Silva

    O Senhor JC pode fazer o seu registo de interesses? Nos disponíveis? A sua escrita de fel é elucidativa. Da Extrema direita? Sossegue, a Terra continua a girar…Os portugueses deram a maioria ao PS, para que as mudanças tivessem lugar. Sócrates esta a fazer um bom lugar. Precisamos de menos Estado mas melhor Estado.
    Registo de interesses: trabalho no sector privado.

  26. 26 26  tms

    No seu comentário político na SIC Notícias, Mário Bettencourt Resendes procurou enquadrar os “esquemas” de Sócrates. Em primeiro lugar relativizou as questões rematando que “é mais um factor de descredibilização da classe política”.
    Não vejo porquê. Todas estas tramóias apenas atingem Sócrates e os dirigentes municipais da altura. Mais ninguém.
    O que descredibiliza a classe política é a sua acção política. O que descredibiliza a política, por exemplo, são as ausências e votos favoráveis de Manuel Alegre em contradição com os seus discursos fora da Assembleia da República. Quando se vota em Sócrates sabe-se, cada vez melhor, no que se está a votar. O que descredibiliza a política é pensar-se que se vota no Alegre quando discursa fora da Assembleia, e no fundo estar-se a votar no Alegre da Assembleia - fiel de Sócrates.

  27. 27 27  Dalila

    Os senhores jornalistas e comentadores podem entreter-se a vasculhar os arquivos e a discutir o passado de há 30 anos do PM,o povo preocupa-se mais é com a politica do governo e a forma como ela afecta a sua vida,decerto que em 2009 o que vai estar em discussão não é o passado do PM mas sim a sua actuação politica no presente.

  28. 28 28  eu mesma : A Esfumaçada

    Obviamente o que pretendia dizer não era (…do seu estatuto ético..) mas sim, Da sua ESTATURA ética..

    Aproveito para colocar uma pergunta.

    No meio desta (e de muitas outras) histórias e acontecimentos desta pólis, qual é o papel dos deputados ??
    Não deveriam ser eles os garantes da democracia? não estão eles mais habilitados que os jornalistas ?
    Pronto. são três perguntas…entre muitas mais que me bailam…

    Bom Carnaval Esfumaçadamente divertido

  29. 29 29  Daniel Oliveira

    José M. Sousa, eu defendo que os políticos devem ser avaliados pela sua acção política. Apenas por ela. E garanto-lhe que sou bastante severo na avaliação política que faço de Sócrates. O resto definiu-os como pessoas ou como profissionais. Não procuro homens inatacáveis para governar o país. Apenas bons governantes. E Sócrates é péssimo. E isso é que conta.

  30. 30 30  Daniel Oliveira

    ««Se, por exemplo, um jornal titulasse uma notícia sobre um recente caso em Rio de Mouro com um sereno “Mais uma vez, pretos matam”» violaria o seu livro de Estilo.

    Mas porquê?»

    Leia o livro de estilo do Público (e da generalidade dos jornais)

  31. 31 31  acrónimo

    Esta lógica é brilhante. O Público colocar um jornalista a vasculhar o que o Sócrates fez ou não em 1980 e publicar os “resultados” da investigação em 2008 (e em fatias para alimentar a telenovela) é liberdade de imprensa. Certo. Pois é. Mas alguém disse que não?
    E o PM desmentir a notícia e acrescentar que ela só se explica como peça de campanha política e de ataque pessoal? Já não pode? Já não é liberdade de expressão? Ou um PM perde esse direito pelo facto de o ser? Tudo bem, para o Daniel ele deveria calar-se, expiar e fazer autocrítica em público, mas tem que ter paciência. Vivemos em fascismo, é certo, mas a prática da autocrítica é mais tipo estalo-maoismo, também não pode exigir tanto do ditador Sócrates.
    E quem é que falou em campanha do Público por causa da oposição do Sócrates à Opa? Foi o Sócrates? Não, mas se não foi ele foi algum amigo, o Daniel põe-lhe as palavras na boca e a seguir critica-o. Brilhante. Com jornalistas, perdão, colunistas destes íamos longe…

  32. 32 32  Bolota

    “ O professor de Direito Paulo Otero disse ontem que o comportamento de José Sócrates ao acumular o cargo de deputado em regime de exclusividade com a actividade profissional no sector privado não comportou “qualquer ilícito legal”.”

    http://www.correiomanha.pt/noticia.asp?id=276324&idselect=21&idCanal=21&p=200

    Oi Moços,

    A leitura que faço das palavras do Professor Otero, é que o engenheiro recebeu mesmo o Subsídiozito…verdade???

    Ainda nã sei qual vai ser a minha mascara, mas por este andar, deve se a de totó….

    Abraços

  33. 33 33  Nik

    “E Sócrates é péssimo” (Daniel Oliveira)

    Daniel, péssimo relativamente a quem? Quem fez melhor do que ele até agora: Santana, Durão, Guterres, Cavaco, Soares, Balsemão, Sá Carneiro, Vasco Gonçalves, Marcelo Caetano, Salazar? Ou serão todos eles péssimos pelo seu critério “severo”, mas talvez pouco objectivo e rigoroso?

    Indique um ou dois erros graves de governação de Sócrates e diga-nos como é que ele os poderia ou deveria ter evitado.

  34. 34 34  eu acho

    Eu acho que era uma boa deixa pra perorar sobre a natureza da propriedade dos media e as suas ligações ao grande capital e seu impacto na pluralidade de visões da sociedade.Por acaso o dono do blog ainda não reparou no monolitismo dos media pq simplesmente isso não lhe interessa para nada,excepto em Cuba,como não poderia deixar de ser…

  35. 35 35  eu mesma : A Esfumaçada

    “Caso Sócrates tenha assinado projectos de que não é autor isso é deontologicamente criticável. ”

    “Se no desmentido, Sócrates tivesse mentido, isso seria bem mais grave.”

    Porquê???

    assinar projectos de outros…é dizer a verdade?

    “Não procuro homens inatacáveis para governar o país. Apenas bons governantes.”

    Então…o que tem a ver a verdade (ou se preferir, a mentira) com a política, como a entende: “governar o país”?

  36. 36 36  Fado Alexandrino

    Muito obrigado.

    Conforme poderá verificar no meu blog o Público só por decisão judicial reparou o nome de duas pessoas que envolveu em mentiras.
    Os jornalistas deste mesmo jornal sempre tão atentos aos pecadilhos do vizinho não conseguem olhar para eles próprios.
    Isto é aliás natural.
    Faz parte do código genético da maioria dos jornalistas portugueses.
    Mas do seu celebre livrinho retiro a seguinte passagem:

    1 — Deve prevalecer a equidade de tratamento: se não é curial referir que o assaltante X tem olhos azuis, é algarvio e gosta do Benfica, por que razão é preciso dizer que é “cabo-verdiano” ou “de etnia cigana”, por exemplo? Em síntese: a raça (ou a etnia, ou se é homossexual, ou alcoólico, ou deficiente físico, etc.) não é relevante, não se menciona; se se menciona, tem de se justificar. Ainda no caso racial: “Jovens negros andam a assaltar os comboios da linha de Sintra”? Só jovens negros? “Cigano preso por esfaquear…” Só os ciganos esfaqueiam? Por isso, se for relevante referi-lo, é preciso que haja o indispensável enquadramento.

    Conforme pode verificar “bem dizer mal fazer”.
    Como exemplo basta lembrar que aquando do recente incidente com um presumível adepto benfiquista em Guimarães foi isso mesmo que foi relatado em contradição com o que o livrinho aponta.

    E mais, neste simples parágrafo o jornalista sentado à sua secretária imagina o que acontece no comboio de Sintra e veja o cuidado que ele têm. Simboliza as coisas mas abstracta com “cabo-verdiano”.
    Olhe os meus filhos são Moçambicanos e não são negros.

    O problema é que imagina mal.
    Na verdade 99% dos problemas, agressões e roubos naquela malfadada linha são efectuados pelos marginais tão melancolicamente descritos pela Kátia Catulo.
    Então porque é que havemos de ter medo de chamar os bois pelos nomes?
    Porque é preciso que haja o indispensável enquadramento ou seja os tolinhos que compram os jornais têm que ser pastoreados através das notícias.

    O Botas também pensava assim!

  37. 37 37  Daniel Oliveira

    «Por acaso o dono do blog ainda não reparou no monolitismo dos media pq simplesmente isso não lhe interessa para nada,excepto em Cuba,como não poderia deixar de ser…»

    Por acaso sou autor de um projecto de Lei contra a concentração da comunicação social.
    Por acaso deve haver poucos assuntos sobre os quais tenha escrito mais do que sobre o monolitismo político e ideológico da nossa comunicação social.
    Por acaso, espero que conheça a imprensa cubana para perceber que a comparação é mais do que absurda.

  38. 38 38  Zé Bonito

    “O comportamento do primeiro-ministro como engenheiro é politicamente relevante?” É. As questões do ordenamento do território são assunto prioritário da agenda política portuguesa. Os atentados cometidos estão relacionados com um modelo de “desenvolvimento” baseado na especulação e na exploração até ao tutano do mercado interno. Foi isso que legitimou a liberdade de manobra de que gozou a construção civil durante anos. Foi isso que nos colocou no estado em que estamos. Ora, o actual pm, enquanto profissional de engenharia, não só pactuou com, como beneficiou disso. Ou é esse o seu conceito de desenvolvimento, ou é…pragmático. Aliás, não será o espírito PIN uma versão elaborada daqueles projectos? Por isso, parece-me bem significativo, politicamente falando, a atitude do engenheiro, hoje primeiro-ministro.

  39. 39 39  H V&P

    Por vezes alguns “iluminados” tendem a fazer grandes construções jurídicas; convido a olhar para a lei com um Dicionário de Português ao lado: porque há coisas, bem mais simples do que querem fazer crer…

  40. 40 40  JC

    Abusando deste espaço, respondo ao Manuel Silva fornecendo o registo de interesses que tanto lhe interessam.

    Ainda não nos disponíveis, mas para lá caminhando; da extrema-direita, mas numa nova categoria, que defende a liberdade própria e a dos outros, e para quem a ética não é palavra vã; portanto, talvez uma neo-extrema-direita.

    Em relação ao menor estado. Trata-se dum menor estado com menos funções ou de um menor estado com menos pessoas? Sou defensor das duas situações, desde que as menos pessoas não sejam só mentecaptos como o Manuel Silva.

    Agora, para a geral. Os políticos devem ser julgados apenas pelas suas políticas? Essa é boa! Esta pode ser maneira de ver dos próprios políticos profissionais, que só pretendem ser julgados à posteriori, depois de terem enganado os eleitores, ou daqueles, pertencentes a um partido, que votam no seu partido porque confiam nele. Mas, e o comum das pessoas? Como poderão elas aquilatar das intenções e das promessas dos políticos se não através da confiança que eles lhes mereçam enquanto pessoas? Estarão condenadas a julgá-los apenas depois de terem sido enganadas? Julgo ser muito redutora a ideia de que os políticos apenas devem ser julgados pelas suas políticas. Além do mais, porque raramente um vigarista e um mentiroso compulsivo faz boa política; se o fizesse seria como negar-se a si próprio.

    Para além de um sujeito sem talento algum, medíocre mesmo (ultrapassando o seu comparsa Lopes), este sócrates é um indivíduo sem escrúpulos, que mente descarada e impunemente e cuja falta de carácter está patente nas pequenas falcatruas com que foi subindo na vida. Essa falta de carácter está por detrás do seu autoritarismo e da forma como tem governado o país, casuisticamente, tendo a redução do défice como obsessão porque alguém assim lhe segredou. Agora, que se aproximam as eleições e a recessão, que leva o próprio FMI a recomendar o aumento do défice para combatê-la, sempre quero ver o que irá restar dessa famigerada redução do peso do estado na economia, a grande bandeira da sua política.

    O que o jornal Público faz é jornalismo. E do melhor jornalismo. Neste caso, o interesse do Público pela personalidade (profissional e política) do sócrates só peca por tardio, e por acontecer depois de ter embandeirado na campanha de promoção de um medíocre, quando isso convinha ao belmiro, antes da opa; mas nem essa mácula lhe pode retirar a qualificação de ser o melhor diário português. E a sua linha editorial ser pluralista, talvez menos do que poderia e deveria ser, expressando posições variadas e diferentes das do jmf, só pode ser salutar; mau seria se todo o jornal alinhasse pelas opiniões do jmf. O fernandes tem muitos defeitos, como todos nós, mas ele também tem de gerir muitos interesses e conflitos no interior do jornal, e isso não deve ser fácil. Mas não me admirarei se um destes dias acordarmos com um Público com outro director. O pessoal parece já não se recordar das passagens do nicolau santos e do xico cabral pelo jornal e da insipidez que ele foi nesses curtos períodos. Quem sabe se não viremos a ter saudades do fernandes como director do Público.

    Seria de toda a conveniência deixarmo-nos de olhar este caso sob a perspectiva da estética dos mamarrachos do tipo “la maison com janelas a la fenêtre”, sob a perspectiva do contorno da lei assinando projectos feitos por outros impedidos de os assinar por serem os seus próprios fiscais, sob a perspectiva do desempenho de funções privadas quando em regime de exclusividade na assembleia, mas fixarmo-nos na declaração que fez sob compromisso de honra asseverando que desempenhava, desde 1982, as funções de responsável técnico duma empresa de construção civil e na afirmação de que desde 1989 não exercia qualquer actividade fora da política. É a leviandade com que um tal sujeito trata a sua própria honra que é reveladora da sua falta de carácter. Pode-se confiar num tal escroque para desempenhar as funções de primeiro-ministro?

    O caldo de cultura da falcatrua, do contorno da lei, do tráfico de influências, do compadrio, do peculato e da pequena corrupção é o que faz com que a corrupção dos negócios com o estado e os tratamentos de favor com os poderosos vão medrando na impunidade que ofende até os mais distraídos. E é desse caldo de cultura que a conduta do actual primeiro-ministro é exemplo, tanto na sua vida privada como na sua acção política.

  41. 41 41  José Neves

    Caro arrastão,
    diz “Os jornais trazem notícias. A isso chama-se liberdade de imprensa. O que interessa é saber se são verdadeiras ou falsas”. Então admite calmamente que os jornais mintam à partida, que aos jornais é permitido que mintam e, por extensão, possam inclusivamente apenas escrever mentiras. Claro depois os mui “letrados” portugueses que façam a destrinça do trigo do joio por meio de mais noticias explicativas e polémicas novamente verdadeiras ou falsas e por aí adinte.
    Ao PM queremos assepticamente puro, para além da sua dimensão humana mas aos jornalistas aceita-se que sejam mentirosos. Ao PM exige-se uma ética e moral irrepreensível desde que nasceu , aos jornalistas basta encham os jornais de notícias com ética ou sem ela. Para o jornalista basta o acesso a um jornal e a sagrada liberdade de imprensa para fazer política, mas ao político PM fazer a sua política com os jornais é propaganda.
    Afinal, parece que na caixa de pandora não ficou só a esperança, tambem ficaram os jornalistas que ainda vivem junto dos deuses como anjinhos.

  42. 42 42  Manuel Leão

    Não tenho conhecimentos para avaliar da bondade da tese de Vital Moreira. Sendo assim, apenas me resta reconhecer que Sócrates deve ter, de facto, muitos amigos no Concelho da Guarda, a julgar pelos inúmeros projectos “de favor” que têm sido publicados na imprensa e na Net.

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