Fernanda Câncio foi contratada pela produtora Contra Costa para apresentar um pograma na RTP2 sobre bairros problemáticos. Agostinho Branquinho, do PSD, resolveu levantar dúvidas sobre este facto. Na minha infinita inocência, pensei: deve haver alguma coisa escandalosa naquele contrato para o PSD estar a levantar esta questão sobre um acto administrativo de uma televisão. Desilusão. Para Branquinho o problema é este: «torna-se incompreensível que a RTP contratualize com entidades externas a feitura de programas para a sua grelha».
Fará este senhor a menor ideia do que está a falar? A RTP (como a SIC e a TVI) contratualiza todos os anos dezenas de programas com produtoras externas. Sempre o fez e sempre o fará, porque não se faz televisão de outra forma. Basta olhar para a grelha da televisão pública neste preciso momento. O que Fernanda Câncio fez - ser contratada por uma produtora para apresentar um programa que é fornecido à RTP - já fizeram centenas de jornalistas e é a coisa mais banal deste mundo, como eu próprio posso testemunhar. Trabalhei, quando era jornalista, em três programas da RTP - “Juízo Final”, como jornalista, “Loja do Cidadão”, como editor, e “O Trabalho”, como autor. Todos eles foram contratualizações externas a produtoras, como aliás o “Eixo do Mal”, da SIC. Onde estava então o PSD? Onde está todos os anos, de cada vez que isto é feito?
Se o problema não é a existência ou os termos do contrato com uma produtora, nem o facto dessa produtora contratar jornalistas, então o problema deve ser com a própria jornalista. Mas porquê? Fernanda Câncio é ministra? É dirigente do Partido Socialista? Tem ou teve alguma função incompatível com a profissão de jornalista? Em algum livro de estilo de qualquer órgão de comunicação social algum facto na vida de Fernanda Câncio a impediria de fazer um programa sobre bairros problemáticos? Houve alguma pressão da administração - como aconteceu no passado, quando o PSD estava no governo - para ser ela a apresentadora? A sua carteira profissional caducou?
Claro que não e vou deixar de fazer o número do sonso. Mal li as declarações do senhor Branquinho percebi que o objectivo era a insinuação do que não pode ser dito. Que não havia rigorosamente nada para atacar. Que se queria fingir que havia para fazer insinuações e voltar, dois anos depois, à vida intima de Sócrates, agora em versão hetero. Infelizmente ninguém disse ao senhor Branquinho que gente com coragem ou diz o que tem a dizer ou se cala. E se tem vergonha de o dizer, provavelmente isso é um excelente sinal de que o melhor é mesmo ficar calado.
Por fim, qualquer pessoa que acompanhe os jornalismo em Portugal conhece há anos Fernanda Câncio. Muito antes de Sócrates ser relevante na política nacional. Uns gostam do seu trabalho, outros não. Eu gosto. Mas nem Fernanda Câncio precisa de cunhas para ser jornalista, nem o PSD devia precisar deste truque manhoso para fazer oposição. Sócrates e o governo têm muito por onde atacar. Um bocadinho de nível, por favor.
Reparo que a transferência de ministros para os conselhos de administração de empresas com quem assinaram contratos não preocupa o PSD. Prefere a insinuação de alcoviteira, que agrada a alguns bloggers. É normal. Os rapazes também hão de voltar a ser ministros e depois disso ex-ministros. Não se assusta a caça. Do que é importante não se fala. Fica-se pela coscuvilhice da revista cor-de-rosa.
Publicado por Daniel Oliveira 5 de Abril de 2008 em Jornalismo, PSD



Boas…
De facto este ataque à jornalista F.Câncio é rídiculo.
Quando se quer atacar alguém, ataca-se a pessoa dirctamente e não interpostas pessoas. O que é o caso.
Apesar de não partilhar das ideias sociais e políticas de José Sócrates, a sua vida particular apenas a ele diz respeito.
Quanto á jornalista em si e ao programa para que foi contratada, estou com o Daniel; é apenas mais uma situação normal dos Media.
abr…prof…
Não gosto particularmente do estilo da jornalista, mas tenho de reconhecer razão na essência do post: as razões que movem o Branquinho são escurinhas. Quanto à subcontratação externa, pois se é assim que funciona, que se há-de fazer? quem quieser facturar tem de aceitar. Haveremos de ver empresas de audiovisual com chineses ou polacos(que tiram cursos de português em Pequim e em Varsóvia) vir por aí abaixo produzir documentários com qualidade e por metade ou menos do preço; e sem dúvida pq não estando viciados no “meio”, conseguirão apresentar um trabalho ideologicamente (hellas! a Técnica) mais desempoeirado que a Câncio. Não é da liberalização que trata a directiva Boskestein agora integrada na nova constituição europeia?
xatoo, a contratação de programas a produtoras não é exactamente o mesmo que outro tipo de outsourcing. A RTP é uma emissora, não tem de produzir ela própria tudo o que emite. Não tem produzir todas as séries que emite, não produz os filmes que passa, etc. Assim como eu não quero, por exemplo, como colunista do Expresso ou como opinador num proigrama da SIC, que me ponham no quadro destas empresas. Há coisas que são mesmo externas à empresa. Há outras que não e o que é grave é que o outsourcing não é mais do que uma forma de não ter vínculos laborais para funções que são absolutamente internas.
Faz-me mais confusão os media deixarem-se usar pelo Sr. Branquinho para difundir a sua mensagem alcoviteira como bem disse Daniel, sempre sem referir o que está por detrás da noticia.
Jornalismo do copy/paste no seu melhor (Sol/DiarioDigital/PortugalDiario/TSF… todos via Lusa provavelmente)
O Agostinho Branquinho deve-se ter enganado do Partido… devia querer pertencer o Partido Comunista. Às tantas já pertenceu, mas não dão grandes tachos…
Os ataques que estão a ser feitos a Fernanda Câncio visam Sócrates.
São soezes, maldizentes, e venenosos para a opinião pública!
Daniel Oliveira, o que escreve aqui sobre Fernanda Câncio, subscrevo 100%.
Leitora atenta do que ela escreve, fiquei interessadíssima no programa anunciado, sem me aperceber de que já estava em marcha uma campanha ignóbil que lhe estao a mover, a partir das dúvidas do deputado do PSD!!! Nela estão , porém, incluídos alguns colegas de profissão que de imediato se prestaram a esse serviço! Em nome de quê??? política suja e baixa!!
O daniel deveria ter ouvido hoje o Mesa para 4 no Radio Clube.
Que maravilha de consonância entre António Costa, Paulo Rangel e Maria josé NOgueira pinto.
Como eu escevi é a Corporação do Tacho
“ fiquei interessadíssima no programa anunciado..”
Rosinha, qual programa??? Fernanda Câncio, por seu turno, negou à Lusa ter sido contratada para apresentar um programa na RTP.
«Acho extraordinário que se façam requerimentos sobre coisas que não existem», comentou
Apesar disso… O ex-administrador da RTP, Luís Marques, negou qualquer envolvimento na contratação de Fernanda Câncio para apresentar a segunda série do programa «O Meu Bairro»
Afinal ??? E já agora , porque tem Luís Marques, ex-administrador da RTP, necessidade de se justificar sobre coisas que não existem???
Sabe que mais??? Começo a não perceber de que lado está o truque manhoso
http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=87696
Caro DO,
Aplique o mesmo raciocínio ao post a que deu o título: “Hora do pagamento”
O Branquinho, se tivesse vergonha estava calado.
A verdade é que o Daniel sabe, eu sei e muita gente sabe porque levantou Agostinho Branquinho esta questão e porque Luís Marques se apressou a divulgar não ter nada a ver com a contratação de Fernanda Câncio.
Infelizmente parece ser um dado adquirido que, neste país à beira-mar plantado, tudo se resume a mesquinhos jogos de interesse e luta pelo poder. À má fila.
Com múltiplas nuances. É fácil falar em pagamento, por exemplo. Não é? Mas não estou agora aqui para lhe cobrar essa. O Loucã chama-lhe indecência.
Não conheço pessoalmente a Fernanda, mas sou frequentador assíduo do 5 dias. Até mais do que do Arrastão, porque o Arrastão tem a particularidade de ser um dos três blogues com capacidade para fazer crachar repetidas vezes o meu já velhinho computador. Só por isso.
Gosto de ler o que a Fernanda escreve, embora na maioria das vezes até esteja em desacordo com ela. Apenas isso. Nunca pequei com ela nem em pensamentos, nem em desejos. Registe-se pois esta minha declaração. Está na moda e escusam de vir depois dizer que eu era parte interessada.
Já agora registem também esta. Não sou socrático. Antes pelo contrário. Os poucos que me lêem sabem bem que dizer isto é pouco.
Mas respeito a Fernanda Câncio. Respeito o José Sócrates. E respeito acima de tudo a maneira como decidiram viver.
A insinuação de Agostinho Branquinho é mórbida, nojenta e ignóbil.
Ao fim de quase 34 anos, ainda estamos longe de viver numa democracia. Infelizmente. E eu nem sequer sou democrata.
Quem não quer ser lobo não lhe veste a pele…
Cumprimentos,
Um problema que só se resolve de vez privatizando a RTP. Gostava de ler os comentários do Daniel se com o PSD no poder o contratado fosse Luís Delgado.
“A jornalista do «DN» vai apresentar um programa dedicado a bairros problemáticos, (…) «durante este ano 2008, que é o Ano Europeu da Multiculturalidade»”
Esta notícia refere aquilo que todos sabemos: Bairros Problemáticos é sinónimo de Multiculturalidade. É por isso que um grande defensor da multiculturalidade, como o DO, sempre que se fala em bairros problemáticos enfia a cabeça na areia qual a avestruz.
Quanto ao resto, eu gostaria de ver qual a reacção do DO e restantes comentadores caso a RTP andasse a dar tachos a alguma concubina do Santana Lopes quando este era Primeiro Ministro…
Bom post!
Claro que nem vou perder tempo a explicar que não tenho nada que me ligue a F.Câncio nem Sócrates…
«Aplique o mesmo raciocínio ao post a que deu o título: “Hora do pagamento”»
Ok
Jorge Coelho foi ministro?
Sim
É dirigente do Partido Socialista?
Sim
«Tem ou teve alguma função incompatível com a profissão de gestor da Mota Engil?
Sim
Em algum critério ético algum facto na vida de Jorge Coelho a impediria de ter esta função?
Sim
Pronto, já apliquei o mesmo raciocínio e dá tudo ao contrário.
Delgado = mau, Câncio = booooooom
…
De qualquer forma, não se percebe as queixas sobre a queixa do Branquinho. Ele usa os mesmos argumentos que a esquerda sobre a externalização de serviços por parte da adm.pública.
É fantástico, de facto, ver o silêncio do PSD sobre o novo posto de Jorge Coelho. Salvo erro, nem uma linha sobre este assunto…
o PSD não fala sobre cargos politico corporativos pq se estão a resguardar para a nomeação do Barroso para uma qualquer multi tipo Galp-Sonangol-Petrobrás quando retornar exilado da aventura neocon
DO, já agora por truques manhosos.
«Se estivéssemos inscritos no Bloco de Esquerda (BE) ou no Partido Socialista (PS) não estaríamos na rua», acusou por sua vez Nuno Teixeira, outro dos funcionários agora no desemprego.
http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Politica/Interior.aspx?content_id=87807
Estas coisas de se condenar a atitude do Coelho e bem, defender a Câncio e mal, e assobiar para o lado quando se trata de questões de trocos…que mais não são do que a essência da politica, o povão…
Mas ainda a questão Câncio V Sócrates quando diz que: “ Pronto, já apliquei o mesmo raciocínio e dá tudo ao contrário.”
Não sei se está tudo ao contrário. Até porque , namorada sempre é namorada e nos seu escritos não se vislumbra qualquer tipo de isenção.
Num dos países nosso parceiro da Europa, um ministro pediu a demissão por ter tido um caso amoroso com uma jornalista.
A demissão, nem sequer teve a ver com o caso, enquanto caso, nem se era casado ou deixava de ser. Demitiu-se porque a promiscuidade entre a politica e a impressa não era de bom-tom, vamos dizer assim.
Por cá, como andamos sempre á frente….o 1º Ministro namora com uma Jornalista e nada acontece. Bem pelo contrario…
Mas é vida privada e eu não tenho nada a ver com isso. Pois, e eu?? Não tenho direito mas a minha vida privada??? É chafurda-a quando ele muito bem entender.
Um abraço
As declarações do sr. Branquinho são pornográficas. Por este andar temos o PSD a actuar no muito mediático Calor da Noite.
Seria igual o raciocínio, se aplicado ao caso de há anos em que se envolvia um secretário de Estado e um actriz brasileira?
Não, não seria, porque não houve nenhuma decisão do primeiro-ministro.
1. Não sei com quem Sócrates namora. Nunca o disse publicamente.
2. Se um político em algum lado se demitiu por namorar com uma jornalista é porque anda tudo doido.
O Daniel tem toda a razão,mas alguns jornalistas nestes casos tambem ajudam á festa.Estou a lembrar-me da fotografia na 1ª página do DN,da mulher do Presidente da Camara de Lisboa,pelo facto de ela ter participado na manifestação dos professores,como se ela fosse obrigada a pedir licença ao marido para fazer o que quer que seja.Voltando ao PSD,já não se devem lembrar do que fez Rui Gomes da Silva quando era ministro acerca das crónicas da Marcelo Rebelo de Sousa na TVI.
Fernanda Câncio é a maior jornalista portuguesa, uma das maiores da Europa e seguramente está entre as cinquenta maiores do Mundo.
É a maior especialista portuguesa em bairros periféricos.
Grande conhecedora dos problemas do aborto das divergências entre cristãos.
Além disso, o que não interessa mas é verdade, é belíssima.
O cargo está muito bem entregue.
Gostava mesmo de a ver como primeira-ministra.
Excelente post. Nada a acrescentar, a não ser que com tantas coisas de bradar aos céus, até dentro do canal do Estado, o PSD se venha preocupar com isto. É demais, e o que é impressonante é que até a mim me deprime o estado a que este partido chegou.
Só um acrescento ao que escrevi sobre este assunto no meu blog.
Por qu raio não pode um cidadão questionar o PSD pelo facto de ter um deputado desta estirpe?
afinal, se são os portugueses a pagar o vencimento desse projecto de deputado, têm todo o direito em exigir o dinheiro de volta!
jcd
5 Abr 2008 às 23:45
o comentário acima é igualzinho aquela tirada do filho do major sobre o Apito Dourado, cito de cor: “fazia o que todos faziam…”
Mas o que e que tem a vida privada das pessoas que ver com o trabalho que desempenham?
Terao que se demitir para poder continuar a viver?
A unica coisa que se lhes deve exigir e que façam o seu trabalho com competencia.Nada mais.
«… Que se queria fingir que havia para fazer insinuações e voltar, dois anos depois, à vida intima de Sócrates, agora em versão hetero.»
Ainda antes de ter lido isto no Arrastão, comentei no 5Dias.net que:
« ser verdade o que dizem alguns jornalecos da coscuvilhice, o que é grave é a namorada de um político da oposição andar a passear com o querido em vez de estar lá no seu posto de trabalho… E a papelada para baixo e para cima para despacho, em excesso de velocidade, porque o dito não tem o dom da ubiquidade… Sendo óbvio que neste folclore jagunço o objectivo não é atingir Fernanda Câncio… que não anda por aí a mostrar-se com o querido e, que se conste, comparece todos os dias no seu local de trabalho. Estes episódios são a evidência mais porca da porca da política.»
Pobres políticos estes que temos que sustentar.
Obviamente que tudo isto é um fait diver! Mas, se é verdade que o cidadão Sócrates tem uma relação pessoal afectiva com a cidadã Fernanda Câncio (cujos méritos não discuto!) parece-me que um dever de reserva justificaria que a jornalista recusasse o convite!
É injusto que a jornalista se prejudique profissionalmente por ter uma relação afectiva? É, claro que sim! Mas são as regras da transparência!
Aplicava-se o mesmo a um filho ou irmão do PM, por maior que fosse a sua competência!
«se é verdade que o cidadão Sócrates tem uma relação pessoal afectiva com a cidadã Fernanda Câncio (cujos méritos não discuto!) parece-me que um dever de reserva justificaria que a jornalista recusasse o convite!»
Com comentários destes, resta comentar que alguns cidadãos merecem os políticos que têm.
@j - Não gosto de trocar palavrinhas em blogues alheios (porque não o admito no meu!), mas fiquei curioso: terá a gentileza de explicar a sua enigmática frase?
Posso saber de que maneira a mente retorcida d@ HV&P consegue vislumbrar algum conflito de interesses entre ser namorada do primeiro-ministro e fazer uma reportagem sobre bairros problemáticos?
Isto claro, partindo do princípio de que HV&P não é estúpido ao ponto de pensar que um jornalista deve deixar de se sustentar fazendo o seu trabalho porque tem alguma relação com o primeiro ministro (vêm-me à cabeça uns quantos mais conhecidos que a F. Câncio que não achariam graça à ideia).
André M.. a mente distorcida do h, que assume as posições que defende, quer no blogue, quer na radio e imprensa escrita da sua cidade, sustentou que, caso seja verdade a existência de uma relação afectiva entre um cidadã e um cidadão que ocupa o lugar de PM, a cidadã deveria abster-se de celebrar contratos com um canal do Estado!
Obviamente, que há sempre sempre a possibilidade de ser estúpido, mas entendo que a defesa da transparência exige posições de princípio, ainda que, por via disso, a jornalista fosse impedida de realizar um trabalho que acredito, mais que benesses financeiras, lhe daria prazer pessoal!
Claro que pode ser injusto! Mas, viver segundos regras, valores e princípios, muitas vezes é!
Mas… quiçá sejam delírios de uma mente retorcida e estúpida, que sempre se recusou trabalhar em locais que familiares eram responsáveis, directos ou indirectos, pelas contratações!